• Get Out Of Here, Asshole •
A dor era quase insuportável, como uma maldita cãibra em seu pau duro e por todo o ventre e abdômen. Doía como o inferno e não importava a intensidade em que ele movia ambas suas mãos porque nada parecia aliviar. Taehyung odiava o cio e naquele momento se lembrou perfeitamente bem do porquê. A primeira vez foi aos quatorze anos em um dia na primavera, estava almoçando com sua família no jardim quando começou. Havia um jardineiro alfa velho o suficiente para ser seu avô e... bem, o primeiro cio sempre é o mais intenso. O Kim teve que ser trancado em seu quarto por vários dias inteiros enquanto gritava alto e suplicava por algo que ainda nem mesmo compreendia. Seu pai vinha visitá-lo regulamente, o único com permissão para entrar no cômodo. Ele lhe ensinou a usar alguns dildos e as próprias mãos, mas ao fim do quarto dia apenas pílulas supressoras foram capazes que parar os gritos. Desde então elas sempre estavam lá e ele nunca mais teve um cio tão difícil. Não até aquele momento.
Com a respiração ofegante e suor cobrindo todo o seu corpo, se arrastou até a pia. As mãos tetando em busca de algo melhor que seus dedos porque aquela merda definitivamente não estava funcionando. A primeira coisa que seus dedos alcançaram foi um tubo de pasta de dente meio vazio, o ômega rugiu em frustração jogando o objeto longe contra a parede. Um vidro de perfume caro foi atirado contra o box e logo depois um hidratante teve o mesmo destino. Taehy podia sentir o cheiro de um alfa muito próximo, um cheiro deliciosamente tentador que em qualquer outra ocasião ele teria parado para apreciar mas não naquele momento. Não quando todos os músculos do seu copo pareciam estar em combustão enquanto o incitava a abrir a porra da porta. Mas ele não iria. Não iria nem fodendo.
A próxima coisa que alcançou foi um desodorante meio vazio que fez seus olhos faíscarem em antecipação. Ele não tinha dildos há muito tempo (os desprezava completamente e nunca tinha um cio forte o suficiente para fazê-lo recorrer a eles), então aquilo teria que servir. Por deus, qualquer coisa meramente fálica serviria àquela altura do campeonato. Ainda encostado no armário do banheiro viu-se arreganhando as pernas o máximo que conseguiu para então enterrar a porra do desodorante no cu. Literalmente. E sim, ele tinha plena consciência de que não era um situação agradável e que aquele negócio deveria estar acompanhado de três dezenas diferentes de bactérias mas, bem, ele estava realmente pouco se fodendo para qualquer coisa no momento porque tudo o que conseguia pensar era em fazer aquela merda parar.
Gritou quando sentiu o objeto metálico em contato com sua próstata, enfiando-o mais fundo possível. Amassando o lugar vezes repetidas até que sua visão não passasse de borrões escurecidos e seus feromônios estivessem em todo lugar sufocando-o com seu próprio cheiro. Em algum lugar no fundo da sua cabeça, Tae sabia que qualquer alfa no perímetro o sentiria e sabe-se lá o que seria capaz de fazer. Essa parte do seu cérebro realmente gostaria de se preocupar com isso, queria realmente pensar em alguma solução pragmática e efetiva. Mas, porra, seu animal estava tão necessitado enquanto grunhia alto com a violência em que sua mão fazia o desodorante ir e vir dentro de si, amassando a próstata uma vez seguida de outra e outra e outra conforme seu pau vazava uma mistura de gozo e pré gozo que seria realmente difícil de reconhecer naquele momento. Quer dizer, estava bom o suficiente para que seu corpo escorregasse pela madeira até que seu quadril estivesse para cima e seus pés apoiados na parede oposta conforme fazia o objeto entrar mais fundo e sair e entrar ainda mais fundo, o quadril girando praticamente no ar e o corpo coberto de suor e desespero porque aquilo era a porra de um desodorante spray meio vazio e não um pau. E Taehyung precisava de um pau, um pau de um alfa. Um alfa com cheiro bom que estava próximo o suficiente para fazer seu ômega arreganhar-se como uma puta.
Uma batida forte se fez presente juntamente com um rosnado baixo, a porra do alpha delivery estava ali e parecia disposto a fazer seu trabalho. Para ser bem realista, qualquer alfa estaria mais do que disposto a fodê-lo naquele momento porque Taehyung sabia perfeitamente bem como seu cheiro podia ser viciante e convidativo, era exatamente por esse motivo que o odiava. Da última vez que um alfa além de sua mãe e irmã tinha sentido seus feromônios, bem, as coisas tinham se tornado desagradáveis demais em um espaço de tempo muito curto e ele realmente detestaria que isso se repetisse por, tipo, o resto da sua maldita vida.
