𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 52

Pegue minha mão, estou me afogando
Eu sinto meu coração batendo
Por que você não me encontrou ainda?

NF

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Joseph nada disse quando avistou Dante adentrar a sala aquecida pela lareira.  O ex-chefe girava a  taça, observando o líquido rubro quase em seu fim. — a tensão pairava, o tatuado sentia-se inquieto, muito aliás, pois pela primeira vez em tanto tempo, a sensação de impotência o tomou; sua esposa no hospital, Pietro sem atender o telefone, e agora seu "pai" que mesmo tendo o visto ali, não o olhou por inteiro. 

— Dante è nervoso.  È successo qualcosa? ( Está nervoso. Aconteceu algo? ) — a pergunta foi regrada de falsa empatia.

— Nulla di cui preoccuparsi. ( Nada com que deva se preocupar ) — responde rude. 

Afinal, seu pai não fazia questão em se manter a par de suas questões difíceis, não sentia apreço quando se trata de suas emoções, Joseph vê Dante como nada além de um fantoche, então só pergunta o que quer de fato saber. De resto, Grecco que resolva. 

— Claro. — os lumes azuis estavam atentos, assim que adentrou a mansão, Dante sentiu que eu algo havia acontecido, e ao ver seu pai e não ver seu fiel escudeiro, a sensação se findou ainda mais.

A taça finalmente ficou vazia, o objeto foi depositado em qualquer lugar, Joseph assim encarou seu filho, o olhando como olhava antes de punir o filho, fazê-lo sangrar por uma causa que só existia na mente doentia do mais velho; o aparelho celular no bolso do jeans parecia quente, incitar o moreno a pegar e tentar ligar para Bianchi de novo. O coração já martelava no peito, podia sentir a camisa escura agarrar seu corpo, o sufocando. 

— Temos muito o que conversar, mas parece disperso. Onde está sua esposa? — questionou ríspido. 

— No hospital. — levantando o rosto para encarar Joseph, continuou. — Como disse, nada com que deva se preocupar. — grunhiu aflito. 

Não podendo mais segurar, Grecco ficou de pé,mirou bem seu pai e perguntou o que teme desde a ligação. 

— Onde Pietro está pai? 

O velho de início não respondeu, quando o fez, deixou o filho ainda mais nervoso. 

—  Está fazendo algo que ordenei.

— O que seria isso?

— Quer saber porque Dante? Ti preoccupi troppo per un semplice impiegato. ( Se preocupa demais com um mero empregado. ) — ironizou, deixando uma argumentação oculta que Dante compreendeu e engoliu em seco. 

Joseph fez algo e nada tiraria isso da mente do moreno. 

— Pai. Preciso falar com ele, sobre… 

— Não há nada para se falar com Pietro. — cortou, a voz subindo uma oitava. — Vá cuidar de sua mulher e quando voltar, irá me esclarecer e motivo que o levou a matar o Lucca. ESTÁ ME OUVINDO DANTE? 

Grecco se assustou com a reação do mais velho, não tendo escolha, simplesmente concordou, saindo da sala rumo ao quarto que dívida com Millenna. — as ligações continuavam a cair na caixa postal, Dante queria chorar, quebrar o celular e implorar para que seu homem aparecesse. Doía tanto que respirar era quase um sacrifício.

Deixando ordens para a empregada fazer uma mala pequena para Millenna, Dante tomou um banho rápido e se vestiu em outro quarto, sem desviar o olhar da ligação que caia na caixa postal, pois se agarrava a uma esperança que não tinha sustentabilidade alguma. 

Pietro sumiu. E isso era motivo do seu pânico se intensificar, derrubando-o, deixando-o acuado, encurralado e completamente perdido. — Bianchi é seu pilar, é sua âncora, sua vida, não podia perdê-lo. 

Sem o ex- loiro, Grecco não se sentia vivo. 

— Onde você está, amor? Per favore. Me dê um sinal. Per favore. Amore mio. — suplicou contendo as lágrimas. 

Já vestido, adentrou seu quarto apenas para pegar a mala de sua esposa, funcionava no automático desde a noite anterior, vivia um pesadelo e parece ter chego na parte em que literalmente, alguém iria morrer e a dor antecipada o despedaçava, o esmagava de dentro para fora. — sem avisar seu pai, saiu porta afora, rumo ao carro que Pietro usou para vir, colocou a mala pequena no banco de trás e logo assumiu o banco do motorista, pisando fundo no acelerador em direção aos portões de ferro que se abriram para que passasse.

Como contaria a Millenna? Onde seu Pietro estava? Perguntava-se mentalmente enquanto dirigia quase na velocidade máxima até o hospital.

