C A P Í T U L O 63
Uma primeira vez
A passos lentos, porém determinados, caminhei até parar entre as suas pernas. Pensei que ele iria me pedir para ficar de joelhos ou que me daria instruções de como prosseguir, mas Anton apenas me puxou para o seu colo envolvendo-me entre os seus braços. Sempre me observando, a mão que de imediato havia se encaixado nos meus cabelos, caiu para o alto das minhas costas e, de leve, começou a descer percorrendo as minhas curvas até o arco do meu bumbum, alisando seus contornos numa carícia instintiva e acalorada.
Eu amava os seus toques, o contato da sua pele na minha com a promessa de algo imprevisível e secreto, mas no momento eu nem estava os aproveitando direito, pois estava confusa demais, com receio de ter interpretado errado os seus sinais, mas também com esperança de que estivesse apenas aguardando uma atitude minha, de qualquer forma, eu precisava saber.
― Amor, você não disse nada ― sussurrei, apoiando meus braços em seus ombros e assistindo ao reflexo instantâneo que atraíra aquelas profundezas selvagens para os meus lábios. ― Você não quer?
A minha pergunta parecera tirar seu último fio de comedimento, ao ponto de o fazer ressonar um gemido baixo, quase manhoso, avançando sua boca na minha e me tomando num beijo macio, fogoso, cheio de um cuidado tão afetuoso, que foi impossível não associar a algum tipo de emoção intensa que talvez ele não estivesse conseguindo reprimir.
Sem uma resposta pronta, ele interrompeu o contato dos nossos lábios descendo os olhos para si mesmo e levando a mão até a ereção firme e desenvolvida repousada na parte baixa do seu abdômen. Com os dedos à sua volta, movimentou para baixo e para cima uma única vez, mas o suficiente para que escapasse um pouco mais de líquido esbranquiçado da sua ponta. Eu nunca havia provado, no entanto, saber que eu possuía o poder de deixá-lo tão excitado, tornava-me refém do meu próprio desejo, de um jeito que eu não conseguia controlar as reações do meu corpo, e quando o seu polegar acariciou a glande rosada espalhando a umidade, a minha boca salivou e eu tive que engolir a sede que aquela visão me provocara.
― Isso responde a sua pergunta?
Sim, respondia, respondia muito. Tornei a elevar os olhos, Anton me fitava com a sobrancelha arqueada, uma intensidade erótica nas íris e um sorriso fino moldando a expressão obscena, dando-me a certeza de que ele havia visto os movimentos da minha garganta e a falta deles quando a minha respiração ficou em suspenso.
A princípio preferi não dizer nada para não sair nada embaraçoso, e sem querer dar mais tempo para pensamentos importunos, inclinei-me para ele e o beijei sendo avidamente correspondida. Os meus afagos não tardaram a se tornarem impacientes, se espalhando pelo seu corpo enquanto meus lábios desciam pontuando a linha pronunciada do maxilar, escorregando pela garganta tesa e sentindo a leve arritmia que fazia o seu peito se inflar cada vez mais inconstante.
Sim, ele era o meu desejo com forma e cor, feito de paladares, essência e carne, de substâncias e sensações, da perfeição que era o contato de nossas peles dotando cada parte do meu corpo com a sensibilidade do meu sexo. Inspirei a essência embriagante e tórrida da sua pele, mordiscando-o e chupando as áreas macias do seu peito com o mesmo furor que as minhas mãos se arrastavam pelo seu tórax, experimentando a consistência cálida, contornando-o e desenhando cada uma das curvas sensuais que lhe esculpiam o abdômen, conforme eu deslizava para o chão e me colocava de joelhos entre as suas pernas.
― Eu nunca... você sabe... ― comecei dizendo, sentindo um redemoinho impreciso de frio e calor se instalar na minha barriga ―, mas você pode me ensinar a fazer do jeito que você gosta.
