𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 29
Você pode dizer o que quiser
Não diga que eu não morreria por você (ah)
Eu estou de joelhos
E eu preciso de você para ser meu Deus
Seja minha ajuda, seja um salvador que pode
James Arthur
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𝙿𝚒𝚎𝚝𝚛𝚘 𝙱𝚒𝚊𝚗𝚌𝚑𝚒
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𝙵𝙻𝙰𝚂𝙷𝙱𝙰𝙲𝙺 • 𝙰𝙽𝙾𝚂 𝙰𝙽𝚃𝙴𝚂
—Tem certeza de que não vão descobrir Pi? —pergunta Dante um pouco apreensivo.
Os dois adolescentes estavam do lado de fora da mansão, escondidos para que os seguranças não os vissem, Pietro era mais treinado então buscava sempre ensinar algo a Dante. Visto que ninguém estava preocupado em procurá-los, o loiro segurou a mão do garoto e juntos correram até o imenso jardim, a escuridão os favorecem, portanto, seguiram sem fazer muito barulho.
As nuvens havia coberto a lua, Pietro e Dante passaram pelos imensos portões e foram até uma enorme árvore, onde sempre iam para lutar e se divertir quando não os subordinados de Joseph lhe davam alguns minutos para descansar .
—Acho melhor voltarmos. Alguém pode nos ver. —sussurra o moreno.
—Relaxa Dan. Passei o dia me certificando de que poderia trazê-lo.
O menor assentiu. Os dois se sentaram na grama um pouco úmida, o vento estava ameno e o ar seco, para não correr o risco, Pietro pegou uma bolsa que havia escondido ali, ao abrir, retirou remédios e pomada.
—Dan. Tire a camisa.
Desde que o moreno passou a entender a vida que lhe foi dada, as coisas ficaram difíceis, Joseph sempre era rígido, ignorante, jamais lhe deu carinho e muito menos foi compreensivo com o trauma da criança.—o mais velho odiava quando Dante chorava durante a noite, urinava na cama e recusava-se a comer, e era agressivo, na visão de Joseph, a criança precisava ser disciplina, pois não aceitaria ser enfrentado pelo filho adotivo . A partir desse ponto, a criança desejou a morte, questionou Deus, perguntando o porque Ele, permitiu tanto sofrimento a si, e ainda permite. Qual era o propósito de viver dessa maneira? Dante não sabia.
E foi em um momento de dor e desespero que Pietro apareceu, no início o moreno o temia, pensando que aquele garoto de olhos azuis e feição intimidadora, pudesse forçá-lo a algo por ordem de seu pai. Pietro é três anos mais novo que Dante, e possuía habilidades impressionantes, era assustador a maneira como se movia, como conversava e etc… Não demorou para que Dante confiasse no loiro, quando não viam, Pietro lhe entregava doces, conversava sobre assuntos banais que pudessem aliviar a tensão e a pressão que o moreno sentia, foi extremamente difícil conquistar o garotinho assustado, porém, Pietro conseguiu, até porque, jamais desistiria de seu único amigo.
—Está doendo muito Pi. —a dor estava lancinante, as costas de Dante estavam em carne viva, as feridas abertas, sangue seco sendo substituído por sangue fresco. As chicotadas haviam destruído a pele que antes era alva, macia como pele de bebê.
Pietro nada pôde fazer, era um ensinamento, uma punição pela desobediência, mesmo odiando, o loiro precisou presenciar a dor de seu melhor amigo, sem demonstrar emoção alguma.
—Vou limpar o ferimento e depois passar essa pomada que vai ajudar a diminuir a dor...Vai doer, mas você é forte Dan. —a voz de Pietro lhe trazia calma e confiança absoluta. O garoto concordou em silêncio, olhando para a escuridão enquanto o loiro cuidava dos ferimentos, chorando baixinho.
Na altura do campeonato, ambos sentiam algo a mais um pelo outro, porém eram ingênuos demais para conversar a respeito, estavam no início do adolescência então tudo parecia muito confuso. Entretanto, nada impedia que carinhos fossem trocados entre si, não haviam malícia alguma nos gestos, era puro, genuíno. Era amor.
Dizem que o amor surge em tempos difíceis, quando a esperança está por um fio de deixar de existir, e isso nunca foi tão verdadeiro, já que Dante viu em Pietro uma chance de lutar por sua vida, por seu futuro, viu a esperança renascer e com ela o amor brotar como as flores silvestres na Primavera.
