• It Was Like Losing An Eye •

A calmaria ao redor deveria ser como um presente dos deuses, um deleite depois de uma vida pesada demais para se carregar. A forma como seus músculos pareciam relaxados e pesados sobre o colchão não devia assustar, assim como a sensação seca e dolorida em sua garganta não deveria lhe trazer algum alívio. Mas trouxe porque significava que ainda havia vida em seu corpo. E isso era bom. Era melhor do que ele poderia supor porque, no final, aquilo deixou claro que a morte não era seu propósito. Quer dizer, claro que Taehyung sabia o quanto sua vida era uma merda na maioria das vezes mas, porra, ainda haviam coisas boas pelas quais respirar. Havia Namjoon e a forma como ela sempre bagunçava seus cabelos nos café da manhã compartilhados, sempre sorrindo para
Taehyung não importava o quanto as rugas em sua testa estivesse profunda. Havia sua mãe também, a mesma que lhe trazia uma xícara de chá quente todos os dias antes dele dormir porque sabia que ele era incapaz de ter uma boa noite de sono sem uma. A mesma que ficava falando baixinho sobre como seu dia havia sido cansativo ou sobre como um determinado paciente havia sido curado ou, em dias ruins, como era terrível perder alguém na mesa de cirugia porque sabia que essas coisas reais faziam com que se sentisse esperançoso com a vida. Havia Jimin e sua genialidade, a maneira como sempre parecia saber de tudo sem realmente precisar perguntar. Haviam seus amigos e todas as pessoas ao seu redor. Havia Hyuna e seu suco verde que apenas ela em toda a porcaria do mundo sabia fazer da forma que ele gostava. Haviam tantos motivos para continuar, tantos que ele mal conseguia nomear adequadamente.

E havia ele.

Havia Jungkook.

E não poderia negar nem ao menos se realmente quisesse porque não tinha absolutamente mais nada que ele pudesse fazer para calar a sensação quente no meio do seu peito quando pensava no alfa. Quando era pequeno, seu pai costumava lhe contar sobre uma lenda tão antiga quanto o começo das classes. Sentados juntos à lareira em dias frios ele dizia que, quando a natureza teve que se adaptar em troca da não extinção, todos os humanos tinham pares destinados pela eternidade. Almas divididas em duas que, quando se encontrassem, a marca viria tão naturalmente que deixaria de ser um vínculo criado para ser a união de dois em um só. Naquela época, o ômega sorria e se aconchegava mais no colo do pai enquanto pensava na outra metade de sua alma que estava perdida por aí. E, noite após noite, sonhava em encontrar alguém que o fizesse inteiro novamente. Mas sonhos são despedaçados senão esquecidos em caixas debaixo das camas pequenas demais. Os dele, bem, os dele foram roubados de si. No entanto, enquanto sentia seu corpo fundo no colchão desconfortável e sem forças para, nem ao menos, abrir os olhos, pensou que talvez o pai tivesse razão e a lenda fosse verdadeira porque ele não precisava de uma marca em seu pescoço para saber que Jungkook era seu alfa. Assim como ele não precisava de esforço para tentar lidar com todas as consequências disso, não, todas essas coisas eram tão naturais quanto respirar. Era como se Jeon tivesse se esgueirado pela sua vida tão suavemente que mal notou antes de ser tarde demais.

Mas não importava porque sentia-se bem. E Jungkook iria saber disso. Ele tinha que saber disso.

E, para isso, precisava sobreviver.

Além disso não foi como se ele tivesse planejado tudo desde o início quando escorregou a pílula para o bolso sorrateiramente algum tempo antes, não estava em seus planos engolir aquilo. Definitivamente não. Quer dizer, realmente iria apenas pedir ajuda a Jimin. Sabia que o amigo ficaria extremamente excitado com algo daquele tipo, um desafio mental ao ter que destrinchar toda a composição para, depois, tentar encontrar os erros. Então, bem, tudo o que aconteceu depois foi uma grande sequência de acasos fodidos demais que o levou diretamente ao limiar do desespero a ponto de seu corpo reagir antes mesmo que seu cérebro se desse conta do que estava fazendo. E, porra, agora apenas sentia as consequências de seus instintos em seus músculos pesados enquanto tentava discernir algo do mundo fora da sua própria cabeça. O que, se ele fosse bem sincero, lhe parecia exaustivo demais para ser algo fácil. Sua garganta estava dolorida como se tivesse engolido fogo e seu estômago parecia ter sido pisoteado em algum momento desde que havia saído daquele quarto escuro e com cheiro de álcool. E com o cheiro dele.

