Capítulo 01
8 anos mais tarde.
Fazia dias que algo parecido não acontecia, nem sei se consigo me lembrar de como foi a última briga que eu tive, mas posso afirmar o motivo daquela e dessa: Kyra, como sempre. Me chamem de louco ou qualquer coisa parecida, porém, se tem algo que consiga de fato me tirar dos trilhos, é a garota de pele bronzeada. Todos sabem que ela é o meu calcanhar de Aquiles, o meu maior ponto fraco - eles dizem. No entanto, não sei se posso confirmar com exatidão qual seria o meu maior ponto fraco, mas ela com certeza está entre as minhas alternativas.
Pela dor nos meus punhos, sei que irão estar inchados até o fim do dia, sei também que pela comoção toda a nossa volta - e quando digo: nossa; falo de mim e do garoto a ponto de desfalecer a baixo de mim - que serei colocado para dormir com os cachorros esta noite, já posso imaginar o rosto vermelho de raiva que a minha melhor amiga está fazendo nesse momento.
- Você só vai parar quando matar o garoto, Ethan? - não, eu só estava esperando você aparecer.
- De tudo o que pensei em fazer com ele, matar não estava nos meus planos - me levanto de cima do ruivo jogado no chão, Kyra me puxa violentamente pelo braço enquanto corremos pela multidão curiosa. Agora com a adrenalina diminuindo no meu sangue, começo a sentir dores nos punhos - Aperte um pouco mais e minha mão irá cair.
- Se isso fizer você parar de se meter em problemas, acho que não seria uma má ideia - assim que chegamos no Audi da Kyra, ela me empurra contra a porta do carro me fazendo sentir um desconforto na coluna - Por que você fez aquilo, Ethan?
Ela sabe o motivo, aquele garoto vem há importunando durante semanas junto com a rodinha de amigos dele. Só não entendo por que essas coisas continuam a acontecer, todos sabem que mais cedo ou mais tarde irão ao encontro do chão quando eu os pegar.
Sinto falta dos dias em que eu era praticamente o único a notar sua presença, éramos só nós três: eu, ela e o Josh, até ele ir embora. Mas isso não vem ao caso agora, o problema aqui é que ultimamente ela tem chamado cada vez mais atenção indesejada, ao menos, são indesejadas por mim.
- Digamos que ele me irritou - a morena revira os olhos antes de passar os dedos nos ferimentos do meu rosto, provocando uma leve ardência - Isso dói, Kyra.
- Digamos que essa era a intenção - ironiza.
Pego a chave do carro de sua mão ouvindo seus protestos por estar muito machucado para dirigir. O caminho todo até nosso apartamento foi feito em silêncio, enquanto ela estiver brava não vai falar comigo de boa vontade, o máximo seria para ficar repetindo o quanto estou errado. E isso não é nada que alguém precise dizer, sei que muitas vezes exagero na violência, o problema é que não posso simplesmente parar, Kyra tem sorte de ser a única a ter algum tipo de controle sobre os meus surtos.
- Vai mesmo me ignorar pelo resto do dia? - bem, parece que a resposta é sim. Porque ela continua fingindo que não estou parado bem ao seu lado e o pior: dentro de um minúsculo elevador - Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento.
- Pretendo prolongar esse espaço de tempo por mais algumas horas - não posso evitar gargalhar, ela nem se deu conta de que acabou de quebrar a sua greve de silêncio.
- Baby, você acabou de falar comigo - deixo um beijo estalado na sua bochecha bem no momento em que a porta do elevador se abre e corro para fora.
Acho que essa é melhor parte de morar com a sua melhor amiga, gosto de provoca-la e ela gosta de cuidar de mim, e com cuidar quero dizer que a Kyra sempre esteve ao meu lado em todas as minhas crises de ansiedade e ataques de pânico desde o dia em que nos conhecemos. Ela também já salvou minha vida mais vezes do que poderia contar.
Começamos a dividir apartamento quando meus pais decidiram que estava na hora de eu sair de casa, Kyra com medo por eu ficar sozinho e longe dos seus olhos, praticamente implorou para que o seu pai deixasse ela ficar comigo, não foi fácil convencer o Sr. Lewis, só que a Kyra é a garota mais teimosa que eu já conheci - e eu conheço muitas garotas - o maior argumento dela foi o fato de nós sempre dormirmos um na casa do outro todos os dias. Então, qual seria a diferença? - ela questionou o pai.
Felizmente no final de tudo ele autorizou a sua mudança comprando metade do apartamento, desde então os dias têm sido mais divertidos do que antes, a não ser pelo fato das minhas brigas ficarem cada vez mais frequentes e a Kyra estar sempre repondo as coisas da caixa de primeiros socorros. Com o passar do tempo ela foi ficando cada vez melhor em cuidar de ferimentos, sempre digo como ela seria boa como enfermeira, mas resposta dela nunca muda: não vejo a hora em que vou parar de ver machucados, você já me da trabalho o suficiente para qualquer enfermeira - e assim ela sempre termina o assunto.
- Sabe, dessa vez eu tinha esperança de que não precisaria mais repor essas coisas - sorrio inocentemente para ela enquanto a morena se senta na mesa de centro ficando bem na minha frente.
- Posso cuidar disso sozinho, você sabe - me refiro aos ferimentos.
- Claro, então além de gastar dinheiro com suprimentos de primeiros socorros teríamos de gastar com o hospital assim que você pegar uma infecção por não ter se cuidado corretamente - se ela está certa? Provavelmente.
Kyra começa a limpar o meu rosto com cuidado, deveria me incomodar o fato de estar ardendo, mas o que realmente me incomoda é a aproximação dos nossos rostos. Para ela pode ser algo simples, porém, eu não consigo nem respirar corretamente tudo o que passa na minha cabeça agora é que eu precisaria me aproximar somente mais alguns centímetros para tocar os seus lábios com os meus.
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