› you're more than yours scars

Eles passaram todo o cio juntos. Seis longos dias, tempo suficiente para estabelecerem uma rotina que se baseava entre fodas quentes, abraços apertados e Louis sendo adorável para cacete inclusive enquanto reclamava sobre o quanto Styles podia ser um bagunceiro inconsequente. Mas, bem, o tempo não é eterno e, inevitavelmente, aquela bolha que haviam construído teria que ser estourada e, porra, Harry se sentia miserável ao final do sexto dia ao observar Tomlinson arrumando suas coisas dentro da mochila com toda a atenção do mundo. Enrolado nos lençóis completamente nu com o corpo coberto de marcas e mordidas e impregnado pelo alfa, os cabelos totalmente desgrenhados e com uma sensação estranha na base do estômago, Harry não queria ter que se despedir. E, se fosse sincero o suficiente, saberia que dificilmente as coisas seriam semelhantes do outro lado da porta porque, inferno, eles eram dois teimosos para cacete e ambas as vidas eram fardos pesados demais do qual nenhum deles podia se desfazer.

- Você não precisa continuar agindo como se estivessemos morrendo, Styles - o alfa falou enquanto guardava a coleira de couro repleta de marcas de dentes.

Harry grunhiu meio irritado e sem vontade nenhuma de responder, finalmente desgrudando os olhos do alfa e encarando o teto branco enquanto pensava que, sim, era exatamente como se eles estivessem morrendo porque aquilo que havia acontecido nos últimos dias não sobreviveria ao mundo real porque na porra do mundo real Harry odiava alfas e Louis fodia ômegas.

- Ei - o alfa sentou na cama, uma das mãos correndo pelos cabelos do Harry e desfazendo os nós nos cachos com delicadeza. - Vai ficar tudo bem.

- Você é um péssimo mentiroso, Tomlinson - meio rosnou com os olhos ainda fixos no teto enquanto se obrigava a não aninhar-se no toque do outro.

- O que aconteceu com o "Lou"?

Louis estava sorrindo com sua língua entre os dentes e as ruguinhas adoráveis ao redor dos olhos e, porra, Harry realmente se sentia fraco por aquilo. O que era, diga-se de passagem, totalmente estranho já que semanas antes jamais consideraria nem ao mesmo permanecer por mais que um par de minutos no mesmo cômodo que o alfa. E agora, bem, agora ele simplesmente queria trancar a porcaria de porta e se perder entre aquelas quatro paredes para sempre apenas porque a vida ali dentro parecia mais fácil. A vida com ele parecia mais fácil.

- Idiota - murmurou num bufo.

O alfa riu alto antes de se curvar sobre Harry e deixar-lhe um beijo casto na ponta do nariz.

- Não haja como se fôssemos desconhecidos - pediu baixinho.

"Mas que porra...?" Harry pensou meio em desespero meio choroso porque... inferno, porque aquilo parecia tanto com a porra de uma súplica? Porque havia tanto naqueles olhos profundos e azuis? E, merda, porque ele só queria chorar e fazer algo com a sua vida além de deixar o alfa passar pela sua porta para nunca mais voltar?

- Louis, eu...

O que Harry queria dizer? Bem, ele poderia falar um milhão de coisas sem sentido apenas para rodear e procrastinar aquilo que realmente tinha a dizer. A questão era que, bem, ele sentia-se pronto o suficiente para garantir que isso não iria acontecer, toda a questão de agir como se fossem desconhecidos. Quer dizer, eles eram adultos ali e tinham divido a cama por longos seis dias, não era como se pudesse apagar tudo de qualquer forma. Não era como se ele quisesse isso. E era exatamente essas palavras que seu cérebro estava processando para falar quando o celular do alfa tocou estridente pelo cômodo. Era a primeira vez que aquilo acontecia em dias porque, aparentemente, não precisavam mais garantir que não fossem interrompidos. Porra, Harry ainda tinha porra seca no canto dos lábios e seu cu nem ao menos tinha parado de arder. O ômega estava realmente a fim de ficar irritado com a indelicadeza quando notou o cenho franzido do alfa para a tela, mas não apenas isso, havia algo muito perto do desespero ali.

Certo, talvez alguma coisa importante tivesse acontecido. Ou pior, talvez tivesse sido alguma coisa ruim.

- Sim? - Tomlinson falou ao telefone, os olhos presos em algum ponto imaginário na parede enquanto apertava a própria coxa com a mão livre. - Entendi. Sim. Uh. Me dê uma hora, tudo bem? Certo, obrigado cara.

