Capítulo 31
Alguns dias se passaram, eu não podia dizer que a vida estava ótima, mas estava normal, naquela mesmice, sabe? Acho que eu não me incomodava com isso, meu único incômodo é as vezes quando paro pra pensar na minha vida, na relação com Arthur, é estranho, as vezes me arrependo de tudo, as vezes penso que valeu a pena pela minha filha, penso como será depois que ela nascer, se Arthur mudaria, se ficaria um pouco mais amoroso e nos daria atenção... Porque nossa vida se resumia a trabalho e casa, principalmente a dele, o via no comecinho do dia, e logo mais a noite ele chegava teoricamente cansado, não conversamos diteito quase nunca, nossa relação estava fria, e eu duvidava do amor que ele dizia ter, mas como sou uma pessoa acomodada, admito isso, ia deixando a vida me levar, sem medir nenhum esforço pra mudar sequer alguma coisa.
À essas horas eu estava no meu trabalho, tentando o fazer direito, pois o cansaço agora fazia parte da minha rotina .
- Ester, quando você acha que vai parar de trabalhar por conta da gestação? -Mônica me perguntou.
- Eu vou até onde der, Mônica, se possível até os nove meses... Preciso comprar as coisas para minha filha. -falei pensativa. Que se dependesse de Arthur, as coisas não andariam...
- Tá louca?! Precisa perguntar ao seu médico, menina. -observou ela.
- Tem razão. Eu vejo isso logo. -disse.
Ela apenas sorriu e foi atender um senhor que estava em busca de seu terno que deixara ali no dia anterior.
****
O dia se passou, eu já estava saindo do trabalho e Léo apareceu, um sorriso se desenhou em meus lábios, eu já não o via desde o velório do meu pai.
- Como vai, Di? Eu fiquei preocupado. -ele chegou perto de mim.
- Desculpa por não dar noticias, estava meio desolada. -sorri fraco.
- Tudo bem... -fez um gesto vago com a mão. -E como vai esse bebê aí em? -ele riu pondo a mão na minha barriga.
- Acho que com fome. -ri lembrando que não tinha comido nada praticamente o dia todo.
- Ora, então vamos ao restaurante. -ele apontou para o meu antigo trabalho.
- Hum... Sabe o que é, Léo? É que eu estou com uma mega vontade de comer cachorro quente. -suspirei sentindo o cheiro de molho que vinha de uma barraquinha próxima.
- Então vamos, né? Não quero que Heloisa nasça com cara de salsicha. -disse me fazendo rir.
Quando eu ficava perto de Léo era uma coisa diferente, ele poderia ficar perto de mim sem dizer uma palavra, apenas ficar, me deixar admirar aquele sorriso bonito, era só, eu simplesmente gostava de ficar perto dele.
'Que fase de merda, não saber o que fazer com o coração, se o segue ou o tranca, se deixa a vida como estar, pensar "eu vou mudar " e ao mesmo tempo ter preguiça e dizer "dane-se, vamos ver no que isso vai dar ", definitivamente uma fase de merda, querer tudo e não ter disposição pra nada.' -pensei com o olhar longe, mas fui tirada do transe pela voz de Léo.
- Vai querer ketchup?
- O que é um cachorro quente sem ketchup, em Léo? -perguntei rindo.
Ele riu também, depois de pagar, nós voltamos para o banquinho da praça, eu cruzei as pernas em posição de yoga e começamos a comer, eu desacreditava dessa coisa de desejo de grávida, mas estava com tanto apetite para aquele hot dog que nem ligava para Léo me olhando com aquela cara, surpreso pela minha fome.
- Tá mesmo com fome em? -ele disse rindo.
Apenas concordei com a cabeça enquanto comia, Léo todo delicado, comendo de forma civilizada, e eu parecendo uma canibal devorando aquela delícia. Quando olhei novamente pra Léo, não resisti e cai na gargalhada .
- O que foi? Nunca viu uma grávida comendo o que mais deseja no momento? -perguntei rindo.
- Não. Sinceramente , não. -riu.
- A para de me olhar assim, vai? -disse envergonhada.
Rindo, ele levou seu polegar ao meu rosto, na intenção de limpar vestígios do molho, de repente seu rosto ficou bem perto do meu, por um momento eu achei que ele ia me beijar, mas apenas olhava fundo nos meus olhos como se buscasse palavras, eu consegui sustentar o olhar por alguns segundos, mas essa pressão visual não funciona comigo, eu fico subitamente tímida, foi então que olhei pra baixo rindo de vergonha, mas ele ainda tinha sua mão em meu rosto.
Insegura, eu levantei a cabeça para voltar a encará-lo, antes que pudesse completar o ato , ele encostou seus lábios nos meus, tinha tudo para ser um beijo daqueles bem caloroso, com movimentos rápidos e excitantes, mas Léo era delicado, sua língua invadiu minha boca sem pressa, eu não fiz nada, ainda estava meio paralisada , ele deu um sorrisinho, e pôs a mão em meus cabelos, a outra acariciou meu rosto, foi aí que engrenamos num beijo gostoso, talvez o melhor que já recebi, com gosto de molho, mas isso são detalhes...
