C A P Í T U L O 59

Uma nova realidade

          Edgar seguiu na frente, Rose sempre ao meu lado e Gianni logo atrás com mais um dos vampiros fardados. Se eu realmente não estava em perigo, não fazia o menor sentido tanta proteção, mas quem era eu para discutir com eles em um território completamente desconhecido quase fazendo xixi nas calças? Não mesmo, por isso me mantive calada e com a cabeça baixa como havia sido instruída.

          Passo após passo, a minha única visão era o piso de pedra bruta que havia virado granito polido quando entramos no casarão. Edgar trocara algumas breves palavras com alguém em uma língua que deduzi ser romeno, mais alguns passos para a direita, outra porta se abrira e o cheiro ambiente que lembrava terra misturada a coisas antigas, dera lugar a um odor mais vívido, mais metálico.

          O silêncio anterior fora substituído por um triste e solitário acorde de violino, passadas lentas, então aceleradas, a melodia aumentava, se enfurecia, se acalmava e se fundia a sussurros, a sons aquosos, tosses ou o que pareciam ser rápidos engasgos. Naquele cômodo específico todas as emanações se uniram, se entrelaçaram e se consubstanciaram em um único e nítido cheiro, o de sangue. Um arrepio súbito me percorreu levando-me a abraçar meu próprio corpo, e mesmo que a pressão latejante em meu baixo-ventre aumentasse à cada passada rápida, obriguei minhas pernas a trabalharem no ritmo apressado do meu coração.

          Mais uma vez a harmonia se distanciava e a luz avermelhada fora substituída por uma quase escuridão proveniente de um corredor. Edgar por fim parara, e pela primeira vez levantei a cabeça vendo à frente uma porta com um símbolo feminino pintado. Rose foi a primeira a entrar pedindo que eu esperasse alguns segundos, mas depois daquela longa e esquisita viajem até ali, ela já estava querendo demais.

          Avancei para dentro dando de cara com duas vampiras praticamente nuas perto da pia, ao passo que Rose, com seus quase um metro e sessenta de altura cobertos por um elegante terninho preto, atravessava o banheiro abrindo as portas das cabines e falando alto em tom de comando num idioma muito parecido com o que Edgar entoara antes.

          ― Iesi afara acum!*

          O grito dela me fez dar um pequeno pulo para trás, e eu aproveitei para me resguardar em um canto perto da porta, assistindo as duas vampiras passarem por mim com seus olhares enviesados me perscrutando de cima a baixo, seguidas de mais uma que estava nos fundos e que era empurrada por Rose até a saída. Eu me perguntava que loucura era aquela, ou melhor, quem era aquela que dizia ser apenas uma governanta. Definitivamente, essa era uma faceta da Rose que eu jamais imaginei existir.

          Sem perder mais tempo, corri até a última das cabines e me tranquei lá dentro. Um suspiro veio com o alívio, e os pensamentos iam se formando sobre aquele clã, junto deles, um interesse se sobressaindo. O que seria aquela música, aqueles sons, aqueles cheiros? Talvez estivessem em algum concerto de violino ou também poderia ser algum costume especial, alguma coisa pertencente ao mundo deles, ao mundo do Anton.

          Quando saí do banheiro, outra vez o cortejo se formou no mesmo arranjo. Edgar seguiu na frente e eu tive de manter a minha cabeça baixa com Rose ao meu lado e os outros dois atrás. Ao final do corredor, de novo se fez presente a melancólica sinfonia do violino, cada vez mais alta, mais tétrica, os suspiros mais intensos, quase gemidos, e a curiosidade falando mais alto.

          Um pequeno movimento de rosto para o lado, e os meus olhos foram tomados por tudo que a luz vermelha encobria e refletia. No meio da enorme sala, encontrava-se sentado em um banco solitário, um vampiro nu de olhos bem fechados com seus compridos cabelos negros caídos pelos ombros e a cabeça deitada sobre o instrumento de onde refletia todo o ritmo lamentoso do lugar. Ajoelhada entre as suas pernas com a rigidez masculina entre as mãos, uma ruiva o lambia, o chupava e o fazia desaparecer dentro de sua boca uma, duas, três vezes, só para retirá-lo e repetir cada gesto com a igual reverência com que ele tocava.

