𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 45

Porque sou louco, posso sentir em meus ossos
Correndo em minhas veias, quando fiquei tão frio?
Pelo amor de Deus, onde está meu autocontrole?
Se meu lar é onde meu coração está, então meu coração perdeu toda esperança

Falling in reverse

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A mesa de jantar estava posta, Dante bebia enquanto encarava Irina, Millenna não estava diferente, já Pietro, evitava qualquer tipo de contato com a mulher ao seu lado. O silêncio era totalmente desconfortável, a chuva havia dado uma trégua, ainda sim, o frio pareceu ter congelado aquela área imensa. 

— Che ci fa qui Irina? ( O que está fazendo aqui ? ) — a voz autoritária de Grecco por pouco não causou eco.

— Devo giustificarmi per farti visita? ( Preciso me justificar para visitar vocês? ) — retrucou tomando em seguida um gole de vinho. 

A voz da visita indesejada causava ânsia de vômito em Millenna, o coração ainda palpitava e o ciúme a incitava a quebrar a mulher ao meio. Nunca fora violenta, não tinha forças ou mentalidade para tal, ainda sim, sua mente criava milhares de formas de fazer Irina sangrar até a morte. 

— Lui deve ( Deve ) 

Irina sorriu, sabia o que estava causando, entretanto não se importou. Visto que seu objetivo não era Dante, muito menos sua esposa, e sim o moreno que até então estava quieto, trêmulo, segurando todo o seu ódio. 

—Preferisci te il biondo Pietro. ( Prefiro você loiro. ) — comentou, ignorando Dante completamente. 

Millenna apertava tanto a taça que o nó de seus dedos estavam sem circulação, Grecco a olhava, sabia o que ela sentia porque era o mesmo que sentia. Por anos tentou deixar Irina o mais longe possível, mas sempre ela arrumava um jeito de voltar. E quando voltava. Causava um tremendo estrago . 

— Non devi preferire nulla. ( Você não tem que preferir nada. ) — a morena falou pela primeira vez. Não aguentava mais ficar em silêncio ouvindo aquela mulher miserável. 

— Cosa hai detto? ( O que disse? ) 

— Quello che hai sentito ( Isso que ouviu ) — retrucou fitando-a. 

Irina não disfarçou a surpresa, por outro lado, os lumes verdes intercalaram entre Millenna e Pietro e por fim Dante. 

— Ti sei appena sposato, vero? ( Casou-se a pouco tempo, não é? ) — perguntou sem desviar os lumes irônico da morena. 

— Si. ( Sim ) — quem respondeu foi Dante. 

— Perché non sono stato invitato? ( Porque não fui convidada ? ) — Irina questionou como se estivesse magoada. 

— Non sei la benvenuta in tutto ciò che ci coinvolge, Irina. ( Você não é bem vinda em absolutamente nada que nos envolva Irina. ) — Pietro murmura com o olhar sombrio direcionado à mulher. 

Grecco tomou sua bebida, estava pronto para servir mais, aquela situação não seria viável lidar sendo sóbrio. Odiava a mulher e se arrependia amargamente por não tê-la matado anos antes. 

— Non essere così amore.  È così tranquillo, dovremmo parlare nel tuo appartamento, non credi? ( Não seja assim amor. Está tão quieto, deveríamos conversar em seu apartamento não acha? ) — Millenna ferveu ouvindo as palavras maliciosas. 

Sua paciência se esvaiu quando viu a destra de Irina deslizar pelo peito de Pietro, o punho de Bianchi impediu o restante do toque, mesmo assim, Millenna explodiu. 

— Vai fuori da casa mia. ( Saia de minha casa ) — ameaçou ficando de pé. 

— E se non voglio. ( E se eu não quiser? ) — retrucou sorrindo. 

Millenna sorriu, e não foi um sorriso amigável, Dante largou o copo e tratou de ficar de pé, Pietro fez o mesmo. 

— La farò partire. ( Eu a farei sair ) — rosnou.

Irina gargalhou debochando da senhora Grecco, não via um pingo de ameaça emanar da morena, por outro lado, percebeu algo que não deveria. — Lucchese afastou a cadeira de modo elegante, as orbes verdes encaravam os escuros de Millenna e o sorriso aumentou de tamanho. 

— Perché il mio fiore è così?  Non sei sposato con Dante?  Perché sei furioso per Pietro? ( Porque está assim minha flor? Não és casada com Dante? Porque está fúria a respeito de Pietro ? ) — as perguntas eram retóricas. — È il mio fidanzato, ho il diritto di fare ciò che voglio.  Hai idea di chi sono Millenna?  Sono la figlia del capofamiglia Nostra. ( Ele é meu noivo, tenho direito de fazer o que bem entender . Tem ideia de quem eu sou Millenna? Sou filha do chefe da casa Nostra. ) 

A mulher revirou os olhos e se afastou da mesa, caminhando com elegância até Irina. Alguns seguranças, incluindo Enzo apareceu, Grecco levantou o indicar ordenando que ficassem parados. Já Pietro, sentia desespero porque o jeito que Millenna o olhou quando Irina disse com orgulho que eram noivos, o despedaçou da mesma maneira de anos antes quando o casamento havia sido anunciado por seu pai. 

