𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑢𝑙𝑜 46
Agora eu deito acordado e grito na gravidade zero
E isso começa a pesar em mim
Vamos abortar a missão agora
Posso, por favor, descer?
Simple Plan
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FLASHBACK
2012 • Brasil • Rio de Janeiro
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— Tudo o que devo a Joseph está nesta mala. — o homem comentou antes mesmo que lhe fosse perguntado.
Dante o encarou de esguelha. Não acreditando no que o traficante meia boca dizia.
— Se estiver mentindo, irá morrer da pior forma possível. — ameaçou, mantendo o semblante fechado.
— Estou ciente disto. Não enganaria seu pai, garoto.
— Espero que para o seu próprio bem, esteja falando a verdade.
Grecco não se importou em se despedir, apenas pegou a mala e saiu da sala presidencial, Pietro esperava com seus homens para escontar o moreno, o ar condicionado afastada o calor, jamais havia sentido uma temperatura tão intensa. O suv aguardava Dante, a mala foi posta no banco de trás, por fim assumiu o banco do passageiro, Pietro o do motorista, não esperaram os outros para sair do acostamento rumo ao hotel em que estavam hospedados a quase uma semana.
— Não tivemos tempo para conversar sobre seu noivado. — Dante comentou baixo.
— Não há nada para comentar Dan. Não irei me casar com aquela mulher. — respondeu frígido.
Os lumes azuis fitaram a praia de Copacabana, o céu estava azul, havia muitas pessoas na praia, outras fazendo caminhada, quiosques lotados.
Uma vida assim era o que os dois homens dentro do carro queriam, porém, infelizmente o destino os jogou numa organização onde você só sai morto.
— E ela sabe disso? Seu pai sabe disso?
— Senhor, por favor. Não quero falar sobre isso. — pediu aflito.
E Dante prontamente deixou o assunto morrer, mais uma vez, era a quinta vez que buscava conversar com Pietro sobre. E o mesmo se esquivava constantemente.
O veículo adentrou o estacionamento subterrâneo, os outros permaneceram do lado de fora para garantir que não haveria problemas, Bianchi desligou o carro e não se moveu. Dante tampouco.
— Feliz aniversário Pi. — o moreno desejou num sorriso triste.
— Obrigado senhor...Melhor irmos, precisamos descansar antes de voltarmos para casa. — a voz estava um pouco embargada, o cinto de segurança foi retirado. Pietro estava prestes a sair do carro quando Dante segurou seu braço.
— Tenho um presente para você.
— Não precisa disso senhor Grecco.
— Não me chame assim Pietro. Per favore. Não me trate com superioridade, não se dirija a mim assim . — a tristeza pairava pelo interior do carro.
— É o melhor Dante.
— Não é. — a palma esquerda acariciou o rosto angelical do loiro, sentindo a textura macia, o calor e o cheiro gostoso de sândalo que tanto ama. — Olhe para mim piccolo. Não deixe isso nos afastar, eu imploro a ti. Não deixe. Eu ainda estou aqui. Nós estamos aqui. Vamos aproveitar a única noite que nos resta sozinhos. Estou cansado e assustado com seu afastamento. — admitiu. — Meu anjo. Per favore. Me deixe amar você. Deixe-me cuidar de você.
Pietro chorou ao ouvir as palavras do homem por quem é perdidamente apaixonado, Grecco passou o polegar nas bochechas, limpando as lágrimas que haviam escorrido. A caixinha azul com um pequeno laço negro foi tirada do bolso da calça.
— Comprei há quase um mês. — explicou um pouco nervoso. — Sei que já devia ter lhe dado, mas esperei um momento propício, por não haver, passei a carregá-lo comigo. — o mesmo abriu a caixinha, revelando um par de alianças.
