𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 41
Eu só existo para cair
Hábitos como o fantasma de Deus
Eu apenas ando pela terra até eu ir embora
DEVILISH - Chase Atlantic
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O veículo absurdamente caro parou no acostamento, havia levado a morena para conhecer alguns pontos turísticos, contando histórias de cada uma delas pacientemente; ver o quão interessada estava por cada palavra sendo quase cantada numa melodia lenta e agradável, era divino. — a garota definitivamente via tudo com um olhar apaixonado, lavado de curiosidade e contemplação que Pietro capturou em segundos.
O clima estava agradável, nem quente, nem frio, apenas meio termo. Ambos saíram do carro rumo ao museu egípcio, visto que histórias eram um ponto crucial para Millenna, Biachi tinha absoluta certeza de que tal escolha, a faria feliz.
Subiram calmamente os pequenos degraus até as portas pesadas e escuras que estavam abertas, a morena olhou com fascínio, a estrutura antiga e bem preservada, aproximando-se mais, leu o nome do museu, a data um pouco mais embaixo que estava numa placa de aço adornados por vidro.
Museo delle antichitá egizie di Torino. ( Museu de Antiguidades Egípcias de Turim ). Um belo museu nacional que foi inaugurado em 1854 .
O interior era impressionante, Millenna quase ficou boquiaberta por estar num lugar tão incrível quanto aquele. Sempre foi fã do antigo, do modo como são encontrados artefatos que comprovem sua criação anos antes de Cristo ou depois. —ainda que estivesse numa espécie de paixão constante pelo local onde estava; em seu coração reside uma tristeza que aumentava a cada segundo, a cada lufada de ar. Sentia que estava começando a viver, começando a conhecer tudo o que sempre almejou quando mais nova. E isso doía.
Doía muito.
Tola. Pensou consigo enquanto admirava uma da princesa Redite sentada, (III na dinastia egípcia) algumas pessoas passaram por si, seguindo seus supostos rumos, ela por outro lado, permaneceu estática, olhando com atenção a estátua, admirando cada detalhe, perdida numa maré impiedosa de diversos sentimentos que a afundavam cada vez mais. — Pietro notava a tensão que a rodeia, permaneceu alguns passos atrás, deixando-a explorar o local com mais privacidade e tranquilidade; trajado num terno Giorgio Armani preto impecável, o ex- loiro observava sem piscar, cada passo da mulher.
Conhecia-a a pouco tempo, mas soube de antemão que a tristeza não era um sentimento que combinasse consigo; Millenna possuía uma aura interessante, intensa, sensual e convidativa, não era atoa que trouxe atenção de dois homens poderosos e perigosos.
Três almas que, mesmo diferentes, eram iguais no sentido mais literal da palavra. Cada um orbitando em seu próprio espaço, respeitando os de outrem e mantendo-se na mesma frequência, como uma estação de rádio ou um magnetismo criado apenas para juntar peças que não se encaixavam perfeitamente, entretanto, se conectam numa nuance imprescindível.
— Pietro. Podemos ir embora? — a voz suave da mulher havia um pesar, que o deixou em alerta.
— Claro. Vamos...Podemos voltar aqui em outro momento. — prometeu quase para si do que para a morena.
A porta do passageiro foi aberta para que Millenna fosse a primeira a adentrar o veículo, com cautela, Pietro fechou a porta dando a volta para assumir o do motorista; um leve arrepio percorreu sua espinha, as mãos pálidas agarraram o volante, não excitou ao ligar o carro, fazendo o motor rugir feito uma fera adormecida ansiosa para voar como nunca. — após sair do acostamento, Bianchi rumou para a mansão, o interior do carro luxuoso estava frígido, e o ar nem ligado estava.
Millenna despertou do torpor sentindo uma pequena pressão do veículo aumentando de velocidade.
— Pietro ? O que foi? — perguntou assustada.
— Estamos sendo seguidos. — respondeu sem desviar os lumes da avenida.
— Como? Tomamos cuidado . — comentou olhando para trás, vendo quase ao longe, dois veículos escuros do mesmo modelo se aproximando rapidamente.
O veículo atingiu quase trezentos por hora, Millenna apertou o cinto de segurança, os lumes apavorados denunciavam tudo o que pensava, Pietro por outro lado parecia neutro, calmo e concentrado, guiava o veículo, contornando os carros numa destreza incomum, era como uma dança ensaiada, sem erros e sem improvisações.
— Se segure amore mio . — avisou ao pisar no freio e fazer um cavalo de pau na via expressa, fazendo outros carros buzinarem e frear brutalmente, pelo retrovisor, Pietro avistou um dos veículos, conseguiu ver a placa, quem dirigia descobriria depois. Sem dar chance ao perseguidor, Bianchi pisou novamente no acelerador, fazendo os pneus cantarem sobre o asfalto, deixando um rastro negro no concreto, em segundos o carro já estava o mais longe possível da confusão que causou quilômetros atrás.
— Conseguiu ver quem dirigia?
— Não. Vi a placa. — o maxilar trincado era resposta crível do seu ódio.