—Falta muito? —perguntou com a voz trêmula, a dor diminuiu de intensidade, fazendo o moreno respirar aliviado pela primeira vez em dias .
—Estou terminando.
A luz crepuscular iluminou quase todo o jardim, dando uma aparência linda, Dante admirava a escuridão, adorava a maneira como as estrelas e a lua o faziam respirar, fazia-o sentir-se vivo. Pietro guardou os medicamentos na bolsa e o ajudou a vestir a camisa, os dois um de frente para o outro, em seu próprio mundinho particular.
—Pi. Posso lhe fazer uma pergunta?
—Quantas quiser meu mio angelo. ( meu anjo).
Dante olhou para seus dedos entrelaçados um no outro, sentia um pouco de medo, diante as circunstâncias, pensou que o que iria dizer era menos complicado do que qualquer outra situação.
—Você gosta de mim?
Pietro não deixou de ficar surpreso, mesmo com a escuridão e a luz crepuscular vinda da Lua, não escondeu sua reação. Fazia certo tempo que o loiro pensou sobre, só não queria forçar Dante a nada. Ele era inocente, ingênuo e teve a vida completamente virada de cabeça para baixo, então achou melhor esperar que o garoto ficasse curioso o suficiente para perguntar para si.
—Sim. E você? Gosta de mim ? —perguntou ansioso e nervoso com a resposta.
—Uhum. Gosto muito, eu só não sei como fazer isso. Todos que eu amei foram mortos, não quero que você morra Pi. Não suportaria perdê-lo. —responde envergonhado. As bochechas do mais velho estavam vermelhas, um rubor leve mas que o loiro notou e achou fofo.
—Não vai me perder. Prometo...Lembra que prometemos que isso que temos, será eterno?. —Dante gesticulou um sim. —Pietro segurou o rosto do moreno entre as mãos, para que os lumes azuis focassem em si. — vivrò per servirti. Ti amo Dante, e qualunque cosa accada, io ti sceglierò sempre. Mai. Anche se morissi, fino all'ultimo secondo respiro, ti amerò. Mio angelo. Il mio amore. La mia vita. ( Viverei para servi-lo. Eu amo você Dante, e não importa o que aconteça, sempre escolherei você. Sempre. Mesmo que eu morra, até o último segundo em que eu respirar, irei te amar. Meu anjo. Meu amor. Minha vida. ). —seus sentimentos foram expostos, cada palavra, não deixou espaço para outra interpretação que não fosse esta.
Dante às vezes se confundia com os idiomas, portanto, entendeu pouco do que Pietro disse, sentiu certa frustração por isso.
—O que você disse Pi? Fala em meu idioma, por favor. —pediu manhoso, fazendo Pietro gargalhar.
—Irá saber no tempo certo meu anjo.—uma luz longe chamou a atenção do loiro, que logo pegou a bolsa e ajudou Dante a ficar de pé. —Vamos, antes que um deles nos veja.
De volta a mansão, Dante se despediu de Pietro, o agradeceu pela ajuda e sumiu pela porta dos fundos.
Por alguns segundos Pietro ficou ali, para ter certeza de que ninguém o denunciaria, ou notasse por fim, que o garoto não estava em seu quarto, pois estava muito tarde. Um sorriso largo surgiu na feição do loiro, a felicidade aquecia seu coração, sentiu o corpo mais aliviado como se um enorme peso tivesse sido tirado de seus ombros.
Foi a primeira noite em que compartilharam seus sentimentos em voz alta.
O mesmo sabia da sua sexualidade, não foi difícil de descobrir, então deixou que acontecesse naturalmente, quando tinha tempo, ficava com quem sentisse vontade, ao menos para desviar de seu real desejo. Pietro quase surtou ao notar que Dante o correspondia, que tinha chances com ele, e por isso, passou a esperá-lo.
Paixão. Amor. Ambos sentimentos que são irrelevantes para pessoas como ele, o que mais prevalece e a fidelidade entre as organizações, princípios no qual aliados eram feitos e trabalhos eram executados. Apenas isso. Agora. Se apaixonar, era ridículo, bom, poderia até ser ridículo para muitos. Não para ele. Para Pietro, o amor era como uma luz no final do túnel, era paz em meio ao caos. Dante é a personificação de tudo isso e muito mais.
O caminho para esse amor seria doloroso, teria obstáculos, muitos impedimentos, o loiro sabia disso, mas também quis arriscar. Nem que isso o levasse à morte, ele iria arriscar e iria amar Dante de corpo e alma. E jamais se arrependeria disso.