- Caí fora, filho da puta - gritou conforme empurrava o quadril de encontro com a mão pelo que lhe pareceu a milésima vez no último minuto.
- Eu vim fazer o meu trabalho - o alfa do outro lado rosnou. - Não vou sair daqui sem receber.
- Foda-se.
- Posso ficar aqui o dia todo - disse.
Taehy sabia que era verdade porque qualquer outro alfa faria exatamente o mesmo. Na verdade, qualquer outro alfa já teria derrubado a porta estaria com o pau enterrado bem fundo no seu cu e pressas raspando sua pele porque eles eram animais. Todos eles. Inclusive ele próprio.
- Você não vai me foder - garantiu entre grunhidos baixos, os lábios completamente rasgados com a força que seus dentes faziam para manter os gemidos dentro de sua boca. - Puto de merda.
- Isso é realmente uma pena, cara, você claramente está precisando - o alfa estava mesmo zombando dele?
Taehyung simplesmente não podia acreditar na ousadia do babaca e estava prestes a soltar uma injúria quando sentiu que estava prestes a gozar mais uma vez então, bom, ele não era bom em se concentrar em duas coisas ao mesmo tempo. Gemeu alto quando empurrou o desodorante fundo, o quadril a centímetros do chão e pontos escuros turvando sua vista. Lambeu os lábios machucados e, por um momento, considerou abrir a porta e empinar a bunda para alfa apenas para sentir a porra de um nó dentro de si mesmo que nunca antes tivesse tido a experiência, seu ômega não parecia se importar com isso no entanto.
- Eu tomei supressores então não vou te atacar nem nada, é tudo profissional isso aqui - disse o alfa e Taehyung grunhiu com o pau pulsando, a respiração ofegante e suas mãos trêmulas demais para continuar. Os cabelos totalmente úmidos ao redor do rosto. Ele se sentia miserável. - E eu tenho uma coleira, você sabe, caso as coisas saiam do controle.
- Vai se foder.
- Na verdade eu estou aqui para foder você, docinho.
Estava definitivamente puto, quer dizer, a porra do seu corpo doía como o caralho, estava insatisfeito e com uma ereção que parecia nunca ter fim. Sua mãe e irmão haviam sido uns megeras ao levá-lo àquela situação e seu ômega parecia uma vadiazinha barata suplicando pelo pau do alfa que estava do outro lado da porta tranquilamente zombando de toda aquela merda. E isso era inaceitável para um senhor cacete já que tinha alguém sofrendo ali. Tipo, aonde estava o respeito? A porra da empatia tinha enfiado no cu ou simplesmente jogou fora no caminho? não sabia, mas se viu realmente emputecido o suficiente para arrumar forças sabe-se lá da onde para se pôr de pé e passar as mãos no fios desgrenhados sobre a cabeça entes de se enfiar num roupão e jogar seu desodorante arruinado no lixo. Respirou fundo antes de girar a chave e a maçaneta em seguida simplesmente porque estava muito a fim de jogar algumas notas na cara do filho da puta e olhá-lo nos olhos enquanto o mandasse a merda porque podia estar na porcaria de um cio realmente fodido, mas ele ainda era Kim Taehyung e Kim Taehyung não era um animal.
A primeira coisa que pensou quando abriu a porta foi que estava alucinando, claro, obviamente estava alucinando. Esse tipo de coisa era comum durante o cio, pelo menos era o que diziam os malditos livros. Depois, bem, depois ele apenas voltou a fechar a porta com força passando a chave e, literalmente, a jogando pela janela num surto desesperado porque seus olhos eram uns vagabundos meio míope mas não tanto.
"Puta que pariu, caralho" pensou ao se arrastar para o outro lado do cômodo, o mais longe possível da porta e se enfiar encolhido na banheira vazia enquanto ignorava com sucesso seu ômega, seu pau duro e o cu vazando. "Só pode estar de sacanagem com a merda da minha cara."
- Você é a porra de um ômega - o alfa falou do outro lado da porta, havia tanto em sua voz mas Taehy não estava com cabeça nenhuma para tentar decifrar. - Kim Taehyung é a porra de um ômega, puta merda.
- Eu não sei do que você está falando, seu bosta - Taehyung gritou com toda a força de seus pulmões, as pernas bem fechadas enquanto uma nova onda necessitada atingia seu corpo. - E também não sei quem é esse tal Taehyung. Você me confundiu com outra pessoa, vai embora porra.
- Cara, eu literalmente acabei de olhar para você.
- Vai embora, cacete! - gritou.
