✝ Capítulo 29 ✝
Ester...
Meu coração estava apertado. Era o dia de dar o último adeus. Eu ainda não me conformava e desejava acordar logo daquele pesadelo.
O céu estava coberto de nuvens e tinha um ar gélido. Eu não estava preocupada em me arrumar, mas automaticamente me vesti de preto, acho que a tristeza sabe escolher.
Minha mãe estava abatida e só andava de braços dados com João que tentava se manter forte ao seu lado. Rute caminhava ao lado de Léo, sim ele estava lá, e Arthur me dava apoio. Vez ou outra Léo me lançava um olhar compreensivo, eu só conseguia chorar.
Diante daquela cova, não dava pra acreditar que o meu pai teria que ficar lá, era dolorido demais ver, eu fechei os olhos e tentei controlar a minha respiração, o meu bebê se agitou um pouco dentro do meu ventre.
- Seja forte, meu amor. -Arthur disse no meu ouvi e me abraçou. Eu só queria o abraço do meu pai naquele momento.
No local só estávamos nós e alguns homens da empresa, todos desconhecidos para mim, mas percebia que eram queridos do meu pai.
Depois de uma oração, minha mãe pôs uma rosa para ele, foi o momento mais triste e dolorido do enterro, o momento em que a fixa cai de fato e você pensa que nunca mais poderá ter aquela pessoa ao seu lado, hora em que você se arrepende de algumas coisas e lembra de situações boas partilhadas, é o momento em que um verdadeiro filme se passa em mente.
- Tchau papai. -eu disse em meio as lágrimas, lembrei que ele adorava quando o chamava assim.
Só se ouvia os soluços de Ester e João, minha mãe tinha os olhos fixo no caixão, completamente perdida.
Era o último adeus, as pessoas jogaram flores e se despediram. Com muita dor, eu disse:
- Precisamos ir, mãe. -sabia que aquilo estava a fazendo muito mal.
- Eu quero ficar sozinha com ele. -respondeu-me.
Foi difícil a deixar, mas saímos. Eu me perdi em meio aos túmulos de desconhecidos. Não queria ver mais ninguém, apenas sentir minha dor sozinha. Preferia pensar que Rute e João estavam com Arthur, e me sentei no gramado.
- Pai! -um grito rasgou a minha garganta.
- Di. -era a voz de Léo. Apenas o encarei. Ele correu até a mim e se sentou ao meu lado me abraçando.
- Ai Léo... Você não sabe o quanto está doendo. -suspirei.
- À algumas horas que eu queria te dar esse abraço. -ele me fez aconchegar mais em seus braços.
- Obrigada por estar aqui. -disse sem ânimo.
- Shiii. -me fez ficar quieta. -Eu sei que está sofrendo, eu estou aqui. -foi o suficiente para mim desabar em lágrimas molhando todo seu casaco preto.
****
Depois de um longo desabafo com Léo, me encontrei com mamãe e naquele momento eu não tinha outra opção, senão ficar com ela, decidi ir para sua casa tentar pelo menos me acalmar, alimentar-me, fome eu não tinha, mas tinha um bebê se preparando par vir ao mundo, precisava está saudável.
- Olha, é melhor você não ir... É.. Eu preciso ficar um pouco sozinha com eles. -tentei explicar para Arthur.
- Tudo bem. Só se mantenha em contato comigo. -ele pediu. Confesso que nunca o vi tão compreensivo.
- Tudo bem. -ele me beijou.
Léo sem exitar, me chamou.
- Di.
- Sim? -me virei para ele.
- Olha, eu preciso ir. Sinto muito, mas qualquer coisa me procura. -ele segurou as minhas mãos e Arthur bufou.
- Ta bom, obrigada. -falei triste. -Vou ficar bem...
- Tem certeza? -perguntou me olhando nos olhos.
- Não. Mas eu preciso pensar assim. Vou ficar bem. -repeti.
Ele me abraçou apertado e sussurrou em meu ouvido um "estou contigo ", consegui sorri fraco e ele se foi.
*****
Já em casa, foi a primeira vez que ouvi João falar desde o acontecido.
- Tanta gente ruim nesse mundo, isso vai acontecer logo com o meu pai. -bateu a porta do banheiro revoltado. Com certeza ia chorar as escondidas, se fez de forte o tempo inteiro.
Minha mãe entrou para o quarto, por incrível que pareça, minha maior preocupação era com ela, temia pelo seu sofrimento.
- Ester, e agora? O que vai ser de nós? -Rute me perguntou chorosa.
- Agora a gente tem que ser forte, meu amor. Eu sei o quanto é difícil. -a puxei para um abraço. -Tenta descansar.
Ela me beijou no rosto e saiu fungando para o seu quarto.
Então era isso, eu sempre tinha que segurar as pontas, ser forte e passar segurança para eles. Mas eu não sou tão forte assim...
- Mãe. -bati na porta de seu quarto.
Ela não disse nada, eu entrei. Encontrei dona Maria jogada ao chão olhando uma fotografia tirada em Goias, onde todos nós estávamos reunidos e felizes.
- Ester... Por favor, saia daquele lugar. Lá é perigoso, eu não vou suportar perder mais alguém. -ela suplicou entre lágrimas.
- Acalme-se, mãe. Eu entendo a sua preocupação, mas lá é a minha casa. É melhor a gente não falar disso agora. -falei pensando o quão realmente é perigoso aquele lugar. Não sei se seria bom para a criação da minha filha.
- Ester... -choramingou.
- Vem cá. -a puxei para um abraço.
Era o momento mais difícil da minha vida, não é descritível a sensação de perder brutalmente um pai, não é aceitável, talvez nem suportável, eu sentia medo disso. Medo do que seria nossas vidas dalí para frente.
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