𝙵𝙻𝙰𝚂𝙷𝙱𝙰𝙲𝙺 𝙾𝙵𝙵
A luz da manhã adentrou a sala, iluminando cada móvel, cada espaço lentamente, Pietro permanecia sentado no sofá, o olhar fixo em um ponto cego, o copo vazio ainda em sua mão, os pensamentos iam e viam como flashes, trazendo consigo, sensações calorosas e sentimentais.—o loiro estava desolado, sentia-se sem chão. Odiou não conseguir ficar na cerimônia. Odiou não conseguir se controlar. Bianchi jamais pensou que passaria por esse momento, durante anos e anos pensou que seria apenas ele e Dante, entretanto, o destino novamente mostrou que ele, não tinha poder algum, a respeito de absolutamente nada que pudesse envolver Grecco. Amar e ser correspondido foi um sonho, que agora está sendo seu pesadelo.
Millenna não tinha culpa alguma, muito menos Dante, a máfia era uma praga que destrói tudo e todos em um piscar de olhos.—o único que Pietro poderia culpar sem remorso era Joseph. Tirando isso. Ninguém tinha culpa alguma no cartório.
O mesmo sentia a cabeça doer, a garganta secar e indisposição para viver, queria apenas fingir que nada acontecera, que sua vida se encontra igual, porém, não havia como evitar o inevitável, uma hora ou outra teria que encará-los e explicar com todas as palavras, o motivo por ter ido embora. Ele ainda conseguia lembrar da promessa, lembrava-se do início de seus sentimentos e a maneira como evoluiu, amadureceu e se tornou delicioso de cultivar.
A noite toda foi passava em claro, entre um copo e outro e sensações infernais que parecia queimá-lo, destruí-lo de dentro para fora, seu aparelho celular vibrou grande parte da noite, o loiro sabia quem era, lhe doía não ter respondido, não ter lido as mensagens, estava absorto demais em sua própria dor e sentimento de abandono. —o copo foi deixado na mesa lateral redonda que ficava ao lado do sofá, numa decoração mais despojada; a garrafa de conhaque estava quase vazia, Pietro não se importou em deixar ali, apenas levantou-se com certa dificuldade e foi para o quarto devagar, a visão um pouco desfocada e a vontade inerte de vomitar até que não houvesse nenhum vestígio de álcool em seu organismo .
O banho foi longo, Pietro ficou paralisado, encarando o nada, deixando a água fria aliviar a ressaca. —é uma sensação deplorável, quanto mais desejava não pensar, mais pensamentos vinham, incluindo paranóias que lhe faziam querer esmurrar a parede, gritar de ódio e matar qualquer um que tente chegar perto de si. Basicamente, esse foi o estopim para seu auto-controle.
Minutos depois, Bianchi se secou preguiçosamente e vestiu nada além de uma boxer preta e uma calça de moletom, o tronco definido estava úmido pelo recém banho, o cheiro gostoso de sândalo envolvendo-o, o mesmo usava a mesma fragrância desde que Dante havia dito que sândalo era perfeito para ele.
O café estava sendo passado, o cheiro delicioso acalmava o interior tão caótico, devido a ressaca, não sentia fome, o café fresco bastava. A tv foi ligada no jornal local, seu celular permanecia no mesmo lugar, intocado, e ali ficaria por todo o dia. —serviu-se de uma dose considerável de café e foi se sentar no sofá, após um gole a campainha tocou, Pietro soltou um palavrão e levantou-se para atender, não adiantaria nada fingir que não estava, o mesmo destrancou a porta e a abriu, dando de cara com Dante, ao seu lado estava Millenna, ambos com o semblante nada agradável.
—Troppo presto per una visita, non credi? (Muito cedo para uma visita, não acham? ) —debochou, afastando-se da porta para que os dois entrassem.
—Temos que conversar. —Dante falou sério, mesmo com o maxilar trincado e o olhar quase sem vida, Pietro sabia que estava preocupado, provavelmente nem havia dormido, e isso trouxe novamente uma enxurrada de dor em seu coração. Odiava ver Dante daquele jeito .
—Estou cansado.
—Por favor, Pietro. —dessa vez, o pedido partiu de Millenna.