― Acredite, fada, tudo o que você fizer eu vou gostar ― garantiu estendendo as mãos e passando os meus cabelos para detrás dos meus ombros. Evitei encará-lo com receio de que o nervosismo aumentasse, mas a minha visão caíra direto no falo ereto e vigoroso bem à minha frente, e os meus batimentos se aceleraram. ― Não tem segredo, só evite os dentes e não o morda, mas de resto, faça o que você quiser.
Tudo bem, eu podia fazer isso, e não era só porque ele havia me deixado tranquila quanto a minha falta de experiência, o que mais me tocou foi a sua confiança em mim, a sua entrega total, quase como se estivesse me afirmando que ele era meu para o que bem-quisesse, e agora mais do que antes, eu me sentia encorajada a dar o melhor de mim naquele momento.
Acenei brevemente confirmando ter entendido, então, ciente de que ele acompanhava cada ínfimo gesto meu, deslizei as minhas palmas suadas pelas suas coxas fechando meus lábios em uma delas, rastejando-os para cima e enchendo os meus pulmões com o seu calor. Sentindo-o, apenas o sentindo.
Eu, sempre subindo, cada carícia como um culto reverencial ao seu corpo, ao seu gosto e cheiro, fazendo-o estremecer levemente em expectativa à cada beijo mais próximo, à cada movimento lento rumo ao seu sexo. E quando finalmente alcancei a sua masculinidade envolvendo-a entre os meus dedos, Anton suspirou, o ar saindo alto, e o seu sangue correndo e latejando sob o meu toque.
Comecei um movimento leve, de cima a baixo e então de baixo para cima, sem pressa, sentindo a maciez sedosa e escorregadia da glande, a textura aveludada que cobria a extensão rígida, retendo-a e contemplando-a em um vai e vem contínuo e sensual, ao mesmo tempo que meus beijos se aproximavam cada vez mais.
― Fada.
Anton rangeu os dentes segurando os meus pulsos, e eu parei erguendo meu olhar, encontrando seu rosto tenso e as pupilas dilatadas sob o azul-cristalino refletindo uma espécie de ebulição perigosa, que eu não soube definir se era fúria ou desejo. Pisquei algumas vezes me perguntando o que havia feito de errado, mas eu não tinha feito nada que já não tivesse arriscado antes, e a minha boca nem havia chegado lá.
― Fiz algo errado? ― indaguei, a voz praticamente um sussurro enfatizando o receio impelido em meu semblante, até ameacei me afastar, mas ele firmou as minhas mãos. ― Eu...
― Não, babe. ― Anton exalou, o gesto amenizando a contração do abdômen. ― Você não fez nada de errado, mas se continuar assim, vou gozar antes mesmo de você colocar essa sua boca gostosa no meu pau.
O alívio veio, e eu repuxei meu lábio entre os dentes reprimindo a vontade de sorrir. Ele queria tanto a minha boca lá, que já estava até perdendo o controle? Se eu fosse uma garota má, me vingaria por todas às vezes que havia me feito implorar por ele, mas eu era boa, boazinha até demais, de modo que aquela vulnerabilidade ilusória presente na sua voz, havia amolecido o meu coração e agravado aquelas fagulhas de tensão no espaço entre as minhas coxas.
Se era a minha boca que ele queria, era ela que iria ter.
Aproximei-me mais, meus olhos vagueando em direção aos seus. Entreabri meus lábios ligeiramente e, com cuidado e delicadeza, passei a língua pela ponta úmida, ouvindo-o arfar uma imprecação qualquer e sentindo o seu líquido espesso grudar e me apertar os sentidos. De volta à minha boca, experimentei, o gosto suave e sutilmente salgado, diferente de tudo que eu já havia provado, se dissolvendo em meu calor.
― Não que eu tivesse imaginado o contrário, mas você é gostoso aqui também ― confessei sem pensar, tão logo ouvindo-o descerrar uma daquelas suas gargalhadas maravilhosas, tão enrouquecida, que eu podia senti-la vibrando por todas as minhas células.
