01 - Como tudo começou

Eu tenho 27 anos e estou apaixonado pela mesma mulher desde os meus 18. Alguns acharam loucura quando a pedi em casamento depois de um ano de namoro, mas eu orei por ela durante quatro anos sozinho, antes de ter a coragem de orar junto com ela pelo nosso relacionamento. A certeza de que eu precisava veio de Deus e não dos "achismos" das pessoas ao meu redor, nunca precisei do "test-drive" para saber que ela é a mulher que eu quero para minha vida toda, a resposta que eu queria veio diretamente de Deus para mim. Ágata Cristina Menezes é e continuará sendo a mulher da minha vida!

Eu conheci a Ágata na faculdade, bem no começo. Eu tinha acabado de começar meu curso de Jornalismo quando a vi entrar pela porta da sala de aula. Seu sorriso foi a primeira coisa que me chamou a atenção, seguida pela pele cor de cappuccino e os olhos castanhos e intensos. Eu fui pego no flagra quando ela olhou na minha direção e eu a olhava como um cara completamente hipnotizado. O sorriso que ela me ofereceu foi o suficiente para fazer com que eu me apaixonasse naquele mesmo instante.

Durante as primeiras semanas eu apenas a olhava com as outras pessoas. Ágata era do tipo popular e que fazia amizade de um jeito bem rápido, inclusive era muito gentil comigo, mesmo eu sendo meio retraído e quieto nas aulas. Lembro-me dela se aproximando e perguntando o meu nome, mas antes mesmo que pudesse terminar de dizer meu sobrenome, alguém a chamou e ela meio que me conheceu como Jonathan Tor e não Torres. Idiota, eu sei.

Eu suspirava pela Ágata todos os dias da minha vida, mas não tinha coragem de falar com ela. Eu a via com seus amigos, sempre ocupada com algum trabalho e até mesmo interagindo com pessoas de outros cursos, porém, falar com ela exigia muito de mim. Eu tinha 18 anos e era um tremendo bebezão! Ágata tinha 17 anos na época, ela fazia aniversário mais para o final do ano que eu soube e era uma excelente aluna, além de linda!

Alguns meses depois do início das aulas, eu já tinha conseguido falar poucas vezes com ela, situações raras como "você entendeu essa matéria?" ou "que dia é prova do professor Dênis mesmo?". Chega a ser ridículo, eu sei. Ruan me zoava constantemente por eu não conseguir ser coerente perto da Ágata. Ele é meu melhor amigo desde o colégio. Resolvemos fazer Jornalismo juntos e ele acompanha meu drama desde o início. Aliás, ele sempre dizia que seria o padrinho do nosso casamento e, bom, ele é.

Voltando à história, eu tinha muita dificuldade para falar com ela ou sequer estar perto dela, era como se meu corpo tivesse vida própria e minhas pernas saíssem correndo quando ela chegava perto o suficiente para que eu sentisse o cheiro doce do seu perfume. No entanto, certo dia haveria um evento grande na igreja e o pastor Humberto pediu para que os jovens fossem os responsáveis pelos visitantes daquele dia. Eu estava uma pilha de nervos com tudo e pensar em Ágata não me ajudava em nada. Resolvi conversar com o Thiago, meu líder na época, eu precisava colocar aquilo para fora de algum jeito.

Pedi para falar com ele em particular e o mesmo se prontificou no mesmo instante para me ouvir. Contei tudo que sentia quando a via e sobre como eu sentia que sentia algo extremamente forte por ela. As palavras que usou para me aconselhar nunca saíram da minha cabeça:

"Jonathan, o coração do homem é falho e o corpo pode nos trair pelo que os olhos veem, mas se existe uma coisa que é certeira e nunca vai nos deixar cometer erros se seguirmos à risca é a nossa capacidade de falar diretamente com Deus e ouvir a Sua voz. O véu está rasgado para que em situações como essas possamos falar com Ele e pedir o Seu direcionamento, faça isso. Ore e peça a Deus para traduzir esses sentimentos para você, se for algo vindo dEle, tenho certeza de que Ele vai te dizer. Só saiba esperar o tempo que Ele determinar."

Depois que ele disse essas palavras, eu dobrei os meus joelhos e pedi a Deus que me revelasse sobre tudo o que eu sentia, pedi um sinal e uma resposta. E mais tarde naquele mesmo dia, enquanto eu recebia os visitantes daquela noite, um sorriso dentre toda a multidão fez meu coração acelerar de forma instantânea e eu soube que o que eu sentia era mesmo amor.