          Em sincronia com cada nota sonora, alguns corpos nus dançavam lentos, artísticos e teatrais, possuídos pelo langor e a solenidade da música. Nos sofás de veludo carmesim, vampiros, humanos, homens e mulheres se uniam e se fundiam uns aos corpos dos outros com movimentos de vai e vem, lábios abertos, peitos arfantes e olhos fechados. Mãos, bocas e línguas deslizavam, pescoços viravam, presas desciam, e o sangue jorrava com a mesma lentidão precisa, tornando tudo vermelho e mais vermelho.

          Um braço fora passado pelas minhas costas e o meu capuz puxado tampando a minha visão e arrancando-me daquele torpor esquisito que havia me feito parar de andar. Rose me impulsionava para frente de modo que eu precisei dar passos cada vez mais rápidos, e seguimos assim, até a música diminuir e cessar quando uma porta fora fechada atrás de nós. No entanto, a minha mente permanecia no ambiente anterior, no meio daquelas pessoas, tentando entender tudo o que eu havia visto.

          Entre tantas perguntas, uma gritava como que sob o efeito de luzes neons berrantes, fazendo todo o meu interior se contrair e estremecer. Onde o Anton estava? Eu não senti a sua energia e nem o tinha visto por lá, mas havia sido tudo muito confuso, muito vertiginoso e impreciso como um sonho, e ainda havia todas aquelas mulheres nuas...

          Num lapso de exasperação, estanquei no lugar erguendo a cabeça e retirando o capuz. Aparentemente estávamos no hall de entrada.

           ― Senhora... ― Rose começou a dizer, mas tão rápido quando meu coração saltou, as suas palavras sumiram quando a porta do outro lado do recinto se abriu e Anton saíra pela mesma, acompanhado de Kranz e mais outros dois vampiros que chamavam a atenção por seus longos cabelos escuros.

           Um olhar lentamente cerrado direcionado a mim, e eu diria que estava prestes a conhecer a sala das chamas, mais conhecida como purgatório. No apuro do momento, pensei em puxar a Rose pelo braço e sair correndo em direção à saída, mas a triste realidade bateu antes mesmo da coragem ou da falta dela, se revelar, pois ela nunca daria um passo sequer que contrariasse o perigo em forma de vampiro que se aproximava mais rápido do que eu gostaria, dadas as circunstâncias.

          Sem dizer nada ou me dirigir outro olhar, Anton segurou o meu braço levando-me para fora do palacete, e quando me dei conta, eu já estava dentro do carro e ele dando a volta para entrar do lado do motorista. Céus, em menos de uma hora eu havia prometido para mim mesma que não iríamos brigar, e era o que estava prestes a acontecer.

          Pelo menos havia um lado bom, ele não tinha saído da mesma sala que acontecia aquela orgia sangrenta.

          ― Não fica bravo, eu estava muito apertada e você estava demorando, eu não conseguiria esperar ― comecei dizendo, mas Anton permaneceu calado e apenas arrancou com o carro numa brusquidão que me fez cravar as unhas nas laterais do banco e grudar minha cabeça no encosto sentindo o veículo pegar velocidade em questão de segundos. Ele nem havia esperado pela Rose! ― Você queria o quê, que eu fizesse xixi no carro ou agachada atrás de um arbusto no meio de todos aqueles vampiros?

          Arrependi-me das minhas palavras no segundo em que Anton virara a face para mim, a expressão rígida transfigurada pela sincronia das sombras de dentro com as luzes que vinham de fora, o contraste realçando os abismos azuis e me congelando por dentro. Uma buzina trovejou alto, um pequeno e abrupto desvio para a pista da esquerda, aceleração e outro desvio para a direita, ele continuava me olhando e o mundo passando como um borrão lá fora.

