Capítulo 10
BOA LEITURA!!
Não sei como consegui chegar no meu apartamento, quando fui ao apartamento do Chris com meu irmão, pedi que não me esperasse, foi um erro. Me sentir em pânico durante todo o caminho até em casa. Minha cabeça está enevoada, não consigo lembrar como cheguei em casa, como sai do táxi. Agora mesmo estou deitada no chão virada para a janela, não sentindo nada, além do vazio desesperado.
Sou uma completa idiota em pensar que se eu batesse na porta dele, insistisse que deveremos conversar ele simplesmente levaria numa boa, conversaríamos como se nada fosse bizarramente estranho, como se essa dor ainda não tivesse sido amenizada, obviamente que nele também não. E eu ficava me perguntando se ele se lembrava... Óbvio que sim. Eu sou tão egoísta. Tão malditamente egoísta. Cheguei lá e só falei sobre mim, sobre como eu não aceito que acabe assim. Mas ele está certo em tudo. Se tem alguém culpado da nossa relação der dado errado, sou eu. Eu ouvi e levei ao pé da letra o que minha mãe falou, mesmo eu tendo minha opinião própria, mesmo a minha opinião sendo completamente diferente da dela. E quando foi que eu me transformei nessa pessoa terrível, que ninguém faz questão que esteja por perto? Sempre fui.
Apertei a mão no peito o sentido pequeno demais, para o tanto que meu coração está acelerado.
É tão ruim querer um fim diferente?
Acordei ainda deitada no chão, apertei os olhos um pouco incomodada com a claridade vinda da janela, me espreguicei sentido todo meu corpo pedir socorro. Praguejei engatinhando até a cama. Meu celular começou a tocar. O nome da Naomi apareceu na tela.
Atendi.
*Oi?
Não reconheci minha voz, soou falha e rouca.
*Passei ontem a noite na sua casa.
*Desculpa te fazer perder tempo comigo.
*O quê? Não. Você não é...
Suspirei a cortando.
*Tenho que ir. Estou atrasada.
*Vamos tomar café da manhã juntas?
*Não dá! E eu não estou me sentindo bem.
*Noite em claro de novo?
Fiquei calada. Sou um poço de baixo astral e sempre arrasto Naomi junto. Ela foi uma das únicas que ficou. Deve ser porque ela é tão fudida quanto eu.
*Não é isso. Cólica. Você sabe.
Tentei soar despreocupada.
*Que chato isso. Nos encontramos no trabalho então! Agora do sorvete, você não escapa.
Ouvir sua risada do outro lado da linha, também rir.
O projeto de reforma de uma das galerias mais renomadas daqui da cidade, está posto sobre a minha mesa, a reunião acabou de terminar com o proprietário os outros co arquitetos e engenheiros do projeto. É uma reforma pequena, mas como o dinheiro move montanhas, foi solicitado uma grande equipe, os melhores da CCH.
— Qual a data prevista para o final da obra? — me assustei ao ouvir Conrad. Ele riu sem jeito ou fingiu muito bem. — Desculpa se te assustei.
— Pensei que já tivesse ido. A reunião terminou.
— Eu sei. Mas voltei para saber sobre a data.
Controlei a vontade de revirar os olhos.
— Senhor Benson...
— Por favor me chame de Conrad. — Já perdi as contas de quantas vezes ele me pediu isso.
— Senhor Benson todo o cronograma já lhe foi passado. Mas se tem alguma dúvida futuramente, minha secretária ficará feliz em lhe ajudar. — ele riu acenando.
— Quando... eu não for mais um cliente, tenho alguma chance?
Foi impossível não sorrir, fazia tempo que ninguém demostra interesse por mim, nunca que eu tivesse percebido também.
Seria a solução de todos os problemas se isso acontecesse, quer dizer se não tivesse algo maior...
— Não sei se você... Não sei se fui clara o bastante.
— Entendi. Você tem outra pessoa. Tem alguém. — Comecei arrumar as coisas sobre a minha mesa.
— Não é que eu tenha alguém. É mais como... Isso não importa, sabe? Essa coisa que... — não soube mais o que falar.
— Entendo. Essas coisas são complicadas mesmo. E que tal um café, como amigos?
— Você sabe que esse negócio de amizade... Se inclui na categoria "essas coisas são complicadas mesmo". — ele riu. — Mas um café quando nos esbarramos, por mim tudo bem.
— Stella... — Naomi entrou, Conrad a olhou de cima a baixo, foi um pouco contido, para o crédito dele. — Desculpa, não sabia que ainda estava em reunião.
— Sua secretária?
— Você sabe que não, Benson.
— Claro. — fez um maneio de cabeça. — Conrad Benson. — estendeu a mão para Naomi.
— Naomi Chaney.
Ficaram se encarando e foi como achar ouro no final do arco-íris, ver minha amiga finalmente olhar para outro homem como ela olhou a vida inteira para meu irmão.
— Como foi? — perguntei assim que me juntei a Naomi na sua mesa.
— Eu não sei. — riu boba.
— Como assim não sabe? Deixei vocês dois sozinhos e fiz as contas, ficaram lá por bastante tempo.
— Sim. Só conversamos.
— Isso me deixa aliviada, não quero ter que trocar minha mesa. — ela me bateu no braço.
— Vamos tomar café qualquer dia desses.
— Hum, isso é bom.
No final do corredor, avistei Christian e seu irmão Ivan, entrarem na sala dele.
— Tenho que te contar uma coisa. — a voz da minha amiga soou baixa, virei-me para ela — Era sobre isso que fui na sua sala. Vem! — Naomi me puxou de volta para minha sala.