Apenas por lembrar, um arrepio frio percorreu-lhe a espinha. Mesmo que, naquele momento, não tivesse mais tanta certeza sobre os aromas serem iguais. Tipo, o enfermeiro realmente cheirava a bolinhos de canela, mas tinha algo mais ali. Algo meio cítrico como limão. E ele era um ômega porque, bem, cheiros como aquele geralmente pertenciam a ômegas. Alfas não tinham cheiros adocicados, na maioria das vezes ao menos. Mas ele tinha. E Yoongi também. Então talvez não fosse tão incomum assim. Realmente tentou franzir o cenho mas seu rosto ainda não parecia disposto a obedecer os comandos do seu cérebro e, porra, aquilo já estava irritando porque era como estar preso dentro de si mesmo em uma escuridão por trás das pálpebras enquanto tudo a volta se resumia a ruídos baixos e calmos e apenas isso. E, bem, não havia cheiro nenhum. Nada. Absolutamente nem mesmo um resquício, nem mesmo seu próprio cheiro. Nada. Não havia nada. E, merda, por que isso o fazia se sentir tão ansioso?

De qualquer forma, o ômega se sentia tão exausto a ponto de apenas querer deixar-se consumir pela calmaria ao seu redor porque o mínimo esforço que teve lhe pareceu uma maratona e isso não podia ser bom. Nada daquilo poderia ser bom e tudo o que ele conseguia pensar era na mãe do Jeon e em como ele dizia que ela estava perdida dentro de si mesma exatamente como ele se sentia no momento. Completamente lúcido dentro de sua própria cabeça ainda que incapaz de qualquer coisa além de querer gritar por uma boca que não tinha pressa em funcionar. Sentiu-se chorando. Quer dizer, ele sentiu lágrimas quentes em seu rosto, escorrendo a partir de seus olhos conforme todos os esforços que demandava para fazer qualquer sinal de estar consciente e no controle de seu próprio corpo parecia extremamente inútil. "Eu não quero viver assim" pensou em desgosto enquanto seus globos oculares giravam rapidamente e sua garganta parecia fazer um barulho de sufocamento no qual ele realmente não estava prestando atenção. "Eu quero olhar nos olhos das pessoas e segurar suas mãos. Eu quero me expressar e eu quero uma mordida. Eu quero a mordida dele" continuou como um mantra ou uma oração.

Estava tão imerso em seu próprio desespero que não notou a forma como algo apitava incansavelmente em algum lugar ao seu redor, um som estridente que podia fazê-lo se irritar em qualquer outra situação, exceto naquela. Exceto quando tudo o que queria era gritar mas estava preso dentro de si mesmo. Não quando sentia-se completamente acorrentado em sua própria carne.

De repente uma dor aguda irradiou por todo seu corpo atravéz do braço e, meio segundo depois, não havia nem mesmo Taehyung gritando dentro de si próprio porque a escuridão o consumiu tão rápido que não houve sequer chances de lutar contra o modo como ele se afundava ainda mais no colchão e perdia a consciência outra vez.

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A luz muito branca e muito forte praticamente queimou sua retina quando sentiu seus olhos abrirem com a rapidez de quem volta à vida. De tudo muito escuro passou a tudo muito claro, uma luminosidade tão desagradável quanto a sensação de ter algo enfiado no fundo de sua garganta. Doía como o inferno. O suficiente para fazer seus olhos lacrimejarem enquanto engasgava com o que quer que fosse aquilo, enquanto tentava tossir forte para tirar aquilo de dentro de si conforme seus olhos se acostumavam ao mundo claro à sua volta e tudo ia tomando forma, o teto de gesso branco falhado com algumas pequenas manchas de infiltração nas bordas. Tossia forte enquanto seus ouvidos se acostumavam a agitação do mundo, ao barulho consistente de máquinas e murmúrio de vozes do lado de fora daquelas paredes.