A porta foi fechada, os três se entreolharam, tomando coragem para ir em frente com a suposta conversa que precisava ser iniciada.—o único som vinha da tv, Pietro se acomodou no sofá, sentia o olhar do moreno sobre si, a garrafa o denunciou, e por isso, Grecco soube que precisava de calma com as palavras, pois não queria magoar seu amado, mais do que já está. Millenna era a única que estava apreensiva, não entendia os olhares, muito menos o modo como se portavam, estava à deriva em tudo aquilo, e por uma fração de segundo, odiou a situação.
—Sei que está chateado. Eu entendo você Pietro e não estou bravo por não ter ficado na cerimônia.—Dante falava baixo, seu timbre parecia rouco e exausto. —Olhe para mim bebê. Por favor!—pede desesperado.
Pietro o fitou, era orgulhoso, mas não com Dante, com ele jamais conseguiria ser assim, nem se quisesse.
—Está tudo bem Dan... Só quero ficar sozinho.
—Mas não irá. Não vou sair daqui sem que conversemos...Tem ideia do quanto fiquei agoniado, desesperado por não ter uma só resposta sua? Porra!
O café já estava frio, Pietro ficou em silêncio sentindo a dor de cabeça se alastrar, deixando-o instável, não era necessário uma briga, discussão nem nada. Só precisavam de um diálogo sincero.
E isso nunca foi tão difícil de se fazer.
—Pietro, você sabe que isso tudo é apenas um acordo. —comenta o moreno .
—Era um acordo...Nós dois temos sentimentos por ela. O que vamos fazer sobre isso? —contrapõe, seu olhar foi direcionado a mulher que até então esteve em silêncio, esperando uma oportunidade para falar.
—Nós três funcionamos bem juntos. Porque não mantemos assim? —questiona.
—Não cabe a nós decidir isso. A decisão tem que partir dela...Não acha Millenna?
—Acho.
Ambos a olharam, estavam em seu limite e mesmo assim queriam uma resposta da mulher que entrou em um mundo na qual não tinha conhecimento, mas que agora fazia parte e precisaria ter culhão para lidar, tanto com a máfia, quanto os homem a sua frente.
—O sentimento é recíproco, não faço ideia de como isso vai funcionar, afinal, nunca tive um relacionamento saudável e principalmente, jamais estive apaixonada por dois ao mesmo tempo...Acho que será uma experiência e tanto . —comenta sem receio. Não adiantaria sentir vergonha, a essa altura do campeonato nem deveria, já havia tido relação com dois. Bom.
Mas não ao mesmo tempo. Ainda.
—Amore. Qualunque cosa accada, io sceglierò sempre te. Mai. Anche se morissi, fino all'ultimo secondo respiro, ti amerò. Mio angelo. Il mio amore. La mia vita . ( Amor. Não importa o que aconteça, sempre escolherei você. Sempre. Mesmo que eu morra, até o último segundo em que eu respirar, irei te amar. Meu anjo. Meu amor. Minha vida.) —Grecco dita cada palavra, as mesmas que Pietro havia dito há muitos anos atrás, quando ele era só um garoto ingênuo.
Tão nostálgico. Pietro sorriu lembrando-se, e ficou ainda mais grato por Dante ter guardado tais palavras, parecia que todos os dias o moreno o fazia se apaixonar por ele como se fosse a primeira vez.
O maior puxou o loiro para que se sentasse em seu colo, Dante beijou os lábios de Pietro em um selar carinhoso. —Millenna observava, nunca havia visto algo tão lindo em toda sua vida, pensou. Um amor puro e genuíno, era tão raro que chegou a pensar que era impossível, e vendo-os dessa forma, falando de seus sentimentos um para o outro de um jeito íntimo e único, era lindo. E sem dizer para, a mulher desejou ter isso para si também, sonhava em ser feliz sem ter medo. Acreditava em Deus, tinha fé de que tudo daria certo, de que toda forma de amar, não é motivo algum de vergonha, mas sim, de orgulho.
—Antes de continuarmos com a conversa...Preciso avisá-lo Pietro.
—Avisar o que?
—Vincent está na Itália. —a voz da mulher tremeu ao falar o nome de seu ex.
Dito isso. Todo clima neutro, tornou-se tenso, velado a ódio e promessas silenciosas de vingança.
......
Mais um capítulo para vocês.
Estou aproveitando a criatividade que resolveu dar as caras . Kkkkkk.
Espero que tenham gostado desse cap. Eu mesma fiquei muito boiolinha com esse Flashback.
Bjos até o próximo cap.
Caso aja algum erro ortográfico peço desculpas.
Fuuuui.🌹🥀
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