Capítulo 3
Parte I
Bem-vinda ao Rio!
Mal dormi a noite e me levantei às seis da manhã, fui até a cozinha e encontrei Dona Maria já preparando o café.
- Mãe, acordada à essa hora? Bom dia. -beijei seu rosto.
- Quase não dormi, resolvi fazer um café reforçado pra você. -ela disse sorrindo.
- Obrigada. -falei. -Vou tomar meu banho.
Saí com um friozinho na barriga, me lembrei das excursões no primário do colégio, a ansiedade era a mesma.
Tomei um banho rápido e poupei meus cabelos da água fria. Segui para o quarto só enrolada numa toalha e peguei a roupa que tinha separado: short jeans com rasgos propositais, uma blusa azul que ficava folgada ao ser posta por dentro do cós do short, all star preto e um rabo de cavalo no cabelo, eu mais parecia que ia cair na estrada sem rumo, mas na verdade queria parecer uma carioca !
- Bom dia, queridinha. -falei ao notar Rute se mexendo na cama.
- Bom dia,coisa chata. -ela disse.
- Olha, eu vou embora hoje, por isso me ame. -brinquei e beijei seu rosto.
Ela apenas riu e foi cambaleando até o banheiro. Comecei fazer a maquiagem, apenas batom rosa e varias camadas de rímel, que deixavam meu olhos maiores e lindos.
- Ester?
- Oi, pai. Bom dia. -me virei e vi ele parado na porta.
- Posso entrar? -ele nunca entrava no "quarto das meninas "
- Claro. -falei deixando o batom de lado.
- Queria só falar uma coisinha rápida. -sorriu fraco.
- Pois diga. -fiquei de pé .
- Então, daqui a pouco você não estará mais às nossas vistas... -começou e eu tive um certo receio do que viria. -E isso nos preocupa, pois todos sabemos que você não é a pessoa mais responsável do mundo.
- Eu vou me comportar, pai. -o interrompi.
- Eu sei, só quero que você pense antes de agir, eu sei que agora vai conhecer novas pessoas, outros homens. -aí eu entendi onde ele queria chegar. -Então, não dá bobeira minha filha, o Rio pode ser uma cidade perigosa, se algo não der certo, você volta, ok?
- Vai dar tudo certo, relaxa, pai. -falei.
- Não, não posso relaxar, pois é a minha filhinha que eu estou entregando à esse mundão, então promete que volta se tiver dificuldades na cidade? -olhou dentro dos meus olhos, eu não podia prometer nada.
- Por mais que você não queira, eu já cresci e não sou mais a filhinha do papai, e se houver alguma dificuldade, eu vou me virar sozinha, não dá pra toda vez que eu me der mal, correr pra vocês. Eu sou uma mulher, como mamãe, vou resolver meus problemas sozinha. -disse séria.
- Mas conta com a gente, lembra que você tem uma familia...
- Eu nunca vou esquecer disso, olha prometo que ligo todos os dias. -falei rindo vendo que seus olhos brilhavam com lagrimas.
- Tá bom. -ele falou e eu o abracei fortemente.
- Se eu não ir logo, eu perco a viagem. -falei.
- Já está todo mundo acordado, vamos tomar café. -ele falou e nós fomos andando.
- Bom dia, Ester. -João falou.
- Hum, sem o ''idiota''? Gostei. -falei rindo. -Bom dia, João.
A mesa estava repleta de guloseimas, pena que não poderia comer muito, pois o papo com meu pai me tomou tempo e eu não podia me atrasar.
- Bom, agora vamos ?! -falei assim que terminei.
Papai foi pegar as duas malas de rodinhas, enquanto João carregou a minha bolsa de mão, colocou tudo na mala, e todos foram para o carro.
Antes de entrar no mesmo, eu encarei a frente rosa da minha casa, a samambaia pendurada enfeitando a janela e tantas outras plantas da minha mãe, que eu não veria mais, a marca de bola na parede, que já estava alí a tempos, quando Ester jogava bola com João bem em frente casa, toda minha vida passada naquele lugar me veio à mente, e eu não tive dúvidas de que valeram à pena.