― É? Você tem imaginado essas coisas? ― Foi impossível não corar, mas não neguei, sacudi a cabeça positivamente e não saberia dizer ao certo o que o havia enlouquecido, pois num acesso súbito, Anton capturou o meu queixo e inclinou-se para frente lançando seus lábios contra os meus em um beijo duro e rápido. Ainda com os dedos enterrados nas minhas bochechas pressionando a minha boca, pairou bem à minha frente e fixou seus olhos ardentes nos meus. ― O que eu faço com você, hum?
No auge da minha ingenuidade, eu não tinha a menor ideia do que ele estava falando, mas dado o nosso histórico, a objeção viera automática:
― Nada. ― Elevei meus ombros, sendo novamente atacada com outro beijo feroz que me deixara atordoada. ― Amor...
― Você fode a minha cabeça, fada.
Anton voltou as costas para o encosto abandonando-me ainda em um estado zonzo, seus abismos selvagens me atraindo para dentro deles como se quisessem me revelar algo, cujo qual sua profundidade tornava impossível de alcançar. Perguntei-me se eu também parecia tão impenetrável aos seus olhos, ou se ele tinha a mínima noção de que não só transtornava a minha cabeça, mas também a minha vida, todo o meu ser e principalmente, o meu coração.
Retornei a mim ao sentir aquelas mãos grandes buscando as minhas, pousadas em seus quadris, e levando-as de volta à sua ereção. "É todo seu.", sua afirmação soara como o calor do sol em um dia frio, com tão pouco eu já sentia meus sentimentos borbulhando por dentro. Ele era meu, todo meu, e mesmo que tivesse apenas se referido àquela região específica, não fui capaz de reprimir o sorriso repleto de satisfação que dei.
O tomei em minhas mãos e, consciente do quanto ele desejava a minha boca ali, mais uma vez desci até ele, o lambendo da base à ponta por toda a grossa extensão, provando-o. "Gosta assim?", o seu ronronar de satisfação me intuiu a repetir o gesto, desta vez explorando e esfregando a minha língua, centímetro a centímetro, na densidade ao mesmo tempo macia e firme, da sua carne.
― Sim, babe, assim...
Uma espiada para cima, e eu vi seu peito se expandindo pesado e os seus lábios se entreabrindo lentamente, oferecendo um vislumbre das presas por trás à medida que aqueles olhos entorpecidos, tomados por uma languidez sensual e enevoada, acompanhavam o movimento da minha língua deslizando, e então dos meus lábios se fechando ao redor da sua ponta.
― Porra assim... isso é bom...
Foram alguns instantes para me acostumar com o seu tamanho e a sensação de preenchimento, até enfim conseguir mover a minha língua e acariciá-lo, escorregando gradualmente para baixo e então para cima, com cuidado para não resvalar os dentes. Como uma reação involuntária, a sua cabeça caiu para trás e um tremor repentino atravessou o seu corpo, deixando-me confiante o bastante para levá-lo até onde conseguia e voltar o sugando, conforme meus dedos, ainda abraçados à sua base, me ajudavam com o movimento.
Quando as suas mãos buscaram os meus cabelos unindo-os no topo da minha cabeça, eu o espiei de baixo, vendo-o de volta à posição normal. Suas presas raspavam o lábio inferior em uma mordida mínima, e os seus olhos, embriagados, acompanhavam a minha boca o tomando com lentidão, vez após vez. Ele, completamente entregue, absorvido, rangendo as emoções difusas concentradas em uma única parte do seu corpo, dominada pelos meus lábios e pelas minhas mãos.
Por uma fração de segundo aquela visão e a noção de poder, me deixaram fora de mim, e eu gostei. Gostei do modo como ele havia cedido o controle, gostei de sentir os seus tremores, de sentir o quanto lutava para se conter a cada sutil impulsão dos seus quadris para cima tentando mergulhá-lo mais fundo na minha boca, gostei de ver aqueles olhos vítreos perdendo o foco esforçando-se sofregamente para não fechar.
