Capítulo 25
Rute chegou em casa bem tarde, eu já estava dormindo, sono de grávida é uma coisa surreal. Mas no dia seguinte acordei bem cedo para o trabalho.
- Bom dia, amor. -Arthur disse.
- Bom dia. -lhe beijei rápido.
- Eu já estou de saída.
- Bom trabalho. -sorri.
Me arrumei rapidamente, encontrei Rute jogada no sofá, babando, - eca! - Saí para não ter que ficar assistindo dormi a minha querida babona.
***
- Olá, Mônica. -falei chegando no trabalho.
- Como vai, querida?
- Ótima, eu não posso dizer que estou. -eu ri fraco. -Mas bem.
- O que houve?
- Só a vida me ferrando mais uma vez. Mas e você... Como está?
- Bem,obrigada. Você quer conversar?
- Não é preciso, obrigada. Eu vou trabalhar.
E assim eu comecei a pôr as roupas pra lavar, preocupada com a minha vida e as pessoas que comigo convive.
***
- Di! Eu estava te esperando. -Léo deu uma corridinha até à mim que já estava de saída da lavanderia.
- Tudo bem? -perguntei sorrindo.
- Arrã. -ele respondeu e automaticamente nós fomos caminhando juntos.
Batendo papo, Léo contava as novidades do restaurante e disse que havia conhecido a minha irmã, eu fiquei supresa, claro! Mas estavam conversando normalmente até ela falar que era nova na cidade, aí já viu, né? Foi uma grande consciência. Nesse papo todo nós já estávamos sentados na areia da praia relaxados.
- Léo, você é homem... Talvez não saiba, mas não custa perguntar, é que eu estou preocupada... É normal o bebê não mexer nem um pouquinho, não dá nenhum sinal de que está aqui dentro. -eu toquei meu ventre e ele olhava atentamente. -Já aos dois meses de gestação? -finalizei.
- Olha, Di, eu realmente não sei, mas acho que é muito cedo. Você está indo ao médico? -perguntou.
- Ainda não, desde que descobri a gravidez, aconteceram tanta coisa que eu não tive tempo. Estava pensando em resolver nesse fim de semana, mas estou preocupada.
- Você precisa começar logo o Pré Natal! -ele disse como se fosse algo urgente. Eu acho que era.
- Eu sei,eu sei. Mas é que... -eu não tinha explicação, é duro dizer, mas eu estava deixando o meu filho em segundo plano.
- Filho é coisa séria, não pode deixar para o fim de semana. -ele me seu sermão.
- Ai quer saber? Eu vou ao médico agora mesmo. -falei me levantando, estava no meio do dia, eu tinha tempo.
- Espera! Eu vou com você. -ele sorriu.
- Nada disso, Sr. Leonardo ,você precisa voltar ao trabalho. -ri.
- Espere só um minuto. -ele disse, eu apenas assenti com a cabeça.
Léo se afastou um pouco, parecia fazer uma ligação. Pouco depois ele voltou sorrindo.
- Vamos?
- Mas Léo, e o seu traba...
- Está tudo certo. -ele me interrompeu.
- Tem certeza? Eu não quero te prejudicar no seu emprego. -disse séria. -Mas do que já prejudiquei. -acrescentei baixo.
- Relaxa, Di. Agora vamos que eu não vejo a hora de vê esse pequeno aí dentro. -ele riu tocando a minha barriga.
- Então vamos que eu estou ansiosa também. - segurei em seu braço e nós fomos conversando, eu queria saber logo o sexo do bebê, mas Léo disse que ainda não dava, eu definitivamente não sabia nada de bebês.
Pegamos um táxi, fomos até o hospital qual foi me dada a noticia da gravidez. Eu lembrava do Dr. Nelson, por sorte ou conscidência, eu encontrei ele logo na recepção.
-Dr. Nelson? -quis ter certeza que era ele mesmo.
- Pois não?
- Lembra de mim? -ele me olhou com cara de interrogação. -A claro que não, você deve ter um monte de pacientes. -ri sem graça. -Mas é que eu estou grávida e...
- Ela ainda não começou o Pré Natal, e precisa fazer. -Léo me interrompeu percebendo meu estranho nervosismo.