Levou cerca de meio minuto até que o alfa se levantasse em silêncio e começasse a jogar suas coisas de qualquer jeito na mochila, as mãos meio trêmulas e o cenho mais franzido do que nunca. Ok, algo definitivamente não estava certo. Harry se sentou na cama meio preocupado com a forma como Tomlinson parecia prestes a desmoronar e, também, ansioso demais para falar alguma coisa enquanto o via se movimentar rápido pelo quarto como se fosse seu. Arrastou os joelhos o suficiente para apoiar o queixo neles enquanto mordia os lábios suavemente e pensava no que fazer em seguida.

- Quem era? - perguntou, a voz o mais suave possível porque não queria parecer invasivo, porra, ele só estava preocupado.

- Uh?

- No telefone, era alguém importante? - alfa apenas deu de ombros enquanto se livrava de uma camisa do arsenal e trocava por uma preta lisa. - Tudo bem se não quiser me contar, eu só... você não me parece bem.

- Era o Zayn - falou meio apressando conforme colocava os tênis.

Certo, Harry queria queria vomitar.

- Não faz essa cara, Styles - continuou sem nem ao menos precisar olhar para o ômega. - Ele é meu amigo e o único que sabe como as coisas podem ser uma merda.

Tudo bem, Louis estava certo e o ômega sabia perfeitamente bem disso. Mas, porra, eles tinham acabado de passar dias incríveis e cheios de completa intimidade para tudo terminar com uma ligação do ex namorado? Quer dizer, Zayn era um cara legal e tudo mais, e Harry tinha quase certeza de que não havia absolutamente nada entre eles, ainda assim sentia-se prestes a sufocar em sua própria garganta. Harry sentia-se estranho o bastante para se encolher de volta na cama e morder o interior da própria bochecha para não deixar que todas as merdas no seu peito saíssem pela sua boca. "Eles são amigos, idiota, não é como se o Louis fosse sair correndo para pôr um nó na bunda dele logo depois de tirar o nó da sua bunda. Não é?" pensou amargamente enquanto via o alfa jogar a mochila nas costas e arrumar os cabelos com os dedos. Ele parecia terrivelmente gostoso no jeans escuro, quase como a porra de uma perdição. Seria errado Harry querer amarrá-lo ao pé de sua cama para nunca mais o deixar ir? "Claro que seria, idiota", respondeu por si só.

Harry se sentiu minúsculo quando o alfa se sentou novamente na sua cama, as feições escurecidas e um brilho completamente incompreensível nos olhos mas, ainda assim, levou sua mão até o rosto do ômega e deixou os dedos meio trêmulos passear por toda a pele ali apenas para parar na mandíbula bem delineada o suficiente para dar uma apertada leve. É, Harry sentia-se completamente minúsculo em seu próprio colchão enquanto tentava desesperadamente não se agarrar ao corpo de Louis Tomlinson como a porra de um carrapato para nunca mais soltar.

- Eu e Zayn não somos esse tipo de coisa há muito tempo, Harry - falou baixinho, a mão ainda no queixo do ômega. - Mas nós crescemos juntos e ele sempre está lá para quando eu preciso. E eu preciso agora, então o que acha de desfazer esse rosto e sorrir? Você fica completamente adorável quando sorri, sabia?

Ele não queria sorrir, ele não queria absolutamente nada além de gritar coisas que nem mesmo seu próprio cérebro parecia pronto para discernir. Sua cabeça estava confusa para um senhor caralho e seu corpo dolorido em todos os lugares depois de uma maratona de sexo. Tudo o que ele deveria querer era a porra de um banho quente com sais bem cheirosos, talvez uma massagem e pôr os estudos em dia. Quem sabe, posteriormente, veria um filme com Niall enquanto o beta lhe deixaria à par do mundo real. Mas, merda, ele não queria nada disso porque tudo o que ele queria era ser a pessoa que estava lá para quando Louis precisar. Merda, quem ele estava querendo enganar mesmo? Tudo o que ele queria era estar lá para Louis em qualquer momento.

- Me conta o que aconteceu - sussurrou baixinho, o rosto completamente vermelho porque não queria invadir nenhum espaço pessoal mas também precisava saber porque ele parecia tão... sei lá, desesperado. - Por favor.

Tomlinson pareceu ponderar se devia ou não dizer qualquer coisa, porém no final de alguns segundos tudo o que fez foi afastar suas mãos e se curvar sobre o próprio corpo com os cotovelos no joelho, garantindo deixar o rosto longe do ômega assim como de seu olhar. Era como se Louis quisesse surtar mas estivesse se controlando a muito custo.

- Louis? - chamou realmente preocupado.

