› i can't cure you
Ele sabia que não era uma pessoa fácil, assim como ele sabia perfeitamente bem o quanto a vida poderia ser uma vadia. Louis não era do tipo que romantizava as merdas sobre seus ombros, não, ele sabia exatamente onde pisava e todas as consequências que o seguiria após isso. E, por isso, o alfa sabia que não deveria seguir adiante. Ele sabia que suas melhores chances era apenas rir alto como se tudo fosse uma piada porque, sob certo olhar, era exatamente isso o que aquilo era. Uma piada amarga da porra do universo.
Nunca havia sido sua intenção deixar que as coisas fossem tão longe, nunca havia sido sua intenção fazer com que Styles desmoronasse. Mas era exatamente isso o que estava acontecendo naquele momento. Mesmo que o ômega jamais fosse admitir isso em voz alta, não era preciso em todo caso porque Louis sabia. Ele era a merda de um alfa lúpus e isso não era apenas a porcaria de uma alteração genética mais forte, não. Ser um alfa lúpus significava saber mais do que outros alfas, significava ser um líder natural. Significava ser forte, inteligente e capaz de mover o mundo com a porra do indicador. Ser um alfa lúpus significava ser tudo o que Louis Tomlinson não era. Porque Louis Tomlinson era uma puta.
E agora ele estava fodendo com Harry Styles como nunca antes tinha feito com ninguém.
- E-eu, eu não... - o ômega tinha as bochechas completamente ruborizadas e seu cheiro era tudo o que Louis sentia.
Styles era tudo o que Louis sentia.
- Eu não quis dizer isso - o alfa quis rir na cara do outro porque ele realmente era um merda quando mentia. - Eu só fiquei surpreso.
- Tudo bem - as palavras escorriam pelas sua língua conforme tentava ganhar tempo suficiente para que seu alfa parasse que gritar dentro de si. Ah, ele estava agindo como a porra de um merdinha rebelde desde que vira o ômega enfiando um dildo no cu a algum tempo atrás. Seu alfa praticamente uivava pelo ômega à sua frente. - Zayn é meu amigo e isso é tudo.
- Você... sabe, ama ele?
- Sim - era verdade, Louis amava o ômega. Amava como ele sabia conduzir sua vida de merda com tanto talento. - Mas não exatamente como eu deveria tê-lo amado.
Louis sempre soube sobre Zayn, antes mesmo dele próprio aceitar-se. Eram amigos desde sempre, basicamente, e foi em seu ombro que o ômega chorou por não ser um ômega biologicamente falando. Assim como foi para Louis que Malik disse ser quem era verdadeiramente, durante uma noite com algum álcool aos dezessete. E então eles foderam. E depois de novo. E mais uma vez até que Tomlinson percebesse o quão aquilo não soava certo. Zayn era seu melhor amigo e o alfa moveria montanhas a seu pedido, mas isso era tudo. E, bem, ele realmente iria dizer. Louis realmente iria dizer isso ao ômega e então eles ficariam bem, eles ainda seriam os mesmos amigos e o alfa poderia focar nos pontos mais fodidos da sua existência. Só que, inferno, no final das contas tudo o que houve foi uma confissão e Louis definitivamente não sabia agir em situações assim. Ele odiava mentir, mas o fez seriamente pela primeira vez. E foi aí que descobriu ser realmente bom nisso.
Quase um ano depois, eles conheceram Liam. Duas semanas depois de o conhecerem, Zayn disse que não poderia mais continuar. E tudo bem porque Louis sabia, porra, ele era a merda de um alfa lúpus no final das contas. Era óbvio que ele sabia o quanto Liam despertava Malik a ponto de seu cheiro ficar insuportável. A única coisa que ele não sabia e continuava sem saber era porque os dois nunca haviam dito um ao outro como se sentiam. Quer dizer, ele sabia porque ele estava lá quando Payne apareceu com as mãos entrelaçadas nas de Sophia. Ele estava lá quando Zayn sorriu largo e deu um abraço apertado na garota e também estava lá quando foi a vez de Cheryl. E em todas as outras malditas vezes porque Payno era a porra de um namorador de merda. E Zayn ótimo em mascarar sua dor com a porra de um sorriso grande e modos gentis entre uma carranca e outra.
De qualquer forma, eles não eram mais do que dois amigos que tinham ido um pouco longe demais. E Louis queria que Harry soubesse disso. E ele queria que Harry soubesse disso porque ele queria Harry.