— Dan…
— Não fale nada. Me deixe falar amore mio. — suplicou, pois diante ao loiro, não se importava em ser quem realmente era. — Lembra do nosso primeiro encontro? — Pietro assentiu. — Eu estava tão nervoso que não sabia o que fazer. Éramos bem mais novos e claramente você tinha e ainda tem muito mais experiência do que eu; o que estou querendo dizer é que me apaixonei por cada detalhe seu amor. Do modo como cuidava de mim, como preparava tudo para que não fossemos vistos... Você me fez querer viver e ainda faz. Vê-lo dessa forma me dói muito, sendo mais franco, tenho muito medo de perdê-lo. Sei que não quer se casar, e também sei que assim que chegarmos à Itália você irá falar isso a seu pai. — a aliança menor foi tirada, Dante segurou a mão direita do loiro. — Seja meu namorado e futuro marido Pi? Permita ser feliz ao meu lado, prometo que seremos felizes e o farei feliz custe o que custar. És meu Sol. Minha luz. Minha esperança amor. Não fique assim, nós iremos dar um jeito.
E eu sinto que nosso amor pode superar tudo.
Bianchi sorriu chorando ainda mais.
— Eu não sou louco de recusar um pedido tão lindo bebê. — a voz embargada aqueceu o coração do mais velho. — Também o amo muito. Tanto que não cabe em palavras Dan. — a única aliança na caixinha foi pega pelo loiro, e nisso, repetiu o mesmo. Colocou a aliança no anelar direito do moreno de olhos tão lindos. — Eu aceito.
— Prometo lhe fazer feliz, Pi. E farei por toda a eternidade.
— Já me faz feliz bebê. Desde que comecei a vê-lo de outra forma . Quando quebrou o vinho por estar nervoso em nosso primeiro encontro. De quando sorriu quando fizemos amor pela primeira vez. Eu te amo Dante Grecco.
Pietro sorriu e o beijou. Um beijo rápido pois temiam ser pegos ali. Antes de saírem do veículo, Dante prometeu ir ao quarto do loiro no início da madrugada.
Próximo da meia noite, Grecco saiu de seu quarto, trajando um short de tactel preto e camisa de algodão da mesma cor, e quarto de Bianchi ficava no final do corredor, não se importou em se certificar se estava sendo vigiando, portanto caminhou rumo a porta e não pensou em bater, apenas adentrou o cômodo imenso e luxuoso, tudo era branco, com detalhes em dourado, havia uma cama absurdamente grande, lençóis macios, o cheiro de sândalo impregnava o enorme espaço; o moreno pode ouvir o barulho do chuveiro, a porta do anexo estava entreaberta, pensou de imediato se juntar ao loiro, assim que colocou as mãos na camisa, pronto para tirá-lo ouviu a porta sendo aberta e a mulher entrar como se fosse dela.
— Che cazzo ci fai qui ? Figlio di puttana. ( Que porra está fazendo aqui? Sua filha da puta. ) — o homem esbravejou, não conseguindo conter a fúria ao Irina sorrir para si.
— Sono venuto a trovare il mio fidanzato Mr. Grecco. ( Vim ver meu noivo senhor Grecco ) — a mulher tampouco se importou com o ódio direcionado para si.
Irina não disfarçou a ânsia de vômito só ver o tatuado, pelo contrário, sentia prazer em deixá-lo nervoso, instável, prestes a ser um selvagem. Sua obsessão por Pietro não é algo recente, e quando descobriu que Grecco tinha uma espécie de relacionamento secreto com Pietro, gritou de ódio, quebrou tudo só seu redor, e prometeu ter o loiro não importa o que tenha que fazer. Por isso, fez o impossível para convencer Samuel Bianchi a aceitar tê-la como nora.
— Non è il tuo fidanzato. Stai lontano da lui. ( Ele não é seu noivo. Fique longe dele. ) — rosnou de volta, tremendo, contendo-se para não matá-la.
