Capítulo 34


Os dias tem sido estressantes e dolorosos, eles se passaram e eu completei oito meses de gestação, Heloisa tem estava muito agitada e me causava enjôos constantes.

Em casa, havia montado o lindo berço da minha filha bem ao lado da nossa cama, tinha uma pequena comoda que guardava suas minusculas e delicadas roupinhas.

Morar com Arthur tem sido um grande pesadelo, ele parece mais grosso e menos atencioso, não pergunta como estou e mal me beija, eu não ligo muito pra isso, mas temo pela atenção que ele deve à Helô quando nascer.

Léo tenta se manter calmo, mas eu noto sua impaciência quando falamos de Arthur, ele quer que eu saia logo de casa, seja radical e vá morar com ele, não dá pra ser assim, ou dá? Não sei, acho que não, a verdade é que eu tenho agido mal e a grande prejudicada sou eu, estou vendo a vida passar e as coisas se acomodarem do jeito que querem, não sei de onde tirar força e coragem para agir, eu sempre tive medo de mudanças, não mudava nem a cor dos cabelos por receio de não gostar do resultado, quem dirá minha vida por completo, era algo que me prendia, estava acostumada com a vida que levava, não era boa, eu sei, mas a gente acostuma até mesmo com as piores coisas, meu suposto amor que sentia por Arthur era puro convencimento e uma questão de costume , quando a gente ama uma pessoa, acredita-se que esse sentimento será para sempre, a gente põe na cabeça que ama e é isso, e quando a coisa se esfria, não nos permitimos a tal informação, uma vez que se tem uma certeza do amor, um convencimento de sentir.

Era uma segunda-feira, o sol da tarde já se fizera mais reluzente e eu ainda não havia levantado da cama, estava fraca e sem ânimo, Arthur saiu bem cedo para trabalhar e eu desejei que ele não voltasse nunca mais, logo minhas esperanças foram cessadas pela voz hostil que soou da sala.

- Ester?!

Não fiz questão de responder, estava a fim de dormir mais, porém em questão de segundos ele apareceu e se encostou no batente da porta.

- Algum problema? Por que não me responde? -perguntou me irritando.

- O que quer?

- Agora esquece, né? -fez uma cara de tédio. -Está tudo bem? -desconfiou pela falta de atenção, normalmente eu o responderia mal e uma briga começaria.

- Sim. Por que não estaria? -indaguei.

- Hum. Eu vou dá uma saída. -afirmou. Eu quis perguntar porque ele veio em casa se não ficaria nem cinco minutos, mas me calei e virei para o outro lado encarando o berço imaginando como seria o rosto de Helô.

As coisas pareciam sem sentido, definitivamente eu não estava bem, nunca fui assim, tão baixo astral.

Pensando no rumo que a minha vida tomou, uma lágrima deixei escapar, logo inúmeras delas inundaram o meu rosto chegando me fazer soluçar, era quase uma depressão pós nada, ou pós pensamentos, somente, pois era só o que eu tinha feito, pensado na vida e a tristeza tomou conta de mim.

Meu celular tocou encerrando aquele momento mórbido.

Léo. Estava escrito no visor.

- Oi... -atendi num fio de voz.

- Di... O que aconteceu? -não bastava muita coisa pra ele perceber o meu estado.

- Não é nada. -menti mais por não saber explicar.

- Você está chorando, Di. Me fala o que houve. -pediu num tom calmo que também me acalmava.

- Ah, eu realmente não sei Léo, acho que só é tristeza... -funguei o nariz.

- Di... -não pude ouvi suas ultimas palavras, a ligação foi encerrada.

Eu precisava levantar e comer alguma coisa, meu estômago queimava por falta de alimento e minha cabeça estava prestes a explodir de dor.

°°°°°

Não sei por quanto tempo dormi, mas acordei com alguém gritando por mim do lado de fora. Léo. LÉO?! Meu Deus, o que ele estava fazendo aqui?!

Me levantei em um pulo e desci correndo a estreita escada, por pouco eu não rolava escada a baixo, abri o portão rapidamente.

- Léo, você não pode vir aqui! -temia por Arthur chegar a qualquer momento.

- Eu preciso saber o que está acontecendo. -ele disse sério e eu lembrei das lágrimas recentes que derramei.

- Entre. -falei insegura.

Não sei como ele me achou, não lembro de ter dado meu endereço.

- O Arthur... Ele pode..

- Eu não tenho medo dele. -Léo me interrompeu.

- Mas...

- Fala. O por que você estava chorando daquele jeito? -novamente me interrompeu. Eu odiava isso, mesmo quando sabia que ia falar besteira.

- Eu estou perdida, Léo. PER-DI-DA. -falei pausadamente para que entendesse o grau do meu desespero.

- Calma. Me explica. -segurou a minha mão.

- Eu não sei o que fazer, não aguento mais ficar nessa casa, eu sei o que você vai dizer, mas não é bem assim, sei lá... Tenho medo. -desabafei.

- Medo do que? -ele ainda parecia calmo.

- De mudar. -falei sem saber se ele entenderia.

- Senta aqui. -ele pediu e sentamos juntos no sofá duro. -Eu entendo, mas você quer viver assim até quando? Eu sei que você é infeliz com ele, está esperando o que pra sair daqui e segui uma vida melhor? -disse parecendo triste.

Eu não sabia que ainda existia lágrimas dentro de mim, mas sim, elas estavam lá loucas pra rolar.

- Eu sei, mas é difícil. Você não entende. -disse piscando os olhos pela ardência das lágrimas que por sua vez já molhavam o meu rosto .

- Eu vou te ajudar. Só preciso pensar em algo. -ele riu fraco. Eu o abracei.

Ficamos alguns minutos alí, raramente falávamos, eu estava apenas sentindo seu perfume que exalava e ele mexia nos meus cabelos.

- Léo, é perigoso você ficar aqui, melhor ir embora. -disse com medo.

- Tem razão, mas você vai ficar bem? -perguntou me olhando.

- Acho que sim. -disse.

- Qualquer coisa você pode me liga. Ok?

- Ok.

- Eu vou indo que tenho que trabalhar. -disse me dando um selinho rápido.

- Amanhã é dia da consulta. Você vai comigo? -perguntei antes que ele partisse.

- Sim. Você me liga?

- Está bem. Obrigada por vir aqui. -consegui sorri pela primeira vez.

- Não me agradece. -fez um carinho no meu rosto e logo foi. Pude ouvi seus passos pesados e firmes sumindo à medida que se afastava.

- O que é que eu ainda estou fazendo nessa casa? -me perguntei observando o homem maravilhoso que Léo era.

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