🌬 Capítulo 15 - Para Além de Todas Estações 🐺


Nap voltava para Kurohk com o gosto amargo da derrota em sua boca, ele fracassou na missão, no monastério não havia nenhuma presença da família de Hento, o alfa lúpus nem mesmo sentiu o cheiro dele. Nada. Era como se o  monastério estivesse vazio por anos.

O que ele diria a Hento, pior, seu ômega não fazia ideia de que sua família estava viva, mas agora ali, no meio da floresta voltando para sua casa , Nap se perguntava se o que Kiro disse fora realmente verdade ou se foi fruto da imaginação dele, quem sabe no seu desespero o lobo quis barganhar sua liberdade. O fato é que Nap não tinha como prova se era verdade ou não.

O lobo alfa avançou mais rápido, ele precisava chegar em casa logo, ver com os próprios olhos como Hento estava, sua missão pode ter fracassado, mas ele nunca desistiria de trazer novamente a felicidade a seu ômega , determinado Nap correu mais Veloz no meio da floresta de inverno.

Era noite quando o alfa lúpus cruzou os portões de Kurohk. Depois que Hento passou a mora ali, Nap deixava sempre uma muda de roupa reservada para si, antes ele não ligava para essas amenidades, mas isso mudou quando ele testemunhou os olhos contrariados de Hento certa vez em que Nap não se protegeu devidamente após uma transformação.

Assim que vestiu a roupa de qualquer jeito, Nap chegou até o salão, o alfa lúpus ergue o cenho em confusão, ele não esperava aquela pequena comitiva na sala. May, sua irmã estava uma tristeza, ela torcia as mãos sem parar uma na outra, era nítido o olhar de preocupação e pena dela. Sim pena? Mais de quê?

Já Gus, seu melhor amigo , até tentava disfarça, mas ele não conseguia esconder o semblante abalado. Até Macawi estava ali, a gravidez evidente e o rosto preocupado era sinal de algo muito grave devia ter acontecido. Até que ele se deu conta de algo. Aonde estava Hento? Seu pequeno lobo azul.

— Onde está Hento? — Nap foi direto ao assunto, ele era muito inteligente para perguntar o que estava havendo, era óbvio que algo de muito sério havia acontecido, e a expressão de todos só o deixava pior.

—Nap precisamos conversar...

—Merda nenhuma, não quero conservar, quero sabe o que está acontecendo aqui, e o mais importante, por quê meu ômega não está aqui?!

A fúria de Nap disfarçava o tremor em sua voz, a respiração do grande alfa lúpus começou a fica acelerada,  ele sentiu um gosto novo e incômodo na boca, era um gosto desconhecido do qual ele nunca tinha sentido antes na vida. Gosto de medo.

Gus, ao ver o estado do seu amigo e líder, ficou pior do que já estava, ele se culpava por não ter percebido a fuga a tempo, como aquele ômega passou despercebido por todos sentinelas? Para piorar, Nap o deixará para proteger seu ômega em sua ausência, e Gus falhara na missão. Os olhos de medo do seu amigo o deixava devastado, ele não queria nem por um momento sentir a dor que Nap devia está sentindo.

— Nada de grave aconteceu, assim eu espero— Gus sussurrou, ele nem mesmo tinha coragem de encarar o amigo nos olhos, assim mesmo ele continuo. — Hento fugiu...

Nap chegou até Gus na velocidade de um raio, sem nem mesmo da a chance do homem terminar.  Empurrou seu amigo com força para parede, no processo uma parte da parede se espatifou no solo e Gus temeu ter seu ombro quebrado, mas ele não se importava com isso, a dor do seu amigo era maior que tudo.

May e Macawi levantaram-se temerosos, o ômega de Gus colocou a mão na barriga e ameaçou chorar. Nap não enxergava nada a sua frente.

— Como você pode permitir isso, eu confiei a segurança dele à você — Nap gritou sua dor, no fundo ele sabia que o amigo não tinha culpa de nada.

—Tudo o que me resta é perdir o seu perdão, eu mesmo e todos os sentinelas estamos atrás dele na  floresta, traremos seu ômega de volta.

Foi então que Nap lembrou-se do dia que conheceu Hento, igualmente como agora, ele havia fugindo. Então o alfa lúpus fechou os olhos em desespero, os perigo que seu ômega poderia enfrenta era imerso, sozinho nessa floresta de inverno sem proteção . Por que ele fez tamanha bobagem? Será que seu ômega não o amava. Então uma dor sufocante tomou conta dele, agora todos os olhares de pena fazia sentido.

Nap já não aguentava mais ser olhado assim, ele soltou Gus, que aliviando se deu conta que o amigo não tinha quebrado nenhum osso dele, e em seguida correu veloz para quarto, ele tinha que desabafa sua dor sozinho, sem testemunhas. Destruído Nap entrou em seu quarto sem nem mesmo se da conta de nada a sua volta. A única coisa que aplacava sua dor era o cheiro do seu ômega que estava impregnado ali, como se lembrançasse a Nap que Hento era real, que sim, ele havia encontrado seu companheiro  e que ele esteve sim ali. E que aquele tempo deles juntos não foi um sonho.