Bianchi diminuiu a velocidade numa encruzilhada, e foi nisso que uma kawazaki ninja 300 chegou rápido, dois homens estavam na garupa e um deles segurava uma m16a4 de modo profissional, Pietro puxou Millenna para baixo para se protegerem das alvejadas de tiros; da mesma forma que surgiram, os ataques cessaram. Pietro levantou alguns centímetros e notou que a moto já não estava mais ali.
Não queriam matar.
Queriam deixar um recado.
Pietro logo entendeu do que se tratava, se ajeitou no banco, tirando de suas roupas pequenos pedaços de vidro, mesmo o carro sendo a prova de balas, não foi o suficiente para suportar as balas daquele tipo de armamento.
— Senta no meu colo. — Pietro ordenou .
Millenna pensou em relutar, entretanto, estava apavorada demais, então apenas obedeceu, se ajeitou trêmula no colo do homem, que com a canhota, segurou a cintura alheia enquanto a destra conduzia o carro, desta vez, numa velocidade considerável.
Não tardou para que adentrassem furiosamente os portões da mansão Grecco, o carro literalmente fodido foi deixado na entrada, a mulher foi a primeira a sair, o tremor não havia diminuído e por isso as pernas não estavam firmes, se não fosse pelas mãos ágeis do mais velho pegando-a nos braços, teria caído entre os pedregulhos.
Dante por pouco não derrubou a porta de madeira envelhecida e envernizada na sala principal; o rosto retorcido de preocupação suavizou, deixando apenas o sentimento de impotência tomando conta. — Millenna estava pálida, estática, enquanto Pietro parecia lhe dizer algo silenciosamente.
Ambos compreendiam o quão perigoso a situação estava. A que ponto estava chegando.
— Sono feriti? ( Estão feridos ?) — Grecco pergunta rígido.
— Ela só está assustada, senhor. Porém está bem, e ilesa. — Pietro responde em exatidão excruciante.
Aquilo deixou Dante alarmado, as orbes azul estavam intensas ao ponto de congelar os ossos alheios, trazer ondas de medo e pedidos de clemência. Grecco apesar de seu porte físico e aparência bruta, exalava medo de terceiros, mas sua falta de piedade causava uma espécie de devoção aos sádicos e desespero para os frágeis e inocentes.
Pietro não responde-lo foi o estopim para explodir como uma granada.
— LASCIATECI A SOS ORA. ( NOS DEIXEM A SÓS AGORA. ) — gritou em comando.
Cada segurança fez uma breve reverência e se retirou. Do lado de fora, os outros fizeram o mesmo, pois a voz rouca e ajuda do chefe reverberou por cada canto da mansão e além.
Sozinhos. Dante puxou as cortinas pesadas para cobrir as janelas, bloqueando qualquer existência diurna naquela sala. Nervoso como estava, se estivesse sozinho, destruiria tudo que estivesse em seu caminho . — Bianchi nada disse, a morena tampouco.
A porta foi fechada e trancada, uma luz ambiente foi acesa e no mesmo instante, Grecco fitou Pietro e notou a dor em sua feição, e nisso caiu de joelhos. Tremendo e segurando as lágrimas.
Não importa quantos anos tenham se passado.
Grecco ainda era o garotinho traumatizado.
E com a ciência de tal fato, a raiva predominava, deixando-o cego e instável.
— Dante! — Pietro o chamou.
Seu chefe não respondeu.
Millenna antes em silêncio, ficou de pé, caminhou a passos lentos até o marido, ficando de frente para o tatuado, e assim, ficou de joelhos, puxou a destra alheia e levou até seu rosto.
— Respire. Está tudo bem. Nós estamos bem. Estamos sãos e salvos Dante. — ditou lentamente para que o mais velho absorvesse e compreendesse .
Pietro encarou a cena, as barreiras se quebraram como se não houvessem sido criadas, o lampejo de insuficiência evaporou como fumaça, a raiva também se dissipou e o que se fez presente foi admiração. Pura e simples. Portanto, foi até ambos e se ajoelhou ali, segurando o rosto do amor de sua vida, para que olhassem para os dois que ali estavam . Postos diante de si.
Ambos à sua própria mercê.
— Dan. Meu amor. Olhe. Estamos bem. Não se preocupe... Fique conosco e se concentre em nós. Não vá para o seu passado, não se refugie no que lhe trouxe dor. — o timbre livido do ex loiro os envolveu como um lençol já aquecido.
Dante parou de tremer, olhou para seu amor, e para sua esposa, por quem está apaixonado assim como o amor de sua vida está.
Não precisavam de palavras pois os olhares já falavam por si .
Grecco sorriu fraco, selou seu lábio gélido nos de sua esposa e depois no de seu homem.
Era uma promessa silenciosa.
Uma no qual os três guardaram em seus corações que batiam como se fosse um.
Não importa sua essência.
Promessa é dívida.
E aquela dívida custaria caro.
.
.
.
Capítulo pequeno eu sei ... Mas é só para deixar um gostinho de quero mais porque sou do mal kkkkk...
Espero que tenham gostado...
Caso aja erros ortográficos. Desculpem, não durmo a dias então tô lenta e um pouco desmotivada.
Enfim.
Até o próximo cap...
Boa noite a todos ( as )
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