|PRÓLOGO|
Perdoar não significa esquecer.
A cabana — William P. Young
Dois meses atrás...
Dor, a única coisa que entendo por completo. Eu sei como fingir estar bem como nenhuma outra pessoa, sei como fingir um sorriso e convencer todos a minha volta de que estou bem. Às vezes gostaria de nunca ter existido, ou de não sentir nada, nem mesmo a felicidade, porque apenas assim eu poderia não sentir a dor.
Acredito que todos, um dia, já se olharam no espelho e não gostaram do que viram. Às vezes – muitas, na verdade – gostaria de poder voltar a quando eu tinha cinco, dez anos, e dizer para mim mesma nunca deixar de me amar, ou de me convencer que não era boa o bastante, pois na primeira vez em que você pensa não ser boa o bastante para alguém, isso não tem mais volta.
Não sou como as outras garotas da minha idade. Não sou vaidosa – pelo menos não por vontade própria –, não desejo um namorado ou muitos amigos, não tenho o corpo perfeito, sou muito tímida e sonhadora.
Tudo que eu quero é ser feliz, ter poucos amigos, mas que sejam verdadeiros, quero um dia parar de me sentir tão mal comigo mesma e, quem sabe um dia, amar-me completamente.
Cresci em uma família na qual apenas a aparência importava. Cresci ouvindo que a minha inteligência não valia nada, que eu apenas precisava ser bonita. No começo foi mágico, até que a pressão veio com tudo e me destruiu, fazendo-me odiar a mim mesma. Gostaria de ter crescido com elogios à minha inteligência e ao meu corpo. Fui ensinada que, para ser bonita, precisava ser magra, delicada, gentil, sexy sem ser vulgar, cabelos sempre hidratados e arrumados, maquiagem leve e sempre sorrindo – não importava se eu estivesse chorando por dentro. Minha vida foi um verdadeiro inferno, mas eu ainda tinha um pouco de esperança e conseguia sorrir, e isso apenas quando o meu irmão aparecia.
Meu irmão é tudo para mim, sempre foi, e por isso estou encarando o meu pai, que me olha como se eu fosse a sua maior decepção, e talvez ele esteja certo. Mas agora isso não importa, tudo que eu quero é a liberdade do meu irmão. Meu pai, infelizmente, é um mafioso muito poderoso, que no submundo é temido e na sociedade é admirado por ser um grande empresário e benfeitor. Uma grande ironia.
Scott merece o mundo. Meu irmão sempre fez de tudo para eu ser feliz, chegando até mesmo a sacrificar a sua felicidade pela minha. E agora, está na hora de eu retribuir o seu favor. Sei que meu pai me punirá, afinal estou ameaçando denunciá-lo à polícia – o que é uma grande traição para a família e para a máfia –, mas eu não me importo. Pela primeira vez, meu irmão está feliz, ele encontrou o amor e construiu uma família, e eu não me importo de acabar com a minha para que ele seja feliz. Pelo menos, pela primeira vez, estaria fazendo algo de útil.
— Tem certeza disso, garota? Você sacrificaria a sua vida por aquele bastardo? – pergunta revoltado e curioso.
— Sem pensar duas vezes! – respondo, séria, tentando não de mostrar o meu medo.
Sei que meu pai pode mandar me matar a qualquer momento, ele não se importa e nem nunca se importou comigo. Não tenho medo da morte, apenas de voltar para a minha antiga vida. Pela primeira vez na minha vida, estou tendo a oportunidade de construir uma nova vida longe da minha família, podendo escolher quem eu sou e quero ser.
— Tudo bem, mas me aguarde! Eu ainda vou voltar e acabar com você – diz, sério, fazendo-me arrepiar.
Já vi o meu pai matando muitas pessoas, mas sei que ele faria algo bem pior comigo. Muitas vezes, a morte não chega perto da dor, ou do seu medo, o que é o meu caso. Tudo que quero é não voltar a minha antiga vida, prefiro a morte, por isso meu pai não me mataria, ele sabe o que eu quero, e ele quer me destruir pouco a pouco.
O que acharam?
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