- É, tá na minha hora. -falei com uma única lágrima no olho.
Entrei no carro e era meu pai quem dirigia, mamãe foi na frente, e nós atrás .
- Que horas você tem que estar na rodoviária? -indagou Rute.
- O ônibus sai às nove. -afirmei.
- Não é por nada não, mas você está levemente atrasada. -ela soltou uma risada.
Verifiquei no relógio e já marcava oito e vinte , não podia ser, eu tinha acordado tão cedo.
- Pai por favor, acelera aí! -pedi com um leve desespero.
- Calma, vai dar tempo. -falou com sua paciência de guru.
Comecei a estalar os dedos, era o que eu fazia por nervosismo, imaginei se eu estivesse numa moto chegaria lá em dez minutos.
- É bom que você continua morando com a gente. -João falou.
- Não idiota, eu vou embora hoje. -falei estressada.
- Silêncio aí atras, que ninguém vai perder o ônibus. -meu pai falou e pisou no acelerador como nunca tinha feito.
***
Faltando sete minutos para às nove horas, chegamos ao terminal, desci do carro rápido e peguei as malas, entreguei uma para o João e outro pro meu pai.
Caminhei apressada ainda em silêncio, hora olhando no relógio, ora encarando a minha frente.
- Vem, é aquele alí! -falei apontando para um ônibus.
A fila estava grande e os passageiros já embarcavam, me posicionei ao final dela e encarei meu pai do meu lado.
- Chegou a minha hora. -falei baixo.
- É minha filha, por favor, juízo. -ele beijou o topo da minha cabeça.
- Bom familia, chegou a hora de se livrarem de mim! -anunciei rindo.
- Não fala assim. -minha mãe disse e me abraçou forte. -É uma nova etapa da sua vida, minha filha, eu sabia que ia chegar, tentei adiar o máximo, Mas... É isso aí, agora espero que comece bem a nova vida, fé sempre,minha pequena. -ela sussurrou enquanto me abraçava.
- Eu te amo, mãe. -falei com os olhos marejados.
Largamos do abraço e andamos um pouco pra frente, tentando acompanhar a fila.
- Vou sentir falta das suas maluquices, Ester. -Rute me abraçou rindo.
- Você toma juízo em garota, não quero ter que despencar lá do Rio, pra livrar tua barra com a mamãe. -falei rindo.
- Pode deixar e aquilo... Segredo nosso em. -piscou um olho assim que desfez do abraço.
- E você, pirralho? Nem um beijinho vai me dar? -perguntei para João.
- Até dois! -falou rindo e agarrou meu rosto, desferindo beijo em cada bochecha.
- Tudo isso porque vai me ver longe,nossa! -exclamei.
- Não idiota, porque eu te amo e vou sentir sua falta. -falou me abraçando.
- A sei, também vou sentir sua falta, pirralho. -falei e ele beliscou minha cintura em repreensão.
- Merda! -gargalhei e meus pais me olharam sério. -Foi mal! -me desculpei rindo.
- Ester, olha pra frente. -João apontou.
A fila já quase Não existia mais, faltava três pessoas entrar e me dar lugar.
- NOSSA! -falei e corri com as malas pesadas. -Bom familia, finalmente é minha hora, amo todos vocês e espero que vivam bem sem mim. -me gabei e demos um abraço coletivo gargalhando do meu convencimento.
Minha mãe falou pela última vez pra mim ter juízo e me beijou, entrei no ônibus, depois de passar o bilhete, sentei na poltrona, ajeitei minha mala no bagageiro, olhei da janela e lá estava a minha família, acenando infinitamente e sorrindo, retribui o aceno e o ônibus deu partida, um calafrio me percorreu o corpo.
