Capítulo 13
Boa leitura!!
Bateram na porta da minha sala, me fazendo dá um pulo de susto.
— Senhorita... — minha secretária colocou a cabeça no vão da porta — Me pediu para lhe avisar quando seu pai saísse da reunião, ele já está na sala dele, devo informá-lo de que está indo?
Levei um segundo para ligar uma coisa a outra.
— Não precisa. Ele já sabe que quero falar com ele. — assim ela saiu.
Olhei as horas na tela do meu computador, são quase 11h00 da manhã. Não lembro quando deixei de lado o que estava fazendo e me perdi na minha cabeça. Desde sábado não consigo me concentrar por mais de cinco segundos em algo, sem voltar anos atrás, sem voltar naquele quarto de hotel. Nas coisas que me disseram e que concordo.
Passei as mãos na saia, secando as palmas suadas. Irei contar para meu pai aqui na empresa.
Minha mãe rompeu sala adentro, vindo até mim, como um furacão e estalando a mão no meu rosto. A tapa foi tão forte que cai sobre a mesa.
— Isso era o que eu deveria ter feito invés de só ser dura. — me apoie na mesa para ficar de pé e ela me bateu novamente. — Passei por muita coisa para criar você e seus irmãos, para dar o melhor e assim que você me retribui. Jogando fora todo o nosso investimento em vocês, as escolas caras, as roupas caras, do bom e do melhor... Assim que você retribui jogando fora toda a educação, a ética, empatia o caralho a quatro?
Toquei onde ela bateu, está quente e doendo como o inferno.
— Mãe... — ela levantou a mão de novo, mas desistiu. Se afastou.
— Entre ser uma mãe amada idolatrada, escolhi ser a mãe ser temida, para assim quando você chegasse na porcaria do mundo, na porra da sociedade e alguém fosse pior que eu, saberiam como lidar. Você saberia como lidar. Eu deveria ter te batido invés disso. Fui o contraste gritante com seu pai. Ele era um pai legal que incentivava a ser o que você quiser ser, enquanto eu era mãe dura, malvada. A rainha má da Branca de neve, a madrasta da Cinderela. — mamãe chegou mais perto, segurando meu rosto com força — O que eu te ensinei? Te ensinei a conseguir o que queria por seus próprios méritos, com o que você tinha, com dinheiro, influência, educação. Nada vem de graça. Tudo você tem que lutar para conseguir, seja essa luta contra o mundo ou consigo mesmo.
— De todas as pessoas que pensei que me entenderia, essa seria a senhora. — ela me olhou com fúria.
— Porque achava isso, porque eu não gostava daquelazinha? Porque eu queria que meu filho se casasse com uma pessoa do mesmo ciclo que a gente? Stella, você ultrapassou todos os limites. Da ética, decência, humanidade. Você deu de bandeja uma mulher, que é naturalmente vulnerável, a fez mais vulnerável ainda, entregou ao um homem. Você parou por 1 segundo, para pensar e como ela se sentiria, 1 segundo para se por no lugar dela? Ele poderia ter a estuprado, estuprado você também. Eu não sei quem é mais idiota, estúpido, inútil, sem caráter você ou o idiota que fez essa idiotice com você.
— Eu tinha tudo sobre controle...
— Tinha?
— No final deu certo, eles ainda estão juntos. — falei a primeira coisa que me veio na cabeça.
— Essa é sua desculpa? — gritou. — E o que tem a dizer? Você estava cega. Mesmo a coisa estando claras na sua frente. Tem coisas que não dão para mudar. Eles já tinham se casado e não se mexe no casamento das pessoas. Acha que eu fiquei com seu pai depois que ele me traiu porquê? Porque eu o amava? Não. Amor não é tudo. Amor não enche barriga, não veste ninguém, não faz ninguém crescer em nada. E o amor acaba. Sabe para que o amor serve, para dar um, tesão a mais na hora da foda.
— Então, com base nisso a senhora não aceitou o Chris?
Ela riu com amargura.
— Você escondeu bem o seu namorinho idiota por três anos, até ficar grávida. Você trepou com aquele garoto durante dois anos e não engravidou, aí do nada, apareceu grávida. Acha que eu nasci ontem Stella? Você engravidou para prendê-lo, para que eu pudesse permitir que ficassem juntos. No final das contas você aprendeu direitinho o que te ensinei, não é? Que eu tentei te passar, não é?
