𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 5
A ambição é o último recurso do fracassado.
Oscar Wilde
━━━━▣━━◤◢━━▣━━━━━
☬
NYC.
𝑀𝑖𝑙𝑙𝑒𝑛𝑛𝑎 𝐴𝑙𝑏𝑢𝑞𝑢𝑒𝑟𝑞𝑢𝑒
☬
Empacotei a quinta caixa com os últimos itens da cozinha. A cada objeto guardado, sentia meu coração pesar; morei nesse apartamento por três anos, nunca pensei que teria que deixar tudo e me mudar mais uma vez. Não queria ter aceitado morar com Anna, infelizmente me vi numa situação que. Ou eu aceitava a oferta da minha amiga. Ou simplesmente moraria na rua. Entre o ruim e o pior, escolhi o ruim.
Anna é uma amiga exemplar, e não merecia ter a vida totalmente invadida, principalmente com tantos problemas que tenho, e o fato de eu não ter solucionado uma se quer. Isso tudo era extremamente frustrante, me sentia indignada, acreditar no qual fodida eu sou parece ser algo surreal demais, e para tudo ser pior, era real. Minha vida miserável é real.
Batidas soaram na porta, me trazendo a realidade na qual eu queria fugir correndo sem olhar para trás, levantei sem vontade alguma e abri a porta, meu coração gelou ao ver um homem alto, tatuado e de feições marcantes e suaves ao mesmo tempo.
—Posso ajudá-lo? —perguntei um pouco sem jeito.
Um homem desses, lindo, na minha porta, só pode ser o destino tirando sarro da minha cara.
—Senhorita Albuquerque correto? —retrucou com outra pergunta, a voz aguda com sotaque estranho, o inglês era impecável, porque americano ele não é, isso eu percebi.
—Sim.
—Meu nome é Pietro. Posso entrar? Preciso conversar com a senhorita. —disse, enquanto seus olhos me avaliavam de forma estranha.
Seu ar era tão superior que mais um pouco eu sentia uma leve vergonha por estar roubando oxigênio dele. Não seria certo convidá-lo a entrar, poderia ser louco.
— Desculpe, não posso deixá-lo entrar. Se quer mesmo conversar comigo, pode ser aqui no corredor. —sugeri dando um passo para fechar a porta atrás de mim.
—É melhor assim. Peço desculpas se fui muito indiscreto. — desculpou-se o mesmo me lançando um sorriso acolher.
Deus. Que homem.
—Sem problemas.Sobre o que gostaria de conversar comigo? E por favor pode ser rápido? Estou ocupada com minha mudança. —expliquei tão rápido que espero que tenha entendido.
—Claro. Não tomarei seu tempo. Serei breve. Vim em nome de meu chefe, ele é muito ocupado então vim em seu nome. E bom. Queremos lhe oferecer um emprego.
—Isso é sério? —arqueei a sobrancelha um pouco desacreditada que uma oferta como essa veio à minha porta.
—Muito sério. Tomamos a liberdade de quitar quaisquer dívidas que tenha. E como sei que não confia em minha palavra se eu disser, então sugiro que olhe sua conta bancária nesse exato momento.
Franzi o cenho e peguei o celular que estava em meu bolso, entrei no aplicativo do banco e quase desmaiei ao ver que o valor tinha tanto zero que nem tive como contar.
—É alguma pegadinha? Espera? Como você conseguiu acesso a minha conta do banco? —questionei assustada.
O homem arqueou a sobrancelha, e ao dizer ignorou totalmente minha pergunta.
—Não. É tudo verdade. O que acha de marcarmos uma reunião hoje à noite? Terá tempo para pensar se aceitará a oferta ou não. —falou calmamente.
—Claro. Suponho que eu não precise te dar o meu número, tenho certeza de que já tem. —ditei abrindo a porta atrás de mim.
—Tenho mesmo. —concordou sorridente.
—Então. Nós vemos a noite.
—Não vejo a hora. — falou o mesmo indo até o elevador sem esperar uma resposta minha.
Entrei fechando rápido a porta.
Isso tudo não pode estar acontecendo. Quando a oferta é boa, o santo desconfia, minha mãe sempre me dizia isso. Pessoas como eu, que sempre precisou trabalhar duro, ter que aguentar humilhação e às vezes passar fome, custa muito a acreditar que ofertas como essa sejam realmente verdade.
Terminei de empacotar tudo às cinco e meia da tarde, meu corpo todo estava exausto, quaisquer chance de um bom descanso, evaporou, pois recebi a mensagem do homem que viera em minha porta, só havia dito o horário e que viria me buscar, nada além.
O medo de morrer é grande. Mas a curiosidade é maior.