- Ah, entendi. -ele sorriu simpático. -Essa não é a minha especialidade. Mas eu posso ajudá-la. -ele disse andando fazendo-nos o seguir.
***
Depois de preencher alguns papéis, eu conheci uma doutora chamada Jéssica, era ela quem me acompanharia e realizaria as consultas mensais. Ela era aparentemente nova, sua cabeleira cacheada dava charme à um rosto fino. Simpatia definia Jéssica.
Estávamos numa sala, eu vestia um roupão levemente azulado, depois de responder algumas perguntas sobre como eu me sentia, alimentação e outras coisas... deitei na cama e já procurei onde o meu bebê apareceria. Léo riu.
- Calma, Di. Você é muito ansiosa. -ele disse rindo.
- Porque não é você que está grávida. -falei sem pensar.
- A claro, né. -ele ironizou. -Até porque isso não é possível.
A moça pôs um gel na meu ventre e passou uma maquininha . Minha primeira ultra!
- Aquele é o seu bebê. -ela sorriu mostrando um borrão na tela.
Eu senti um frio na barriga carregado de ansiedade e amor, Léo sorria olhando para tela como se conseguisse identificar qual dos borrões era o meu filho.
Eu já amava aquele pequeno borrão.
(...)
- Que loucura. -falei rindo saindo do consultório.
- Foi emocionante. Sério. -Léo disse parecendo mais bobo que eu.
Estava tudo bem com o bebê, eu estava levando pra casa a ultrassonografia e a missão de voltar no próximo mês .
- Obrigada por está comigo, eu não saberia descrever a emoção e precisava compartilhar com alguém. -falei dando um sorriso.
- Eu quero poder vir sempre contigo. -ele seu seu melhor sorriso,apenas sorri de volta e fomos embora.
Léo estendeu seu horário de almoço e pagaria trabalhando num sábado, o admirei por fazer isso por mim.
De volta à perto da praia, já era umas seis horas da noite, ele não trabalharia mais e eu precisava ir pra casa, então era hora de se despedi.
- Bom,Léo, eu já te agradeci por tudo, e agora,não queria, mas preciso ir . -falei desanimada.
- Tudo bem, a gente se vê. -ele me abraçou rápido. -E cuida bem desse pequeno, em. -beijou a minha barriga coberta pela blusa, eu senti um arrepio.
- Pode deixar. -falei sorrindo.
Ele ficou me observando ir e disse.
- Eu ainda vou te conquistar, Di, eu vou. -com certeza ele achou que eu não ouvi, mas ora,ora, seu Leonardo, EU OUVI! e sorri imediatamente ,é uma coisa estranha para uma comprometida, mas....Léo definitivamente era O Cara.
****
- Estava preocupada, demorou pra chegar do trabalho hoje. -Rute comentou quando eu cheguei em casa.
- ADIVINHA?! -falei toda animada. -Esse é o teu sobrinho! -mostrei a ultra pra ela.
- Nossa, dá pra ver o quanto ele é lindo. -ironizou e eu ri. -Ester só tem uma imagem distorcida aqui, o que fizeram com ele? -perguntou rindo.
- Idiota, você já foi assim. -disse rindo tomando da mão dela.
- Eu sei, é brincadeira, mas está tudo bem com o bebê? -perguntou dessa vez séria.
- Está, eu devo voltar lá no mês que vem. -esclareci.
- Entendi. E você foi sozinha?
- Não. Com o Léo. Alias, ele me disse que vocês se conheceram.
- A é verdade, o Léo do restaurante, ele é caidinho por você.
- Deixa de ser besta. Ele é o meu amigo.
- Eu sei,mas é caidinho por você.
- Como sabe?
- Os olhos dele diz isso quando ele fala em você.
- Hum olha lá, quem diria, minha irmãzinha sacando tudo de amor, entende até o que o olhar diz.
- Não falei nada de amor, isso aí é você quem está dizendo. Pode ser que a dona Ester sinta o mesmo por ele.
- Chata e observadora como sempre. -a olhei com cara de tédio e pensando no que ela disse. Ela saiu rindo.
Com Rute em casa, tudo ficou mais fácil, estava tudo arrumado e até a comida pronta, eu realmente não pedia pra ela fazer, mas já que a gentileza morava naquela garota , que a gentileza prevaleça. Sempre.
