Capítulo 30
Alguns dias depois...
Os dias se passaram e nossas vidas estava cada vez mais vazia, a saudade chega mais rápido quando você tem a consciência de que nunca mais poderá ver uma pessoa, eu sentia muita falta do meu pai, mas acreditava que ele estava num lugar bem melhor que esse mundo, porém o que mais me doía era saber que talvez ainda não era sua hora de partir , se não fosse por um crime sem motivos, seu Onofre estaria ao nosso lado.
Minha mãe mais do que nunca ia com freqüência ao psicólogo, ainda sofria, mas preferiu acreditar que fora uma vontade de Deus, e que ainda em algum dia se juntaria ao seu marido. Doía em mim saber que ela também desejava partir, mas se a confortava, era melhor.
Rute guardava boas lembranças do nosso velho, disse que em qualquer lugar onde ele esteja, está velando por nós.
João continua o menino revoltado de sempre, esse fato só contribuiu para elevar sua personalidade, ele cismou que descobriria o autor do crime e o colocaria na cadeia. Mas esse é um trabalho para a polícia, que alias, já está investigando.
O meu querido pai jamais será esquecido, o meu amor por ele nunca acabará, eu prefiro guardar o que foi bom e sorri com as lembranças, eu já chorei demais, meu coração já se apertou demais. Helô estava sentindo isso e reclamando à beça.
As lágrimas eram inevitáveis, enquanto lembrava do meu aniversário de quinze anos, chorava de saudade, isso era esquisito,lembranças boas agora me faziam chorar.
Mas decidi que eu precisava viver, o sofrimento iria me acompanhar juntamente com a saudade, mas viver para cuidar da minha filha seria o meu objetivo.
Meu celular tocou me dispersando dos pensamentos
- Ester a gente precisa conversar.
- Ok, Arthur. Me encontra na praia.
- Não demora.
- Tá bom. -concordei e desliguei o celular.
Eu já Imaginava sobre o que Arthur queria falar, eu estava praticamente morando com a minha mãe à mais ou menos uma semana, eu pretendia ficar só até tudo se estabilizar depois do acontecido, até porque eu também precisava de um apoio, precisava está com a minha família. Mas foi tão natural, eu me sentia tão melhor ao lado deles que fui ficando, ficando,e agora Arthur estava bravo...
****
- Oi. -cheguei perto de Arthur e ele estava pensativo sentado na areia.
- Como vai? - me beijou rápido.
- Um pouco enjoada, mas bem. -respondi pondo a mão na barriga.
- Se você estivesse morando comigo, eu saberia disso. -alfinetou-me.
- Ah Arthur... -suspirei tentando começar uma explicação. -Eu precisava ficar ao lado de mamãe.
- Não dá pra apenas visitá-la?
- Eu queria está próxima à ela.
- Eu odeio desculpas esfarrapadas! -ele já estava gritando.
- Será que não dá pra conversar civilizadamente? -perguntei calma.
- Talvez eu não seja uma pessoa civilizada. -respondeu irônico.
- Eu não disse isso.
- A sua mãe acha.
- Ai Arthur, deixa de ser infantil.
- Você está me irritando.
- A eu imagino. -ironizei. -Até porque você vive estressadinho.
- ...
- Tá legal, Arthur. A gente precisa conversar. Vamos pra outro lugar? Eu preciso sentar. -reclamei.
Com muita má vontade, Arthur alugou cadeiras de praia e colocou na sombra dispensando um guarda-sol.
- E então? -ele perguntou já que eu afirmei uma necessidade de conversar.
- A minha mãe acha perigoso eu continuar morando com você, e... Ela está certa. -falei pensando na minha filha.
- Você está querendo se separar de mim, é isso? -perguntou suspirando como se já esperasse por isso.
- Não pira, Arthur! Eu não disse isso, só não quero criar a minha filha numa favela, sem saber como distinguir os bandidos dos moradores simples. -falei sem pensar, percebi que o ofendi quando me encarou com cara de tédio e logo abaixou a cabeça. -Oh me desculpe, não foi isso que eu quis dizer... -tentei me explicar.
- Eu entendi, Ester. Acontece que é a única moradia que eu posso te oferecer. Se não quer morar comigo, cai fora! -falou com raiva.
- Desde quando você é tão grosso assim?! -ironizei com a mesma raiva.
- Eu estou cansado, Ester. Você vive me colocando pra baixo. -protestou. Eu parei um pouco pra pensar, não sabia se era verdade.
- Desculpa, Arthur. As vezes eu falo as coisas sem pensar.
- É, eu também. -ele se acalmou. -Mas eu fui criado lá, não terá nenhum problema da nossa filha passar pelo mesmo, eu tentarei melhorar as condições, mas enquanto isso não é resolvido, continua comigo. -pediu.
Eu não sabia se tinha outra escolha, ele era o pai da minha filha, a gente precisava continuar juntos.
