Capítulo 12
Assim que cheguei na portaria do meu prédio, fui informada de que tem uma visita. Alguém está a minha espera no meu apartamento. Só pode ser a Naomi, ninguém além dela vem me visitar e ninguém, além dela tem entrada liberada.
Meu reflexo no espelho do elevador me fez levar um susto. Minha aparência está terrível, maquiagem borrada, o nariz vermelho, olhos inchados, cabelos bagunçados e roupas amassadas. Não lembro a última vez que meu estado ficou tão deplorável. Lembro sim, foi alguns dias atrás quando soube que Chris seguiu em frente, está aparentemente feliz. Estou feliz por ele, juro que eu estou. Porém, estaria mais feliz se ele estivesse comigo. Isso é muito presunçoso de se dizer, por que nada garante que ele seria feliz comigo. O tempo que ficamos juntos, ele não foi feliz comigo. Fomos felizes no primeiro ano de namoro, no segundo ele me cobrava o tempo todo que me posicionasse, que eu contasse a minha família sobre a gente. Isso foi desgastante emocionalmente, porque ele teve que fazer faculdade aqui para não ficar longe de mim e ele queria muito ir para outro lugar. Daí eu fiquei grávida as coisas melhorarem um pouco, nós dois melhoramos um pouco, mas na minha casa com a minha mãe com a minha família era um desastre. Um verdadeiro caos. Nunca me senti tão sozinha, desprezada quanto foi naqueles meses, naquelas horas em que eu não estava com o Chris, em que a minha mãe olhava como se eu tivesse lepra, como se eu tivesse jogado o nome da família no bueiro e a única coisa que aconteceu, foi que me apaixonei e fiquei grávida.
Eu sabia o que estava acontecendo comigo, nos últimos dois meses venho tendo enjoos, tonturas e minha menstruação está atrasada. Ela nunca foi de atrasar, mensalmente a partir do dia 10 ela dava o ar da Graça. No primeiro mês quando não veio, eu não entrei em pânico não criei teorias, joguei a culpa na pressão que eu estava sentindo com a escola, com as escolhas da faculdade, com o Christian o tempo todo me pressionando para eu contar, até aí foi fácil culpar, logo comecei enjoar, não era mais o estresse. No mês seguinte os enjoos pioraram, não era apenas de manhã era quase sempre, tudo me deixar enjoada eu não conseguia parar de pé de sono, de cansaço e fome o tempo todo. Fui uma verdadeira atriz nesses dois meses. Até quando eu não aguentei mais e tive que contar a alguém. Confiei no meu irmão, liguei para ele e no final de semana ele veio "fazer uma visita".
Ele parecia mais preocupado e agitado que eu, quando entrou no meu quarto.
— Por favor diz que é só uma brincadeira de mau gosto? — Enrolei os meus dedos na franja da almofada, sem conseguir olhar para ele.
— Tomei todos os cuidados, mas aconteceu. — Dei de ombros como se não fosse nada de mais.
— Com quem você estar saindo? — Ele parecia estar calmo, não tanto, na verdade. Ele se aproximou, deitou-se ao meu lado na cama.
— Já faz um tempo que eu estou saindo com essa pessoa. Bastante tempo, na verdade. Só quem sabe é Naomi. Eu não queria que a mãe surtasse, pedisse para terminar. — Meu irmão ficou me encarando por um tempo depois olhou para o teto pensativo.
— E esse, cara tem nome? Ele te forçou alguma coisa?
— Deus, não! Não, ele não me forçou a nada. Eu quis todas às vezes, eu quis.
— Todas às vezes? Há quanto tempo isso vem acontecendo de fato? Me conta assim, eu posso te ajudar. Não dá para você me ligar e dizer que está grávida.
— Da e eu fiz. É por isso que está aqui.
