C A P Í T U L O 72
Segredos de família
― O meu sangue em união ao de Eleonora e Vincent. Uma gota de cada, quando misturadas, não ocasiona a imortalidade, mas é o suficiente para permitir um vampiro andar ao sol pelo resto de sua longevidade.
Céus...
Anton tinha mesmo acabado de me revelar o segredo?
Deuses, ele havia confiado em mim! E eu já não sabia se o mais chocante era essa constatação ou a responsabilidade que agora eu tinha nas mãos, ou ainda, se era o próprio segredo. Era isso então, a tríade que formava o todo de Dracaos? Eu nunca poderia ter imaginado, mas fazia tanto sentido que a minha suposição de haver alguma magia de Avigayil envolvida, soava até estúpida.
― Foi por isso que vocês três juntos transformaram os cinco Skarsgard, pra que não tivessem essa fraqueza?
De olho em seu perfil, o vi balançar a cabeça em negação.
― Ainda não tínhamos conhecimento dela. A escolha foi feita por Eleonora que queria formar uma família e sentiu que a conexão poderia ser mais forte assim. Vincent, porque queria manter uma ordem hierárquica enquanto eu, se dependesse de mim, não transforaria ninguém.
― E por que não? ― a pergunta veio em um reflexo, encorajada pela espontaneidade de sua explicação.
― Porque eu nunca quis me responsabilizar por ninguém.
Era uma declaração genuína, mas parecia irônica diante das circunstâncias. No início era essa a exata compreensão que eu tinha dele, alguém que não se importava com ninguém, muito menos se responsabilizava. Quanto ao "se importar" eu ainda duvidava, mas conforme convivíamos, percebi que Anton possuía muitas responsabilidades e mesmo que não ousasse expor, uma delas era com as pessoas que empregava.
― Responsabilizar no sentido de cuidar, instruir e guiar pelo caminho certo como um bom pai? ― Ele não concordou ou discordou, no entanto, a sua própria reticência me pareceu uma resposta. ― Mas foi isso que você fez com o Nick, ou pelo menos é isso que ele sente que você fez.
― O pirralho foi um caso à parte, além de insuportável, ele sempre foi terrivelmente insistente. Alguém precisava ensiná-lo a ter boas maneiras e a canalizar toda aquela determinação para algo útil.
Não pude evitar a gargalhada que emergiu pela minha garganta e ecoou pelo espaço fechado atraindo aquelas íris radiantes para mim. Quanto mais ele tentava não sorrir, mais o meu riso aumentava, de modo que precisei de alguns segundos para me controlar.
Era a segunda vez tentando visualizar Anton com uma criança e continuava sendo estranho, quase caótico. Eu poderia dizer a ele que a sua atenção era o "algo útil" o qual Nick procurava e acabara conseguindo, mas havia tantas outras perguntas que preferi não provocar mais.
Retomei o assunto anterior, indagando-o sobre como haviam chegado ao segredo, e a sua resposta foi sucinta: testando. Segundo ele, primeiro tiveram que descobrir a existência da fraqueza através da primeira cria de Sebastian, o único autorizado a criar até então. O teste também foi feito com Andrei e Mad, mas ambos tiveram o mesmo resultado com suas crias, levando-os à crença de que somente vampiros criados pelos imortais seriam "saudáveis". No entanto, a crença foi anulada após Vincent transformar seu primeiro vampiro sozinho, que como os outros, acabou morrendo pelo sol. Fato este que impediu Anton de ser o único a transformar Nick ou que décadas depois apenas Eleonora transformasse Katerina.
Só quando um incidente envolvendo o sexto escolhido para se juntar à família, o famoso Vlas Maksin Shvets, o qual acabou levando-o à morte com o sangue de Sebastian em seu corpo e a sua consequente transformação; que na tentativa de Eleonora reverter os danos doando seu sangue junto ao de Vincent e Anton, o segredo, uma possibilidade cuja haviam pensado algumas vezes, se comprovou. Desde então passou a ser ocultado e usado em benefício da ordem.
