Capítulo 08
BOA LEITURA!!
Alguns dias depois...
Pus, as últimas sacolas de compras, sobre o balcão da cozinha. Flexionei os dedos, a distância do elevador, até a cozinha é curta, porém foram duas viagens e são muitas sacolas.
— Não precisa me ajudar a guardar, mãe. — Francesca já está guardando tudo.
— Não é incomodo algum, meu amor. — sorriu.
— Obrigado, de qualquer forma. — me encostei no balcão, retirando as compras de dentro das sacolas.
— Da próxima vez, leve uma dessas bolsas orgânicas.
— Bolsa o quê? — rir.
— Olha esse tanto de plástico! — pareceu indignada.
— Vou me lembrar da próxima vez. — soou um pouco de desgosto.
— Eu sei, filho, que você não queria que tivesse uma próxima vez aqui. — Francesca largou as coisas em qualquer lugar, veio até mim, segurou minhas mãos. — Pense como... uma fase a mais a ser superada. Como nos Jogos de videogames, que tanto gosta, ãn.
— Estou sendo birrento e malcriado. Desculpa-me.
— Está um pouco, sim. — rimos. — Porém, no seu direito.
— De qualquer forma, desculpa, mãe.
— Meu amor. — mamãe me abraçou, tive que me inclinar um pouco, para o abraço, ficar mais confortável para ambos. — Vou fazer uma comida gostosa, enquanto toma banho. O que acha?
Eu amo muito essa mulher. Ela me consola, e me alimenta. Tem melhor coisa? Não.
— O que seria de mim, sem a senhora?
— Não se subestime. Você é um grande homem. — beijou minhas bochechas demoradamente, como fazia quando eu era criança.
Não sou deprimido o tempo todo. Eu sou feliz. Sou amado. Amo algumas pessoas. Tenho amigos. Um trabalho que gosto às vezes. E tenho um gato. Kennedy é o nome dele. Uma coisinha peluda, que deve está debaixo de algum móvel. É essa situação, em específico, que me tirou momentaneamente do eixo.
Beijei a testa da minha mãe, sussurrando um agradecimento, sair para o meu quarto. Abro as cortinas, revelando um belo fim de tarde em Portland. Amanhã já tenho que ir à empresa, meu pai estará lá. Nesse caso, sinto que sua presença, serve mais para um... "Não surte, Christian". Não faz bem o meu estilo, surtar e espernear.
Olhando do horizonte a minha frente, para as minhas mãos um pouco trêmulas, realmente não da para confiar se surtarei ou não, caso alguém me provoque. Talvez também, seja apenas uma neura minha, talvez ela não esteja lá, talvez ela nem lembre mais de mim. E talvez... Meu celular tocou. Sorrir ao ler o nome na tela.
Ligação on...
* Oi, amor.
* Oi! Já deu uma acalma por aí? — riu no final da frase
* Já sim!
* Que bom! — exitou um pouco.
* E esta tudo bem, por aí?
* Ãn? Ah! Sim. Sim. Acabei de comprar a passagem.
* Já? E o trabalho?
* A burocracia já estava em andamento, quando te falei estar voltando.
Essa parte não contou. Para falar a verdade, não conversamos muito ultimamente. Mensagens de bom dia e boa noite, essas coisas.
* Quando chega?
* Semana que vem.
* Portland ou Los Angeles?
* Primeiro Los Angeles. Dai conversamos e vemos como fica as coisas.
* Eu posso ir aí.
* Não pode, Chris. Sabemos que não. Não com esse negócio da empresa do seu pai.
* Beli...
* De qualquer forma, já estou indo. Não esquenta muito a cabeça. Não é nada sério a ponto de você ficar preocupado.
* Não gosto de suspense. — ela não deu uma pista do que se trata.
* Não estou fazendo. — riu, mas notei que foi mais nervoso do que qualquer outra coisa.
* Então me conta. Me fala agora. — pressionei.
* Esse tipo de coisa não se fala por telefone, Chris. — notei que ela ficou um pouco irritada.
* Quer terminar de vez? — Deus não!
* Não. — foi firme. O que me tranquilizou.