- Eu tenho esse trabalho e, geralmente, é de apenas uma noite. Talvez duas, no máximo - começou baixo, a voz arranhando na garganta. - Quase nunca fico longe o bastante para acontecer alguma coisa. Mas, merda, eu tive que ficar. Eu venho ficando longe demais desde que... porra.

"Desde que começamos com isso" Harry terminou em sua própria cabeça porque se sentia incapaz de pronunciar as palavras que ambos já sabiam.

- O Zayn sempre fica de olho nela, sabe, passa lá pelo menos uma vez por dia quando não estou - continuou. - Tinha quase cem ligações perdidas dele nos últimos dois dias. Cem, porra. E eu não vi nenhuma.

Merda.

- Louis eu... - mais uma vez Harry se levantou, os olhos fixos nas costas o alfa e uma luta interna sobre tocá-lo ou não acontecendo a todo vapor. - Eu sinto muito, de verdade. Me desculpe.

Tomlinson se virou rápido, os olhos muito azuis cheios de dor enquanto pareciam prestes a ruir em lágrimas. Porra, seria muito errado abraçá-lo agora quando tudo o que quer que tivesse acontecido era sua culpa? Harry não sabia, então não permitiu-se se mover nem mesmo um centímetro qualquer e não importava quanto seu corpo implorasse. Mas, no final das contas, não foi preciso porque Louis o abraçou com força. Louis o abraçou como se aquilo fosse a única coisa boa em sua vida e, porra, Harry não podia mais controlar a si mesmo porque, meio segundo depois, estava agarrado ao alfa enquanto seu coração parecia prestes a explodir dentro do peito sem motivo algum.

- Não peça desculpas, idiota - o alfa falou muito perto de sua orelha, a respiração quente em sua pele fazendo o ômega se aconchegar como se estivesse em casa. Como se sua casa fosse no abraço de Louis Tomlinson. - As merdas da minha vida não são sua culpa, apenas as coisas boas são.

- Lou - susurrou sentindo-se estranhamente fraco de um modo que não tinha absolutamente nada a ver com sexual.

- Eu estou feliz, Harry, realmente feliz por ter tido esses dias com você - continuou, ainda o abraçando fortemente. - A vida do lado de fora desse quarto não parou e não deveria parar, foi minha escolha ficar com você e eu a faria um milhão de vezes novamente se fosse preciso porque... porra. Eu só a faria.

Harry se sentiu aliviado e incrivelmente estranho com aquelas palavras sussurradas entre desespero em um abraço que parecia lhes consumir como fogo em brasa. E ele se sentia assim apenas porque poderia facilmente fazer delas as suas próprias palavras.

- Minha mãe está no hospital e eu preciso ir - falou ao romper o abraço, os olhos úmidos bem presos nos do ômega. - Eu preciso ir.

- Mas você não quer.

- Não - confessou como se fosse um pecado. - Eu não quero e me sinto um merda por isso.

Dessa vez foi a mão do ômega que passeou pelo rosto do Tomlinson, a ponta de seus dedos raspando na barba rala e secando as lágrimas meio fugitivas antes de segurarem o rosto do alfa entre si, o polegar perigosamente perto dos lábios depois de ficarem ali por mais tempo que o necessário. Mas Harry não se importava porque seu peito estava em chamas e ele corria sério perigo de entrar em combustão se não fizesse algo por Louis. Se não o deixasse saber que o mundo não estava em suas costas e que tudo bem querer se desfazer de seus próprios pesos, às vezes.

- Eu não sei nem mesmo um mísero terço da sua história - começou enquanto seus olhos se perdiam nos dele. - Eu não sei nada sobre suas lutas, Louis, mas eu sei que tudo bem se cansar de levar a porra do mundo nas costas às vezes. Tudo bem querer se despir de nossas dores e está tudo bem também apenas querer correr para longe de onde a bosta fede. Eu quero isso todos os dias da minha vida e, de vez em quando, eu o faço. É bom fingir que não há nada do que me envergonhar sob minha pele. É como tomar ar puro. E está tudo bem porque somos mais do que nossas cicatrizes. E você é muito mais do que as suas.

Louis permaneceu em silêncio enquanto sua garganta meio que fungava no esforço que fazia para não chorar. Porra, o alfa parecia tão pequeno aquele momento. Tomlinson parecia exatamente o menino que era, o menino que teve que crescer rápido demais, o menino que teve que vender o próprio corpo para sobreviver porque o caralho do mundo todo tinha pisado sobre seus ossos. Naquele momento, tudo o que Harry via era alguém perdido dentro de suas próprias escolhas com merdas até o queixo querendo apenas algo que o deixasse limpo por alguns segundos que fosse. Naquele momento, Harry conhecia mais uma parte do alfa. Uma parte que jamais, em toda a sua vida, poderia esquecer. Naquele momento ele via que Louis Tomlinson era apenas Louis Tomlinson, lutando contra a vida em cada pedacinho de sua própria existência. Naquele momento, Harry realmente pensou que poderia amá-lo.