― Uma das cláusulas de letras invisíveis, da promessa de Chraos ― concluiu ele, o que não era só uma metáfora sobre a astúcia do deus dos vampiros, mas a afirmação da gravidade do poder que possuíam nas mãos, ou melhor, em seus sangues.
Agora eu compreendia a razão de tanto cuidado e discrição. Se um segredo desse viesse à tona e vampiros que não merecessem o dom tivesse acesso a ele, a ordem que vinham mantendo há milênios poderia ser destruída e seríamos nós, as outras raças, as mais afetadas. De qualquer forma, não seria Francesca um desses vampiros, e que fosse por culpa, mas eu estava obstinada a ajudá-la.
― Você disse que tinha uma sugestão do porquê os seus pais ainda não ajudaram a Francesca. Eles precisam do seu sangue para formar a tríade, não é? ― Anton me fitou, a confirmação silenciosa veio através de um leve contrair de olhos, como se já soubesse o que eu iria pedir. ― Anton...
― Não.
Sem ao menos me permitir oficializar o pedido, ele se voltou para frente deixando claro que a sua recusa seria irrevogável. O meu peito se aterrou ante a possibilidade que estava além do meu alcance. Ele não a ajudaria e isso era tão injusto! Francesca não era uma ameaça e não havia nada pessoal envolvido, exceto o fato de estar sob a responsabilidade de seus pais, portanto, era injustificável que a afronta mantida contra eles, respingasse em pessoas inocentes.
― Eu tenho pena dela ― admiti, a compaixão sobrepondo a minha voz. ― Por tudo que passou e por não ter tido escolha. É triste o bastante ter de viver presa aqui e ainda...
― Pena é um sentimento inútil, fada.
Assim como todos os outros são pra você.
Tão triste quanto era reconhecer que o mesmo "inútil" referido seria para eu tentar fazê-lo mudar de ideia.
Um suspiro carregado enterrou de vez qualquer objeção minha sobre, e o assunto em consequência se encerrou. Do lado de fora a velocidade diminuía e os pinheiros abriam espaço para a densidade dos carvalhos e o verde destoante das faias. Anton desacelerou até quase parar e, saindo da estrada, virou floresta adentro com a perícia de um piloto, sem ao menos se importar de não haver uma trilha que facilitasse a passagem do carro.
Entre o desvio de uma árvore a outra, o balançar impetuoso, dedos cravados no couro do banco e uma contração incessante no estômago, não era possível nem arriscar quantos metros ou quilômetros haviam sido atravessados até que finalmente parássemos. Relaxando os dedos, deixei meus olhos absorverem a paisagem que se estendia à frente, deslizando-os pela superfície aquosa e cristalina, pelo paredão coberto de plantas ao fundo e a fenda estreita que o dividia em dois e permitia o rio se estender ao outro lado. Ao redor, apenas árvores abraçando essa pequena interrupção da natureza, um oásis perdido no meio da floresta.
Distraída pela beleza do que via, mal notei que Anton havia saído do carro e, com a porta ainda aberta, retirava a camiseta preta. Ele está mesmo tirando a roupa na frente dos seguranças? Instantaneamente olhei para trás buscando pelo do carro que nos seguia, mas não havia sinal dele ou de qualquer um dos homens que estavam dentro.
― E os seguranças? ― indaguei, voltando-me para ele que agora retirava os coturnos e os jogava no assoalho acarpetado.
― Estão a um quilômetro de distância, cercando o perímetro.
"Para garantir que ninguém o ultrapasse" foi a sua explicação quando questionei o motivo. Já havia virado redundância reconhecer a sandice daquele excesso de precaução, porque, deuses, estávamos no alto de uma montanha, cercados por uma floresta densa e em uma área completamente isolada.
A não ser que...
Sim, havia os funcionários do castelo, e eu me esquecia que alguns deles não só eram vampiros que podiam andar de dia, como também poderiam correr por aquela floresta de um canto a outro em questão de minutos. Talvez aquele até fosse um ponto de lazer para eles, e por aí todo o resto se explicava.
