Capítulo 9 - Passado sombrio (Parte 2)
Munique respira fundo, arruma sua postura no sofá e começa a contar sua história.
“Vou começar contando a história da minha mãe. Ela nasceu na Alemanha, em uma cidade chamada Munique, por isso esse é o meu nome. Eu tenho algumas recordações dela e me lembro que ela era linda, uma loira alta com belos olhos verdes. Minha mãe também era muito sonhadora e aventureira, viajava muito porque sua família tinha boas condições e, em uma dessas viagens, na Colômbia, ela conheceu meu pai, que era colombiano. Os dois se apaixonaram no mesmo instante, mesmo ela sendo uma moça rica e ele sendo um rapaz pobre, e minha mãe acabou engravidando, só que meu pai sumiu misteriosamente. Totalmente perdida na Colômbia e sem o apoio da família... Ela virou prostituta em uma vila muito pobre. Eu cresci dentro de um prostíbulo e vi minha mãe perdendo toda a sua beleza através das drogas e das agressões que ela sofria de alguns clientes. Um dia, um dos clientes do prostíbulo tentou me molestar, minha mãe percebeu e foi como uma leoa me defender, mas acabou levando duas facadas na barriga por esse mesmo cliente. Quando vi minha mãe caída e muito ensanguentada, percebi que seu brilho no olhar estava ficando cada vez mais fraco... E ela morreu na minha frente. Totalmente desesperada, eu fugi daquele lugar e alguns voluntários de serviços sociais me encontraram. Eles fizeram alguns exames, me deram comida e me levaram para o orfanato que fiquei por uns cinco anos...”
Assim que ela termina de contar sobre seu temido passado, Luke acaricia sua cabeça, Chester fica na sua frente e pega em sua mão.
- Você é uma guerreira, Munique. –Chester comenta e ela retribui com um fraco sorriso.
- E depois de tudo isso, você teve alguma notícia do seu pai? –Martin pergunta, comovido com a história dela.
- Infelizmente não, mas pelo que minha mãe me contava, meu pai realmente a amava. Ela ficou muito triste com o desaparecimento dele... Então eu fugi do orfanato para poder encontrá-lo.
- E você vai conseguir fazer isso, Munique. –Luke fala enquanto segura a outra mão dela. – Nós vamos te ajudar.
- Obrigada por tudo, rapazes. Nunca me senti tão amada em toda a minha vida. –todos sorriem para ela, que continua. – Bom, não querendo ser chata, mas um de vocês vai ter que falar agora. – Munique aponta para Chester e Luke, que se olham rapidamente.
- OK, eu falo. –Luke se rende e Chester volta para seu lugar para escutar a história do amigo.
“Eu vim de uma família de fazendeiros do Texas. Quando eu tinha cinco anos, meus pais morreram em um acidente de carro e acabei indo morar com meus tios por parte de mãe. Eles tinham uma filha de vinte anos que estava fazendo intercâmbio e um filho de doze anos. Meus tios até que me tratavam bem, mas eu sentia muita falta dos meus pais. A partir daí, meu primo começou a perceber isso e me humilhava quando os pais não estavam por perto, falando que meus pais, na verdade, fugiram porque me odiavam muito. Claro que era uma mentira, mas eu, com sete pra oito anos, acreditei. Com o passar dos meses, meu primo começou ás escondidas a me agredir e me humilhar ainda mais. Com isso, meu comportamento mudou muito, comecei a ficar muito agressivo e sensível ao mesmo tempo e meus tios não estavam gostando disso, até que teve uma vez que, na ceia de Natal, meu primo fez uma “brincadeira” falando dos meus pais. Eu já estava cansado de tudo isso, então peguei um recipiente com um caldo muito quente e joguei no rosto dele. Meu primo foi levado ás pressas para o hospital e depois disso, tudo mudou... Ele ficou com o rosto queimado e começou a receber um tratamento totalmente especial. Meus tios me culpavam por tudo isso, mas não sabiam o filho que eles realmente tinham. Mesmo assim, eles começaram a agredir muito, me deixavam dias sem comer e me trancavam no porão quando eu fazia alguma malcriação. Dias depois, os vizinhos perceberam que algo estava errado e chamaram os assistentes sociais. Eles verificaram a casa, me encontraram no porão, me levaram para o hospital e depois para o orfanato. Alguns meses se passaram e eu descobri que meus tios foram presos e meu primo acabou se suicidando por isso.”