Depois de tomar meu banho, fiquei deitada olhando para a imagem do interior de mim, onde estava o meu pequeno bebê. Era hipnotizante aquela imagem para uma mãe.
- Ester. -Rute me interrompeu. -Posso dá uma palavrinha com você.
- Claro, vem cá. -me sentei na cama a fazendo sentar também.
- Eu estou preocupada com a mamãe. -começou.
- A conta! Como foi a conversa com o pai ?
- Ele me questionou um pouco, querendo saber porque tão de repente aconteceu isso, eu expliquei tudo e graças a Deus, ele entendeu. -eu suapirei aliviada por pelo menos ele aceitá-la. -Mas parece que dona Maria não muda jamais de decisão, depois que saímos de lá naquele dia, ela se trancou no quarto, e faz horas que não sai.
- Eu não sei o que fazer, mamãe está sofrendo por uma coisa que não tem o menor sentido.
- Pelo que eu fui ensinada,Ester, eu estou sim pecando. Só que eu não consigo ser correta... -ela se lamentou.
- Rute, tudo bem que Não seria o casal tradicional você e mais uma garota, mas... A gente só controla a mente, não o coração.
- Eu tentei me apaixonar por um cara, mas...
- Ninguém tenta se apaixonar, isso não se escolhe. Será que nem você se aceita?!
- Acho que não...
- Pensa. Seria justo você agir de forma que deixa todo mundo feliz, mas que lhe causa sofrimento?
- Por muito tempo eu vivi assim.
- Gostou?
- Não.
- Então deixa de besteira, você é jovem. E se um dia gostar de algum cara, ficará com ele por esse simples fato e não porque alguém quer que seja assim.
- Você tem razão. -ela disse baixando a cabeça.
Eu a abracei, e pude ver a confusão que estava sua mente e até o seu coração , eu não sabia exatamente o que fazer, só tentava fazer com que ela se sentisse um pouco melhor.
- Tenta dormi e pôr os pensamentos no lugar, pois não há nada melhor que um dia após o outro. -falei e dei um beijo em sua testa.
- Obrigada. Eu vou tomar um banho antes. -ela sorriu fraco e se retirou.
- Ai meu Deus, dai-me sabedoria! -pedi, eu precisava disso pra consegui ajudá-la.
. Arthur chegou e eu ainda estava acordada, ouvi vozes vindo da sala, ele estava acompanhado.
Fui até a mesma, e encontrei o meu irmão.
- João? O que faz aqui? -perguntei confusa.
- Nossa, boa noite pra você também. -ele respondeu.
Os olhos de Arthur estavam avermelhados outra vez, eu não podia acreditar.
- O moleque vai cair aí essa noite. -Arthur falou tirando a mochila das costas.
- A Rute já dorme aqui na sala. -o repreendi.
- Temos dois sofás, então, morena...
- Ok. -o que mais eu poderia dizer.
Rute estava no banho, João se ajeitou no lugar dela e ficou jogando no celular, ele toda hora mexia no nariz irritado e fungava o tempo todo.
- Arthur, pode ir até o quarto? -perguntei séria.
- Arrã. -concordou e foi comigo.
- Você está usando droga e levando o meu irmão junto. -o acusei tentando me manter firme, mas estava me desmontando por dentro.
- Não fala besteira, eu não disse que pararia? -desdenhou.
- Sim, mas eu percebo que não. Arthur, o meu irmão! O João nunca fez isso, e agora tá lá naquele estado.
- Que estado? O garoto tá ótimo.
- Exatamente. Eu sei o efeito de drogas e...
- Vai me dizer que já usou também? -ele me interrompeu.
- E agora ele está lá, rindo à toa e coçando o nariz! -ignorei sua pergunta.
- Deixa de ser careta. Foi só um baseado. -falou sem se importar.
Isso não podia está acontecendo, Arthur podia se matar de tanta droga, mas colocar o João no meio disso não, eu não aceitava!
- João! -gritei saindo correndo do quarto.
- O que houve?! -ele deu um pulo do sofá.
- Mamãe sabe que você está aqui? -perguntei sentando ao seu lado.
- Se liga, Ester. Minha mãe está tão perturbada por causa de Rute que não está nem aí pra mim. -falou debochando.