Soltei o cinto de segurança e saí carro, a inércia abafada sendo substituída por um distante chacoalhar de águas. Meus olhos demoraram um segundo para se acostumar a intensa quantidade de verde antes que eu os fechasse e erguesse o rosto em direção ao céu coberto pelas copas, a familiaridade me suscitando um vivo palpitar a cada inspirar úmido do aroma de musgo e terra. Como eu amava esse cheiro. Nenhum outro era capaz de me despertar recordações tão felizes da minha infância, em especial, da floresta de Aiden, o cenário mais frequente das minhas brincadeiras.
Mesmo que ambas as florestas tivessem suas próprias características e eu nunca tivesse estado em uma como aquela, havia similaridade, o reconhecimento do meio. Era incrível a força refletida por aquelas árvores de troncos grossos e raízes elevadas, pela insistência das plantas rasteiras e o resistir das trepadeiras sobre as rochas, mas ao mesmo tempo eu sentia um aperto por dentro e uma sensação de vazio causada pelo silêncio em que se mantinham; uma condição de latência que se assemelhava à morte, provavelmente mantida há séculos, se não há milênios, em razão da escassez de nossa espécie no país.
O barulho da porta fechando me fez olhar para o outro lado. Anton contornava o carro seguindo em direção ao rio, cada passo revelando mais uma parte do tórax nu à medida que a lataria polida ficava para trás. Nada imprevisto até então, o que eu não esperava era que aquela pele alva continuasse nua pelos quadris, nádegas e coxas.
Anton estava inteiramente nu, com a sua grandiosidade masculina exposta quando ele se virou mais ou menos de lado, e me lançou um olhar sugestivo como se perguntasse "Você não vem?".
Ah, mas eu iria, iria aonde ele quisesse. Com o coração disparado e uma rapidez surpreendente, consegui puxar o vestido e o tirá-lo pela cabeça. Alguns segundos a mais demorei olhando ao redor antes de descer a calcinha e jogá-la dentro do carro. Era estranho estar nua em um lugar aberto, e agora mais do que nunca eu entendia e agradecia o cuidado tomado para que ninguém se aproximasse.
Quando alcancei o rio, Anton já estava dentro dele com os quadris submersos. Longe do que imaginei, a temperatura da água estava amena e deliciosamente agradável, as pedrinhas sob os meus pés até pareciam mornas. A sua limpidez era tão extraordinária, que mesmo quando o seu nível me atingiu os joelhos, eu ainda podia ver com perfeição todas as pedras e plantas aquáticas em seu fundo.
― Aldrovandas! ― A minha voz repercutiu em ecos estridentes, e talvez eu tivesse me empolgado um pouquinho, mas não era todo dia que se via uma planta carnívora tão rara. Louise iria a loucura se soubesse que estive na presença de uma e não peguei uma muda para ela.
― Elas não vão te morder, fada.
Ergui meu rosto em direção àquele sarcasmo em forma de vampiro, parado a uns dois metros com os braços cruzados e as duas chamas indecentes medindo o meu corpo nos lugares estratégicos. Passado o súbito tremor do seu efeito, inspirei e contraí meus olhos erguendo o queixo.
― Jura? ― devolvi a ironia tornando a avançar, em poucas passadas a água já alcançava a minha bunda. ― Mas e se... A-ah! ― Anton me puxou, rapidamente calando meu grito com a boca.
Eu me rendo, foi o meu pensamento ao sentir sua língua escorregando de encontro à minha, e um suspiro audível foi a minha reação à sensação maravilhosa daquele toque úmido e do corpo aveludado se encaixando ao meu. Deslizando os dedos pelos seus ombros até os cabelos, me ofereci ao comprimir firme das suas mãos, cada movimento exigente ultrapassando os arrepios da minha pele, tomando posse das minhas curvas.
― Você faz perguntas demais ― falou afastando os lábios, as mãos puxando as minhas coxas para os seus quadris, quase me fazendo gemer ao sentir aquela rigidez se acomodar entre nossos corpos.