O meu frio na barriga era por Léo, meu coração acelerado era por ele, isso era estranho, uma mulher teoricamente casada, como insiste a minha mãe, suspirar por outro homem.
Foi o momento em que eu percebi que o que eu sentia por Léo ia além de carinho e gratidão.
O beijo durou longos segundo ou até minutos, não sei, eu não tinha noção de tempo naquele momento.
Ele finalizou com um selinho.
Abri os olhos, o olhei de relance, ele parecia esperar uma reação minha, mas eu só soube sorrir.
- Di... -ele coçou a cabeça como se esperasse coragem ou buscasse palavras pra dizer. -Você me deixa muito confuso... Eu gosto tanto de você que dói te ver com aquele mau caráter, tudo bem, foi uma escolha sua, mas... Sei lá, eu sou apaixonado por ti e as vezes você corresponde, as vezes põe seu relacionamento na frente. Cara, se você está a fim de brincar comigo, por favor, para. E... eu adorei esse beijo. -ele suspirou rindo sem jeito.
- A Léo... Está tudo tão confuso, você me ofende ao pensar que quero brincar com seus sentimentos. -ele quase me interrompeu para se desculpar, mas eu não deixei e continuei. -Essa não é a minha intenção, me desculpe, mas é que eu não sei o que sinto por você.
- Já me disse isso uma vez. Vai ser sempre assim? Você nunca vai descobrir o que sente? -perguntou focando nos meus olhos. No fundo eu sabia exatamente o que sentia, só não queria admitir pra mim mesma.
- Léo, eu estou confusa, não sei nem o que falar agora. -ri sem graça e completamente perdida.
- Por que me beijou? -perguntou tentando me fazer falar mais e assumir os meus sentimentos.
- Foi você quem me beijou. -o acusei rindo. Eu não consigo ficar séria em momentos sérios, isso é algo a tratar. Vou procurar pelo psicólogo da minha mãe .
- Por que correspondeu ao beijo? -insistiu na pergunta.
- É... Léo..
- Di não me enrola. -ele finalmente riu me deixando mais confortável.
- Tem razão, então eu vou te contar tudo e te fazer ficar tão confuso quanto eu. -suspirei a fim de contar minhas duvidas e o que sentia. -Eu estou grávida de um cara que me decepcionou, eu achava que ele era tipo o máximo, sabe? -perguntei lembrando do dia em que conheci Arthur. -Enfim... Minha relação com ele não é nenhum sonho, não sei se o amo. -suspirei decepcionada. -Mas você é o cara que me faz sorrir, quem eu gosto de estar perto, você é a coisa boa no meio de tantos problemas, sabe? Eu gosto de você, Léo, muito, não é pouco. Mas eu vou ter uma filha de Arthur, eu preciso de uma família pra criá-la. -finalizei meio em dúvida se era tudo que eu queria falar.
- Você só está com ele por causa do bebê?
- NÃO! Quer dizer... não sei.
- Me deixou mais confuso. -ele riu.
- Eu te falei! Aqui é só confusão. -disse tocando minha cabeça, rindo.
- Pelo visto aqui também. -ele apontou para meu coração que estava acelerado.
- Sim. -concordei abaixando a cabeça.
- Olha, Di, independente de que você fique comigo ou não, se você não ama Arthur, não se prenda a ele por conta de Heloisa. -o nome da minha filha ficava tão bonito dito por ele. -É possível ele ser presente na vida dela, separado de você.
- Eu sei, mas é que eu prezo tanto uma família tradicional.
- Entendi. -disse decepcionado.
- ...
- Tudo bem, eu não vou insisti mais, é cansativo, sabe? Ficar correndo atrás de uma pessoa que parece não está nem aí. -disse ele já que eu fiquei sem palavras. Léo era tão sincero que doía.
- Não fala assim, eu já disse que gosto de você. -protestei.
- Mas você está com outro cara.
- Léo...
- Ok, Ester, está tudo bem. -parecia ironizar. Ele disse o meu nome, não era um bom sinal.
Eu o abarcei, não sabia o que fazer diante daquilo, eu não queria que ele desistisse de mim, mas ele tinha razão, eu não tinha ideia de como doía ele gostar de mim e eu viver falando de Arthur, que nem era isso tudo.
- Léo, eu não quero que se afaste de mim. -falei séria.
- Eu não vou me afastar, afinal eu ainda quero pegar essa menina nos braços. -riu, seus olhos brilhavam. Eram lágrimas contidas. -Eu só não vou insisti mais, nem ficar te beijando. -ele riu.
- Obrigada. -agradeci meio que por tudo, mesmo que já tivesse feito isso.
**********
Leitores, desculpem-me pela demora, eu pretendia guardar os capítulos e escreveria até o fim da história (falta pouco para o fim), mas devido aos pedidos... Aí está . Sim, são só dois, mas volto logo.
Obrigada pelas leituras e votos! Comentem o que estão achando.
Beijos.
By: Pri.S. ♡
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top