- Seja o que Deus quiser. -falei um pouquinho alto e só então pude ver que tinha um homem sentado ao meu lado. - Oi. -resolvi falar.
- Oi. -ele disse e pôs os fones no ouvido.
- Ui, obrigada pela atenção. -reclamei baixo.
- O que disse? -ele retirou um dos fones.
O olhei séria e voltei meu olhar para a janela, também sei ignorar.
Ai agora eu estava mais do que ansiosa pra chegar na outra cidade, abaixei o encosto do acento e me deitei, depois de suspirar um milhão de vezes,consegui relaxar.
Passou alguns minutos, ou horas não sei, o ônibus foi andando de vagar quase parando, até que parou de fato, já notei um movimento lá trás, o povo reclamando, o motorista forçando o motor do ônibus. Era só o que me faltava.
- A ê, galera, o ônibus deu pau. -o motorista se levantou e pude perceber a aparência jovem que tinha. Nossa mas que linguajar!
- A como assim, eu tenho hora pra tá no Rio! -uma loira questionou.
- Tá complicado a situação, vou pedir para que desçam, pra mim tentar dar um jeito. -ele disse e foi o começo da indignação do povo.
Todo mundo se levantou, reclamando que pagaram caro pra ter uma caranga velha daquela (usaram essas palavras ), eu encarei o gordão ao meu lado, resmungou qualquer coisa e saiu.
Bufei em tédio, peguei meu celular e saí.
Todos esperando ao lado de fora, percebi que estávamos em um viaduto, causando burburinho no trânsito, uns infelizes apertaram forte a buzina, fazendo doer meus ouvidos.
Alguns homens passageiro do ônibus que eu estava, foi ajudar o motorista dar uma geral na mecânica do veículo.
- É mole, uma passagem cara dessa, pra viajar com essa lata velha. -uma mulher de meia idade esbofeteou o ônibus.
- Acontece.. -falei.
- Acontece? Uma ova! Se a gente não protestar, vamos ter pra sempre esse lixo pra usar! -gritou sua revolta e os outros concordaram.
Decidi ficar em silêncio, aquela moça estava quase me batendo junto com a pobre lataria do veículo.
- Aê meu povo! Vamos segui viagem! -o motorista simpático que só, falou dando um tapa na porta.
A galera toda gritou de alegria e começou o empurra empurra pra reembarcar.
Nos acomodamos nos devidos acentos e seguimos viagem, até que não tinha engarrafamento e tudo o mais.
Recebi uma mensagem de Rute que dizia:
“ Mari lhe desejou boa viagem! ”.
Sorri pensando se estavam juntas naquele momento e como ela fez pra driblar meus pais. Nisso eu parei pra pensar o quão torturante deve ser para ela ter que esconder um namoro,como se tivesse cometendo algum crime, talvez um dia, o mundo esteja evoluido o suficiente, para todos aceitarem as diferenças...
Nessa de pensar na vida, se passou horas e o gordinho ao meu lado dormia quietinho. Decidi tirar um cochilo.
***
- Moça, moça. -ouvi uma voz e senti uma mão balançar meu corpo.
Abri os olhos devagar.
- Oi. -falei quase num sussurro.
- Bom, precisamos desembarcar. -ele sorriu fraco.
- Nossa já tô no Rio?! -dei um pulo do acento.
- É... -ele riu de mim.
- A, o Rio. -falei sem graça. -Obrigada. -agradeci tentando disfarçar.
Ele apenas assentiu e pegou suas malas, o mesmo calafrio anterior percorreu o meu corpo, olhei da janela e ainda tinha sol, era de tarde.
Suspirei e peguei as malas com dificuldade.
Desci e avistei mais uma multidão no terminal rodoviário.
- Oi, sabe onde eu posso pegar um táxi? -perguntei à um moço parado numa fila.
- Segue aquela rua alí. -ele apontou. -Tem um ponto, essa hora deve ter algum ainda lá.
- Obrigada. -falei sorrindo.