Completamente absurdo, mas era exatamente assim que se sentia. E isso nada tinha a ver com o fato de seu alfa saltar suas presas apenas com o pensamento de tê-lo sob si, não, isso não tinha absolutamente nada a ver com seu animal interno. Era Louis, apenas Louis e nada mais. O que era uma merda porque não era Harry falando.
Saber disso o deixava louco, saber que podia tocar Harry se dispensasse algum esforço nisso. Saber que poderia fazer seu ômega ficar de joelhos mais rápido do que um respirar profundo era quase como uma tortura porque Louis não queria o ômega. Louis não queria o animal dentro dele, não queria o cio e não queria a submissão aos feromônios.
Louis queria Harry.
- Ah - o ômega falou e Louis quase pôde vê-lo abanando o rabo como um filhotinho feliz.
- O que você disse... - começou devagar como se mexesse em um vespeiro.
- Era uma piada, idiota - Louis realmente admirava o modo como Styles estava se esforçando para parecer tranquilo enquanto seu sangue fervia sob a pele pálida. O alfa quase podia ouvir o som.
- Tudo bem.
Sim, estava mesmo tudo bem. Louis não era do tipo que insiste, ele não era do tipo que questiona. Louis sabia o quão importante era respeitar o espaço e limites das pessoas porque tudo o que ele fazia era ter seus próprios limites ultrapassados dia após dia. Foda após foda.
Aquela não era a vida com a qual ele havia sonhado quando garoto, não era a vida que planejou aos dez anos enquanto brincava no jardim de pique esconde com Lottie. Não era o que desejou no seu décimo primeiro aniversário ao assoprar a vela enquanto sentia as mãos fortes do pai em seus ombros. Não. Ele queria ser astronauta e, ocasionalmente, um cowboy. O Louis pequeno queria desbravar universos e florestas perigosas, queria ser importante para as pessoas e para o mundo. O Louis daquela época sentiria nojo de quem ele era agora. Pulando de cama em cama por algumas notas de cem, fodendo ômegas sem nunca nem mesmo se lembrar dos nomes. Fodendo ômegas sem nunca ter tido seu nó em alguém. Fodendo ômegas enquanto tudo o que ele queria fazer era olhar para o céu noturno em uma cidade não poluída e admirar a beleza ali simplesmente porque era simples e a simplicidade o atraía.
- Acho que temos que voltar - Harry falou baixinho e seu alfa uivou ferozmente enquanto fazia um esforço tremendo para se libertar e colocar o ômega de bunda para cima.
- Você pode ir se quiser.
Mas ele não foi.
Louis o deixou se aproximar e colocar-se ao seu lado, próximo demais para sua própria segurança. O alfa teve que apertar as mãos ao redor do parapeito de ferro apenas para mantê-la longe de Styles porque era sempre assim quando estavam juntos. Mas, bem, Tomlinson era um bom mentiroso e era ainda melhor em conter-se, em fingir e em se auto sabotar.
- Me conte um segredo - o ômega pediu quase que em um murmúrio. - Um que ninguém mais saiba.
"Eu quero você" pensou quase desesperadamente. "Eu quero adorar cada parte quebrada da sua existência. Mas eu não posso. Eu não posso curar você quando sou a própria doença."
- Eu odeio meu pai - deixou-se falar, o cenho franzido meio raivoso porque apenas se lembrar do homem o deixava puto. - E agora odeio minha irmã também.
Ele sabia que não era aquilo que Styles queria ouvir, claro que sabia. Mas acontece que, a partir do momento em que as palavras saíssem de sua boca, ele jamais conseguiria engoli-las de volta.
- E você? - perguntou.
- Eu não quero mentir, Louis - falou, a voz meio quebradiça nas vogais. - Mas também não quero dizer a verdade.
- Está tudo bem.
- Não, não está porra - grunhiu. - Nada está bem, não consegue ver? Não consegue ver o mundo caindo aos pedaços bem diante de seus olhos?
Não, Louis não conseguia ver absolutamente nada porque a merda do seu mundo já estava no chão há muito tempo.
- Eu odeio alfas - Harry continuou depois que ficou claro que Louis não diria coisa alguma. - Eu realmente odeio alfas, merda. Eu odeio!
- Acredito em você.
- Você não está entendendo... - bufou.
Claro que ele estava, mas como Louis poderia dizer a ele que estava tão completamente desesperado para tocá-lo que não se importava com mais nada? Como Louis poderia sequer pensar em tocá-lo quando tudo o que havia sob sua pele lindamente alva eram cicatrizes? Como Louis poderia sonhar em beijar cada uma delas até não existirem mais quando ele mesmo não passava da porcaria de um fodedor por encomenda? "Eu não posso curar você" repetiu para si mesmo.