Um pequeno pedaço de papel chama atenção do alfa, ele sentiu uma pontada no coração,  ele o lobo mais temido da sua era, tinha receio de ler um simples  pedaço de papel, o medo não estava em ler  e sim no conteúdo , Nap não se sentia pronto para saber  que o ômega o rejeitará, o destino era cruel,  como ele viveria. Com os dedos trêmulo, Nap começou a ler a despedida do seu garoto.

"Nap, primeiramente quero deixar claro que estou indo embora porque amor você, mas sei que não  sou  capaz de dar a felicidade que sempre buscou. Eu deveria perdir perdão por ser assim, diferente, mas a verdade é que não me sinto culpado por ter a minha essência assim, só lamento por não ter sido capaz de fazer meu alfa me amar como eu sou. Eu tenho 21 anos , ainda estou trilhando minha  vida, mas aprendi algo que vou levar para sempre, que no amor não há espaço para egoísmo, naquele lindo dia de inverno que nos conhecemos,  você me olhou como se eu fosse o Centro do seu universo, uma dádiva , logo depois você descobriu todos meus defeitos, a gente se perdeu no meio desse caminho, e creio que meus defeitos foi demais para você assimilar e até mesmo aceitar. Sem falar no meus  sonhos bobos de um garoto que sempre sonhou ser livre e que imaginava que todos meus problemas estariam resolvidos quando eu pudesse correr e caçar como qualquer alfa faz, como eu estava errado, a vida é muito além de sonhos, hoje eu sei que para ter a vida que eu quero, só  depende de mim, da minha luta, das minhas batalhas. Eu não realizei meus sonhos, e não destruirei o seu, por isso Nap, quero libertar os laços que nos uniam, assim um dia você terá a chance de olhar para um ômega, igual você me olhou um dia e ser feliz como é para ser. Quanto a mim, tentarei encontrar meu lugar no mundo, estava pedido, agora não tô mais. Isso não é um adeus, é um até logo. Prometo que assim que minha batalha estiver vencida, entrarei em contato com você, até porque quando tudo isso passar conversaremos sobre um elo que há entre nós , até lá, eu só desejo coisas boas e que você seja muito feliz. Na vida sempre a dois caminhos pra ir, um que devemos escolhe, eu fiz as minhas escolhas, e sei que você fará as suas. 
Com carinho Hento"

Nap terminou de ler a carta sentado no chão, o alfa já não tinha mais nenhuma dignadade, ele chorava os prantos. Então seu pequeno ômega o amava.

—Burro, burro ,burro!— Nap agredia a si mesmo no meio da sua dor.

Hento imaginava que não era o bastante para ele, quando na verdade ele era tudo, aquele ômega era a vida dele. Como ele não pode perceber isso. Ele lembrou-se a si mesmo que uma vez pensou em mudar o Hento, até que Nap se deu conta que o amava do jeitinho que ele era, amava cada pedacinho daquele ser, e sua alma sangrava ao pensar que Hento imaginava que ele o via como um ser cheio de defeitos. Nap se encolheu no chão e chorou. Ele precisava de cura para sua alma, e nome dessa cura era Hento.

— Eu te dei tantos conselhos. Tse. Tse. — A deusa surgiu do nada.

Nap a olhou, ele nem mesmo tinha forças para responder-lá, agora tudo fazia sentido, tudo! A deusa sempre o avisara e ele como tolo, não lhe deu ouvidos.

— Eu o perdi —Nap sussurrou sem forças.

—Não! Você não o perdeu. Você nunca o perdeu. Quero lhe contar uma história, mas antes preciso que você me responda uma pergunta. O amor sobrevive a conversões?

—Não existe conversões quando há amor, hoje eu aprendi que o que me fez amar Hento não é o fato dele ser meu companheiro, mas sim por ele ser do  jeito que é. Não há  certo e errado no amor, eu queria tê-lo aqui para poder declarar todo meu amor a ele. Mas eu não sei aonde ele possa está, eu não sei. — Terminou Nap com as mãos no rosto em desespero

A deusa se aproximou de Nap e tocou o queixo dele.

—Sabe sim, você sempre soube —Nap olhou confuso para deusa, ela sorriu de forma amorosa e prosseguiu.— Agora chegou a hora de conta aquela história.

A deusa sentou-se do lado de Nap, e com a mão ela fez um movimento mágico, Nap intrigado viu uma luz brilhante em volta deles, até que do nada o brilho de sol tomou conta da luz, era um sol lindo de outra época, e era verão! Nap tinha certeza que era um verão, de uma forma inexplicável ele sentiu a nostalgia tomar conta do seu ser, uma saudade de algo, que nem ele mesmo sabia o quê era.

— A milhares de anos atrás, ainda no mundo antigo, um belo mágico chegava as terras de MacBélgio, um duque escocês que não era feliz, ele tinha o peso do mundo em seus ombros, era um líder que foi criando para pensar primeiro no seu reinado, segundo no seu povo e terceiro em si. — A deusa fez uma pausa.

