C A P Í T U L O 57

A insegurança que enlouquece

          Três dias, três dias longe um do outro e Anton nem fizera questão de me dar um beijo ou um abraço, e ainda fingira durante todo aquele tempo que eu não estava ali, ao lado dele! Três dias e ele voltara como um cataclisma se intrometendo nos meus assuntos e deixando a minha vida em suspenso ao seu bem querer só para me ignorar. Lua de mel? Que espécie de lua de mel era essa? Se realmente era uma, pois em nenhum momento ele havia dito que era e agora eu percebia com clareza que poderia ter sido tudo uma ilusão que o meu coração idiota havia escolhido acreditar.

          Anton se aproximou, a mão levantada para me tocar as costas, da qual rapidamente me afastei sem encará-lo, dirigindo-me à longa escada que levava para dentro do avião. Até chegar lá em cima havia sido um mero borrão sobre os meus olhos. Só me dei conta de onde estava quando atravessei a porta dando de cara com dois vampiros que, pelos uniformes, concluí que eram o piloto e o copiloto, postados ao lado de dois humanos comissários de voo, um homem e uma mulher, que nos recepcionaram com uma breve reverência e um "Bem-vindos, Sra. e Sr. Skarsgard".

          Com a educação que me talhava independente do humor, os cumprimentei e voltei-me para o outro lado sendo pega completamente desprevenida pelo que vislumbrei. Ainda que por fora aquele avião se assemelhasse mais a um de voo comercial do que a um jato particular comum, eu sabia que ele pertencia ao Anton desde o momento em que o vira por fora com toda a sua imponência, faixas pretas e logotipo da Skar. Mesmo assim, eu não estava preparada para o luxo que o esculpia por dentro por meio dos acabamentos e móveis em madeira escura, das poltronas e sofás de couro preto e do carpete acinzentado que integravam uma sala espaçosa, com todo bom gosto, conforto e tecnologia que se encontraria em tudo que era dele.

          Alheia à conversa formal que se estendeu atrás de mim, caminhei até uma das poltronas solitárias e me sentei com a esperança de ficar um tempo sozinha até conseguir acalmar as minhas emoções, mas o que eu não havia reparado era que a poltrona da frente era giratória, e fora onde Anton se sentou antes de se virar e me analisar em silêncio enquanto Rose e James se acomodavam em uma poltrona dupla que ficava em um dos cantos da sala, assim como Gianni e Edgar se postavam em outro.

          Por um tempo que pareceu infinito, Anton somente me observou. As pálpebras retraídas sobre dois icebergs afiados, a postura relaxada com o queixo apoiado na mão, o cotovelo no braço da poltrona e as pernas abertas com aquele volume obsceno bem ali, na minha frente. Se eu bem o conhecia, sabia que estava fazendo aquilo para me provocar porque havia percebido que tinha algo errado.

          E eu tinha que admitir, ele estava quase conseguindo.

          Ajeitei-me desconfortável, os seios pesados e doloridos. Mesmo que a temperatura do ambiente estivesse baixa, a do meu corpo parecia subir gradualmente sob aquele escrutínio dele, me enervando cada vez mais. Entre o desejo que trazia a vontade insuportável de me jogar no colo dele, a irritação por ser tão fraca e o ressentimento querendo gritar Ah, agora você se lembra que eu existo?!, escolhi ignorá-lo como ele fizera comigo no carro. Até mesmo porque não estávamos sozinhos e eu não queria cometer uma loucura ou começar uma briga na frente de ninguém.

          Voltando minha cabeça para a janela, fechei os olhos e a apoiei no encosto sentindo a forte impulsão da decolagem grudar o meu corpo à poltrona. No entanto, não era porque eu fingia a sua ausência que eu não estava atenta aos seus mínimos movimentos. Ouvi quando Anton abrira a pasta encourada que levara com ele, levando-me a abrir parcialmente os olhos a tempo de vê-lo retirar o notebook dela e colocá-lo na mesinha ao lado.