- Diga que também quer - praticamente suplicou. - Diz que também me quer.
Porra!
Caralho.
Tudo o que Louis queria era dizer o quanto ele seria capaz de mover as estrelas apenas com um simples pedido do ômega, apenas para vê-lo feliz. Apenas para vê-lo bem. E, porra, era tão certo que Harry jamais estaria bem se o alfa estivesse na soma.
Só que, ao mesmo tempo, Louis estava cansado de fazer o que era certo.
- Eu quero.
A princípio o céu não se juntou ao mar em uma explosão sem fim porque ambos apenas continuaram lado lado meio debruçados no parapeito, as palavras flutuando ao redor de suas cabeças e a sensação de que havia acabado de assinar sua própria sentença de morte o fazendo querer gritar até o mundo esquecer de sua existência. Mas, bem, Louis não fez nada disso porque tudo o que ele queria era beijar Harry Styles. E fodê-lo. E, depois, passar sua língua por todo o corpo de cintura estreita apenas porque poderia.
Mas ele não podia. Louis não podia porque ele não pretendia foder com a vida do Styles mais do que já era fodida. E se não pudesse acrescentar algo bom ao ômega, então não acrescentaria nada.
No entanto, aparentemente Styles não pensava assim.
Foi Harry quem o beijou. Meio desajeitado e curvado ao encostar seus lábios nos dele. O contato quente fez Louis pensar que poderia morrer feliz depois daquilo. Só que ele não iria, não quando todo o seu corpo queimava por Harry. Não quando levou suas mãos até o rosto dele e o virou apenas o suficiente para se colocar diante do ômega, sua língua passeando por aqueles lábios macios conforme sentia Styles ronronar e se aconchegar mais ao seu toque sem saber o que fazer com suas mãos grandes e desajeitadas. Mas isso não era problema. Nada no mundo seria problema enquanto sua boca estivesse na boca dele.
Styles praticamente derreteu-se quando o beijou se tornou uma confusão de línguas, lábios inchados, saliva e ofegos abafados por gemidos suaves. Louis sentiu duas mãos em sua bunda enquanto tinha o corpo completamente preenssado contra a muralha de músculos que era o peito de Harry Styles. Porra! Aquilo era o inferno de bom. Bom o suficiente para seu pau estar praticamente estourando o zíper do jeans conforme sua língua lambia o queixo do ômega, descendo calmamente por sua mandíbula apenas para voltar todo o caminho até a parte de trás da adorável orelha e depositar beijinhos ali antes de continuar pescoço abaixo.
Louis sentia a porra de uma supernova no meio do peito conforme passava as mãos por um Harry completamente receptivo que o fazia se sentir tão bem aceito quanto jamais pensou antes. O alfa sabia que poderia fazer um estrago fodidamente grande no Styles, sabia que poderia foder sua vida e seria bem mais doloroso do que foder seu cu sem lubrificante fora do cio. Louis sabia que era errado. Sabia que ele era a verdadeira definição da palavra no dicionário. Caralho, ele literalmente fodia pessoas por dinheiro! Louis sabia de todos os pormenores, de todos os mínimos erros que poderiam desencadear uma terceira guerra mundial na porra do mundo. Ele sabia que tinha que se afastar tanto quanto sabia que jamais conseguiria, não quando havia experimentado o céu em forma de lábios.
- Loueh... - o ômega ronronou aí jogar os braços ao redor de seu pescoço e aconchegar o rosto ali.
Porra!
Tomlinson pensou que poderia se jogar da porra do Empire State porque era Harry ali em seus braços, o rosto na curva de seu pescoço enquanto suspirada seu nome baixinho. Era Harry sem nenhum efeito de feromônios porque Louis havia garantido que não sairia da linha, havia garantido que não haveria culpados para ser apontados mais tarde porque aquele era Harry, o verdadeiro Harry. O mesmo que quase o enlouqueceu depois de tanto tempo. "Ah, Styles, se ao menos você soubesse" pensou conforme sorria em seus cabelos e deixava beijinhos ali.
- Você vai fugir e fingir que nada aconteceu? - ouviu-se perguntar.
- Não sei - sussurrou de volta, a respiração quente em seu pescoço causando um alvoroço nas partes baixas do alfa. - Podemos falar disso mais tarde?
- O que você quiser - sim, era verdade. Sempre seria o que o ômega quisesse, em toda e qualquer circunstância porque estar ali com ele já lhe era castigo o suficiente.