- Tudo bem, eu só preciso convencer Dona Maria. -disse.
- Você precisa parar de deixar ela tomar conta da sua vida e tentar guiá-la.
- Eu sei, mas ela é a minha mãe.
- E daí?
- E daí que... Sei lá. -eu realmente não tinha respostas.
****
Depois disso eu passei na casa da minha mãe, Arthur ficou me esperando do lado de fora, uma vez que sabíamos que ele não era bem vindo.
Conversei com dona Maria, que estava se arrumando para, como disse ela, dar um jeito naquela empresa antes que a mesma acabasse falindo, dei graças a Deus por mamãe está novamente com uma certa animação e a fim de tocar a vida.
- Eu estou voltando pra minha casa. -foi o suficiente para tirar o sorriso de seu rosto.
- Já disse que você pode ficar. -protestou.
- Eu sei, mas preciso ir, mãe. Tudo bem?
- Lá é perigoso. Eu nunca vou consegui te visitar.
- Eu venho ver a senhora. Mas essa é a minha decisão, eu vou indo.
Depois de tentar me convencer de mil formas a ficar, eu permaneci com minha decisão e fui, Rute voltaria a morar com ela, com a condição de nunca arrumar uma namorada, minha irmã aceitou, pois tudo que queria era estar no colo de dona Maria novamente, mas é claro que ela iria arrumar uma namoradinha, mas isso são coisas que mamãe não precisava saber.
- Vamos? -falei para Arthur que Já estava impaciente.
- Finalmente. -ele riu.
Subi na moto e fomos, preferi não pensar na tragédia com papai, se não seria capaz de não conseguir voltar para casa.
Em menos de dez minutos que estávamos em casa, João chegou lá.
- João, eu queria conversar com Você. -falei.
- I é treta. -disse olhando pra Arthur.
-Relaxa moleque, qualquer coisa grita.-zombou.
- Besta. -falei rindo e puxei João pelo braço.
Entramos em meu quarto, ele estava tenso.
- Está tudo bem? -me perguntou.
- Não sei. Está? -devolvi a pergunta.
- Fala logo o que você quer. -reclamou.
- João, eu temo por onde você tem andado. É duro dizer mas... Acho que Arthur não é boa companhia. -disse tentando escolher as palavras.
- Então por que está casada com ele? -perguntou.
- Eu não estou casada. -retruquei.
- Por que você mora com ele? Está grávida dele. -me pôs numa saia justa.
Por que eu estava com ele?
Já não sabia exatamente se o amava. Eu nem sabia direito o que era o amor.
- O foco aqui é você, espertinho. -falei.
- Ele realmente não é boa companhia, nem boa pessoa, Ester. -disse me assustando.
- Por que está dizendo isso?
- Você deve imaginar. -ele se preparava pra sair.
- Não, eu não sei. Me diga. -peguei em seu braço.
- Eu não posso. Mas quanto a mim, você pode ficar tranquila, eu sei direitinho aonde estou me metendo. -riu de canto e saiu.
Um arrepio me percorreu o corpo, senti medo de suas palavras.
- O que será que esse pirralho está aprontando? -falei comigo mesma.
- Falando sozinha, meu amor? -Arthur apareceu me assustando .
- Pensando alto. -sorri.
Ele se aproximou com aquele sorriso de lado, senti falta daquilo e me beijou.
- Você fica linda assim. -pôs a mão na minha barriga. -Grávida .
Apenas sorri unindo minhas mãos as dele que pousava em meu ventre.
Arthur me beijou profundamente, foi um beijo caloroso, daqueles que dá vontade de sair tirando a roupa, sabe? Então.
Eu já sabia o que queria, e logo o desejei também, entre os beijos ele conseguiu me deitar na cama, eu lembrei da porta aberta e quis que João já estivesse ido embora.
- Eu senti saudade de você, morena. -sussurrou no meu ouvido e logo beijou o meu pescoço.
- Eu também, Arthur. Sinto a sua falta. -falei, mas no sentido dele nunca está muito próximo da gente > a gente:eu e minha filha >, sentia falta das coisas que ele me dizia no começo quando ainda estávamos nos conhecendo.
A lógica desses homens me decepciona, eles usam de todas as armas pra conquistar uma mulher, e depois que a tem, o romantismo acaba.
Homens do meu Brasil! Por favor, parem com isso, não é assim, mulher gosta de receber flores, de ser surpreendida cada vez mais, lembrem-se: a conquista deve fazer parte do dia a dia.
Eu precisava lembrar de falar isso pra Arthur, mas seria depois, porque naquele momento ele estava ótimo dando-me beijos no pescoço, descendo cada vez mais.
E foi assim, com a luz do dia adentrando pela janela, que nós tivemos um momento maravilhoso, mas notava-se que era algo apenas por prazer, a ausência de amor era clara.
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