› it's not about hate

Não era como se Harry odiasse alfas. Ou ômegas. Ou qualquer pessoa. Na verdade ele apenas não gostava de como as coisas funcionavam. Tipo, toda essa coisa de classes e feromônios e evolução. Achava tudo uma grande besteira porque no final eram todos apenas homens e mulheres tentando sobreviver. Todos realmente iguais com dois olhos e polegares opositores. Qual era o sentido de tudo aquilo então? Bem, ele não sabia e não gostava de não saber. Harry Styles era prático e pragmático demais para um ômega, como diria sua mãe. Mas, bem, ele que estava nem aí porque sabia ser bem mais do que isso. E, por isso, fazia questão de dizer a todos que conhecia que era um beta. Além de ser uma forma de sobrevivência já que ômegas mal tinham liberdade para qualquer coisa sem ter um bando de alfas cheios de feromônios na cola babando como se diante de um osso suculento. E Harry odiava a ideia de servir de alimento sexual a qualquer pessoa, principalmente àqueles capazes de fazer algum mal significativo devido à sua natureza. Então ele estava bem em apenas andar por aí como um ser humano comum ignorando os efeitos colaterais dos seus inibidores e o fato de existir a porra de um útero dentro do seu corpo. Harry estava bem se dedicando ao estudos e garantindo que nenhum alfa babaca passasse dos limites com qualquer ômega ou beta do qual ele estivesse perto. Porque sim, Harry poderia ser um ômega, mas isso não significava absolutamente nada além de um erro genético evolutivo.

- Ei, cara, você está me ouvindo?

Não, ele não estava. Mas claro que não diria isso ao seu amigo beta porque se o fizesse teria que explicar como sentia sua pele quase derreter e as pernas tremerem e o coração bater duas vezes mais rápido. Teria que explicar que seu cio estava próximo e que isso era uma droga. E então teria que justificar porque diabos ele teria um cio se era um beta. Então, não, ele não diria a Niall que não estava escutando.

- Claro, idiota - resmungou, o lápis batendo no livro de anatomia enquanto fingia prestar atenção na história da classificação das espécies.

- Uh, certo - Niall era um cara legal, trabalhava em uma padaria em meio período e vivia sozinho em um apartamento pequeno próximo do campus. Harry gostava da normalidade que o amigo exalava. Não havia nenhum cheiro incômodo ou olhar petulante, havia apenas seu sorriso largo e cabelos loiro de farmácia. - Então...?

Harry tentou se lembrar de alguma coisa, fez um esforço quase sobrehumano para isso. Em vão, obviamente. Ele não era muito bom em se concentrar em mais de uma coisa ao mesmo tempo e, minutos antes, estava ocupado demais maldizendo a biologia que o havia feito como ômega para ouvir o amigo e suas ladainhas intermináveis. Quer dizer, ele realmente gostaria de ter ouvido mas não foi possível. "Sinto muito, Niall, temos coisas mais importantes para pensar no momento tipo, você sabe, essa droga de sociedade" pensou enquanto mordia a ponta do lápis com seus dentes de coelho e lançava olhares silenciosos e suplicantes implorando por uma explicação.

- Tem uma festa hoje e nós vamos, já falei com a Kacey e está tudo bem por ela. Então não aceito um não como resposta e fim de papo.

Niall era irritante quando queria, era mandão e tinha muitos amigos. Muitos amigos alfas. O que não seria um grande problema para Harry em qualquer outra situação, mas seu cio estava próximo demais para que ele se desse ao luxo de se enfurnar em um lugar fechado com dezenas de alfas bêbados demais para se controlar. Então sim, Niall teria que aceitar um não porque não havia outra resposta a ser dada. No entanto, por outro lado, Harry pensou em Kacey. Ela era a coisinha mais adorável do mundo e uma das poucas ômegas que estudavam medicina já que era um curso totalmente elitista e o caralho a quatro. E, bem, ela iria. Uma ômega com um bando de alfas bêbados demais. Harry não era excelente em matemática mas sabia perfeitamente bem que essa era um conta desastrosa. Era quase como atiçar fogo em pólvora e Harry jamais poderia confiar em Niall para proteger a amiga já que com duas doses de destilado o loiro provavelmente já estaria dançando sobre mesas.