Sentia seus braços pesados ao lado do corpo, pesados o bastante para ser realmente difícil movê-los, ainda assim a sensação quase sufocante em sua garganta o obrigou a usar de toda sua força e concentração para levar ambas as mãos até a boca apenas para sentir algo plástico bem preso ali. Certo. Um tubo endotraqueal. Saber disso o acalmou gradativamente porque ele sabia perfeitamente bem o que poderia causar se continuasse forçando a garganta. Sentindo-se ligeiramente mais calmo, o ômega concentrou-se em observar o mundo ao seu redor. Sua cabeça parecia pesar uma tonelada e meia, ainda assim a virou apenas o suficiente para encarar uma porta muito branca com e aparelhos de sustenção de vida apitando como malucos ao seu lado. Certo. Taehyung sabia o que aquilo significava e, bem, ele sentia-se bastante aliviado por não precisar mais daquelas coisas em seu corpo. Ele só precisava avisar alguém. Tentou focar sua audição através das paredes estéreis e tudo o que conseguiu identificar foram passos apressados e cochichos quase incompreensíveis de quem quer que estivesse do lado de fora. Certo. Com os olhos fechados novamente, o ômega tentou se concentrar no cheiro através das paredes. A primeira coisa que notou foi como suas narinas pareciam queimar por todo o caminho através do sistema respiratória. A outra foi que não havia nada. Sim, não havia absolutamente nada no ar. Nenhum cheiro. Nenhum resquício qualquer do aroma de alguém ou de qualquer merda. Não havia nada além do incômodo em seu nariz, uma ardência camuflada de algo mais. "Mas que porra...?" pensou enquanto tentava inalar tudo à sua volta com força.

Inútil.

Certo.

Ele não ia se desesperar. Sabia que, pelo cenário, havia acabado de acordar de algum tipo de coma ou estado de inconsciência beirando à capacidade física. Ele tinha estudado sobre isso. Ele sabia que, às vezes, algumas funções corporais demoravam mais do que outras para se reestabelecer. Ele sabia que podia não ser permanente. O problema era exatamente a outra metade da questão, a parte que gritava em sua cabeça que sim, aquela merda era definitiva. Que jamais poderia sentir absolutamente nenhum aroma, cheiro ou o caralho a quatro na sua vida. Que ele estava praticamente sem um membro porque, porra, ele era um ômega. Absolutamente quase todas duas lembranças e forma como reconhecia o mundo vinha do olfato. Apenas percebeu que estava chorando quando sentiu o peito tremer em pequenas convulsões enquanto fungava com a porra de um tubo em sua traquéia conforme imaginava como sua vida seria dali em diante. Como seria viver sem perceber o mundo? Como seria nunca mais sentir o cheio de sua própria mãe? Como ele reconheceria as pessoas? Porra, como ele sentiria ele? Quer dizer, sabia que aquilo era basicamente tudo o que sempre havia pedido na vida. Mas, merda, existia uma diferença gritante e ensurdecedora entre não ter seus malditos cios e ser tão cruelmente suscetível à feromônios ômegas e, bem, estar basicamente sem a porra dos olhos.

Certo.

Era aquele o momento de ter uma crise de pânico? Porque se sentia exatamente assim com a porra de um tubo de respiração artificial bem fundo em sua traquéia enquanto tentava chorar pelas desgraças da sua vida decentemente. O ômega (se é que ainda podia se denominar assim) sentia-se meio que sufocar no seu próprio desespero quando ouviu a porta se abrir e uma enfermeira baixinha de cabelos claros entrou no quarto apenas para se deparar com seus olhos castanhos muito abertos e completamente úmidos. Instintivamente, tentou sentir o cheiro dela. E, porra, aquilo lhe provocou outra crise de choro compulsivo que se resumia basicamente a engasgos sôfregos e meio desesperados e tosses doloridas em sua garganta seca. Não demorou dois segundos para a enfermeira acionar o botão de alerta do quarto enquanto dizia algo sobre tentar se manter calmo que logo um médico viria desobstruir suas vias respiratórias.

- Tente não forçar a garganta, querido, isso pode danificar sua traquéia permanentemente. O médico não vai demorar, enquanto isso fique com os olhos em mim e se acalme, está bem? - ela tinha uma das mãos no ombro do ômega, os dedos curtos apertando com gentileza enquanto os grandes olhos castanhos dela encarava seus grandes olhos também castanhos. Queria poder dizer que nada estava bem mas, porra, apenas ficou observando a forma como o queixo dela era como uma bolinha e imaginando qual seria seu cheiro. Se ela seria uma alfa, beta ou a porcaria de uma ômega assim como ele. Tentou com tudo o que tinha, porém apenas recebeu um par de olhos visivelmente preocupados em troca. Nada além disso. E, merda, não sabia o que fazer.