Luke respira fundo e enxuga rapidamente algumas lágrimas que caíram. Munique acaricia levemente seu rosto e fala com um tom baixo.
- É por isso que você não queria ser adotado... Você tinha medo de ser maltratado novamente. –Luke assente rapidamente e Martin fala.
- Mas não se preocupe, Luke, você está seguro aqui e vamos proteger um aos outros. –todos assentem e ele olha para Chester. – O último, mas não menos importante... Chester.
O jovem estrala os dedos como sinal de nervosismo, principalmente ao ver todos os olhares em cima dele. Ele suspira profundamente e começa a falar.
“Assim como o Martin, eu nasci e fui criado no Brooklyn. Minha mãe era negra e meu pai era branco. Minha mãe era diarista e meu pai, antes de morrer de tuberculose quando eu tinha dois anos, era garçom de um restaurante chique. Depois que ele morreu, minha mãe praticamente deu o sangue para me criar e sempre prezava pelos meus estudos. Quando eu tinha treze anos, começou a sair um boato pelo bairro que uma prostituta estava saindo com todos os homens casados do Brooklyn e as esposas estavam enfurecidas querendo saber quem era ela. Diziam que a tal prostituta era alta, negra, com olhos cor de mel e cabelos negros. Exatamente as características da minha mãe, mas eu sabia que era um engano. Um dia, ela estava voltando para casa depois do trabalho até que foi encurralada por cinco mulheres e elas a espancaram até a morte. Nessa mesma hora, eu estava em casa e senti um aperto no coração, então fui correndo para a rua e vi que o beco estava movimentado. Me aproximei lentamente e meu coração parou quando olhei o corpo caído e ensangüentado da minha mãe. Fiquei totalmente em pânico e queria que aquelas... Vagabundas pagassem pelo o que elas fizeram. Depois disso, eu descobri que elas fugiram do bairro e nunca mais tive notícias delas. Completamente sozinho, eu deixei tudo o que tinha em casa e passei a morar na rua. Três anos depois, os assistentes sociais me encontraram e me levaram para o orfanato.”
Com a cabeça baixa, Chester recebe um consolo de Martin.
- Você é guerreiro, Chester, aliás vocês três são guerreiros dessa vida.
Eles assentem de um modo triste e Luke pergunta.
- Eu vi que você e aquele senhor chinês da loja de conveniência eram bem próximos, você já conhecia ele?
- Sim, o Sr. Wong me ajudou muito, me dando comida quando precisava, mas ele não pôde me abrigar porque já tinha pessoas demais morando com ele. Graças a ele, eu não passei fome e ainda aprendi um pouco de chinês. –todos dão uma leve risada e Munique comenta.
- Sua história é bem triste, assim como a de todos. Mesmo assim, você evoluiu e se tornou um ótimo líder para gente.
- Pois é, cara, quando eu crescer, quero ser igual a você. –Luke comenta, fazendo Chester rir.
- Ah nem vem! Não se lembra da nossa conversa?
- Que conversa? –Martin pergunta curioso.
- Na nossa primeira noite no Brooklyn, depois que a Munique dormiu, eu e Luke conversamos sobre o nosso possível futuro.
- E o que vocês concluíram? –Munique indaga interessada.
- Que o Chester será o líder mandão, eu vou ser o galinha conquistador e você, cara Munique, será a nossa princesa protegida.
- Eu? Princesa? Que horror!
- Se bem que o Luke tem cara que vai dar muito trabalho mesmo. -Martin comenta olhando para ele. – Sobre esse lance de ser uma princesa protegida, Munique, não liga pra isso... Você tem cara que vai ser uma garota totalmente diferente das outras, assim como que você é agora.
- Só porque eu vou crescer cercada de homens?
- Também... Mas vou ensinar á você e aos meninos também tudo o que eu sei. Seja com lutas, negociações, como ser esperto em diversas ocasiões, enfim... –Martin olha para cada um e continua. – Vocês vão ver o que Brooklyn aguarda para os seus futuros.
***
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