Harry respirou fundo e resignado, ele era uma boa pessoa. Boa até demais, às vezes. Checou o aplicativo de controle no celular e o mesmo dizia que ele ainda tinha dois dias antes das coisas ficarem ruins a ponto de ter que triplicar os inibidores (sem prescrição médica, mas dane-se porque ele fazia medicida e podia tomar algumas pílulas se quisesse).

- Você tem certeza de que não é um alfa? - zombou. - Manda como um.

- É só uma festa, cara - o loiro revirou os olhos impaciente. - Você nunca vai nas festas, você nunca vai a lugar nenhum além dessa biblioteca. Você é estranho.

- Sou um aluno dedicado.

- E eu também - Niall fechou todos os livros sobre a mesa e os arrumou em pilhas. - Mas também somos jovens e homens viris. Betas também têm necessidades, você deveria saber disso.

- É, é. Claro.

Harry deixou que o amigo arrumasse seus livros antes de enfiá-los todos na mochila e o acompanhar para o lado de fora do grande prédio de mais de trezentos anos que era a biblioteca. O cheio de chuva de verão e terra molhada quase o sufocou com sua intensidade, porra, como Harry odiava seu maldito olfato. Torceu o nariz disfarçadamente quando um alfa com cheiro de hortelã e alcaçuz passou sorrindo ao seu lado, os braços ao redor de uma beta baixinha com olhos brilhantes por ter a atenção de um alfa. Patético.

Era quase duas da tarde e eles teriam aula de abordagem clínica, era uma das poucas na parte da tarde e a professora era uma alfa impertigada com o peito estufado como se fosse a dona do mundo. Harry gostava dela, ainda assim. Chegaram cedo na sala, não haviam muitas pessoas ali. A classe era composta basicamente por alfas e betas, Kacey era a única ômega (além de Harry mas ninguém precisava saber). Ela estava encolhida na carteira de sempre com seus cabelos bem presos em uma trança lateral e os olhos astutos em seu cadernos de anotações. Kacey Musgraves era a pessoa mais inteligente daquele lugar, de longe. Só que, bem, ela era uma ômega e ômegas não tinham credibilidade. Porra, como Harry odiava isso. Se sentou de um lado da garota e Niall do outro. Não demorou muito para que Maya se sentasse ao lado do Niall e Liam se juntasse logo em seguida porque eles meio que estavam saindo.

Kacey torceu o nariz para o cheiro do alfa e Harry se obrigou a ter todo o controle do mundo para não fazer o mesmo. Liam Payne cheirava a nabos recém colhidos, era um cheiro estranho para um alfa. Harry não gostava e Kacey, aparentemente, também não.

A aula estava prestes a começar quando ele entrou na sala em seus passos precisos como se fosse a porra do dono do lugar apenas porque alfa lúpus estava escrito na sua cara. Aghr como Harry o odiava. Odiava seu cheiro insuportável e sufocante, odiava a maneira como Tomlinson olhava para todos como se não merecessem estar no mesmo ambiente que ele. Odiava como todos pareciam dispostos a estender um tapete vermelho e lamber seu saco como filhotinhos de cachorro desesperados por atenção. Harry odiava como até mesmo Kacey parecia afetada à ele com suas bochechas coradas e pernas bem fechadas sob a mesa. Qual é, ele só cheirava a azevinho e narcisos com um leve toque de limão siciliano (Harry tinha mesmo um ótimo olfato), nem era um cheiro tão bom assim.