Millenna o olhou do mesmo jeito que Dante. 

— Non me ne frega un cazzo di chi sei.  Questa è casa mia e i tuoi atteggiamenti sono irrispettosi verso me e mio marito.  Non essere una stronza amara e abbi rispetto. ( Estou pouco me fodendo para quem você é. Esta é minha casa, e suas atitudes desrespeitam a mim e a meu marido. Não seja uma vadia amargurada e tenha respeito.) — a autoridade na voz foi o suficiente para deixar todos ali boquiabertos.

Millenna pela primeira vez tomou coragem para enfrentar alguém que se fosse em outra circunstâncias não teria. — depois do dia desgraçado, não deixaria outra pessoa a subjulgar. Não mais. 

— Millennio  ( Millenna )

— Per te è Madame Grecco.  Ordinerò di nuovo.  Oppure lasci questa casa in modo dignitoso.  Oppure la farò andare via, e vi garantisco che sarà molto umiliante ( Para você é senhora Grecco. Vou pedir de novo. Ou você sai desta casa de maneira digna. Ou a farei sair, e garanto que será bem humilhante ) — voltou a repetir. 

Irina sorriu desafiando-a. Millenna não disse mais nada, pois compreendeu o silêncio alheio. 

O momento seguinte fez os homens presentes se assustarem. Millenna desferiu um soco certeiro no rosto de Irina, um filete de sangue escorreu pelo canto inferior do lábio alheio, manchando os dentes brancos e retos. — a voz de Natasha nos dias em que a treinou, chegava ao seus ouvidos como se a ruiva estivesse ali. E muito do que disse, frisou constantemente que jamais deve mostrar fraqueza diante a um oponente. Não importa quem seja. 

Lute quando sentir que pode ganhar.

E Millenna podia. E faria. 

— Vai fuori da casa mia.  Allontanati dalla mia proprietà o ti sparo in testa. ( Saia de minha casa. Se afaste de minha propriedade ou irei meter um tiro na sua cabeça. ) — gritou furiosa. 

Irina gargalhou novamente, limpando o sangue com a mão esquerda. 

— Non è finita.  Ritornerà.  Lo farò sanguinare allo stesso modo ( Isso não acabou. Terá volta. A farei sangrar da mesma forma ) — ajeitou os cabelos e se recompôs como se nada tivesse acontecido. 

Pietro a pegou pelo braço a puxando para fora, não antes de pedir desculpas aos donos da mansão e sumir de vista em minutos. 

Dante ficou no mesmo lugar, e em silêncio dispensou os seguranças, Enzo fitou a cena contendo o riso e saiu junto aos outros. —a morena ofegava enquanto a mão direita ardia e tremia, sentiu alívio mas ainda sim a raiva pairava. 

Sentia ciúmes de Pietro. E não deixaria que uma vagabunda igual Irina o desrespeitasse daquele jeito hediondo e escroto. 

— Amore mio. — Grecco sussurrou, chamando-a. — Respire. Per favore. Respire Millenna. — pediu. 

Millenna acatou o pedido, mesmo de costas para seu marido, respirou profundamente e soltou, repetiu de novo, de novo e de novo. 

— Posso me aproximar de ti ? — perguntou com cautela. 

— Pode. — murmurou assentindo.

Em instantes o corpo alto do moreno a embalou, abraçando-a, transmitindo segurança e calor, a mulher o abraçou de volta, inalando a fragrância amadeirada, escondendo o rosto no peito forte do marido e chorando baixinho. 

— Não sinta raiva de Pietro amor. Não é culpa dele e logo ele irá te explicar. — avisou enquanto acariciava as costas da menor.

— Me desculpe pelo que fiz. — a voz abafada fez Dante sorrir. 

— Não tenho motivos para desculpa-lá. Na verdade eu a agradeço, era meu sonho ter socado a cara dela. Juro. 

— Sério?

— Uhum .

— Então que bom que a esmurrei. — comentou rindo. 

— Confesso que vê-la tão firme e autoritária me deixou orgulhoso babe. E excitado também. — brincou, mas tinha um resquício de verdade. 

— Obrigada. Que bom que meu descontrole é motivo de orgulho. 

Dante a afastou alguns centímetros, segurando o rosto belo de sua esposa. 

— Não foi isso que quis dizer piccola. Você defendeu sua casa, defendeu Pietro. E estava em seu completo direito...Fiquei orgulhoso. Pois odeio vê-la acuada, como se tudo no mundo fosse culpa sua. — explicou.

Tais palavras a fizeram querer contar o que Enzo havia lhe dito mais cedo, por outro lado, temeu que Grecco fizesse algo, portanto ficou em silêncio e o abraçou de novo. 

— Vou pedir para levarem nosso jantar para o quarto. 

— E quanto a Pietro? 