― Eu não faria ― contestei ainda ofegante, sentindo-o começar a andar ―, se você não fosse tão misterioso e não fizesse segredo sobre tudo.
Inclinando a cabeça, ele me impeliu um olhar divertido.
― Quer dizer que o fato de você ser tão curiosa é culpa minha?
― Claro. ― Mordi o lábio, mas não resisti e acabei sorrindo ao vê-lo tentando se impedir do mesmo.
Anton seguia me carregando e eu espiando ao redor para me situar. Devagar a água ia subindo e já cobria os meus seios quando alcançamos a fenda entre os paredões verdes. Por Anton ainda conseguir andar, não era muito fundo, mas a corrente do rio se intensificava ali, assim como o barulho denso que só poderia vir de uma cachoeira.
Voltei meus olhos para o meu marido, reconhecendo a origem do formigar em minha barriga. Eu ainda era o centro da sua atenção minuciosa, sob íris translúcidas que rastreavam cada detalhe meu, submersas por aquela sombra que nunca me permitia ir além de um mergulho breve em seu caos tempestuoso. Pareciam buscar por algo tão inexplicável, que o meu sorriso intuitivo congelou e aos poucos foi se desfazendo. Engoli e pisquei algumas vezes. A minha pulsação atingia níveis desconfortáveis, ele continuava e as minhas bochechas começavam a arder.
Céus, por que ele fazia isso? Por que me olhava como se sentisse mais que desejo, mais que fascínio ou até mesmo mais do que aquela emoção que me engolia a cada vez que estávamos juntos? Se eu me permitisse sonhar um pouco mais alto, diria que era algo próximo à paixão.
― O que foi? ― A hesitação transpôs a minha voz já baixa, e foi a sua vez de piscar antes que suas profundezas procurassem as minhas. ― Por que está me olhando assim?
O ricto em sua face revelava que ele havia achado graça.
― Assim como?
Como se estivesse apaixonado. O pensamento se solidificou com um tremor passageiro, mas só durou o mísero segundo necessário para a minha sensatez retornar e uma vontade de rir surgir pelo quão ridículo era. Anton nem sequer tinha noção do que fazia, o mais óbvio era que as minhas esperanças estivessem se agarrando a qualquer reação dele para serem alimentadas. Não desta vez, nem da próxima, não enquanto o próprio não me dissesse alguma coisa ou enquanto eu não estivesse preparada para ouvir a verdade, seja ela qual fosse.
Sem uma resposta, ele pendeu uma sobrancelha, seus braços apertando a minha cintura e as mãos, a minha bunda. Para distraí-lo, envolvi meus lábios nos seus em uma sequência de beijos macios e demorados, cheios de afeto e devoção. As razões se perderam em algum lugar, e eu não me lembrava de nada além do quanto eu amava senti-lo, amava o seu cheiro e o sabor da sua pele.
― Não me provoque antes da hora, fada. ― Abri os olhos que sequer havia percebido fechar, e recuei lentamente. Anton tinha o queixo elevado, as pálpebras baixas afunilando o olhar desconfiado e a ereção pulsando entre nós conforme andava. ― E não pense que não percebi a sua tentativa de me distrair.
Soltei todo o ar que prendia, minhas esperanças indo embora com ele. Aquele vampiro era insuportavelmente impossível de se ludibriar, e mesmo assim estava se deixando levar, como que para descobrir até onde eu iria com aquilo. Ainda mais insano era vê-lo com aqueles cristais ofuscantes metade rindo, metade excitado, e sentir tanta vontade de apertá-lo quanto receio pelo que poderia sair daquela mente sagaz. Mas graças a Aine, a sua suspeita não passou de uma observação e o assunto foi deixado para trás, junto do corredor que terminávamos de atravessar.
Como o esperado, deste lado, uma cachoeira quilométrica se rompia por entre a muralha rochosa, formando um bolsão de água igual ao de onde vínhamos, com a diferença que neste, o rio transbordava sobre algumas pedras existentes no canto direito e seguia seu curso impetuoso perdendo-se entre a floresta.