Logo depois dele vinha seu melhor amigo que parecia ter adotado uma taturana no meio da testa de tanto de mantinha o cenho franzido. Sério, eles estudavam juntos há três semestres e Harry nunca o viu sorrir. Nenhuma vez sequer. Nadinha. Sempre com um mal humor constante e incapaz de olhar para qualquer pessoa sem desdém. Em contra partida, Zayn Malik tinha um cheiro bom. Harry poderia até dizer que era o alfa mais cheiroso daquela universidade. Talvez por isso a carranca, quer dizer, se Harry fosse um alfa ele também não iria gostar muito de cheirar à tutti frutti. De qualquer forma isso não anulava o fato dele ser um babaca com qualquer um além do seu círculo social. O qual não incluía Harry e seus amigos, então não havia sido pouca as vezes em que Zayn os olhasse como se não passassem de resto de esterco. É, um tremendo alfa babaca com cheiro de ômega. Quase uma piada do destino.

Harry tentou ignorar a forma como Liam parecia inquieto enquanto fazia suas próprias anotações ao lado na namorada (?). Tipo, eles eram um ótimo casal apesar do alfa ter um dedo realmente podre para amigos. E Maya parecia gostar dele e de toda a sua gentileza e oferta de flores diárias. Tipo, às vezes ela até passava perfumes de feromônios por ele. O que era ridículo, obviamente. Quem em sã consciência iria querer ser um ômega quando podia ser um beta? Harry não sabia os outros, mas faria qualquer coisa para ser beta de verdade. De qualquer forma, Liam parecia inquieto. O nariz torcido como se tivesse sentindo um cheiro muito ruim. Muito ruim mesmo porque até mesmo sua expressão não estava suave como sempre. Ele parecia irritado. Seu alfa parecia irritado, quase como se estivesse sendo desafiado.

Styles varreu os olhos pela sala tentando encontrar o motivo daquilo, em vão claro porque todos pareciam normais. Toda aquela mistura de cheiro o deixava incomodado, mas ignorou o embrulho no estômago e se concentrou em seu próprio cheiro. Nada. Isso era bom. Ele cheirava ao shampoo de cereja que havia usado pela manhã exatamente como um beta deve cheirar. Perfeito. Então o que diabos havia de errado com Liam Payne?

A aula terminou antes que Harry pudesse encontrar uma resposta. E, antes que pudesse fazer algo a respeito, Louis e Zayn falavam alguma coisa com Liam. Muito próximo. Quase perigosamente próximo. Quer dizer, Harry sabia que os inibidores funcionavam bem com a maioria dos alfas e ômegas, mas nunca tinha testado em um lúpus. Eles eram mais fortes e seus sentidos quase quatro vezes mais apurados então não havia garantias. E, bem, Harry não podia simplesmente ficar sentado enquanto corria o risco de ser descoberto por ninguém menos que a porra do Tomlinson.

- Eu tenho que ir - sussurrou para o amigo depois de deixar um beijo carinhoso nas bochechas gordinhas e coradas da Kacey. - E sobre a festa, a resposta é não.

- Não seja tão pé no saco, Harry - Niall resmungou em resposta.

- Desculpa, cara, noite em família lá em casa - uma tremenda mentira deslavada, mas ninguém precisava saber. - Fica de olho de Kacey, não confio nesses alfas idiotas.

Niall assentiu já desgostoso o suficiente por ter que ir sem o melhor amigo. E, ainda por cima, ter que ficar de babá. Harry deixou um beijo carinhoso em Niall também e outro na Maya antes de pegar sua mochila e ajeitar em suas costas. Só quando estava prestes a dar o primeiro passo que sentiu uma mão segurando sua mochila. "Claro, mas é claro que ele tinha que encher minhas bolas. Olha, meu senhor, me dê paciência porque se me der forças eu cometo um crime" pensou resignado ao se virar, as sobrancelhas unidas em uma carranca ao olhar para baixo. É, Tomlinson era a porcaria de um alfa lúpus mas tinha o tamanho de ômega. A biologia era uma sacana e, às vezes, Harry a adorava.

- Alfas idiotas, uh? - falou, a língua estalando e um sorrisinho presunçoso bem preso no rosto. Harry quis vomitar porque, fala sério, ele nem era tão bonito assim.