— CARALHO! PORRA! FIGLIO DI PUTTANA. ( Filho da puta ) — Dante grita, socando o volante repetidas vezes, as lágrimas escorriam por sua face.

— Torna da me Pi.  Torna da noi. ( Volte para mim. Volte para nós. ) — implorou com a voz embargada. 

O silêncio se firmou até chegar no hospital, o veículo foi deixado no estacionamento, Dante pegou a mala batendo a porta do carro com força, estava alterado e ainda sim procurava meios de manter-se calmo, não podia estar assim quando entrasse no quarto, Millenna fará perguntas de qualquer jeito, o mesmo não estava pronto para responder nenhuma delas. — após pegar seu crachá, Grecco seguiu para o elevador, as mãos tremiam, as lágrimas umedeceram seus olhos e coração já seguia seu ritmo normal. 

Millenna para seu alívio estava dormindo, o médico responsável  havia o parado minutos antes para falar sobre o estado da mulher, confirmando as suspeitas, mas também o acalmando, deixando claro que ela não corre risco de vida, porém teriam que infelizmente remover o útero. — deixando a mala próximo ao leito, Grecco se sentou na poltrona e ali permaneceu por horas, enquanto velava o descanso da morena. 

Quase no fim da tarde Millenna despertou, ao notar seu marido ali, chorou dolorosamente, abraçando-a, Dante também conteve o choro, precisava ser forte, como sempre foi, então deixou que Millenna chorava agarrada a si, as lágrimas alheias umedeciam sua camisa branca, ainda sim, não a soltou, e jamais soltará. Terá os dois consigo para sempre, e se for preciso derrubar uma organização, assim o faria, pois Millenna e Pietro são parte de si, são tudo e por eles moveria céu e inferno para que ambos fiquem a salvo. 

— Dan. — a voz chorosa inundou os ouvidos do mais velho, a dor evidente e pesada, causam no tatuado uma deprimencia que a muito não sentia. 

Não desde o massacre de sua verdadeira família. 

— Calma amore mio. — murmurou baixinho enquanto ninava a mais nova. 

— Sinto tanto ódio. Dói tanto Dan. — a voz embargada ecoava pelo quarto, seguido de soluços e novas ondas de lágrimas.

— Eu sei piccola. 

E como sabe. Sabe tanto que podia ver nitidamente seu eu mais novo, muito mais novo. As cicatrizes eram profundas demais, as sensações por mais antiga que seja, eram familiares e constantes. Dante lutava contra a escuridão desde que era um garotinho, não desistiu quando esse de fato era o objetivo crucial e constante em cada respirar, cada lágrima e cada cicatriz que carrega, por debaixo das milhares tatuagens, haviam marcas que levaria para sempre. 

— Onde está Pietro ? — Millenna pergunta tirando - o dos devaneios. 

Engoliu algumas vezes em seco, fitou a morena ainda quieto, acariaciando a rosto macio e úmido e inchado por conta do choro; notando a falta de resposta a morena se afastou um pouco, tomando cuidado com os acessos em seu braço. 

— Dante. Aconteceu alguma coisa? 

Novamente não teve respostas, a própria estava prestes a insistir quando ouviu a voz rouca e arrastada do mais velho soar como um ruído.

— Eu não sei. 

Millenna por sua vez nada disse, apenas o puxou devagar, abraçando-o com mais força, pois era a vez dela de cuidar e sustentar a dor alheia, braços a envolveram, o cheiro amadeirado junto ao de frutas vermelhas se uniram em um só, a mais nova acariciava as costas do mais velho e assim ficaram. Um buscando conforto no outro. 

A única certeza que o mais velho tinha, era de que não voltaria para mansão, não enquanto não souber onde, de fato, está Pietro. 

Amor? É como quando você vê a névoa de manhã,
quando você acorda antes do sol nascer.
É como um breve instante que depois desaparece.
Apenas isso, o amor é uma névoa que queima com a primeira luz de realidade. 

 Charles Bukowski

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Bukowski é uma injeção dolorosa para a realidade, que por vezes o ser humano vê como algo deturpado e deprimente.
Sou fã desse homem, pois tudo que já foi dito e escrito por ele, condiz com minha experiência de vida.

Enfim...

Voltei com mais um cap ...
Mantenham a calma per favore.

Sei que ficou pequeno o cap mas prometo aumentar um pouco caso a minha mente decida colaborar.

Gostaram da capa nova? É simples mas é o melhor que pude fazer kk...

Até o próximo cap minhas piccolas ...

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