          A mesma mão voltara para o braço da poltrona e os seus dedos começaram um tamborilar lento, compassado e consciente, muito consciente. Fora nesse momento que reparei que ele permanecia na mesma posição de antes, a outra mão continuava lhe sustentando a cabeça e aqueles abismos perigosos conservavam-se cravejados em mim. Ao ver que tinha os meus olhos nos seus, ele arqueou uma sobrancelha e rasgou um sorrisinho desafiador como se dissesse "Desistiu de fingir?".

          Novamente eu quis gritar com ele, mas me contive em cravar as unhas no meu casaco e bolsa antes de jogá-los de lado. Obstinada a não entrar no seu jogo, dobrei um braço sobre o outro me arrependendo em seguida quando aqueles olhos desceram muito devagar, mas em semelhante efeito de um fósforo riscado em um caminho de pólvora, até pairarem no meu decote que provavelmente havia se esticado.

           Anton soltou um suspiro alto elevado a um ressono sôfrego e, reclinando a cabeça no encosto, deixou o braço que lhe sustentava o queixo, cair.

          ― Toda essa raiva reprimida é apenas tensão sexual acumulada ou também se estende ao medo de voar?

          Como ele se atrevia?!

          Com a mesma rapidez que os meus olhos saltaram, olhei discretamente para os lados sentindo todo o meu sangue migrar para a minha face. Se fora premeditado ou não, por sorte Rose e James assistiam a um filme com fones de ouvido e com os mesmos acessórios eletrônicos, estava Gianni lendo um livro e Edgar com a poltrona reclinada, talvez dormindo. Retornei para o vampiro à minha frente, a revolta contraindo-me os olhos.

          ― Não tenho medo de voar e não há nada sexual envolvido ― respondi somente, mordendo minha bochecha para não protestar o seu atrevimento e acabar lhe dando oportunidade para me provocar mais.

          O que não adiantou de qualquer forma, porque o patife entreabriu os lábios revelando a língua brincando com a presa para então, muito lento e premeditado, abrir um sorriso parco, mas malicioso o bastante para lhe intensificar o cintilar das geleiras azuis.

          ― Tem uma suíte lá atrás, posso te ajudar a aliviar essa tensão.

          Safado descarado, usando a voz cheia de desejo contra mim. Tão rouca e sussurrada, que mais parecia veludo acariciando as partes mais íntimas do meu corpo. Por um instante ponderei, tudo o que eu mais queria era estar com ele, mas continuava muito chateada, não só com o seu sumiço, mas sobretudo pela maneira como havia me ignorado. Eu me sentia de certa forma abandonada, com tanta saudade, mas consciente de que as minhas incertezas e a inacessibilidade dele não se resolveriam com sexo.

          ― Estou bem aqui, obrigada. ― Eu poderia me calar por aí, mas não podia perder a chance de alfinetá-lo, então, lançando uma olhadela desdenhosa em direção ao notebook, continuei: ― Além do mais, provavelmente você tem de voltar para a sua reunião.

          Ele ainda teve a audácia de rir.

          ― Então é por isso que você está assim.

          ― Não, Anton, não é só por isso!

          Que droga! Por que eu tinha sensação de que havia acabado de cair numa armadilha? Não tive muito tempo para pensar sobre e me martirizar com isso, pois o comissário de voo, com seu uniforme preto implacavelmente engomado, havia aparecido e estava vindo na nossa direção.

          ― Com licença, posso servir o café da manhã? ― indagou ele sorridente, postando-se ao lado.

          ― Sim.

          ― Não ― respondi simultaneamente sem desviar meus olhos do vampiro sentado à frente. Percebendo de imediato que devia reformular a minha resposta, virei-me para o moreno em pé e forcei um sorriso simpático. ― Dispenso o meu, obrigada.

          ― Você precisa comer. ― O tom impositivo fez meu sorriso morrer antes mesmo que eu voltasse a encará-lo. ― Rose me contou que você não anda se alimentando direito.