          Rápido, cada vez mais rápido.

          ― Pelos Deuses, vai devagar! ― Que droga ele pensava que estava fazendo? Se a intenção era me apavorar, não precisava de tanto, o meu coração já havia se espalhado pelo meu corpo de tão enlouquecido, e os nós dos meus dedos doíam pela força com que eu apertava o estofado. ― Me desculpa, está bem?! Eu não deveria ter saído do carro, mas não dava para segurar. Acredite, eu não vi nada lá dentro e ninguém me viu, a Rose se certificou disso colocando esse casaco em mim e fazendo eu ficar de cabeça baixa, agora por favor diminua essa velocidade!

          Ele estava louco e ia me matar em um acidente de carro!

          Sem reduzir a aceleração, Anton dobrou a esquina para a esquerda com tudo, os pneus berraram e um coro estrondoso de buzinas sendo apertadas continuamente explodiu, mas a velocidade era tamanha, que logo as reduziram a um fio ressoante à medida que ficavam para trás.

          Na minha garganta um nó se apertava com todas as súplicas e preces que eu desejava fazer, mas nesse momento o pânico era grande demais para conseguir gritar ou falar qualquer coisa. Tão logo um bipe sequenciado ressonou do painel, e Anton pressionou um botão no volante fazendo a voz grossa de Kranz ecoar.

          ― Okay, você provou o seu ponto, serei mais eficiente da próxima vez. ― Para o alívio dos meus pulmões, Anton tirou o pé do acelerador deixando o carro se guiar com a aceleração sobressalente. ― Pegue a quarta avenida, é a primeira à direita, pegaremos um desvio daqui e nos encontraremos em quinze minutos na rodovia principal ― concluiu finalizando a ligação.

          Que raios havia sido aquilo?! Ele... ele... não era possível!

          ― Eu não acredito... você quer me matar?! ― esbravejei dando socos em seu ombro, o maldito ainda teve o disparate de sorrir. Retornei à minha posição fechando os olhos e sentindo o meu coração se esforçar para voltar ao normal. ― Você... inacreditável! Eu aqui pensando que estava bravo comigo...

          ― Um acontecimento não exclui o outro, não gostei da sua desobediência e teremos uma conversa sobre isso. ― Olhei para ele, o seu sorriso havia sumido e lá íamos nós de novo.

          ― Anton, por favor, já te expliquei as minhas razões.

          Só de pensar na discussão que se seguiria, eu sentia a minha nuca formigar e uma repentina onda de calor cobrir o meu corpo. Retirei o casaco de Rose ficando somente com o meu enquanto esperava por uma réplica da parte dele, mas Anton permaneceu calado, contendo-se a um exalar intenso seguido de um silêncio introspectivo, uma das mãos no volante e a cabeça inclinada em direção à outra sustentada pelo cotovelo na porta, os dedos desalinhando os fios.

          Os segundos foram passando quietos, mudos. Por fora Anton continuava perfeito, sempre aparentemente enérgico e bem-disposto, no entanto, os seus mínimos gestos, os seus suspiros ou os olhares às vezes vagos, entregavam uma exaustão profunda, mais do que mental, ela parecia vir da sua alma e revelavam uma perturbação tão cruel, que parecia sugar a sua existência, a sua capacidade de relaxar e aproveitar qualquer coisa boa da vida. Quanto caos não devia existir naquela inteligência, quantas coisas ele tinha que lidar. Devia ser terrível, um tormento incessante, sempre ter que se manter no controle de tudo.

           O momento reflexivo conservou-se por tempo demais, o suficiente para que as imagens daquele palacete voltassem assombrar a minha mente com ainda mais questionamentos que antes. Alguns deles eram praticamente uma tortura autoinfligida, pois eu não deveria estar ponderando se algum dia Anton já havia participado de algo como aquilo, principalmente porque eu ainda tinha viva a memória dele com aquelas mulheres na cobertura.