— Stella, não brinca com isso. Você só tem 18 anos e está grávida. Você acabou de fazer 18 anos. Pelo amor de Deus o que você vai fazer com uma criança? Mamãe vai te matar. A mamãe vai me matar por não ter ficado de olho em você. — Scott levantou e ficou andando de um lado para o outro. Estou ficando tonta vendo ele assim.
— Eu sei que ela vai ficar uma fera. Eu sei que eu fiz burrada e não ter me cuidado mais do que eu já me cuidava.
— E o cara? Não disse quem ele é. Sabe quem é?
— Quem pensa que eu sou, alguma puta que fica com e com outro tempo todo para não saber quem é o pai do meu filho?
— Pai do seu filho?
O sangue fugiu junto com a minha alma para casa do caralho. Baixei a cabeça antes de olhar na direção da porta, que meu irmão idiota deixou aberta, lá está a minha mãe, ela veio até mim a passos largos, segurou meu braço com força me levantando da cama e sacudindo-me.
— Mãe eu posso... — não deu tempo de terminar, a mãe me deu um, tapa no rosto depois outro e me jogou no chão.
— Mãe não precisa disso! — meu irmão veio até mim — Você está bem? — confirmei mesmo não estando nada bem.
— Não precisa disso? Então você largou os estudos, para vim acoberta essa vadiazinha da sua irmã?
Não consigo acreditar no que a minha mãe me chamou. Direito dela de estar brava, chateada, não sei, mas me xingar e me bater?
— Mãe, não precisa disso. Vamos sentar e conversar, Stella vai contar o que aconteceu. — para quem estava agitado, Scott está bem tranquilo o oposto de mim, que estou tremendo e chorando muito.
— Contar o que aconteceu? Você acha que eu não sei como se faz uma criança? — riu com amargura — De quanto tempo? QUANTO TEMPO STELLA?
Sentir minhas pernas falharem e tudo ficou escuro.
Minha irmã Cloe está na cozinha. Sorriu quando me viu. Não um sorriso de verdade, esse pareceu mais por força do hábito. Como quando damos bom dia ao potreiro com um sorriso junto.
Tirei os sapatos e coloquei a bolsa sobre o sofá.
— Então é você? — me encostei na bancada que divide a sala e a cozinha.
— Sou eu sim. Eu estou fazendo algo para você comer. Sua cara não está nada boa, deve ser fome. — E aquele sorriso de novo.
— Um elogio era o que eu precisava. Muito obrigada! Você massageia meu ego, eleva minha autoestima. — Forcei um sorriso.
Cloe continuou o que estava fazendo em silêncio, vez ou outra me olhava e sorria. Quinze minutos depois serviu dois pratos de massa.
— Sei que gosta.
— Sabe? Desde quando?
— Eu presto atenção nas coisas, Stella. Eu não sou como você que simplesmente ignora o que não é bom para você. O que não te acrescenta.
— De onde você tirou isso?
— Do óbvio, Stella. Convivo com você a minha vida toda, você não é uma pessoa má comigo, mas também não é uma maravilha. Aquela pessoa que eu daria qualquer coisa para passar só mais cinco minutos na sua companhia. Não. Você sabe disso estou dizendo a verdade. Mas você é minha irmã e eu te amo mesmo assim, mesmo com todos os seus defeitos e cobranças, você se cobra muito, isso reflete na sua personalidade terrível, reflete como você trata as pessoas, como você trata sua família. Ou a falta de tratamento com a sua família. Você se isola e fingir que somos nós que não queremos você por perto, quando você que não faz questão de ter a gente por perto. Quando estamos por perto você faz questão de nos afastar. Somos só nós três e você acabou de estragar isso, de novo.
Isso foi duro. E eu preferia não ouvir nada disso. Apertei o garfo nos dedos.
— O que veio fazer aqui?
Cloe bufou e começou a comer.
— Come, Stella.
Deu para ouvir a raiva quando disse meu nome. Comi com dificuldade. O nó que se formou na minha garganta me fez querer vomitar até a alma.
Próximo capítulo daqui a pouco!!!
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