— O que foi?
— Agora eu sou secretária executiva, e não sou só eu. Eu e mais três. E você sabe que mulheres conversam... principalmente aquelas três. Elas deixaram escapar, quando notaram quem eu era, já tinham falado mais que a boca. Sobre Cristian, ele está em um relacionamento sério a alguns anos. Não é com a Rebecca como você mesmo disse. Com uma mulher que está vindo para cá.
Claro que ele não ficaria celibato durante todo esse tempo, não sou idiota a esse ponto. Mas ficar sabendo disso é um porre. Quero tomar um porre!
— Ela está vindo?
— Escutaram uma conversa por cima e tudo indica que sim.
— Ele a ama?
— Stella...
Fechei os olhos por um segundo.
— Podemos tomar sorvete outro dia? — sentir meu pulso acelerar.
— Uma hora vai ter que... — fiquei de pé.
— Sim. Outro dia tomamos o tal sorvete — sai a deixando sozinha.
Esbarrei com Ivan ao dobrar o corredor.
— Wou! Vê se usa os olhos.
Só era o que me faltava.
— Da próxima vez, faço questão de pisar no seu minúsculo saco com meu louboutin.
— Não gosto de você!
O olhei de cima a baixo, hum, ele tem uma leve semelhança com Chris.
Rir com descaso para ele.
— É para qual de nós dois se sentir especial com isso, eu ou você? — ele ficou um momento sem saber o que dizer.
— Como consegue dormir a noite sendo assim, podre?
Mantenho-me firme. Não é um garotinho recém saído das fraldas, que vai me fazer abalar e demonstrar isso a ele, está fora de cogitação.
— Ah! Eu não sabia que você nutria um amor tão sublime por mim. — mordi o lábio sorrindo, me aproximei dele, toquei a lapela do seu terno. — Seu irmão já sabe que você cobiça a mãe do filho dele? Imagina só o reboliço que vai ser na nossa família.
Ivan afastou minha mão com um tapa. Rir.
— Você é doente. Prefiro morrer do que ter algo positivo a seu respeito.
— Prefere morrer? — sorrir — Quando isso acontecer me avisa, assim quem sabe não sirvo de testemunha, vendo sua patética vida, deixando seu mais patético corpo.
— Stella? — alguém me chamou, não olhei na direção, continuei encarando o mijão do Ivan Harris. Senti uma mão nas minhas costas — Ivan, não sabia que estava na cidade. — Cloe disse com aquele seu tom doce de voz. Ela não cansa de ser perfeita?
— Foi repentina minha vinda.
— Sua volta também deveria ser. Já sabe o caminho de volta mesmo. — os olhos do pequeno Harris está a ponto de saírem fogo deles.
— Foi um prazer te rever Ivan. Se for ficar por mais tempo me liga, nós podemos sair.
— Duvido que ele também vá querer furar os olhos da Gina.
— O quê? — Sentir as mãos da minha irmã me apertando nas costas, me afastei do filhote raivoso.
— Você é uma vergonha para sua família.
Rir.
— Acha que não estão cientes disso? — rir — Pelo menos não me escondo. Não fico à espreita.
— O que está acontecendo aqui?
— Nada que valha a pena. Cloe, foi um prazer te rever. — Ivan me olhou de cima s baixo, só faltou cuspi, foi embora.
— O que acabou de acontecer aqui, Stella? — A voz da minha irmã soou baixa, porém esganiçada.
— Começo de conversa, você deveria ficar do meu lado. Sou sua irmã. Sua irmã mais velha. Mas você já vem me acusando, com esse seu tonzinho de voz.
— Eu vim te salvar de qualquer coisa que você tivesse se metido. Porque a única coisa que você faz e se mete em confusão, e conclusões que não dá para te perdoar. Você fica agindo como se não ligasse para nada, como se nada do que fizesse tivesse consequências. Mas deixa eu te falar, tem. E uma delas é essa amargura que você vive. Essa solidão interminável que não tem nada nem ninguém que preencha. Você deveria reconsiderar suas atitudes. Descontando a sua raiva e frustração nos outros, não vai resolver nada.
Olhei para minha irmã mais nova, a perfeita da família que não é mais tão perfeita assim, parece que nasceu só para me apontar o dedo, para mostrar o quanto sou falha, quanto não sou a filha perfeita em vez dela. Só eu que sou errada dessa merda de família! E já estou cansada disso.
— Você chega aqui minha doce e perfeita irmã...me apontando o dedo porque é a única coisa que você faz, Cloe. Sempre estar do lado de todo mundo, menos do meu. Você já parou para se por no meu lugar uma única vez? Eu vou te responder, não, você nunca se pois no meu lugar, nunca... Nunca fez nada por mim além de me olhar torto, além de me julgar. Se você não se dar o trabalho de tentar me entende, de ficar do meu lado uma única vez... — me aproximei dela ficando cara a cara aponto de sentir sua respiração no meu rosto — Se você não faz nada por mim, então não me venha tentar dar lição de moral. E convenhamos você não tem nenhuma. Você é só uma garotinha mimada que tem tudo que quer e que não tem personalidade própria. Fica se escondendo, você escondeu durante anos e só porque eu e o Scott te vimos, foi que você se deu trabalho de contar alguma coisa. Você tem direito de fazer o que quiser da sua vida, mas não venha querer me dizer como eu tenho que ser e agir.
Oi oi!!!
Gostei desse capítulo. Muito na verdade.
Espero que também tenham gostado.
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