Por um momento o silêncio reinou e Taehyung apenas não se sentiu aliviado porque ainda era capaz de sentir o cheiro do merdinha do outro lado da porta. Na verdade, seu ômega rolava dentro de si enquanto empinava a bunda para Jeon Jungkook. Sua vida era mesmo fodida demais, fodida em um nível que não tinha nem mesmo como começar a descrever.
- Podemos entrar em um acordo? - Jungkook falou, parecia sério o suficiente para Taehy se empertigar involuntariamente em sinal de atenção. - Eu preciso que você responda, Kim.
- Você vai embora?
- Sim, mas preciso receber - claro que precisava ele era a porra de um prostituto. - E preciso que ninguém saiba sobre isso, nunca.
Aquela era obviamente uma situação delicada para ambos os lados. Jeon Jungkook prestava serviços como fodedor de ômegas por alguns trocados e Taehyung era um beta para todos os casos. Eram segredos grandes que poderiam arruinar suas vidas em proporções maiores ainda, ou seja, estavam basicamente no mesmo barco.
- Eu sou um beta - rebateu em contrapartida. - Para qualquer pessoa, eu sou um beta. Entende isso?
- Sim, claro.
- Ótimo, eu vou pagar você e então nunca mais vamos nos falar na nossa vida - Taehy se levantou rápido, os músculos doloridos e o pau ainda em aste mas esse não era o foco no momento. - E você vai parar de ser um pé na porra do meu saco.
- Eu não sou.
- Você é - rebateu.
- Ah claro senhor 'eu sou o maioral e foda-se o merda do alfa lúpus', sou eu mesmo que sou um pé no saco.
- Cala a boca - o ômega torceu o nariz quando já próximo do suficiente da porta ainda sem acreditar que não tinha reconhecido aquele cheiro detestável. - Você não está em vantagem aqui.
- Nem você.
É, ele não estava. Nenhum dos dois estavam. Então Tae apenas deu de ombros e jogou uma água no rosto, lavou as mãos e só quando pôs a mão na maçaneta foi que se lembrou que a chave estava, muito provavelmente, em algum lugar no gramado abaixo de sua janela. Revirou os olhos e quase riu de toda aquela merda, apenas quase porque seu corpo ainda estava o traindo como um sacana e ele tinha que se esforçar absurdamente para manter seu cu longe do pau do alfa.
- Uh, Jungkook...?
- Eu.
- Talvez, só talvez, eu tenha jogado a chave pela janela - confessou baixinho, as bochechas extremamente coradas com tamanha idiotice.
- Você é tão estúpido, Kim.
- Vai se foder, Jeon.
- Estou dispensando - houve um barulho do outro lado da porta, algo semelhante a um farfalhar de roupas sendo tiradas o que era um absurdo e Taehyung estava prestes a dizer isso quando seus pensamentos foram interrompidos pelo alfa. - Eu vou abrir essa merda e se não quiser levar uma porta no meio dessa cara de sapo, se afasta.
Não foi preciso pedir uma segunda vez porque o Kim realmente não estava em condições de ter um olho roxo ou um nariz quebrado ou qualquer coisa porque a sua cara era bonitinha demais do jeito que era e não importava se Jeon dissesse que parecia um sapo porque ele tinha espelhos muito bons que diziam o contrário todas as manhãs. De qualquer forma, se encolheu contra a parede e dois segundos mais tarde sua porta estava escancarada com uma fechadura arruinada e um alfa com dentes de coelinho com cabelos desgrenhados o encarando como se tivesse mais dois pares de cabeça sobre seus ombros.
Por um milésimo de segundo Taehy deixou cair seu olhar para as coxas bem servidas do outro apenas para descobrir uma ereção entre elas, o que era consideravelmente normal já que Jeon era um alfa lúpus e Taehyung estava no cio. Ainda assim, bom, ainda assim a porra seu cu se contraiu e ele teve que se apoiar na parede para não cair já que suas pernas eram umas merdinhas traidoras.
- Que foi? - o alfa perguntou com o semblante franzido, as sobrancelhas juntas e olhos tão azuis quanto poderiam ser.
O Kim sentiu seu ômega literalmente cair de joelhos e abanar a porra do rabo enquanto gemia suplicante para ser fodido. O que, claro, estava fora de cogitação. "Não fode, ele nem é tão bonito assim" pensou consigo mesmo, extremamente irritado com o animalzinho necessitado que era e com o pau pulsando por baixo do roupão.
Jungkook ainda esperava uma resposta.
- Nada - grunhiu. - Só sai de perto de mim, seu pau no cu.
- Quantas vezes você gozou?
- Acho que isso não é da sua conta, Jeon - Taehyung havia parado de contar na sétima vez mas nunca diria isso a ele.
- Faz parte do meu trabalho.