- E o meu pai?
- Eu liguei pro coroa, ele está numa boa, já que agora ele tem que fazer tudo em casa.
Aquelas informações já me bastavam, ouvi as batidas fortes que Arthur dava na porta do banheiro apressando Rute para sair.
- Anda logo garota! Ou eu deveria falar garoto?! -perguntou ele rindo.
Mas que droga! -literalmente falando- fui até ele, e Rute abriu imediatamente enrolada numa toalha.
- Vem, Rute. -a puxei pelo braço, levando-a até o meu quarto. Ela tinha os olhos prontos para derramar lágrimas pela ofensa de Arthur.
-Se veste, aqui. -falei e saí carregado um lençol e travesseiro.
Eu senti uma tontura e me apoiei na soleira da porta, tentei controlar a minha respiração. Logo me recuperei e fui falar novamente com João.
- Sai daí, João, esse é o lugar onde Rute dorme. -joguei as coisas no outro sofá.
- Valeu. -ele agradeceu.
- Não vai tomar um banho antes de dormi?
- Não é necessário.
- Então dorme logo, que amanhã a gente precisa ter uma conversa muito séria.
- Bem que Arthur disse que você estava uma chata. -ele resmungou e guardou o celular.
Expliquei toda a situação para Rute e disse pra ela tentar dormi, pois eu faria o mesmo, ela ficou assustada com tudo, mas me desejou boa noite e se foi.
Tudo estava parecendo um pesadelo, eu desejava realmente que fosse e não via a hora de acordar.
- Minha mulherzinha está mais calma, agora? -ouvi Arthur com uma voz pra lá de irritante.
- Está, mas ela só quer dormi. -respondi me ajeitando na cama.
- Mas eu tenho outros planos. -disse malicioso.
Ele praticamente se jogou na cama ao meu lado e começou a beijar o meu pescoço.
- Não Arthur, hoje não. Eu estou cansada. -falei irritada.
- Assim você relaxa. -ele sussurrou mordendo o lóbulo da minha orelha, pela primeira vez não me causando nenhuma reação.
- PARA! -falei com a voz alterada.
- Para de graça, Ester. Caramba! -reclamou.
- Já falei que eu estou cansada. -disse.
- Cansado estou eu. Chego do trabalho morto e você nem pra me agradar um pouquinho.
- Do trabalho, Arthur? Tem certeza? João trabalha contigo agora?
- A gente foi à um barzinho depois do meu trabalho, ué.
- Sempre esse barzinho, João não tem idade nem pra beber, muito menos pra fumar. Olha o que você está fazendo!
- Eu tentei tirar ele dessa. Mas sabe como são esses adolescentes, curiosos...
- E esses adultos, irresponsáveis...
- Porra, você parece uma velha que só sabe reclamar, reclamar e reclamar... Que merda!
Ele se virou para o outro lado desistindo de realizar o que queria num primeiro momento.
Eu suspirei e comecei a chorar baixinho para que ele não ouvisse, ele estava ouvindo, eu sei.
Eu só queria contar a novidade, mostrar a primeira imagem que tinha do nosso filho, vê o sorriso em seus lábios, mas... O imbecil chega drogado e destrói todas as minhas expectativas. Sinceramente? Eu estou cansando.
Senti ele se mexendo na cama, limpei rapidamente as minhas lágrimas e finalmente ele falou.
- Não chora, por favor.
- Você nem se importa.
- Claro que me importo.
- A Arthur, vai pra... -não me permiti xingar a sogra que não conhecia.
Ele suspirou.
- Desculpas. -pediu impaciente.
- Cala a boca e dorme,cara. -disse, eu não queria nem ouvi sua voz mais. Pelo menos não naquele dia.
Ele entendeu e ficou quietinho ao meu lado, deixando-me sentir toda a raiva. Estava cansada de aceitar as desculpas dele e fingir que estava tudo bem.
Eu precisava de uma luz, estava tão perdida, acho que era a hora de voltar a escutar os bons conselhos do meu amigo Renato.
“Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer ?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer ?”♩
Dessa vez o vocalista da saudosa Legião Urbana, estava mais confuso do que eu.
Então, será? Eu espero que sim...
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