Separei a roupa e acessórios que iria usar a noite, pelo porte do homem parecia ser extremamente rico, por vias dúvidas, acho melhor me vestir de acordo. Mesmo não tendo muito dinheiro, sempre me vesti bem, tinha roupas que se adequam perfeitamente a ambientes de alta classe.
Estava terminando de me arrumar ao ouvir meu celular vibrando, um arrepio seguido de um frio no estômago veio rápido como um raio, eu sei muito bem quem era e sinceramente decidi ignorar. Além de tantos problemas, tenho que lidar com um ex que não aceitou bem o término. Suas ligações e mensagens são extremamente insuportáveis, pensei várias vezes em fazer um boletim de ocorrência contra ele, e sinceramente, eu deveria fazer.
Peguei minha bolsa, me olhei no espelho, o vestido preto discreto marcava bem meu corpo, porém de forma suave e delicada, meu cabelos castanhos longos enrolados com babyliss ficaram ótimos, a maquiagem não tão forte e salto, está ótimo assim, espero.
Um carro já estava esperando quando saí do elevador seguindo para saída, Pietro deve ter me visto, já que saiu do carro, senti um certo desconforto e até vergonha, não faço ideia do que ele e seu chefe tem a me propor. O dinheiro absurdo em minha conta está intocado, dependendo de como essa reunião prosseguir, eu devolvo tudo isso e finjo que nada aconteceu. Desci a pequena escada no prédio e fui parada por ninguém menos que meu ex.
—Está me ignorando Millenna? —perguntou em um tom elevado, deixando evidente o quão nervoso estava.
—Estou ocupada, me deixa passar. —pedi educadamente, por dentro me deu uma vontade imensa de me encolher ou sair correndo.
—Está vestida igual uma vagabunda.Vai encontrar alguém putinha? —perguntou debochando e rindo como se aquilo fosse um elogio que me fez.
—Não me chame assim. Sai daqui. —pedi dando um passo para esquerda, para sair de perto dele, mas o mesmo impediu novamente e dessa vez segurou meu braço o apertando com força.
—Você é minha sua cadela. —rosnou o próprio enquanto apertava ainda mais meu braço.
Em segundos Vincent foi tirado de perto de mim, Pietro o imobilizou fazendo com que a cabeça do mesmo se chocasse contra o capô do carro.
—Se eu ver você de novo. Desejera mil vezes que seja o diabo ao invés de mim.—ameaçou o homem que eu mal conheço. Pensei em falar algo mas paralisei ao ouvi-lo continuar.
—Se falar assim de novo com ela. Ou com qualquer outra mulher. Se arrependerá amargamente disso seu verme. —terminou, soltando Vincent.
Meu ex que antes grunhia e ditava palavrões diversos, olhou para Pietro e depois para mim, não disse nada, apenas sorriu e saiu andando.
—Você está bem? —perguntou-me Pietro.
—Sim. Estou. Desculpe por isso, eu não sabia que ele estava aqui. —falei, temendo que tudo já tinha ido por água abaixo por conta do meu ex.
—Imaginei. Vamos? Meu chefe nos espera.
Assenti um pouco aliviada, Pietro abriu a porta do passageiro para que eu adentrasse o carro, meu braço doía onde Vincent havia apertado, com certeza ficaria roxo, isso se já não estivesse. Droga. O mesmo já estava no banco do motorista, seu olhar foi direcionado a meu braço, seria ótimo se eu desistisse disso tudo agora mesmo.
—Acho melhor você dizer ao seu chefe que não aceitei. Eu não quero trazer problema a vocês. E depois do que houve agora, acho melhor essa reunião não acontecer. —sugeri sem olha-lo diretamente.
—Não precisa se envergonhar do que aconteceu, porque a culpa não foi sua. Seu braço está marcado, se não se sentir bem com a reunião podemos remarcar. Você escolhe. —sugeriu, a voz arrastada o sotaque distinto, me fez sentir certa calma.
Minhas mãos estavam trêmulas, francamente, tudo estava bom demais para ser verdade, bem que desconfiei, a única coisa que não pude prever foi meu ex abusivo e miserável. Pensei por longos minutos, e decidi não deixar meu ex fuder com tudo como ele sempre fazia.
—Vou buscar um casaco, eu já volto.
—Estarei esperando. —avisou com um sorriso largo, como se estivesse aliviado por eu não ter desistido.
Peguei apenas um blazer preto, antes de vesti-lo, passei um gel no ferimento, era triste como eu tinha isso apenas para algo assim. Nenhuma mulher merece um homem como Vincent, senti vontade de chorar, mas me contive ao máximo. Pois, voltei ao carro pedindo desculpas que claramente não era necessário segundo Pietro, e seguimos para nosso destino.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top