"Você já ama" alguém dentro de sua cabeça falou e, bem, Harry não sentiu necessidade de discordar. Não quando segurava o rosto do alfa entre as mãos e enxergava como sua alma era luz e escuridão em proporções mal colocadas. Exatamente como a sua própria.

- Há um tempo você disse que não poderia me curar - ouviu-se falar sem ao menos pensar direito nas palavras. - Estava errado, Lou, não sou eu quem precisa de cura. Minhas cicatrizes estão dentro da minha própria cabeça e, dificilmente, elas vão a algum lugar. Eu já aprendi a aceitar isso, mas você não precisa. Você não precisa aceitar nada porque ainda pode mudar, ainda há cura para você. E eu...

- Você e o remédio - o alfa interrompeu soando completamente esperançoso e Harry se sentiu miserável por ter que dizer não.

Porque não, ele não era.

- Não - disse o mais baixo de conseguiu. - Mas posso te ajudar a encontrá-lo.

Tomlinson assentiu depois de um par de segundos, parecia desapontado mas também satisfeito e Harry não procurou tentar compreender, não quando sua cabeça já estava tão confusa com tudo o que estava acontecendo dentro de si mesmo. Então apenas assentiu com ele, as mãos deixando seu rosto como se fosse preciso grande força de vontade para fazê-lo. Seus dedos tremiam suavemente, mas ao ponto do ômega ter que embolá-los no lençol para que não fosse pego. O ar do cômodo parecia pesado, quase sufocante mas isso, definitivamente, era coisa da sua cabeça e da forma como estava incrivelmente difícil de respirar.

- Eu tenho mesmo que ir agora - Louis falou ainda que seu corpo não tivesse se movido um centímetro sequer. - Zayn está com ela e, porra, eles estão lá também.

- Eles?

- Mark e Charlotte - praticamente cuspiu os nomes. - Eles precisavam de algum parente consanguineo para dar entrada no hospital.

- Você quer que eu...? - Harry mordia os lábios com mais força do que o normal apenas porque queria muito que a resposta fosse sim. Na verdade ele apenas queria saber que Louis o queria por perto.

- Não - o alfa passou as mãos pelo rosto parecendo extremamente cansado. - Eu vou ficar bem, Harry. Já estou acostumado a lidar com essas situações.

- Você não deveria estar.

- Eu não deveria tantas coisas - havia uma imensidão de significados naquelas palavras, tantas quantas possíveis e todas fez algo em Harry se partir. - Vou pedir para o Zayn te manter informado, seja legal com ele, ok?

- Eu sou legal.

- Não quando está está com ciúme - o ômega fez uma careta azeda mas não discordou porque, bem, ele conseguia ser bem patético quando com ciúme. - Você é adorável, Harry Styles, não faça eu me arrepender de dizer isso.

Ele iria, ambos sabiam disso mas, porra, às vezes estava tudo bem ignorar.

- Sobre nós... - Harry começou antes que perdesse a coragem.

- Existe um nós?

Certo, essa era uma boa pergunta. Na verdade, era uma pergunta crucial em toda aquela situação. Existia um "nós" ou eles eram apenas Louis e Harry, um alfa e um ômega que haviam passado dias a fio fodendo como animais? Bom, Harry não sabia como responder sem deixar explícito que ele queria, porra, ele queria demais que houvesse um nós.

- Me mande notícias - pediu quando não encontrou nenhuma resposta despojada para dar. - Realmente me mande notícias. E ligue. Me ligue se precisar de algo.

- Eu vou.

- Uh, certo.

- Certo.

Sem aviso nenhum, Louis deixou um beijo rápido nos lábios do ômega antes de praticamente correr até a porta e, só quando já estava com a mão na maçaneta, foi que se virou e encarou Harry com mil e uma palavras não ditas dento dos olhos muito azuis.

- Harry, eu... - começou devagar, as palavras meio trêmulas nas vogais. - Eu realmente gostaria de poder ficar.

"Então fique" seu ômega gritou egoísta no fundo de sua cabeça. Mas, ao invez de imitá-lo, Harry apenas assentiu enquanto via o alfa se perder do outro lado da porta. Só então se jogou novamente na cama, os cabelos ao redor do travesseiro e permitiu-se respirar enquanto pensava no que diabos havia acontecido ali e em como ele sentia seu coração pesado no peito.

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