°°°
Como foi dito, meu pai esta a minha espera, ou não já que ele, praticamente me ignorou depois dos comprimentos habituais.
Fiz faculdade de arquitetura, visando o negócio da família e aqui estou eu na cabeça do negócio.
— Você foi bem. — disse meu pai.
— Sim. — falei arrumando o punho da camisa.
— Quando foi a última vez que viu, o David?
— Um dia depois, que o meu filho morreu. — ficou um silêncio pesado. Foi o tom que usei. É bom relembra-lo, o lado que ele deve ficar.
— De qualquer forma...
— Pai... Eu não quis ser grosseiro ou nada do tipo. Se soou assim, peço que me perdoei.
— Esta tudo bem. Esta no seu direito. Fui... um bruto em me impor que vinhesse. Era o único jeito de... te fazer voltar.
— Não. Não, era pai. Eu posso estar magoado o quanto que for, mas se tivesse posto todas as alternativas e condições, e, a única seria eu, não teria negado. Pensei que soubesse disso. — meu pai suspirou de cabeça baixa.
— Tanto Gina, quanto Ivan, poderia vim tomar a frente da nossa parte aqui. Mas é você filho, que eu escolhi.
Eu entendo. Só não queria voltar agora e não sei se algum dia fosse querer novamente. Creio que não.
— Já estou aqui. Farei o meu melhor para a CCH. Não se preocupe.
— Não estou. — meu pai sorriu vindo até mim. Apertamos as mãos, nos abraçamos em seguida.
É reconfortante, talvez seja a palavra certa, sim, é reconfortante saber que meu pai confiar cegamente em mim, para pôr sua parte do Império, que é a CCH em minhas mãos.
— Minha hora já deu por aqui. Vou indo. — peguei minha pasta.
— Não esqueça da festa amanhã. Estaremos todos lá. — é um alerta sutil.
— Mamãe já me falou.
— Vai da tudo certo. — confirmei, com um aceno de cabeça acompanhado de um sorriso mixuruca, como diz Ivan.
A reunião de agora pouco, foi apenas um teste. Nem isso foi, já que, apenas um dos Campbell esteve presente. David, foi receptivo e caloroso. Estritamente profissional. Que eu lembre, sempre foi um homem calmo e compreensivo. Totalmente ao contrário da esposa, Charlotte, arrogante, impetuosa e tantos outros.
Peguei o elevador, direto ao estacionamento. Aluguei um carro, para o período que eu for ficar. Se se estender mais que o esperado, terei que comprar um ou...
As portas se abriram, retirei as chaves do bolso. Agora, em qual bloco esta? Olhei de um lado para o outro, a chave entre os dedos. Apertei o botão, o destravou fazendo o barulho. Abrir a porta do lado do carona, pus minha pasta sobre o banco, dei a volta, abrir a porta do motorista...
— Sabia ser você! — virei-me para ver quem é.
Meu coração errou uma batida. Dei uma leve cambaleada, segurei-me na porta do automóvel.
— Só queria ter certeza. — Stella parou bem na minha frente, a menos de dois passos.
O perfume forte e marcante veio em cheio. Apertei os dentes.
— Certezas na vida, é algo valioso. Uns dão o devido valor, outros... — dei de ombros. Não sei como conseguir falar sem gaguejar.
Ela riu. Me olhou de cima a baixo, com um certo... desprezo talvez?
— Após anos... treze para ser mais exata. Treze anos e é assim que você me trata? — ela ainda tem o mesmo...
— O que Stella? Quer que eu te pegue nos braços e faça juras de amor? Não sou mais um jovem idiota. — falei um pouco alto, a última frase. Ela recuou um pouco.
— Eu não quero que faça isso. — soou temerosa.
Deus!
— Eu preciso ir. — ela balançou a cabeça, a ergueu, que a segundos atrás baixou. O jeito que ela está me olhando agora. Como... um predador faminto e com medo.
— Não, foi algo, bobo. Tínhamos algo real. Algo legal. Então, esperava... um pouco mais de consideração.
— Stella... Já falamos tudo o que tínhamos para falar, anos atrás.
— Treze!
— Treze malditos anos atrás! Que seja! Não estou aqui para reatar n-a-d-a.