          Ah, agora o maldito estava preocupado comigo? Como se não bastasse ele querer resolver a minha vida sem o meu consentimento, agora eu estava sendo vigiada como se fosse uma criança? A Rose por acaso havia virado a minha babá? Não, uma babá não, ela era uma fofoqueira, isso sim! Vários insultos passaram pela minha cabeça, mas eu precisava me controlar e manter a compostura, pelo menos na frente dos outros.

          ― Não estou com fome. ― Não era teimosia, eu realmente não estava. Do jeito que o meu estômago queimava, era provável que qualquer comida voltasse assim que chegasse nele. Eu tentei ser sucinta e educada, mas quando Anton abrira a boca com uma expressão de quem estava procurando briga, eu só abaixei o meu timbre e completei: ― Não vou comer e você não pode me obrigar.

          Pronto, agora falávamos a mesma língua, porque a fúria que ele me despertara era a mesma que vi transformar seus icebergs em dois vulcões em plena erupção.

          ― Saia.

          Além do tom grosseiro, Anton dispensou o homem com um aceno de mão sem nem mesmo olhá-lo, e muito antes do comissário desaparecer lá para frente, ele já estava em pé curvado sobre mim, destravando o meu cinto de segurança. Os segundos que se seguiram foram um susto vertiginoso, muito rápido ele me retirou da poltrona e me jogou em seu ombro sem me dar qualquer chance para reagir. Não que, depois que eu tenha me dado conta do que estava acontecendo, não tenha o feito, o que aconteceu só no ambiente seguinte à sala, numa espécie de lounge íntimo.

           ― Anton, me solta! ― Diferente das outras vezes que aquele vampiro das cavernas fizera aquilo comigo, não o presenteei com uma sequência de tapas e socos, eu estava mais preocupada em me segurar e reprimir a ânsia que a cabeça para baixo estava me suscitando. ― Me solta, por favor, eu vou vomitar!

          Ignorando o meu clamor, ele terminou de atravessar o lounge e seguiu por um corredor até passarmos por uma porta. Havíamos entrado em um quarto, um quarto grande com uma cama enorme e macia, na qual fui jogada. "Idiota!". Levei as mãos ao rosto fechando os olhos lacrimejantes, buscando uma respiração e engolindo a salivação excessiva que o enjoo me causara. Droga, agora eu estava com azia!

          ― Será que dá para me explicar que merda está acontecendo com você?

          Retirei as mãos dos olhos sentando-me de uma vez, meus músculos ainda bambos e o meu coração inflamado fazendo a minha pulsação retumbar em todas as partes da minha cabeça. Anton estava em pé na beirada da cama em sua postura intimidadora, as pernas ligeiramente afastadas, os braços cruzados e o olhar enervado sobre mim.

          ― Acontecendo comigo? A única merda que está acontecendo aqui é com você! Você sumiu por três dias, Anton! Não me interessa se avisou, depois de tudo que te contei naquela noite eu esperava um pouco mais de consideração, mas não. Você simplesmente some por três dias sem ligar ou mandar sequer uma mensagem durante todo esse tempo!

          Era isso, se eu havia me exposto totalmente ou se eu estava fazendo cobranças demais, não importava. Eu não dava mais conta de guardar aquelas coisas que me definhavam aos poucos só porque tinha medo das suas reações. Eu estava cansada daquela montanha-russa emocional, estava no meu limite.

           ― Assim como você, quando sumiu por cinco dias? ― Anton não levantara o tom, mas o seu sarcasmo chegou berrando aos meus ouvidos e voltando a me umedecer os olhos. Não... não, ele não fez isso... Era um golpe muito baixo, baixo demais até para ele. ― E não, não faça essa cara porque ao contrário do que está pensando, não foi retaliação pelo que você fez. Eu realmente estava ocupado, e apenas isso.

            ― Ocupado? Claro, tão ocupado que teve tempo para ter uma "conversa agradável" com o Sr. Landon, mas não teve um maldito segundo para ligar pra mim! ― Se ele queria resolver aquilo na base da ironia, na base da ironia resolveríamos, e eu estava disposta a continuar. ― E ainda não entendi porque você me trouxe nessa viagem, se a sua intenção era ficar com a cara enfiada naquele notebook idiota!