A cada sobe e desce, ele era consumido pelo prazer e eu pela vontade. O nosso desejo fazendo-o desaparecer entre os meus lábios e nos movimentos incessantes das minhas mãos, dispersado no ar através dos sons aquosos, das inspirações carregadas e rangidos graves. Hora ou outra eu apenas o lambia espalhando a minha saliva, e então o tornava a engolir, assistindo a sua barriga se retesar em excitação, a mesma que ecoava por cada músculo, cada nervo meu, levando-me a comprimir as coxas cada vez mais forte para aliviar a urgência que palpitava entre elas.
― Porra, estou perto ― Anton sibilou entredentes, o ressono poderoso se misturando ao refletir das minhas sucções enquanto os seus dedos se enterravam cada vez mais fundo em meus cabelos. ― Você vai me fazer gozar assim.
Novamente o encarei, acariciando-o com a língua, deslizando por suas veias dilatadas cada vez mais pulsantes. De novo eu o envolvia com meus lábios e o mergulhava na minha boca com todo o ardor da minha paixão, extraindo o seu gosto masculino e picante, mais e mais abundoso. A cada um dos seus ruídos abafados, mais insuportável o desejo em mim se tornava, e aos poucos o prazer ia se erguendo, se alastrando e procurando desafogo em pressões mais e mais intensas.
― Goza pra mim, amor...
A minha súplica parecera tirá-lo de si. Soltando um xingamento em meio a um rosnado selvagem, Anton afastou seu membro da minha boca apertando a mão em sua base, inspirando rápido várias vezes, como se estivesse se controlando para não ejacular.
― Vem aqui.
Ele me puxou para cima e, num rompante muito rápido, girou o meu corpo deitando-me de costas sobre sofá, colocando-se por cima de mim. Quando percebi, já o tinha entre as minhas pernas encontrando a minha entrada encharcada e sem nenhuma resistência. Os seus olhos, banhados de vermelho e com suas pupilas enormes, encontraram os meus, então tudo se tornara um borrão quando viera uma impulsão dura e longa desatando-me um grito inconsciente e algumas palavras inarticuladas, o meu interior se abrindo e se contraindo em chamas, cada uma das minhas células reagindo à sua invasão consistente, se adaptando e sorvendo as suas palpitações.
― Como pode me deixar tão louco assim, hum? Eu quase enchi essa sua boquinha de porra, mas precisava foder você aqui também. ― Anton uniu os nossos lábios, aspirando os meus ofegos delirantes, os seus quadris iniciando um vai e vem gradual. ― Tão fodidamente apertada... merda, não vou durar muito.
O que ele não sabia, era que eu me sentia tão perto quanto ele, e que a cada movimento para dentro de mim, um redemoinho de sensações se espalhava em uma digressão de prazer cada vez mais profundo, mais e mais devorador; indo e vindo, chegando à margem, à cada impulso vigoroso que elevava os meus quadris para o ar e que o fazia cravar os dedos nele; mais a minha mente se nublava e eu me tornava uma substância difusa, um ser confluente de energia e emoções, engolida por uma existência que era toda impaciência, desejo e voracidade.
Tudo parecia ter parado exceto as suas arremetidas mais fundas, mais longe, uma após outra, meus espasmos e contrações o sugando avidamente para mim, o meu corpo retorcendo cheio de necessidade, e então tremendo sob o brado áspero que ele soltara quando finalmente se entregou; o seu latejar espasmódico ricocheteando para dentro de mim, me preenchendo em todos os lugares e me levando para junto dele em um grito tão ou mais alucinante; a máxima satisfação sendo alcançada, o êxtase se diluindo em frêmitos pela minha carne.
⭐ + 💬 = 💓
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top