— NÃO ESTOU PEDINDO PARA VOLTARMOS. SÓ QUERIA, ESPERAVA CONSIDERAÇÃO DE ALGUÉM QUE DISSE QUE ME AMAVA! — gritou, me empurrou o peito.
— Para com isso. — me afastei com sua tentativa, de novamente me empurrar.
— Você disse que me amava. — tentou novamente me empurrar, segurei seus pulsos. — Você me fez te amar, me fez acreditar que me amava e foi embora. Eu precisei de você. E VOCÊ FOI EMBORA, ME DEIXANDO TODA COSTURADA NO HOSPITAL!
Fechei os olhos por um momento.
— Ok. Ok, Stella. Quer falar sobre isso? Quer me culpar pela morte do nosso filho, quando eu não tive culpa nenhuma? Quer dizer que eu te abandonei, quando eu ouvir você falar que foi minha culpa?
— Eu... — ela começou a chorar. Eu ainda estou segurando seus pulsos.
— Foi difícil para mim também, fique sabendo. Nem... Nem tivemos a chance de escolhemos um nome direito. Ele foi arrancado de mim, na mesma medida que foi de você. Não me venha querer consideração, quando não teve nenhuma por mim.
— Gatinho... — choramingou encurtando o espaço entre nós.
— Meu nome é Christian. — saiu mais como um rosnado do que uma frase dita.
— Algum problema aqui? — alguém falou. Olhei para a pessoa, um segurança do prédio, pelo que parece.
Soltei Stella, que também se afastou.
— Esta tudo bem, Daniel. — Stella falou sorrindo para o tal Daniel.
— Tem certeza, senhorita?
— Sim. Não se preocupe. — antes de sair, o tal Daniel, me deu uma encarada. Ótimo.
— Não quero voltar nesse assunto. Vamos deixar no passado e o mais breve possível, irei embora.
— É o que você faz de melhor. Ir embora!
Fechei a porta do carro com força.
— A sua mãe... — lhe apontei o dedo. — A que sempre você corria, a cada discussão besta, a cada contradição a seus gostos e atitudes, a cada maldita coisa, me entregou a carta. Já não bastou o que ouvir, ainda teve a carta para jogar mais terra sobre o meu caixão.
— Carta?
— Não se faça! Uma coisa que você não é é idiota. Então não se faça! Era a sua letra, seu maldito papel perfumado.
— Eu não sei do quê estar falando. Não escrevi carta alguma.
— Recitarei para lhe refrescar a memória. Hum... — pus as mãos nos bolsos, numa tentativa de me acalmar. — Gatinho, tudo o que vivemos foi bom, mas acabou aqui. Agora não temos mais nada que nos obrigue a ficarmos juntos. Por favor, não me procure mais.
— Christian, por Deus que não fui eu...
— Eu vou embora agora, como é algo que eu faço muito bem, citado por sua pessoa.
— Christian! — ela veio até mim. — Não. Não faz isso. Nós...
Lhe afastei devagar.
— Nós, acabamos a treze anos, Stella. Só respeita isso.
Com cada pedaço do meu coração remendado, eu não queria que fosse assim o nosso reencontro. Acho também, que tinha tudo para ser exatamente assim. Não tivemos um ponto final direito.
— Gatinho...
— Se... se era a minha consideração que queria, saiba que...eu iria te procurar em algum momento, como fiz algumas vezes, e sua mãe... A sua mãe Stella.
Stella voltou a chorar, murmurou algo.
— Me desculpa. — disse e saiu meio cambaleando.
Minha cabeça esta explodindo, não consigo pensar direito no que acabou de acontecer. Juro, juro que eu iria procura-la em algum momento essa semana. Não era para ser assim.
Bati no volante, uma duas três vezes. Respirei fundo e sai dali o mais rápido que pude.
Para spoilers do que se trata, a vinda de Cibele, dê uma passada na minha outra história "diamonds in the Sky", na minha outra conta maria95paula , capítulo 07, para ser mais exata.
Gente, deixem um comentário ou uma estrelinha, fiquem a vontade. Gosto de saber o que estão achando, sem contar que isso me motiva bastante!
Até mais!! ✌️
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