Capítulo 26


Três meses se passaram, Rute continuava morando comigo, porém já estava frequentando o colégio, João andava pra cima e pra baixo com Arthur, isso me preocupava tanto, mas se eu dissesse algo causava uma discussão danada com eles que mal falavam comigo durante alguns dias, então eu evitava. Minha mãe estava se consultando com um psicólogo, sim, ela ainda não superou ter uma filha lésbica, elas se falavam muito pouco, quando Rute ia visitá-la, falavam-se somente um ''oi'' e mamãe se trancava no quarto. Eu já tentei de tudo pra melhorar a relação delas, mas não deu.

Arthur não podia nem imaginar que Léo estava me acompanhando nas consultas de Pré Natal, eu já estava com cinco meses e meio, era o dia da consulta!

No momento eu estava sentada na praça esperando por Léo que fez questão de ir mais uma vez ao médico comigo.

- Cheguei. -ele disse rindo.

- Tudo bem? -me levantei para dar-lhes um abraço.

- Arrã. Vamos?

Fomos andando até aparecer um táxi, para nossa surpresa era o Seu Marcelo, pai de Léo.

- Como vai Seu Marcelo? -perguntei sorrindo.

- Bem, obrigado. Faz tempo que não aparece lá em casa. -disse simpático.

- Pois é, a vida tá corrida. Mas pode deixar que eu dou uma passadinha lá qualquer dia. -falei.

Ele apenas sorriu e olhou para minha barriga que já estava bem grandinha. Enquanto os dois conversavam, eu fiquei só pensando, ansiosa por chegar ao hospital e ver se finalmente saberia se estava esperando uma menina ou menino. Não demorou muito chegamos, Seu Marcelo não cobrou a corrida, apenas me desejou boa sorte e se despediu do filho.

- Ai Léo, eu estou ansiosa. -falei rindo.

- Relaxa, Di. -ele disse e pegou na minha mão. Eu estranhei o toque e tentei me soltar, mas ele segurou firme, eu o encarei com dúvidas, ele apenas sorriu e eu assenti, Léo relaxou a mão dando-me liberdade para soltá-la mas eu não o fiz, apenas apressei o passo indo em direção a Dr. Jessica.

- Olá, Ester, como vai? -ela me cumprimentou.

- Estou ótima! -sorri.

- Se alimentando bem?

- Sempre.

- Então vamos lá. -ela consertou o jaleco branquíssimo e nos fez segui-la até o consultório.

Depois de mais algumas perguntas e anotações, lá estava eu novamente deitada, com apenas a barriga a mostra e encarando o munitor, ansiosa pela aparição. Léo estava perto, mas ele olhava atentamente para a Doutora. -Ô Léo, foca no monitor!- quis falar, mas fiquei quieta, eu definitivamente não deveria sentir ciúmes.

A doutora sorriu e eu fiquei ansiosa.

- Você está esperando uma menina, que por sinal, muito saudável. Parabéns! -ela falou expondo um enorme sorriso.

Os meus olhos se encheram de lágrimas, era a minha Helô que estava para vir, a minha menininha.

- Ai meu Deus. -falei abanando as mãos na frente do rosto para conter as lágrimas de emoção.

- Ah parabéns Di! minha afilhada vem aí. -Léo falou rindo e logo me deu um beijo no rosto.
****

Nós saímos do consultório e passamos numa lojinha de roupas infantis, compramos muitas muitas roupinhas para Heloisa, só espero que Arthur não venha de graça querendo outro nome!

- Ai Léo, estou cansada, viu. -falei suspirando.

- Andamos muito, vamos sentar pra você descansar. -ele disse me puxando pela mão.

- Eu não vejo a hora dela nascer logo. -já sentada, eu falei acariciando minha barriga.

- Vai ser linda como a mãe. -Léo disse. Eu apenas sorrir.

Ficamos alí durante algum tempo, até que decidimos ir embora, já estava escurecendo.

****

Eu estava subindo o morro, quando vi um movimento esquisito, algumas motos passavam muito aceleradas e as pessoas entraram para casa deixando meio deserto, eu temi por acontecer alguma coisa e me apressei para chegar em casa.

- Aconteceu alguma coisa? -Arthur perguntou assim que cheguei, notando a minha cara assustada.

- Não, tudo bem. Tenho uma novidade! -animei-me.

- Pois diga. -falou ele.

- É uma menina! Heloisa vem aí! -sorri.

-Menina?! -ele me abraçou sorrindo, também estava feliz. -E que história é essa de Heloisa ?-ele perguntou separando de mim.

- É o nome da nossa filha.

- Não seria Susana?

- Claro que não!

- Eu gosto de Susana.

- Mas será Heloisa.

- Eu queria que fosse um menino.

- Para de graça.

- Tá bom, é Heloisa. -ele gargalhou e pegou a ultra para ver a nossa filha.

Ficamos alguns minutos vendo as roupas que eu havia comprado e eu achava que já estava na hora de montar o quarto de Helô... Mas Arthur resolveu sair, disse que tinha um compromisso e voltaria logo. Enquanto isso eu fui cozinhar para o jantar, já que Rute não estava em casa.

Antes eu precisava dar um jeito naquela casa, liguei o som bem alto, e peguei a vassoura..

- Espero que você não se incomode. -falei tocando a minha barriga e comecei a cantar.

" So I, I bet my life
I bet my life, I bet my life on you" ♩ -Imagine Dragons.

Assim, como louca, cantando e dançando, eu fui deixando aquela casa limpinha .

****

Depois de um tempo, eu estava arrumando o quarto quando ouvi o volume da música sendo diminuído.

- É você, Arthur?! -gritei do quarto e ninguém respondeu. Fui até lá e o encontrei com um olhar mortal me encarando. -Nossa. O que houve? -perguntei.

- Ester. -ele respirou como se quisesse manter-se calmo. -Com quem você foi ao médico hoje? -perguntou.

Eu engoli seco, sem saber o que dizer, com certeza ele já sabia, mas eu não queria mentir e nem admitir.

- RESPONDE ESTER! -ele gritou. Eu odiava quando ele gritava comigo, era a hora em que eu explodia.

- Para com esse papel ridículo se você já sabe . -falei séria.

- Eu já falei que não quero você de papinho com aquele otário! -gritou andando no meio da sala.

E mais uma discussão...

- Acontece, Arthur, que você simplesmente não manda em mim!

- Claro que mando!.

- A eu não acredito que você pensa isso! Tenha certeza que não, querido. -falei com deboche mesmo. -Eu sempre quis ter liberdade, e não vai ser você que vai querer me mandar agora.

- Aquele cara só quer se aproveitar! -cuspiu as palavras.

- Deixa de ser idiota!

- Eu fiquei sabendo...

- Ficou sabendo o cacete! -o interrompi. -Não vem com essa pra cima de mim. Fala logo quem é que está fazendo fofoquinhas pra tu.

- Você anda pra cima e pra baixo com esse Leonardo! Como dois pompinhos. -ele ironizou.

- ...

- Eu não posso acreditar que você está me traindo com aquele cara. -ele disse raivoso chegando cada vez mais perto de mim.

- Você é louco?! Eu não estou traindo ninguém!...-o meu celular tocou nos impedindo de continuar a inútil discussão.

Olhei no visor e era minha Rute. Arthur já ia começar a falar novamente .

- Cala a boca. -apontei pra ele que se calou bufando. -Oi, Rute. -atendi ao telefone..

- Ester... -ela chorava desesperada.

À medida que foi falando, as lágrimas iam tomando conta dos meus olhos, inundando o meu rosto. Eu não podia acreditar naquilo...

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