Capítulo 16
Narrador...
As 07h14 da manhã, Cibele acordou sentindo um leve incômodo, mais forte do que o dia anterior.
— Está tudo bem? — Christian perguntou ao passar pela colega de apartamento da namorada, indo para o lado dela.
— Sim. Só um... uma cólica chata. — disse apertando no local.
— Qual o grau da dor? — Rachel perguntou entregando a Cibele um prato com algumas frutas picadas.
— Eu não sei.
— Que horas é a consulta? — deu para notar no tom da voz do Christian, sua preocupação.
— A tarde.
— Não vamos esperar. Termine o café, pegue suas coisas e vamos.
— Não é nada de mais.
— Cibele... — ele se aproximou do namorado, segurou suas mãos. — Me diz que não está minimizando isso?
— Não estou. E a consulta é hoje. Só algumas horas.
Vendo que não a convencera, Chris a beijou na testa e voltou a tomar seu café.
As horas se passaram, curtiram a companhia um do outro, mas a dor no pé da barriga de Cibele não passou e também o sangramento, que no dia anterior era só uma gotinha no fundo da calcinha, se transformou em mais que isso.
Sentados lado a lado na sala de espera, da obstetra, Cibele cochichou no ouvido do seu namorado sobre o sangramento.
— Como que você escondeu uma coisa dessas? — sua voz soou alta, algumas pessoas no mesmo ambiente olharam para ambos.
— Achei que realmente iria parar, não tenho controle sobre essas coisas.
— Às vezes não se tem controle, porém dá para ser evitado e nós teríamos vindo antes.
— O que está feito está feito.
— Isso não é... — o nome da Cibele foi chamado. De mãos dadas, os dois entraram na sala de consulta.
— Olá mamãe! — a médica os cumprimentou com um aperto de mão — Papai. Pais de primeira viajem, certo? — ela perguntou olhando a ficha na mão.
— Na verdade, não. Quer dizer, o meu namorado aqui, já foi pai. É pai. — se corrigiu.
— Sim. — ele confirmou, com um sorriso fraco.
— Sim. No meu primeiro relacionamento, tive um filho que nasceu prematuro e faleceu poucas horas depois do parto.
— Eu sinto muito. — ele deu um aceno de cabeça. A médica fez mais algumas perguntas, pediu mais alguns exames antes de pedir a Cibele, que deitasse na maca, pós um gel sobre sua barriga na altura do útero. — Desde quando vêm sentindo essa cólica?
— Um pouco mais forte desde ontem. No dia anterior, era bem leve. Hoje que ficou mais intensa, e o sangramento.
— Essas coisas podem ser normais. Cada pessoa tem uma gestação diferente. Com os exames e... — a médica ficou calada olhando o visor em que passar as imagens da ultrassonografia — As cólicas e sangramentos tem uma causa. — ela apontou para a tela — Você tem o que chamamos gravidez nas trompas, também conhecida como gravidez tubária, é uma das "categorias" de gravidez ectópica. Ocorre quando o embrião é implantado fora do útero, nesse caso, nas tubas uterinas.
— Está dizendo que... — a jovem não conseguiu concluir sua pergunta, olhou para o namorado que está ao seu lado, branco feito papel.
— A gravidez terá que ser interrompida. — a médica falou de forma mais tranquila possível. — Quando isso acontece, o desenvolvimento da gravidez pode ser prejudicado, isso porque o embrião não consegue se locomover para dentro do útero e as trompas não são capazes de se distender, o que pode ocorrer um rompimento e colocar em risco a vida da mãe. — a doutora mostrou na tela, o útero, e as trompas onde o embrião está "vinculado".
— Qual o procedimento? Vai precisar de cirurgia? — Cibele perguntou limpando a barriga e baixando a blusa.
— Como está na décima semana, sim. Será necessária uma cirurgia. Quanto mais rápido fazermos isso menos risco de virar uma gravidez ectópica rota, que pode levar a uma hemorragia interna. — A doutora Kira Avery, continuou explicando o processo da cirurgia, as possíveis complicações, tratamento pós cirurgia, tranquilizando-os na medida do possível.
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— Sempre quis ser mãe. Uma família grande, uns quatro cinco filhos. — Cibele riu fazendo carinho nos cabelos do seu namorado, que está com a cabeça deitada no seu colo, enquanto espera que a levem para a sala de cirurgia.
— Eu te darei isso. De alguma forma de eu te dar isso. — A jovem sorriu enxugando uma lágrima que não conseguiu controlar.
— Sim. E eu serei a mulher mais feliz do mundo.
— Sei que agora não é a hora. Iria te pedir quando foi para Londres, mas algo me dizia que você não aceitaria, que pensaria que era porque eu queria te prender a mim. Quando você disse que iria voltar, eu carreguei comigo a todo momento. — Ele retirou do bolso uma caixinha preta de veludo, abrindo-a revelando uma aliança dupla de diamantes. Cibele cobriu a boca com a mão, seus olhos brilhando de lágrimas e um sorriso encantador.
— O que é isso? — Ela perguntou não conseguindo conter a emoção na voz.
— Não sei falar de outra forma o quanto eu te amo. O quanto eu te quero na minha vida. O quanto você é minha vida. Casa comigo?
— Sim. 1000 vezes sim. Você é o melhor homem que eu conheço. O que me faz sorrir nos momentos mais inoportunos, que me faz feliz, chorar e detestar as pessoas do mundo por te fazerem sofrer. Te amo muito. E adoraria ser sua mulher.
Olhando a aliança brilhando em seu dedo, Cibele chorou, sorriu e foi mimada pelo namorado que agora, noivo.
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Processo de internamento e marcar a cirurgia foi rápida. 2h00 depois Cibele entrou na sala de cirurgia.
De início seria feito uma laparotomia, pois o embrião tinha 6 cm de diâmetro, Beta HCG com mais de 5000 mUI/ml que ocorreu uma ruptura na trompa quando a laparotomia foi iniciada, fazendo o médico cirurgião mudar as pressas para uma cirurgia aberta. Os médicos tentaram tudo que foi possível, para controlarem a hemorragia, porém não conseguiram.
— O problema não foi detectado a tempo, a gravidez tubária evoluiu para uma ectópica rota, que é quando a trompa rompe.
— A senhora nos falou sobre.
— Sim. Falei. A ruptura provocou uma hemorragia interna, tentamos de tudo para conter o sangramento, quatro bolsas de sangue foram usadas, mas não conseguimos salvá-la. Sinto muito.
Chris ouviu cada palavra que a médica falou, nunca que esqueceria assim como anos atrás. O ar ficou pesado, sua cabeça girou. Ele só balançou a cabeça quando lhe foram dados os pêsames. Sentindo novamente lhe arrancarem o coração do peito, aos tropeços ele saiu do hospital. Chuva pesada lhe abraçou. Um soluço abafado saiu da sua garganta. Seu celular começou a tocar, dormente de corpo e alma, atendeu sem nem olhar quem era. Sua mãe.
*Ela foi tirada de mim. Se foi.
*Filho o que aconteceu?
*Eu sabia que algo ruim iria acontecer. Tive tanto medo quando ela contou. Só me veio na cabeça que eu não queria que ela passasse, pelo o mesmo...
*Filho... — em Portland a linha ficou muda, fazendo Francesca se desesperar.
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