𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 6
Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso
Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir
Preso em marcha ré
…
E as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Coldplay - Fix You
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𝑀𝑖𝑙𝑙𝑒𝑛𝑛𝑎 𝐴𝑙𝑏𝑢𝑞𝑢𝑒𝑟𝑞𝑢𝑒
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Pietro estacionou ao lado de um restaurante luxuoso, dei Graças a Deus por estar totalmente vestida de acordo, desafivelei o cinto de segurança, a porta do passageiro foi aberta pelo manobrista que gentilmente me ajudou a sair do carro, tomei o máximo de cuidado possível para não cair e passar vergonha, se o homem que me trouxe notou o quão nervosa eu estava, não demonstrou, apenas sorriu fazendo um gesto para que eu o acompanhasse. Meu coração deu um salto ao ver quem estava a nossa espera, era o tatuado que me defendera daquele velho nojento que estava me assediando.
—Fico feliz por ter aceitado nosso convite. Muito prazer, meu nome é Dante. —saudou o próprio ao se levantar, o sotaque inglês se sobressaia de maneira elegante e sensual.
Pietro puxou a cadeira para que eu me sentasse, e logo tomou o assento ao lado.
—O prazer é meu. Apesar disso ser um pouco desconfortável. —fui sincera.
—Se sente desconfortável com o local ou conosco?
—Ambos. Situações assim não é algo que acontece no meu dia a dia.
—Entendo.Bom. presumo que Pietro disse o motivo dessa reunião. —falou Dante enquanto observava o menu.
—Disse. E mesmo assim preciso entender melhor sobre o que se trata. —respondi ignorando totalmente o constrangimento que obviamente estava estampado por meu rosto e ações.
—A água é segura para que beba senhorita Albuquerque. Caso não confie, pedirei uma outra taça caso se sinta confortável. —sugeriu, após notar ou ter se lembrado que não aceito bebida de estranhos.
Seu jeito tão fino e rude prendia minha atenção por completo, Pietro não era diferente de Dante, os dois são do mesmo jeito, pareciam até igual o que era um pouco estranho e intimidador.
—Estou bem. Pode prosseguir. —pedi dando um sorriso calmo.
—Pois bem. Sou um homem muito poderoso, e gostaria de lhe oferecer um emprego em minha boate, mas não aqui e sim na Itália…entretanto pedirei um favor caso aceite tal proposta.
Arqueei a sobrancelha de imediato, coisas assim não é recorrente, e quando surge sempre tem um porém, o que me levou a dizer sem ao menos pensar primeiro.
—Vocês não vão me persuadir para ser prostituta não né? Olha eu não sou uma vadia não. —ditei em pânico.
Pietro arregalou os olhos com o que eu disse e rapidamente Dante pareceu um pouco ofendido com meu comentário. Eu estou com medo, é mais do que plausível minhas palavras.
—Sei muito bem que você não é senhora Albuquerque. E de modo algum estou lhe propondo que seja prostituta. Não sou esse tipo de homem. —respondeu de forma lívida e fria, antes de eu me desculpar, Dante continuou. — Não é necessário que se desculpe. Eu entendo que está com medo, mas há um meio de ambos nos ajudarmos sem que aja algum mal entendido.
Assenti em concordância, se eu já sentia vergonha antes, agora que tudo intensificou, poderia ter pensado melhor, encontrado palavras melhores, deixo para me martirizar depois. Pietro, que até então permanecia em silêncio, entregou-me um envelope preto com um selo dourado com uma letra G em uma caligrafia excelente.
—Pode ler à vontade. Irei fazer nossos pedidos. —disse Dante.
Peguei os papéis e os li atentamente, parece ser autêntico, e o que dizia ali não era diferente da proposta verbal, claramente é mais explicativo. O nome da boate estava ali, funcionários, horário de funcionamento e etc…o salário é imenso o que quase me fez engasgar com minha própria saliva. A cada linha eu me sentia tentada, minha vida toda passava como um filme em minha cabeça, em grande parte é só desgraça, em outras, bom, melhor não mencionar. Coloquei os papéis em cima do envelope negro e tomei um pouco do vinho tinto que por sinal estava maravilhoso.
—E então? —incitou Dante, me olhando com tanta atenção como se estivéssemos a sós.
O terno negro destacava o tom de sua pele pálida onde jazia milhares de tatuagens coloridas, havia algumas em seu rosto também, o tom profundo de azul en seus olhos tão chamativo quanto.
—A proposta é ótima. Minha pergunta é…que tipo de favor vocês querem de mim?
Dante olhou um segundo para Pietro, pareciam saber o que pensavam apenas pelo contato visual, devido ao silêncio decidi falar novamente.