          Aquilo faz parte do passado dele. Apenas do passado, não do presente. Era o que eu queria acreditar dizendo para mim mesma que não devia me preocupar, mas e se Anton realmente gostasse dessas coisas? Eu nunca seria capaz de satisfazer os seus desejos e só de imaginá-lo com outra mulher, podia sentir o meu coração se fragmentando.

          Levei a mão ao peito, massageando-o com força, e se eu nunca pudesse ser o suficiente para alguém que já havia vivido tanto e experimentado tantas coisas? Até quando as minhas limitações sexuais o satisfariam?

           Que droga, eu não devia estar pensando sobre isso, mas a realidade era que eu...eu nem ser quer já havia tentado beijá-lo lá embaixo como aquela ruiva fazia, mais por receio da minha inexperiência do que por falta de interesse. Na verdade, eu tinha vontade de experimentá-lo e algumas vezes até me peguei imaginando como seria, mas Anton nunca me pediu nada ou ao menos tocava no assunto, e o que me sobrava de curiosidade me faltava de coragem para tomar a iniciativa.

           ― Por que você nunca me pediu pra te... ― Mordi o lábio calando-me a tempo de impedir que o meu surto inconsciente espalhasse a minha vergonha pelos quatro cantos daquele carro.

          ― Hum? ― Anton murmurou ainda retido aos seus pensamentos, como se só naquele segundo tivesse voltado a si. ― O que você disse?

           Céus, nunca me senti tão grata a Aine. Ele não havia ouvido, e isso me livrava da sua habilidade detestável de sempre conseguir me arrancar o restante das minhas frases impulsivas e interrompidas. Eu só precisava substituir a pergunta. Pense, Liz, pense rápido.

          ― Nada, eu só perguntei se todos os clãs são daquele jeito?

          Anton virou-se para mim tão devagar quanto arqueou uma das sobrancelhas.

          ― Jeito, hum? ― O tom de suspeita acentuou o quê de sugestão que tomou suas feições, trazendo-me a consciência da minha asneira. Eu havia acabado de fugir do fogo e caído diretamente na brasa. ― Para quem disse que não viu nada lá dentro, a sua pergunta me pareceu vir de uma noção pré-concebida.

          ― Eu... eu não vi... não vi. Foi só um modo de dizer...

          ― Fada.

          A advertência súbita e fria em sua voz me fez encolher e perceber a besteira que estava fazendo, mentindo mesmo sabendo o quanto seu radar para mentiras era infalível e o quanto ele detestava quando eu fazia isso, sobretudo porque, embora Anton manipulasse as situações para revelar somente o que quisesse, ele nunca havia mentido para mim, pelo menos não que eu soubesse.

          Todas as mentiras que arrisquei, nossa falta de comunicação, as minhas inseguranças e os enigmas dele, eram as principais causas das nossas brigas e eu não queria mais isso para nós. Não queria, por isso prometi para mim mesma que a partir daquele momento, não importava o que acontecesse, eu não mais inventaria desculpas para esconder a verdade.

          ― Tudo bem, eu vi algumas coisas, mas ninguém me viu. ― Por Aine, eu já estava mentindo de novo! Ia ser muito mais difícil do que pensei, mas eu me recusava a não tentar, pelo bem do nosso casamento. ― Quer dizer, só umas duas vampiras no banheiro e aqueles dois vampiros que estavam com você.

          ― O que você viu?

          Tão repentinamente ele parecia ter ficado todo em alerta. A falta de saliva acentuou o nó que surgia na minha garganta, levando-me a virar para a janela sentindo uma leve ardência nas maçãs do rosto, a lembrança voltando e aquela cena esquisita se repassando na minha mente. Ainda era difícil falar sobre esses assuntos, mesmo que Anton e eu já tivéssemos atingido esse nível de intimidade, eu simplesmente não conseguia controlar a vergonha.

          ― Fada, o que você viu?