Apenas depois de quase um par de horas, quando sentia sua garganta ainda dolorida, mas livre de qualquer obstrução, foi que pensou seriamente em tudo o que havia acontecido. Recostado em sua cama enquanto a mesma enfermeira (que agora ele sabia se chamar Yumin) lhe dava sopa na boca enquanto falava sobre como esteve realmente preocupada com o ômega e como seu caso havia causado um burburinho tremendo no hospital porque, tipo, aparentemente havia sido um milagre acordar tão depressa. De qualquer forma, ele estava mais interessado em como sua vida seria dali em diante. Com a calmaria dos minutos, ele pôde perceber que aquilo não era exatamente o fim do mundo apesar de ser bem parecido. Poderia se adaptar, sabe, ele realmente poderia aprender a enxergar o mundo de outra forma. Tipo, quão difícil poderia ser ficar no escuro por um tempo? Quer dizer, ele tinha tido alguma sorte porque, basicamente, apenas essa merda havia acontecido de pior. Claro, se ele eliminasse as três vezes que seu coração havia parado na última semana, de acordo com Yumin.

Mas, bem, ele estava vivo não é?

E isso era bom. Era ótimo. Apesar das consequências, ele ainda podia respirar por si só e tinha total controle sobre sua própria cabeça e corpo novamente. Ele havia se saído muito melhor do que a mãe do Jeon e, porra, por que é que ele não havia se dado conta disso antes?

- Uh - falou depois de engolir mais uma colherada de sopa morna, sua garganta completamente dolorida deixava sua voz mais rouca que o normal. - Minha família este aqui?

- O que? - a enfermeira precisou pensar um pouco antes de responder porque estava perdida em seus próprios desvaneios antes de ser bruscamente interrompida. - Ah, sim. Claro. Seus amigos também. E seu namorado. Ele parecia bem mal, foi com muito custo que sua mãe no levou para casa ontem a noite.

- Meu namorado?

- É - deu de ombros como se aquilo não fosse uma grande novidade porque, porra, até onde sabia ele não tinha um. - O alfa bonitão, vocês ficam ótimos juntos, a propósito. Terão filhos lindos.

- Filhos?

- Sim - enfiou mais uma colher de sopa na boca já meio aberta (de surpresa) do ômega. - Se quiserem, claro. É muito comum casais optarem por não ter filhotes hoje em dia. De qualquer forma, parece que voltarão essa tarde. Então termine de almoçar para darmos um banho em você, uh, o que acha?

- Eu acho que posso tomar banho sozinho.

- Com essas pernas fracas? Acho que não - ela riu baixo antes de enfiar a última colherada goela abaixo do ômega. - Posso chamar um ômega, se isso te deixar mais confortável.

Então ela não era ômega. Certo.

Apenas concordou porque sentia-se cansado demais para qualquer coisa e, bem, sua cabeça estava girando na questão no "namorado" que ele não tinha. No final das contas, mais um par de horas se passaram até que o ômega estivesse devidamente em sua cama de hospital uma outra vez, já tomado banho e com suas próprias roupas que sua mãe havia deixado ali dias antes. Daquela forma se sentia incrivelmente melhor, quer dizer, ele ainda tentava reconhecer o cheiro de todos à sua volta apenas para se provar ser inútil, vez após outra. E mais uma depois. Então, quando a porta se abriu ruidosamente, o ômega apenas se encolheu enquanto esticava o braço esquerdo com o acesso venoso para Yumin que, mais cedo, havia lhe garantido que alguns exames precisariam ser feitos antes de que ele pudesse cogitar sair dali.

- Você não se cansa de me torturar? - falou baixinho com um sorriso no rosto enquanto encarava o mundo atravéz de sua janela. Havia percebido que não importa muito em não ter certeza sobre a classe de Yumin porque ela era uma pessoa legal. E, bem, ela era apenas uma pessoa no final. - Sua amiga não foi muito gentil com as minhas bolas durante o banho.

- Achei que apenas eu pudesse brincar com elas, Kim, que decepção.