          Definitivamente a raiva havia derretido todos os meus filtros, mas eu não poderia me importar menos. Esperei ansiosa pelo seu revide, mas para o meu desgosto Anton se limitou a levantar o antebraço e levar a mão ao rosto, fechando os olhos e apertando os cantos internos deles. Reparei no quanto os seus lábios estavam comprimidos, e somente quando ele abaixou a mão e voltou a expor as profundezas brilhantes e cheias de humor, que compreendi que na verdade ele estava tentando não rir.

            Aquilo foi o fim para mim, foi a gota que faltava para o açude se romper. Eu não iria ficar ali vendo-o rir da minha cara enquanto eu estava quase chorando. Arrastei-me para fora da cama apressadamente e fui em direção à porta fechada determinada a ficar o mais longe dele, assim que pousássemos eu pegaria o primeiro voo de volta para casa.

           ― Aonde você vai? ― Anton me alcançou sem muito esforço segurando-me pelos quadris e me puxando de volta.

           ― Me deixa! ― exigi num brado tentando me livrar das suas mãos e impulsionando o meu corpo à frente para evitar o seu toque às minhas costas e o consequente arrepio prazeroso que ele me despertava. ― Eu já disse para me deixar!

           ― Quer parar com isso? ― Passando o braço ao redor da minha cintura, ele me segurou firme limitando parte dos meus movimentos. Outra vez tentei me libertar exigindo que me soltasse, sacudindo-me, balançando as pernas e lançando meu corpo à frente para alcançar a maçaneta. ― Para porra!

          Muito rápido Anton passou o outro braço por cima dos meus ombros, acolhendo meu corpo ao seu, enlaçando-me forte e me mantendo completamente estática com a cabeça apoiada abaixo do seu pescoço de modo que os meus únicos movimentos se resumiam às contrações desesperadas do meu coração e ao sobe e desce agitado do meu peito. Em meus olhos encobertos, o ardor das emoções reprimidas que não demoraram para escorrerem pela minha face.

          ― Idiota! Eu senti a sua falta! Eu realmente senti a sua falta, mas você não percebe, você nunca está nem aí pra nada! ― A entonação chorosa me denunciara, mas a essa altura não fazia diferença perto do que já tinha acontecido nos minutos anteriores. ― Não sei o que eu estou fazendo aqui, se tudo o que você fez foi me ignorar e rir de mim!

          ― Shhh... calma ― Anton sussurrou e eu tentei uma última vez, falhamente, me soltar.

          Ele continuava me segurando e pedindo por calma baixinho. Pouco a pouco o som enrouquecido e a calidez alentadora fora me penetrando a pele, atenuando os espasmos ávidos do meu corpo e tornando a sua rigidez orgânica, maleável, gradualmente aquietando os meus pensamentos aflitos.

          ― Eu quero ir embora pra casa ― pedi chorosa, fechando os olhos quando ele encostou a sua cabeça na lateral da minha, e a sua respiração passou a soprar adentrando os fios do meu cabelo enquanto a sua boca descansava próxima à minha orelha.

          ― Essa viagem, eu só queria te fazer uma surpresa.

          Surpresa? Por que ele me faria uma?

          Eu não gostava de surpresas assim, e ainda estava confusa, muito confusa. Nem toda a sinceridade que senti na sua voz afastara as minhas inseguranças, eu já havia me iludido demais para cair na mesma armadilha outra vez. Anton soltou um exalar pesado, ele parecia tão cansado quanto eu, pelo menos mentalmente. O braço que me segurava os ombros escorregou para o lado e a sua mão abraçou o meu ombro.

          ― Mas eu devia ter considerado o quão caótica e enlouquecedora você é para ter previsto que até com uma simples surpresa, você poderia me criar problemas.

          ― Eu não crio problemas ― rebati desprendendo-me do seu abraço e virando-me de frente. ― A culpa é sua, que faz tudo do jeito errado.