- Ouvindo conversas alheias, Tomlinson? - retrucou de volta, os braços cruzados no peito largo. - Que feio, cara.

- Eu poderia dizer exatamente que a única coisa feia aqui é isso que você chama de cara, mas não vou perder meu tempo com um... - havia algo muito semelhante a escárnio em suas palavras, o suficiente para fazer o sangue de Harry ferver nas veias.

- Com um o que? - antes mesmo de se dar conta, Harry já estava em cima do alfa, os peitos quase se encostando. Os olhos faiscando enquanto fazia um ótimo trabalho em ignorar as voltas no seu estômago causadas pelo cheiro insuportável dele. - Diz, Tomlinson. Me mostre o quão filho da puta você é para eu poder ter um motivo para quebrar a porra dessa sua cara, seu imbecil de merda.

- Seria adorável te ver tentar, Styles, você não imagina o quanto - Louis cuspiu de volta antes de aproximar o suficiente para sussurrar no ouvido do ômega. Um círculo já se formava ao redor dos dois. - Sabe, eu posso sentir que tem alguma coisa errada com você. Não sei o que é, mas vou descobrir. E então você vai engolir a porra da sua língua e aprender a ficar no seu devido lugar, merdinha.

Harry não se moveu. Não se moveu quando Louis lhe deu tapinhas gentis no ombro e passou pelas pessoas com seu gingado característico. Também não se moveu até basicamente todas as pessoas irem embora e apenas Niall ficar. "Ele é um alfa lúpus, cacete, é óbvio que ele pode descobrir. É óbvio que ele vai foder tudo apenas porque gosta. Ele é um babaca. E eu sou idiota por ser tão confiante a ponto de achar que estava tudo indo bem. Porra, porra, porra, porra, porra" sua mente gritava enquanto seguia o amigo em silêncio para o lado de fora do prédio.

Grande dia de merda. Bosta de vida.

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Harry revirava a comida em seu prato enquanto sentia-se incapaz de comer qualquer coisa sólida. As palavras de Louis Tomlinson ainda girava em sua mente e o medo fazia seu estômago doer frio. Não era uma boa sensação, estar praticamente à mercê era uma merda, mas estar à mercê de um alfa era ainda pior. De um alfa como ele, bem, era o inferno.

Do outro lado da mesa, sua irmã mais velha o observa com curiosidade e precisão de uma alfa. É, isso mesmo, Harry estava cercado deles até mesmo dentro de casa. O que era totalmente injusto já que amava a irmã e ainda assim conseguia detestá-la em certos momentos, como quando Gemma usava seu lobo para acuar o irmão. Agrh, Harry realmente odiava quando isso acontecia porque simplesmente não lhe restava escolhas além de abaixar a cabeça e pôr a porcaria do rabo imaginário entre as pernas. É, triste. E patético. Mas, bem, seu ômega simplesmente ficava de joelhos pelas alfas Styles desde sempre. E, naquela noite, claro que não seria diferente.

- Seu cio está chegando - disse Anne da ponta da mesa enquanto cortava um bife mal passado com a precisão que suas mãos de cirurgiã tinham.

Anne Styles era uma alfa lúpus. Sua mãe era uma alfa lúpus. Harry, às vezes, sentia muita vontade de arrancar sua própria pele. Gemma não era uma lúpus, ainda que seus feromônios fossem mais fortes que o da maioria. E seu pai, Desmond, era um ômega comum quando vivo. Havia contraído tuberculose há cerca de cinco anos. E, bem, não havia sido um momento fácil para nenhum deles. Mas, definitivamente, havia sido pior para Anne. Uma alfa lúpus sem seu parceiro, era quase como uma sentença de morte. Quase.

- Ainda tenho alguns dias, mãe.

- Não, não tem - Gemma interfiriu.

Às vezes Harry realmente gostaria de ter nascido em outra família, em outra época e em outro mundo. Toda aquela coisa era sufocante demais.