Anton me transferiu para a suas costas, uma vez que a profundidade não mais o permitia andar. "Segure-se", ele ordenou e eu me agarrei aos seus ombros sendo levada à cada braçada ágil dada rumo à cachoeira. Quando já estávamos perto, o vi sibilar algumas palavras, mas não pude ouvir direito por causa do barulho estrondoso da queda-d'agua.
― O que você disse? ― vozeei por cima do seu ombro.
― Prenda a respiração, nós vamos atravessar ― ele repetiu um pouco mais alto e eu só tive tempo de encher os pulmões e me grudar ao seu corpo antes de mergulharmos por debaixo da cachoeira.
A submersão foi breve, quando menos esperei já emergíamos do outro lado e eu podia respirar de novo. Ao abrir os olhos e livrá-los do excesso de umidade me deparei com um ambiente escuro e cavernoso, cujas paredes rochosas formavam um corredor irregular trilhado pela água, e para onde Anton continuava me levando.
Alguns metros à dentro, ele voltou a andar e me puxou para frente outra vez. Á medida que avançávamos, a escuridão ia se acentuando, mas a luz que vinha da entrada ainda permitia ver os contornos, já o barulho aquoso diminuía e dava lugar a alguns ruídos que lembrava uma mistura estranha de pios de pássaros e estrilar de grilos. Eu estava com a mão estendida para projetar a minha luz, quando resolvi perguntar:
― Anton, o que...
O teto da caverna tremeu e a minha voz se interrompeu em um grito enquanto guinchos agudos disparavam e o bater de asas vibravam no ar. Com os batimentos descontrolados, encolhi-me inteira agarrando o corpo à minha frente e afundando meu rosto em seu pescoço. "Calma, são só morcegos." ele tentou me tranquilizar e eu, que nem tinha mais como me encolher sem afundar na água, apenas balancei a cabeça o apertando mais forte.
― Não, não sou aventureira e não quero mais ficar aqui. Esses bichos mordem! ― Notei que o tórax o qual eu me prendia se contraiu e em segundos relaxou em uma sucessão de espasmos sonoros. Por todos os deuses, estávamos nus, dentro da água que havia se tornado mais negra que petróleo e em uma caverna escura cheia de morcegos e ele ainda achava graça! ― Para de rir, não tem graça!
― Fada, o que tem de mais perigoso aqui sou eu e você está me abraçando. ― Ciente de que aqueles seres apavorantes não mais voavam ao nosso redor, ergui minha cabeça com cuidado. Estava mais claro, uma claridade que vinha pelas minhas costas. ― Estamos chegando, hum?
A água havia descido até metade do abdômen que eu abraçava, e o ar à nossa volta começava a se espessar numa temperatura mais baixa, fazendo um arrepio escorregar pela minha nuca e sacudir o meu corpo. Mais uma vez, Anton passou a mão pelas minhas costas, me acalmando, de modo que a curiosidade voltou a se sobressair. Tentei olhar para trás e ao não conseguir, desci as pernas alcançando as inúmeras pedrinhas que forravam o fundo, em seguida me virei em direção ao nosso destino, tomando o cuidado de me cercar com os braços dele. Uma ligeira curva impedia de ver muito mais que a formação rochosa que sustentava o túnel, mas havia um feixe de luz vinda do canto que acentuava a cada passo que dávamos.
― Anton... ― engoli, sentindo que meu coração começava a bater diferente, não mais pelo susto, mas pelo reconhecimento de algo que eu não sabia definir ―, tem alguém ali?
Não havia outra explicação para a energia que vinha daquela direção. Era de uma intensidade tão poderosa quanto a do vampiro que me abraçava, e eu estando na frente, era a substância que as separavam ou as uniam. Diante dessa possibilidade, eu deveria ter paralisado, mas a familiaridade e a sensação revigorante mantiveram as minhas pernas em movimento.
Halfsleeper - Chelsea Wolfe
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