Irina sorriu ainda mais, caminhou elegantemente até o moreno, fitando-o de cima abaixo com um olhar de nojo e desdém; Dante ficou imóvel pois pela visão periférica pode ver Pietro paralisado na porta do banheiro, encarando a mulher e o amor de sua vida. — a tensão era intensa ao ponto de ambos homens sentirem como se o tempo houvesse ficado lento, como se o calor fosse todo concentrado em um só ambiente, por isso, Grecco não teve tempo de reagir ao sentir algo perfurar-lhe o estômago.
Um gemido agudo de dor quebrou o efeito que pareceu ter os deixado submerso, Irina sorria feito um demônio ao girar a adaga, deliciando-se com o sangue escarlate que escorria pela lâmina, rumo ao cabo, onde sua mão direita estava, Dante a olhou com ódio enquanto Pietro gritou desesperado puxando a morena para longe de seu namorado, segurando-o antes que pudesse cair sobre o tapete.
— Che cosa hai fatto ? ( O que você fez ? ) — a dor na voz alheia trouxe pavor a mulher, a possessão que tinha pelo loiro era intensa ao ponto de fazê-la se desesperar ao vê-lo assustado e desesperado. — VAI FUORI DI QUI DANNATO. O LA UCCIDER. NON TI SPOSERO'. ( SAIA DAQUI SUA MALDITA. OU IREI MATA-LA. EU NÃO VOU ME CASAR COM VOCÊ. ) — gritou em plenos pulmões.
Irina tremeu, por curtos segundos, logo seu semblante debochado e lunático se fez presente.
— Comprendi che questo era un amore ammonitore. La prossima volta, sarà definitivo, metterò Dante in una borsa nera, lui o chiunque altro osi averlo. Perché se non posso averlo. Nessuno può. ( Entenda que isso foi um aviso amor. Da próxima, será definitivo, colocarei Dante em um saco preto , ele ou qualquer outra pessoa que ouse tê-lo. Porque, se eu não posso tê-lo. Ninguém pode. )
Dito isso, a mulher pegou sua bolsa e saiu sem mais nem menos, deixando Pietro aflito segurando o celular desajeitado, ordenando que os seguranças venham rápido, enquanto outros chamavam a ambulância.
— Andrà tutto bene amore. Sono qui. Sei forte, te ne andrai in fretta te lo prometto. Ti amo. Resta con me . ( Ficará tudo bem amor. Estou aqui. Você é forte, vai sair dessa rápido eu prometo. Eu te amo. Fique comigo . ) — sussurrou deixando-o sobre o tapete, visto que os seguranças não podiam ver o quão íntimo era do filho do chefe.
Tanto tempo protegendo Dante com seu sangue e suor, que não pode prever que o destino seria filho da puta o suficiente para colocá-lo numa posição onde seria o próprio perigo a quem tanto ama e deseja fazer feliz.
ATUALMENTE…!
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A luz diurna adentrou o único lugar que não foi completamente destruído.
O quarto.
Pietro dormia após horas buscando esquecer o que houve no jantar, esquecer a maldita mulher que faz de sua existência o mais miserável possível. — a bebida fez seu trabalho às quatro horas da manhã, atordoado pelo álcool, o ex loiro caminhou entre os destroços, rumo ao quarto, onde tirou todas as suas roupas e deitou na cama de barriga para baixo, apagando tão rápido quanto o acender de uma lâmpada. Aos poucos foi despertando, a ressaca veio como um tiro, fazendo-o grunhir de dor e xingar palavrões horrendos; odiava perder o controle, pois não sabia como voltar ao estado normal, a fúria o desestabilizava, praticamente Pietro era outro homem quando sentia ódio. Um homem no qual nenhum ser vivente deseja conhecer, pois era cruel tanto quanto o próprio rei do Inferno. Fazia pessoas sangrarem e sorria como quem assiste um mero filme de comédia.
— Maledizione ( Maldição ) — resmungou, deitando de bruços.