Harry se aconchegou mais no alfa, seus braços apertando forte o corpo grande como se jamais pudesse de desvencilhar. Louis queria realmente ser digno do toque.
- Eu tenho que ir no banheiro - Harry falou baixinho. - Mas não quero.
- Não mije em mim novamente, Styles - o alfa podia sentí-lo rir em seu pescoço. - Não há necessidade de marcar território duas vezes.
- Eu não fiz - falou de pressa, os olhos graúdos e brilhantes o encarando. - Não foi de propósito.
- Estou brincando, idiota.
Louis deu um beijinho na covinha direita do ômega, teve que ficar na ponta do pé para isso mas não se importou porque aquilo não significava nada além da quebra de um estereótipo. Louis adorava essas quebras, fazia aquele mundo de merda parecer mais real.
- Mas não teria problema, sabe, se quisesse - concluiu.
- O que?
- Mijar em mim - provocou com um riso rouco escapando da garganta. - Marcar território.
- Ew, Lou.
Lou.
Caralho.
Tomlinson teve que respirar fundo para conter-se e não gritar extasiado, porra ele estava tão fodido. Os dois estavam. Desde quando? Bem, Louis não poderia dar uma data exata em relação à Styles. Mas a ele próprio sim, jamais se esqueceria do dia em que havia prometido a si mesmo nunca se aproximar do ômega que tentava desesperadamente se provar, tentando ser algo além de sua classe enquanto negava sua existência no processo.
Ah, ele tinha falhado tão miseravelmente.
- Eu nunca me senti assim - Harry falou derepente, os olhos fixos em algum lugar que não era Louis. - Eu nunca quis ninguém ao ponto de querer vomitar. É assustador e eu não sei lidar com isso, não quando você é um alfa e eu sou... bem, eu sou eu.
- Você não precisa se justificar, Harry.
- E você poderia parar de ser tão condescendente? - bufou fingindo irritação. - Fica completamente mais difícil te odiar quando você é uma pessoa tão boa.
- Eu não sou - definitivamente ele não era.
- Você é.
Não, ele não era. Mas deveria mesmo discutir sobre isso naquele momento? Deveria mostrar todas as suas partes realmente fodidas quando tudo o que queria era beijá-lo e sentir o quanto era recíproco? Não, não deveria. Não naquela noite fresca enquanto Styles o olhava como se ele fosse a melhor pessoa do mundo. Era uma sensação boa, uma sensação que não tinha a muito tempo. Louis, às vezes, adorava se enganar.
- Eu quero você e não me importo se tudo vai mudar assim que pisarmos para o lado de fora desse quarto - permitiu-se falar, a voz soando calma o suficiente enquanto uma tormenta o atingia no meio do peito. - Não me importo porque tenho o agora e nada poderá tirar isso de mim, nunca. Então, poderia parar de parecer tão completamente adorável e me deixar beijar você?
Harry sorriu com suas covinhas vermelhas completamente apaixonante porque ele era. Quer dizer, às vezes o ômega era realmente um puto de merda, difícil de se lidar enquanto suas cicatrizes ardiam sob a pele. Mas quando não estava tentando lidar com suas merdas da melhor forma possível, ele se mostrava verdadeiramente. E seu eu verdadeiro era gentil a ponto de se arriscar por qualquer pessoa que pareça meramente mais frágil, era doce e bondoso mesmo que não tenha ideia disso. Seu sorriso parecia a porra do sol em fim de tarde, o mais bonito de todos. E esse sorriso estava destinado a ele, a um alfa de merda de sobrevivia pelas beiradas da vida enquanto se dividia entre tentar não demorar muito para chegar em casa e conseguir dinheiro suficiente.
Sua vida era uma balança desregulada que pendia para desgraça e Louis jamais poderia arrastar Harry para suas merdas, então o beijou avidamente apenas para decorar a sensação. O beijou até que o ômega reclamasse que realmente iria mijar nas calças e o quanto isso seria desagradável antes de sair correndo quase em saltinhos pela porta. Louis sorriu largo antes de sentir o celular vibrar em seu bolso, era quase duas da manhã e ele tinha um trabalho.
Merda.
Ele tinha acabado de beijar Styles por minutos (horas talvez?) e agora tinha que ir foder alguém sem nome e sem rosto com, provavelmente, algum cheiro ruim que o deixaria se sentindo um completo bosta. Amaldiçoando-se, Tomlinson pegou o casaco lançando um olhar significativo para Zayn, um olhar que suplicava por desculpa.
Um pedido de desculpa que não era para ele.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top