Ágata foi como visitante naquele dia e passou a frequentar assiduamente aos cultos. Ela falava comigo e eu comecei a ir criando mais coragem para falar com ela também. Todas as noites eu orava a Deus pedindo direcionamento sobre o que fazer, resguardei meus sentimentos em Deus e senti que precisava deixar o tempo certo chegar, pois o tempo naquele momento era de que Ágata viesse a ter um relacionamento com Deus e não com um homem, ainda que esse homem fosse eu.

Durante quatro longos anos a nossa amizade foi crescendo e se fortificando. Nós nos falávamos todos os dias na faculdade e na igreja. Criamos um elo muito forte entre nós dois e eu pude acompanhar seus passos no Evangelho. Acompanhei as vezes em que ela pensou em desistir e estive ao seu lado enquanto ela chorava e orava pedindo forças, eu orava juntamente com ela e depois orava em particular para que Deus zelasse pelos meus sentimentos. Depois de dois anos de constante oração, recebi uma revelação tão clara como a água que a resposta da minha oração já estava comigo, só precisava ser moldada para mim. Deus me disse que Ágata precisava conhecer a Ele primeiro e pertencer a Ele para que enfim Ele pudesse me entregá-la por toda a vida. Eu entendi e não desanimei um segundo sequer nas minhas orações. Orei mais dois anos inteiros, todos os dias sem cessar, para enfim vê-la batizada e firme com Deus.

Após quatro anos em que eu orava e aguardava o momento certo, eu finalmente me declarei e fui surpreendido quando ela disse que achava sentir o mesmo por mim, mas tinha medo de estar confundindo as coisas, sugeri que orássemos juntos para que Deus falasse conosco. Não contei sobre a revelação, sobre as promessas ou sonhos que Deus havia me dado nesse tempo, afinal, se era mesmo algo de Deus, ela não precisava da minha influência para entender o que sentia.

Depois de seis meses de oração, Ágata chegou até mim após um culto e disse que Deus tinha falado claramente com ela e que só faltava uma coisa para ela ter a certeza que precisava. Nesse instante, eu olhei dentro dos seus olhos e disse: "tudo bem, eu não me importo em esperar, tenha a sua certeza e Deus cuidará de nós como sempre fez". Ágata e eu estávamos sozinhos em um banco próximo à igreja, todos já tinham ido e os que ficaram estavam arrumando o templo para fechá-lo, a rotina dos obreiros estava sendo feita e eu fui surpreendido com um beijo casto e gentil da mulher que sempre fez meu coração querer saltar do peito. Ela disse que já tinha a certeza, porque Deus havia dito que o homem que Ele separou para ela era um homem bom, paciente e temente a Deus. Mediante àquilo, minha única reação foi abraçá-la e inspirar o cheiro doce que por muito tempo fez meu corpo querer correr para longe, mas naquele instante, a única coisa que ele queria era agradecer a Deus pela benção que Ele tinha guardado para mim.

— Oi, amor. — Sou acordado dos meus devaneios pelo sorriso mais espetacular do mundo. O da minha noiva.

— Oi, meu bem. Chegou cedo — digo beijando levemente seus lábios.

— Sim, eu tenho um livro para revisar, achei melhor fazer isso em casa, então, não posso demorar muito hoje, tá bom?

— Claro, meu amor. — Ágata trabalha como editora em uma livraria, ela sempre foi apaixonada pelo mundo literário, mas preferiu fazer Jornalismo ao invés de Letras porque gosta da área também e podia juntar os dois. Ela é uma ótima romancista de histórias investigativas. — Sobre o que é livro?

— Ah — seu sorriso já entrega antes mesmo dela falar. — É um romance de mistério, você sabe o quanto eu amo, não é?

— Claro que sei, meu bem — sorrio para ela. — Eu estou terminando essa matéria e já te levo para sua casa, podemos ir direto para lá hoje ao invés de irmos à lanchonete, assim você pode trabalhar mais tranquila. — Ágata me abraça apertado e deixa um beijo estalado na minha bochecha.

— Eu já disse o quanto Deus caprichou ao separar um marido para mim? — Ela sempre dizia isso e, na verdade, eu a entendo bem. Muito bem.

Termino de escrever a matéria do jornal de amanhã e pego minhas coisas, saímos do prédio do jornal da cidade bem rápido e seguimos para a sua casa.

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