Sem muitas opções, levantou-se da cama, o enjôo o deixou frustrado, a dor de cabeça era sinônimo de mais xingamentos. — Após um banho extremamente gelado, Bianchi vestiu-se calmamente, ajeitando a camisa social, abotoando lentamente cada botão diante ao espelho; flashes da noite anterior vieram em sua mente, conseguia ouvir nitidamente a voz insuportável de Irina, lamentava o medo de Grecco, lamentava o ciúme que tanto ele quanto Millenna sentiam. Por outro lado, ficou orgulhoso por ver sua pequena defendê-lo, por ter coragem de fazer o que ele e Dante sempre quiseram. Que era socar a cara horrível da mulher que não aceita que o casamento jamais existirá.
Não ficou surpreso ao ver móveis quebrados, objetos estilhaços, Pietro resmungava xingamentos enquanto pisava sobre cacos de vidro e madeira; isto é a definição literal de tudo que sentia interiormente. A ideia remota de perder seus grandes amores, levava-o a um patamar louco, descontrolado e psicótico. Estava muito cedo, visto que teria que ir a mansão dali três horas, Bianchi tomou a liberdade de fazer um café forte, fresco e sem açúcar, precisava de algo para afastar a maldita ressaca que com certeza o torturaria o dia inteiro.
As notícias da manhã estavam sendo ditas pelo jornalista local, Pietro se sentou no sofá que por um alívio não sofreu sua fúria, a xícara negra jazia com líquido quente e amargo; a cada gole sentia o corpo relaxar e o enjôo diminuir. Os lumes estavam tão fixos na tv que ao ouvir a campainha sentiu uma nova descarga de dor de cabeça. — sem ânimo algum se levantou, prometendo mentalmente que se for Irina ou algum pau mandado dela, ele mandará direto para o inferno .
Para seu alívio, ao abrir a porta, viu Dante e Millenna o encarando num misto de alívio e preocupação.
— Buongiorno Pietro. ( Bom dia ) — saudou a morena com um sorriso singelo, depositando um selar leve nos lábios alheios.
— Buongiorno amore mio . ( Bom dia meu amor ) — saudou Dante, fazendo o mesmo que sua esposa havia feito minutos antes.
Pietro não sorriu, apenas deixou-os entrar. Millenna observava a destruição como se um grupo houvesse invadido o apartamento, já Grecco sabia que era por conta da raiva que o ex loiro sentia, por isso não esboçou reações por mais que quisesse.
— Eu o entendo meu bem. E não o julgarei, só quero saber como está, mesmo que seja uma pergunta ridícula. — comentou a mulher.
— 'To bem.
— Sabemos que está mentindo neném. Não viemos porque sabíamos, bom, eu sabia que iria precisar ficar sozinho...Mas ficamos preocupados, passamos a noite em claro. — Dante explicou cansado.
— Me perdoem por isso.
— Magina. Vamos cuidar de ti meu anjo .— a mulher sorriu acariciando o rosto belo do homem.
— Primeiro, vamos sair para tomar café, aqui está sem condições para fazermos nada.
— Meu quarto está inteiro piccola. — brincou sem humor.
— Bom para você. — devolveu contendo o riso.
— Vamos então? Depois precisamos conversar, Pi. É importante. — Grecco avisou .
— Ok.
Millenna deu-lhe remédios para enjôo e dor cabeça antes de saírem. Durante o caminho foi difícil convencer o ex loiro a ficar na mansão até que o apartamento seja reformado.
Por um lado. Teriam o homem por perto.
Por outro. Teriam problemas, pois haveria olhares atentos em cada movimento e falar alheio.
O inimigo observa com olhos de águia, para não passar detalhe algum despercebido.
Joseph não viajou sem antes deixar ordens claras para que qualquer um reportasse os feitos de seu filho.
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Obs : No flashback, Pietro tem 18 anos e Dante 22.
Até o próximo cap minhas consagradas 👁️👅👁️🍷
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