- Você devia parar de usar esses inibidores, Harry - Gemma continuou, o bife em seu prato quase tão mal passado quanto o da sua mãe. Harry torceu o nariz para o filete de sangue que saiu por entre as fibras da carne. - Não é normal essa coisa de impedir os cios, pode te fazer mal.

- Eu estou muito bem, obrigado.

- Sua irmã tem razão - Anne estava usando sua voz de lobo, suave demais quase quente. Harry podia sentir seu ômega choramingando, ele não tinha chances. - Não use-os mais, querido. Vamos encontrar alguma outra solução viável.

- Mas mãe... - choramingou.

- Sem mais, Harry - e lá estava a ordem expressa. Anne era a alfa da casa e sua vontade era lei. Harry odiava isso.

- Eu soube de um novo método, uma amiga usou recentemente e gostou bastante do resultado - nenhuma das duas sequer levantava o olhar de seus pratos enquanto falavam. Para quê olhos nos olhos quando se tinha a porcaria dos feromônios? - É como um contrato, alfas pobres costumam fazer isso para levantar algum dinheiro. Sempre em anônimato, claro. Sigilo é importante nesse tipo de negócio.

Antes que pudesse se controlar, Harry já apertava os talheres entre os dedos enquanto as palavras da sua irmã escorregavam para dentro de seus ouvidos. Aquilo era ridículo e imoral, porra, era basicamente prostituição. E, a pior coisa de tudo, era que sua mãe parecia mesmo estar cogitando a ideia. Harry queria morrer, de verdade, ele realmente queria.

- Eles chamam de alpha delivery, é como um aplicativo. Bastante prático, sabe, dá até para escolher o tipo de alfa. Cor dos olhos, da pele. Tudo.

- Isso é ridículo - o ômega rosnou.

- É um ponto a se considerar - Anne largou os talheres e olhou para o filho pela primeira vez naquela noite.

A sala de jantar era grande e fria, projetava sombras do rosto do ômega e o deixava parecido com... a alfa encolheu-se antes que desse conta do que estava fazendo. Felizmente nenhum dos outros dois pareceu notar.

- Você sabia que estudos recentes vêm comprovando que o cio ômega tende a ser bem menos doloroso depois de se passar com um alfa pelo menos uma vez? - não, Harry não sabia. E não, ele também não se importava. - Esses inibidores são bombas para o seu corpo, meu amor, podem diminuir sua qualidade de vida em números absurdos.

- Eles me ajudam, mãe.

- Eles te transformam em algo que você não é - disse Gemma, agora também o encarando com seriedade.

- É fácil para vocês alfas acharem que sabem alguma coisa sobre mim quando não fazem ideia da merda que é - Harry se levantou, a cadeira fazendo um barulho sombrio ao ser arrastada pelo chão de linóleo bem polido. - Eu não vou parar com os inibidores, eu não vou pagar um alfa qualquer para me foder durante sete dias e vocês não podem me obrigar.

Sim, elas podiam. Todos os três na sala sabiam que elas podiam. Principalmente Anne e sua voz de alfa lúpus. Ela podia qualquer coisa que quisesse. Mas, bem, sua mãe não era assim. Sua mãe nunca usava sua verdadeira autoridade alfa sobre Harry. Ela era uma boa pessoa que não tinha culpa da biologia ser uma desgraçada brincado de deus. Não, Anne era só uma mãe preocupada com o filho e Harry se sentiu mal por perceber isso tão tarde.

- Termine sua salada - Anne ordenou e Harry se viu obedecendo sem nem pestanejar. Seu corpo bateu na cadeira estofada e ele começou a lutar com seus instintos de sair correndo para o mais longe possível dali. Quer dizer, era sua família apesar de tudo. - Gemma tem razão, Harry. Não há uma escolha aqui.

- Você não é um beta, Haz.

Ele não era. Porém tampouco era um ômega. Harry não era nenhuma dessas coisas ridículas porque elas não eram nenhum determinante em sua vida. Harry era um ser humano e isso era tudo o que lhe bastava.

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