E segui arrastando uma mala de rodinhas numa mão, e a outra na outra, de longe já podia ver um táxi parado, que em segundos ganhou movimento e seguiu na pista.
- Droga! -praguejei.
Fiquei de pé esperando outro, que graças as forças superiores não demorou nem cinco minutos pra aparecer, fiz sinal e ele parou.
- Boa tarde. -sorri e abri a porta de trás.
- Vai para onde, a moça? -um senhor baixinho perguntou.
- É... Espera aí. -falei toda atrapalhada tentando pegar o papel na bolsa. -Campo grande, moço. -afirmei.
- Ok. -ele disse e deu partida com o carro. -Em qual rua?
- Não sei. -respondi sem graça.
- Turista? -perguntou.
- Sim, mas vim pra ficar.
- A.
- Sabe onde eu posso encontrar um lugar pra me hospedar? Algo bem barato?
- Por coincidência, eu e minha mulher, alugamos os quartos de nossa casa, é bem barato.
- Sério? Tipo, quanto? -perguntei já comemorando pela sorte estar do meu lado.
Ele me disse o preço e era realmente barato.
- Olha, lá não é qualquer pensão, na verdade como tínhamos a casa muito grande, começamos a alugar os quartos, só fazemos pra pessoas próximas mesmo, já somos como família, mas acho que ninguém vai se incomodar por você ser exceção. -ele disse sem tirar os olhos da pista.
- Assim espero, preciso de um lugar pra ficar. -falei sorrindo.
- Vamos ver. -ele arqueou uma única sobrancelha.
- É, então vamos rumo ao pensionato. -falei animada.
Depois desse papo, o tempo passou e chegamos rápido.
Era uma rua asfaltada, com casas até que jeitosas, havia algumas crianças correndo na rua, paramos em frente à um portão grande preto, ele se abriu e o moço estacionou o carro.
- Vem, eu te ajudo. -ele falou.
- Obrigada. -agradeci e entreguei uma mala pra ele.
- Oi família! -ele abriu a porta.
- Demorou Marcelo! -uma mulher gorda com cachos negros falou e veio abraça-lo.
- Essa moça veio se hospedar aqui. -ele disse e apontou pra mim, a mulher que antes abraçava-o desfez o sorriso e o abraço.
- E quem seria ela? -perguntou com cara de superior.
- É... -ele gaguejou.
- Ester, eu me chamo Ester. -estendi a mão.
- A. -a mulher reclamou.
- Espere um minutinho. -Marcelo disse e levou a mulher para a cozinha.
Não sei que conversa tiveram, mas a moça voltou sorrindo .
- Um prazer Ester, eu me chamo Divina. -ela disse.
- A tudo bem, dona Divina? -perguntei simpática.
- Entre. -disse sem fazer questão de me responder.
Entrei e vi um homem lindo, completamente sexy, descer a escada, usando só uma cueca Samba canção.
- Léo, já disse pra não andar assim dentro de casa! -uma senhora que estava sentada à uma cadeira que balançava disse jogando a almofada nele.
- A vó! Me deixa. -reclamou o garoto. -Quem é essa aí?
- Fala direito da moça, essa é a Estela. -dona Divina falou sorridente.
- É Ester. -corrigi.
- A prazer. -ele disse e passou direto por mim.
Nossa, grosso, sem educação e gostoso, descarta, pelo menos gentil tinha que ser.
- Esse é o meu neto, moça, vinte e quatro anos e ainda mora com a minha Divininha, vê se pode? -a senhora falou balançando a cabeça em reprovação.
- Não reclama mamãe. -dona Divina falou.
- Culpa do teu marido, que Não deu limite pra essas crianças. -retrucou a senhora do crochê.
- Mamãe, vamos deixar de briga, essa é dona Ofélia, minha mãe. -Divina disse.
- Prazer Dona Ofélia. -falei dando meu melhor sorriso.