          ― A culpa é minha então. ― Balancei a cabeça confirmando e limpando as minhas lágrimas com o dorso das mãos, vendo seus abismos frios se restringirem e a sua expressão se iluminar. ― Você não tem jeito mesmo, não é? Pensei que já tínhamos passado dessa fase.

          ― Que fase, Anton? ― As suas pálpebras subiram de repente e os seus olhos, antes pousados sobre a minha boca, encontraram os meus. ― Nunca tivemos fases. Sempre foi tudo ou nada entre nós dois.

          ― Tudo ou nada ― repetiu ele cruzando os braços, o tom incisivo realçando a real sentença da qual estávamos condenados. A intensidade que nos permeava não permitia menos, não transigia meio termos ou caminhos. ― Essa é a hora que devo perguntar o que você quer?

          ― Não, porque você sabe o que eu quero, tenho certeza que sabe.

          ― Eu tento, mas quando penso que estou começando te compreender, você se transforma, enlouquece...

          ― Eu enlouqueço porque nunca tenho certeza de nada em relação a você! ― Por que, por que parecia ser tão difícil para ele entender isso? ― Nunca sei o que você está panejando ou como vai reagir, nunca sei o que você quer ou o que sente por...

          Sem me permitir continuar, Anton voltou a me puxar contra o seu corpo e antes mesmo que eu pudesse absorver a sensação gostosa do contato daqueles músculos rígidos em contraste com a minha carne macia ou do seu calor perfumoso irradiando para dentro de mim, os seus lábios avançaram sobre os meus pegando-me completamente desprevenida.

          Também não houve tempo para aproveitar a textura sedosa do primeiro toque, a sua língua me invadiu a boca tomando-a com urgência, fazendo-me ceder e recebê-la avidamente com a minha. As duas se moveram juntas, retraindo e investindo, misturando os sabores mentolados e aumentando o ritmo, a pressa, nossas respirações. Eu o sugando, cravando os meus dedos em seu suéter e trazendo-o para mim, ele me mordendo, me controlando com os dedos enterrados entre os meus cabelos e empurrando-me em direção à cama. 

          ― An-Anton... ― ofeguei em meio a privação de ar, sentindo o móvel grudado na parte posterior das minhas pernas.

          ― Não. ― Sem diminuir a intensidade do nosso beijo, ele projetou-se sobre mim apoiando o joelho na cama, e o meu corpo fora cedendo para trás sob o seu peso, escorregando até o colchão. ― Chega de conversa, são quatro dias sem você e eu já esperei muito, não estou mais respondendo por mim.

          Eu sorri, um sorriso satisfeito e maravilhado de quem amava ser a responsável por fazê-lo perder o controle. De olhos fechados e lábios semiabertos, o senti descer os dele pelo meu queixo, arrastando-os com a língua em uma dança erótica, sugando e deslizando, sendo dobrados sobre a minha pele ardente. As minhas botas foram as primeiras a voar para algum canto, as dele para o outro, eu puxando o seu suéter e ele abrindo o meu cardigã, apressado, sem que seus lábios me deixassem nem por um segundo. 

          Eu precisava tanto daquilo, de pertencer a ele, de estar em seus braços, pele a pele, sob o seu corpo, sob a sua boca inquieta e desejosa. Precisava senti-lo fundo, me abrindo, me desejando, me provando que não era a mera ilusão de uma mente confusa e de um coração carente, que era verdade, que eu era especial para ele.

          ― Eu... eu preciso saber... o que você quer... ― arfei em meio a luxúria dolorosamente contida e instada pela necessidade dele que explodia em mim à cada sucção dos seus lábios em direção aos meus seios intumescidos. ― O que você sente...

          Tão de repente os meus pensamentos perderam forças e as minhas palavras se transformaram em gemidos quando Anton deslizou a língua pelos meus mamilos chupando-os com força. Cravei as unhas em suas costas, arqueando-me mais e mais para ele, deixando meu corpo tomar forma sob o seu toque desesperado, enlaçando-os com as pernas, e trazendo para o meu centro toda a rijeza protuberante ainda retida em suas calças.

          ― Você.

          "Eu sinto você."



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