— Deixe que ele cuide de Irina, ao menos por hoje. Falamos com ele amanhã. — doeu em seu âmago dizer aquilo. Infelizmente não podia fazer nada. 

Millenna concordou mesmo não gostando. 

Odiava a mulher, e nem precisou conhecer mais para constatar que Irina merecia uma boa surra. 

[...]

O veículo em alta velocidade estava silencioso, Pietro manteve seus olhos na estrada, as mãos apertavam o volante, a raiva que sentia era quase incontrolável. Irina ao seu lado limpava o sangue sem desfazer o sorriso maldito. 

— Mulherzinha petulante. — xingou. — Vou matá-la com minhas próprias mãos. 

— Não irá tocar num fio de cabelo dela Irina. — a voz de Pietro a deixou arrepiada. 

Bianchi era calmo na maior parte do tempo, sempre foi de controlar os sentimentos, suas ações para não trazer consequências. Ouvir Irina ameaçar a mulher por quem é apaixonado o deixou com vontade de parar o carro e matá-la alí mesmo, onde ninguém veria. 

—  Veremos. 

— Cale essa boca. Apenas cala a porra da boca. — ordenou entredentes.

Dito isso o silêncio voltou a se estabelecer, até que chegassem no apartamento do ex loiro. — o carro diminuiu de velocidade, podia ser visto a pequena cidade, as luzes iluminando cada cantinho. 

A porta do motorista bateu com força, Pietro adentrou o prédio sem esperar Irina, pois sabia que ela viria rápido; no elevador nenhum dos dois trocaram uma só palavra. 

Quando Bianchi destrancou a porta e entrou, esperou Irina fechar a porta e avançou segurando-a pelo pescoço, o corpo magro e esguio se chocou contra a porta. 

— Pensi di poterti presentare così e fottermi la vita, puttana?  Hmm?  NON SONO IL TUO RAGAZZO.  Ho smesso di esserlo anni fa e sembra che tu non l'abbia ancora capito, puttana. ( Acha que pode aparecer desse jeito e foder minha vida sua puta? Hum? EU NAO SOU SEU NOIVO. Deixei de ser anos atrás e parece que ainda não compreendeu isso sua desgraçada. ) — gritou próximo ao rosto da mulher. 

Irina tentou se defender mas Pietro era mais forte, seu corpo a manteve presa e imóvel contra a porta de madeira. 

— Non rovini tutto di nuovo, puttana.  Comprendere?  Se tocchi Millenna o Dante come hai fatto una volta.  Giuro su Satana che lo manderò alla puttana che ha fottuto il fatto che non faccio del male alle donne.  E ti finirò. ( Não vai estragar tudo de novo sua vadia. Compreendeu? Se tocar em Millenna ou em Dante como já fez uma vez. Juro por Satã que irei mandar para puta que pariu o fato de que não machuco mulheres. E vou acabar com você. ) 

Dizem que mares calmos trazem as piores tempestades. E Pietro era a prova disso. Pois vê-lo furioso era perigoso e desesperador. 

Era um homem com princípios. Mas ao se tratar das pessoas que ama, os princípios são mandados para casa do caralho. 

— Ah!  Ho capito tutto.  Oltre ad amare Dante, adesso ami quella povera puttanella?  Senza alcun potere? ( Ah! Entendi tudo. Além de amar Dante, agora ama aquela vagabundazinha pobre? Sem poder algum? ) — debochou com a voz abafada.

Pietro apertou mais a jugular da morena, pois conseguia obstruir o local sem danificá-lo.

— L'unica troia sei tu.  Stai lontano da loro.  Non so perché sei tornato, ma ti suggerisco di sparire.  Oppure laverò tuo figlio di puttana sul pavimento con il tuo sangue.  COMPRENDERE.  NON SONO IL TUO RAGAZZO. ( A única vagabunda é você. Fique longe deles. Não sei o porquê voltou, mas sugiro que suma . Ou lavarei a chão com seu sangue sua filha de uma puta. ENTENDA. EU NAO SOU SEU NOIVO. ) — repetiu gutural, arrancando um gemido de dor de Irina e tremor. 

Ela o temia. E muito. 

— Você será meu Pietro. Mesmo que demore. O terei para mim, nem que para isso eu tenha que arrancar a cabeça de Dante e Millenna. — prometeu sorrindo. 

Bianchi a soltou antes que fizesse algo errado. 

— Vá embora. Para seu bem, e o bem da sua organização, fique longe de nós. Ou a guerra batera em sua porta e fará a chuva se tornar sangue Irina. 

— Veremos amore mio. Nos veremos em breve bebê. 

Irina lançou uma piscadela ao moreno e saiu, deixando Pietro sozinho, na penumbra e tremendo de ódio. 

—Dannazione. ( PORRA! ) — gritou. 

E gritou repetidas ofensas enquanto destruía tudo que via pela frente, até que seu ódio fosse saciado. 

Ela aparecer não foi coincidência. Enzo o alertar também não .

O que levou Bianchi a crer que tudo está ligado a um só homem. 

Joseph.

.
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Até o próximo capítulo...

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