- Pro inferno você e seu trabalho de merda - grunhiu porque estava ficando realmente difícil manter suas mãos longe do alfa. - Podemos andar logo com isso?
- Uh, certo, tanto faz - Jungkook deu de ombros e saiu do banheiro em passos rápidos.
Levou certa de dois minutos até que Taehyung recobrasse a sensibilidade nas pernas o bastante para parar no batente da porta enquanto observava Jeon remexer na própria mochila que estava jogada em sua cama desarrumada. Ele estava de costas com o corpo suavemente curvado para frente e Taehy teria que ser a porra de um cego para não perceber como suas costas malhadas era, para dizer o mínimo, apetitosa. Quer dizer, Taehyung não era um ômega comum em todo caso então lá estava ele, a cabeça pendida para o lado enquanto imaginava como seria ter um alfa lúpus o fodendo, ainda mais um alfa lúpus tão merdinha como Jeon Jungkook. Porra, ele literalmente quase gozou com a ideia.
- Aqui, toma isso - o alfa jogou um frasco com comprimidos em seu peito. Taehyung teve que fazer uma acrobacia com os braços para não deixar cair. - São inibidores, vai ajudar a aliviar. O mais recomendado seria me deixar fazer meu trabalho, mas você é um bosta, Kim, e nem fodendo que vou pôr meu pau em você.
- Supondo que eu deixaria, tsc tsc - ele engoliu dois comprimidos de uma vez, tinha um gosto horrível mas nada diferente do que estava habituado. - Sinto muito, mas não vai ser hoje que você vai foder minha bunda gostosa, Jeon.
- Estou tão triste por isso, Kim - zombou. - Não está vendo minhas lágrimas?
- Babaca.
- Otário.
O ômega poderia dizer que estava se sentindo um pouco melhor depois de um par de minutos, a rapidez e eficácia daqueles comprimidos o fez olhar o rótulo porque definitivamente os compraria da próxima vez. Porém não havia nada ali, apenas um frasco de vidro escuro.
- Minha mãe que faz - Jeon justificou depois de um tempo. - Ela é tipo um botânico ou algo assim.
- Eles são bons.
- O mais eficaz que já vi - deu de ombros. - Eu estou pronto para receber agora, Kim.
- Claro que está.
Taehyung pegou a carteira na mesa de cabeceira e tirou três notas de cem, provavelmente era mais do que o suficiente porém ele não estava com ânimo para discutir os preços de uma "não foda" com o Jeon. Para ser sincero, ele estava bem cansado. Era como se tivesse corrido uma maratona por horas a fio mesmo que seu relógio marcasse pouco mais das onze. É, ser um ômega era mesmo uma merda sem tamanho.
- Eu poderia comprá-los, são melhores que os meus - disse ao estender as notas.
- É, mas não estão a venda - Jeon franziu o cenho ao ver a quantia, pegou uma nota e estendeu duas de volta. - Seu troco.
- Pode ficar.
- Não quero - havia algo ali na forma como suas palavras soaram ríspidas, quase enfurecidas. - Mas preciso dos inibidores de volta.
- Certo.
Seus dedos quase se tocaram quando Taehyung lhe entregou o frasco sentindo-se realmente curioso sobre aqueles comprimidos que foram capazes de calar seu ômega em poucos minutos. Muito eficaz, totalmente tentador. Ele provavelmente gastaria um bom dinheiro neles, dinheiro suficiente para que Jeon não precisasse sair por aí fodendo ômegas no cio. E Taehyung poderia dizer isso, realmente poderia, mas a expressão de poucos amigos no rosto do alfa o fez mudar de ideia porque, independente de qualquer coisa, Taehyung sabia reconhecer os limites quando lhe eram impostos. E ali ele estava claramente diante de um.
- Uhm, eu vou indo então - colocou o casaco de a mochila nas costas antes de passar os dedos pela franja totalmente desalinhada. Taehyung quis lhe dar um pente mas então se deu conta de que estava parecendo um leão ou pior. - Isso nunca aconteceu, ok?
- Definitivamente não.
- Bom.
- Você... uh, você sabe o caminho?
- Acho que consigo achar sozinho, Kim, sua casa é grande mas não é a porra de um palácio - e lá estava a voz de um alfa puto da vida. Taehyung se obrigou a não recuar. - Mimadinho de merda.
- Eu poderia desenvolver uma dissertação sobre o quão você está enganado, mas não quero olhar para essa sua cara por nem mais um segundo sequer - Taehyung se jogou na cama, o corpo afundando no colchão macio. - Caí fora, babaca.
- Foi um desprazer, merdinha.
Jeon Jungkook fez questão de bater a porta ao sair e o Kim se deu conta de que estava prendendo a respiração apenas quando não conseguiu mais .
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