          Finquei os dedos na barra do vestido, meus olhos atentos a rodovia que acabávamos de entrar e aos carros que havia nos alcançado, mas desconfortavelmente ciente do seu olhar sobre mim. Se eu quisesse ao menos tentar ser sexualmente suficiente para ele, tinha que aprender a engolir a minha timidez e ignorar o constrangimento, por mais difícil que fosse.

          ― Tinha... ― uma pausa para soltar as palavras engasgadas ―, tinha um vampiro tocando violino, pessoas dançando nuas e... pessoas fazendo sexo... juntas, com sangue.

           A minha voz sumiu e o silêncio abafou, pela visão periférica vi suas mãos apertarem o volante com força.

          ― Agora você entende por que pedi para que não saísse da porra do carro ― repreendeu ele, o timbre modulando baixo e imperturbável, mas com um comedimento forçado se evidenciando através dos dentes cerrados. ― Eu não queria te expor a esse tipo de coisa.

          Agora sim, as palavras de Rose começavam a fazer algum sentido na minha cabeça acumulando outras tantas perguntas.

          ― Essas coisas são comuns nos clãs?

          Anton ficou em silêncio por vários instantes até um extenso exalar parecer abrandar o seu aborrecimento e ele finalmente responder.

          ― Não é que seja comum ou recorrente. Cada clã possui as suas próprias tradições, princípios e liberdade de proceder como bem-quiser desde que respeitem as regras universais do Conselho de Draos. Alguns são mais subversivos, outros mais tradicionais, depende do quão provecto é o líder deles. No caso dos Shvets, apesar de serem tradicionais, são ligados à todas as formas de arte devido ao progenitor deles, e essas orgias são uma maneira de cultuar essa arte.

          Não tão inusitada quanto louca essa "maneira", mas eu não tinha nada a ver com isso. A parte que me interessava e que me enchera de inseguranças, havia sido parcialmente aliviada. Se Anton não queria me expor àquelas coisas, era porque não só sabia que eu jamais me sujeitaria a algo do tipo, como também não tinha o menor desejo em me submeter. No final das contas, ele queria me proteger e mais uma vez eu havia subestimado o seu cuidado comigo.

          O meu coração voltava a se aquecer me trazendo aquele desejo incontrolável de estar entre os seus braços com os meus lábios nos seus, mas como as circunstâncias não permitam, contentei-me em me inclinar para ele e acomodar uma mão em sua coxa.

          "Obrigada por me proteger." Tão logo o meu sussurro chegou ao seu ouvido, busquei o seu pescoço, deliciando-me com a sensação da pele aquecida sobre a minha boca. Ele... ele era tão... quente, macio. O seu cheiro, um afrodisíaco que me fazia ter vontade de morder, lamber e esfregar o meu corpo no seu para tê-lo em mim de todas as formas, em todos os lugares.

          Fechei os olhos inalando fundo, tentador demais, irresistível demais. O êxtase vinha como uma onda forte e opressora, despertando cada partícula do meu corpo e apagando qualquer pensamento. Mal percebi quando os meus lábios passaram a agir por vontade própria, se arrastando e sugando pequenas porções dele; muito menos quando a minha mão começou a se mover pela textura áspera do jeans que lhe cobria a coxa, tornando-se ainda mais difícil resistir quando eu tinha os seus pequenos suspiros e xingamentos de satisfação.

          ― Tempestade... ― Anton colocou a mão sobre a minha parando-a no alto da coxa de modo que dava para sentir o volume da sua ereção projetado para o lado. ― Mais um pouco e você sabe que não vou parar, não até ter gozado bem fundo dentro de você. ― Deuses, sim... mordisquei meu lábio, um gemido quase escapando por eles quando pressionei minhas coxas para conter o desejo pulsante entre elas. ― Tem certeza de que quer fazer aqui, agora? ― Ele iria parar o carro, certo? Não faria mal alguns minutinhos... ― Olhe pela janela. 


Iesi afara acum! - do romeno, "Saiam agora!"


+ 💬 = 💓



Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top