—E sejam sinceros comigo. Se querem tanto que eu aceite, então sugiro que não mintam para mim.
—Justo. —respondeu por fim.
—Sou o chefe da máfia Italiana, o nome não é relevante. Pietro é meu consigliere, meu subordinado sendo mais específico. Assumi o posto a pouco tempo.—com uma breve pausa para me olhar e ter certeza de que minha expressão não se alterou, Dante continuou. —Quanto ao meu favor. Preciso que seja minha noiva, e antes que diga algo ou fique nervosa, me deixe explicar. O meu pai está me enchendo o saco para que eu arranje uma noiva, e bom, eu não quero isso, então será de fachada por enquanto.
—Não quer se casar porque? —perguntei um pouco baixo devido à garganta seca.
Essa é uma proposta que eu não esperava receber. Não mesmo.
—Talvez eu te conte em outro momento, quando nos conhecermos melhor. Por ora, quero saber se aceita. Irei embora em poucos dias, dependendo de sua resposta, irá comigo também.
Estando calmos ou não, isso era uma tremenda pressão em mim mesma. Primeiro, porque meu medo chegou à estratosfera depois de saber que estou diante de um mafioso. Segundo, se algo der errado serei a primeira a morrer. Já vi em filmes, sempre a mulher se fode quando lida com homens assim.
—Me daria um prazo de vinte e quatro horas? Olha, não vou mentir, estou com medo dessa sua proposta, principalmente com esse favor. Eu não entendo bem como as máfias funcionam, o que sei é que vocês não são nada gentis com as mulheres. —expliquei antes que minha voz vacilasse mais do que já estava.
Dessa vez quem respondeu foi Pietro.
—Nossa organização não fere e nem tortura mulheres ou crianças. Nosso código de conduta é assim, fora que zelar e proteger uma mulher sendo esposa ou não sendo, não é menos do que obrigação. Crescemos dentro da máfia mas tendo total consciência dessa parte.
—Sinto um certo alívio ao saber disso. Porém ainda preciso das vinte e quatro horas. —falei antes de tomar mais um gole do vinho.
—Feito. Espero que tenha a resposta quando esse prazo terminar. —falou Dante.
—Obrigada. Eu posso levar esse documento?
—À vontade. —respondeu Dante.
—Com essa reunião já feita, podemos jantar. A não ser que queira ir para casa senhorita. —indagou o mesmo, seu sorriso deixa evidente o desafio por detrás de cada palavra dita.
—Na verdade, eu prefiro mesmo ir. Obrigada pelo vinho e pela conversa.
—Disponha. Pietro, leve-a de volta em segurança.
—Sim senhor.
A volta foi silenciosa da mesma forma que a vinda havia sido, dessa vez o silêncio era constrangedor, pesado demais, torcia desesperadamente para chegar em meu prédio. Parecendo que Deus tivesse me ouvido, avistei o prédio através da janela.
—Está entregue. —falou Pietro após longos minutos quieto,com o semblante enrijecido e os mirantes fixos na estrada.
—Obrigada.
—Espere. Melhor eu subir apenas para me certificar de que seu ex não esteja à espreita.
Tinha até me esquecido disso, agradeci ao mesmo e concordei que me acompanhasse. Assim que chego em meu respectivo andar, Pietro foi na frente, abriu até a porta que dava para as escadas de emergência, como eu morava no décimo andar, o mesmo se deu por satisfeito.
—Se algo acontecer, pode me ligar.
—Obrigada.
—Tenha uma boa noite.
Sorri como agradecimento, abri a porta e entrei sem ver se Pietro já havia entrado no elevador.
Depois de tomar outro banho, vestir roupas mais confortáveis, me sentei na cama para ler novamente os papéis, meu braço estava roxo o que me deixou com ódio pelo que Vincent havia feito. Fazia certos meses que me o próprio havia sumido praticamente, ao menos pessoalmente, apaguei todas as redes sociais que eu tinha, o bloqueei em tudo que era possível, e sempre esse filho de uma puta procurava um jeito de fazer da minha vida um tremendo inferno.
Afastei certas lembranças dolorosas e foquei nos papéis, os li uma quatro vezes e claramente leria mais do que isso pela manhã.
Se eu aceitar, possa ser que minha vida mude. O que eu não sei ao certo se seria para algo bom ou algo extremamente ruim.
Antes de apagar a luz e me deitar, verifiquei a minha conta do banco, o valor que me foi depositado ainda estava lá, me fazendo acreditar que realmente tudo aquilo era real. Que finalmente o destino esteja me favorecendo pela primeira vez.
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