Tudo aconteceu rápido demais. Quer dizer, poderia não ter mais a porra de um nariz mas seus ouvidos estavam perfeitamente bem para reconhecer aquela voz. A voz dele. Seu estômago deu três saltos ornamentais antes mesmo que o ômega pudesse seus olhos no alfa. E, porra, seria possível Jeon estar ainda mais quente do que antes?Realmente achou isso meio que um desrespeito, a forma como Jungkook parecia incrivelmente bem mesmo com as olheiras profundas sob seus olhos,
e o rosto ligeiramente mais magro do que ele se lembrava. Tipo, Jeon não parecia bem mas continuava gostoso para caralho mesmo assim. Bem, de qualquer forma a última coisa que o ômega teve tempo de fazer foi questioná-lo sobre qualquer coisa porque seus braços estavam em torno de si mais rápido do que poderia compreender, apertando forte seu corpo enquanto passava as mãos com gentileza pelos fios bagunçados e quebradiços do ômega. Tae demorou meio minuto para retribuir o abraço e, quando o fez, sentiu o mundo inteiro explodir atrás de suas pálpebras.

- Eu estava preocupado - o alfa falou baixinho muito próximo ao seu ouvido. - Eu estava tão preocupado, seu idiota.

- Jungkook...

- Eu não sabia o que fazer - continuou, ainda agarrado ao ômega como se não tivesse intenção de deixá-lo nunca mais. Não que Tae estivesse reclamando. - Eu odeio não saber o que fazer. Merda, Kim, o que deu na sua cabeça? Eu sei, eu sei. Eu deveria estar lá. Eu deveria te proteger. Eu...

- Jungkook... - o ômega se afastou apenas o suficiente para segurar o rosto do Jeon entre as mãos, os olhos muito negros grudados em si. - Você não tinha que fazer absolutamente nada além de estar exatamente aonde estava, com a sua mãe. Eu só... eu meio que entrei em pânico. Só isso.

- Você morreu - praticamente sussurrou. - Três vezes. Eu contei.

- Mas estou aqui agora.

- Você está - Jungkook voltou a abraçar o ômega com ainda mais força. - E eu juro, Kim, nunca mais vou te deixar ir a lugar algum.

- Claro que vai - sim, ele iria e iria porque Jeon era bom demais para qualquer coisa além de respeitar sua vontade.

- É, eu vou - dessa vez foi o alfa que se afastou, os olhos fixos em Taehy. - A menos que me peça para ficar. Por favor, seu idiota, me peça para ficar.

Taehyung sorriu com todo seu rosto quando trouxe o alfa para si, os lábios se encostando gentilmente, apenas o suficiente para ambos terem certeza de que o que estava acontecendo ali era recíproco. E era.

- Eu soube que tenho um namorado - falou ainda com os lábios encostados no do alfa. - Então talvez tenhamos que lidar com isso.

- Ele não vai ser um problema - garantiu com um sorriso bem preso em seu rosto. - Eu sinto muito, Taehy. Eu não deveria ter deixado as coisas dela espalhadas por lá e Yoongi, ele...

- Shhhh - pediu baixinho, um dedo entre os lábios muito próximos agora. - Sou um homem adulto, Jungkook, não culpe ninguém por minhas próprias ações quando eu sabia exatamente o que estava fazendo quando a peguei. As coisas só perderam um pouco do controle em algo não esperado. Apenas isso. E Min, ele não poderia ter feito absolutamente nada. Está bem?

O alfa assentiu.

- Que bom - deu mais um beijo curto nos lábios do alfa apenas para vê-lo sorrir enquanto ignorava a forma como seu estômago reagia.

- Ignore se vê-lo com um olho roxo - pediu num sussurro. - Eu só... você estava basicamente morto, Taehyung. Eu... ele nem ao menos revidou.

- Você socou seu melhor amigo? - "E ex namorado?" completou em pensamento.

Mais uma vez Jungkook assentiu.

- Talvez eu precise me desculpar com ele, então - puxou o alfa para mais um abraço. - Mas depois, agora só fique aqui.

- Eu vou - enterrou o nariz no pescoço do ômega e, pela primeira vez pensou em seu próprio cheiro. Quer dizer, ele não estava como... certo?

- Jungkook - falou baixo, a preocupação escorrendo entre suas palavras - Com o que eu cheiro?

Pela segunda vez o alfa se afastou, os olhos bem presos nos do ômega e havia tanto ali que, porra, Taehyung sentiu-se perder o fôlego apenas com a imensidão no azul.

- Exatamente como o amor da minha vida, Kim Taehyung. É assim que você cheira.

Certo.

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