— Não foi nada disso.
— Não? — se abaixou ficando cara a cara comigo — Quantas vezes eu te falei para ficar longe dele? Nenhuma. Expressava o que eu achava dele e da família dele. Eu tinha motivos para não querer vocês enfiados naquela família. Agora os meus três filhos estão.
— Ainda amo ele.
— Mas ele não ama você. Ele foi embora, nem se despediu seguiu com a vida e o que você fez? Estragou com a sua. Eu vim aqui, para mandar que arrume suas coisas e vá embora! Não quero e não permito que você suje mais o nome da CCH.
— A senhora não pode fazer isso! — esbravejei.
— Você só tem direitos sobre a empresa quando eu e seu pai morremos. Ainda estamos vivos. Eu sugiro que se afaste do seu pai também, sugiro que pegue a suas desculpas que não são válidas, que não fazem sentido e suma por um tempinho. Como o seu "amor" e vá embora. Você nos envergonhou. Envergonhou o nome da família, me envergonhou. Você abre a boca para dizer, você e seu irmão abrem a boca para dizerem que eu sou uma má influência, que te moldei nessa pessoa desprezível que é. Tem certeza que fui eu? Certeza que fui eu que impôs escolhas e caminhos na sua frente? Não Stella. Eu apenas te ensinei a ser forte para quando chegasse a hora você soubesse o que fazer. Mas o que você fez... não preciso dizer mais não é? Faça o que eu estou mandando, uma vez na vida, ao pé da letra, claro, obviamente.
Minha mãe saiu com um sorriso no rosto e levando consigo o resto da minha alma. Sentir meu corpo arrepiar, o ar me faltou. Engatinhei para o canto da sala me encostando na parede.
— Senhorita! — minha secretária gritou ao ver meu estado. Sofia veio até mim. — A senhorita está bem? — neguei.
— Por favor pare de se agitar, não está me ajudando. — passei as mãos nos cantos dos olhos — Ajude-me a levantar.
Sofia é recém contratada, temporariamente, está cumprido licença maternidade da minha antiga secretária. Teve gêmeos, não vai voltar tão sedo.
Com a ajuda dela, me recompus o máximo que foi possível. Olhei meu reflexo no espelho do banheiro, Sofia ao meu lado, ela parece está preocupada e assustada. Também estou, meu braço esta um pouco dormente, quase doendo.
— A senhorita não parece está bem. — rir mesmo não tendo graça. — Posso chamar alguém da sua família.
— Não precisa chamar ninguém. Estou melhor foi só... falta de ar. — não soou convincente. — De qualquer forma, já estou indo para casa.
— Chamo um táxi?
— Faça isso. — minha voz embargou, meu peito apertou forte. — Sofia... — segurei no seu braço — Me acompanhe até o hospital e não fale para ninguém. Pegue suas coisas a encontro no elevador.
No corredor até o elevador, dei de cara com Chris. Respirei fundo me apoiando na parede.
— Você está bem? — ele mal me olhou por dois segundos antes de desviar sua atenção para o celular. Soltei um resmungando continuando a andar.
— Como se se importasse. — parei bem ao seu lado, ele me olhou por um tempinho, mas não disse nada. Ele não se importa. — Tenho que te falar uma coisa...
— Pode ser outra hora? Tenho que ir agora.
— Eu adoraria que tivesse tempo, mas esse assunto tem que ser agora. Eu tenho que te falar agora. Vai ser rápido, vai ser como tirar o curativo de um... — ele começou a andar. Simples assim.
E o aperto no meu peito aumentou, olhei de um lado para o outro no corredor, não tem ninguém. Fechei os olhos com força, a falta de ar ficou mais forte. Sofia apareceu, correu até mim. Durante o percurso do elevador até entrarmos no táxi, ela balbuciava palavras de conforto, não conseguia ouvir mais que uns sussurros e não notei quando chegamos no hospital.
Sinceramente? Gostei demais desse capítulo, não pelo o que aconteceu em si, mas pelo o que vem daqui para frente.
Espero que tenham gostado.
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