- Oi minha querida. -sorriu e inclinou a cabeça pra que eu desse um beijo, demorei a entender, não esperava por isso, toda atrapalhada, me abaixei e beijei sua pele enrrugada que cheirava a loção de erva doce.
- Vem, vou te mostrar o quarto que você vai ficar. -Divina disse subindo a escada.
Foi difícil carregar a bagagem até lá, ela nem se incomodou em me ajudar, affe quanta indelicadeza!
- É aqui, temos mais sete hospedes. -ela numerou nos dedos. -Que estão trabalhando pra nos pagar no fim do mês, e você, não trabalha? -perguntou nada delicada.
- Acabei de chegar à cidade, tenho uma entrevista marcada para daqui a alguns dias. -falei rápido.
- Antes disso tem como pagar? -perguntou.
Nossa mais que mulherzinha!
- Sim, ou acha que ia vir pra cá sem um tustão? -respondi a altura.
- Certo, depois acerto com você e trago o papel com as regras, mas uma coisa adianto, não aceitamos que traga homens para o quarto. -falou de nariz em pé.
- Pode deixar, não sou desse tipo. Você tem filha? -indaguei logo torcendo para que perceba o meu sarcasmo.
- Tenho uma de quinze anos. -falou.
- A, adolescência né? Puberdade... Acho que é o quarto dela que tem que vigiar, não o meu. -falei debochada. Ela já estava me estressando.
- Também não toleramos deboche. -falou e se virou para sair.
- Obrigada pela hostilidade. -falei e antes de olhar de novo para mim, limpei a garganta. -Digo Hospedagem, desculpa. -corrigi dando um risinho.
Ela bufou e saiu rebolando, observei o ambiente, era um quarto médio, com paredes beje, lençóis opacos forravam a cama, tinha uma cortina na janela, uma penteadeira velha e só.
- É, dá pra me acomodar aqui. -suspirei e me joguei na cama, ela rangeu e eu parei de me mexer, sei lá, vai que quebra?
Decidi não desfazer as malas, separei uma roupa e desci em busca de um banheiro.
- Dona Ofélia, eu preciso tomar um banho, onde fica o banheiro? -perguntei.
- Na porta a direita daquele corredor, querida. -ela disse.
- Obrigada. -sorri e saí numa corridinha.
Esbarrei com seu Marcelo no corredor.
- Obrigada por me arranjar um quarto. -falei tímida.
- De nada. -ele sorriu. -Só espero que aguente o gênio forte da minha esposa. -falou rindo.
- Tudo bem, com ela eu me acostumo. -dei uma risadinha fui para o banheiro. Não era muito grande.
Me despi e me enfiei rápido em baixo do chuveiro, a água gelada percorreu o meu corpo, eu só então me dei conta de que estava no Rio de janeiro, cidade dos homens mais gatos! Mas acima de tudo, o lugar onde eu faria a minha história. Meu pensamentos foi disperso por algumas pancadas na porta.
- Vamos,queridinha! -gritou dona Divina.
Ela me chamou de queridinha?! Agora eu sabia como era irritante, Rute tinha razão.
- Não vê no noticiário a falta d'água? Banho é cinco minutos! -acrescentou aos gritos.
- Mas dona Divina, eu entrei aqui faz três minutos! -retruquei.
- Vamos, garota! O tempo que vai ficar discutindo comigo,fará cinco minutos! -gritou.
- Caraca! -reclamei e desliguei o chuveiro.
Ouvi os passos dela ir embora, me vesti com uma mini-saia rosa e uma blusa branca de alça.
Subi direto para o quarto e ouvi uma voz perguntar.
- Quem é ela?
Entrei no quarto, fiz um rabo de cavalo nos cabelos e me deitei na cama, me aconcheguei no colchão duro e adormeci, tinha cochilado na viagem, mas precisava recarregar minhas energias pra virar uma carioca de mentirinha, pois eu saio de Goiás, mas Goiás não sai de mim!
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