Nap hipnotizado pensava como era incrível aquilo, em um momento ele estava sentado vendo uma luz brilhante, no momento seguinte ele estava transportado para outra era mágica, o mais estranho de tudo é que ele tinha a sensação de conhecer o duque de algum lugar, até os sentimentos do duque não lhe era estranho, era como se Nap o estivesse sentindo agora. A deusa continuou:

— Um dia, em uma bela tarde de verão, um circo chegou na suas terras, de princípio ele não deu muito importância, até que rumores sobre as habilidades de um certo mágico começou a por o povo dele em pavor, algo tinha de ser feito, e como ele tinha um senso de justiça gigante, o próprio homem foi conhecer o mágico em uma noite de verão, em um mágico verão.

Nap viu o duque sentado ao lado de uma mulher misteriosa, e viu o exato momento que o mágico chega no palco e ergue lentamente sua cabeça. O golpe que Nap sentiu foi fatal, aquele olhos! O corpo e rosto era diferente, mas os olhos era de Hento!

—Como isso é possível?— murmurou Nap aturdido.

Deusa sorriu levemente, ela se deu conta de que agora Nap entendia e sentia tudo.

—Eles…eles...são eu e Hento,  eu…eu posso sentir, eu posso sentir como eu me senti esse dia, como eu amei assim que vi aqueles olhos penetrantes. —Nap não conseguia nem falar, ele tremia muito.

Era como um filme, ele viu tudo que houve naquele verão, as ameaça, sua libertação ao amor. Seu momento de escolher, e o momento em que ele chegou em uma floresta de verão, para ali viver com seu amado.  Hento como um bom bruxo e mágico que era na época, já prévia que o amor deles ia cruzar tempos e assim o foi. A emoção tomava conta do alfa e ele buscava fôlego para se recuperar, até que de repente o cenário mudou, rosas, belas rosas caiam em tapetes macios por uma relva que Nap sempre via em sonhos.

Ele se arrepiou todo, trotar de cavalos tomou conta do lugar e imediatamente Nap lembrou-se que sempre sonhou com cavalos. E sempre eram aqueles mesmos cavalos. O cheiro e sol não negava o cenário era de uma bela primavera. Em uma espécie de box, Ele viu dois homens montados em seus respetivos cavalos, um usava jaqueta verde, o outro usava uma vermelha. Do nada, o mais velho, sussurrou ao outro:

—Seus óculos de proteção.

Então Nap sentiu outro baque nesse momento, era ele, é Hento novamente, só que agora em outra época diferente, em uma estação diferente.

—Tornado! —Nap sussurrou saudoso para o cavalo negro lindo, uma lágrima de saudade descia do seu rosto, ele sempre sonhou com aquele cavalo.

A deusa lentamente começou a falar:

— Agora estamos a muitos anos depois, em uma intensa primavera, Alejandro é jóquei mundialmente premiado, ele conquistou todos os feito possíveis que um campeão poderia ter. Menos o amor! Até que numa bela primavera ele conheceu Benjamin, um tímido e jovem jóquei no início da carreira, não foi fácil para Benjamin, escolher aí, pois ele era um homem machucado e temia ser ferido de novo, mas já era tarde de mais para ele.

Nap podia entende, ele via a dor de Benjamim e sofria tudo novamente, sentia, as angústias, os medos, os traumas do seu menino  de olhos tristes e marcado pela vida.

— A escolha aí estava com Ben, ele tinha que decidir se deixava os monstros para atrás para viver um intenso Amor de primavera, e sua escolher só foi possível por que ele teve do seu lado um homem que o amou e que curou todas suas feridas.

Nap chorou emocionado ao ver o casamento dos dois, numa relva linda, a mesma relva que inundava seus sonhos desde de criança, os olhos cheios de vida de Benjamim. O cenário mudou novamente e Nap se viu no meio de uma época linda, com luzes coloridas para todo lados e folhas de variadas cores ,era outono!

—Nessa época o mundo já estava mais avançado, até se falava muito sobre meteoritos, avanços nos DNA. Nessa época, um belo e atrevido fotografo chegava de uma das suas viagens, em uma fria noite de outono, ele saia para fazer um favor a seu amigo. Um favor que mudou para sempre a vida dele.

Nap podia ver perfeitamente, Hento carregava consigo a mesma personalidade de Gaélico. Um lindo e atrevido fotógrafo. Nap passou horas a fio se deliciando com aquele outono, e com as escolhas que ele mesmo teve que fazer durante aquela época. Era uma sensação indescritível saber que sempre pertenceu a Hento e ele sempre foi seu.

Poder ver que durante todas as vidas deles nada foi fácil, que sempre tiveram um empecilho e de alguma maneira o amor deles sempre venceu tudo e todos, até eles mesmos, emocionado mais uma vez naquele mesmo dia o alfa lúpus chorou. A deusa deixou que ele colocasse para fora toda emoção que sentia naquele momento. Ela sabia que era muito coisa para ele assimilar. Depois de algumas horas, mais controlado, Nap sentiu o amanhece chegar, ele passou a noite toda no meio das suas vidas passadas.

— Agora eu entendo o que você queria dizer quando se referia que o destino não me mandava apenas um companheiro de alma, mas sim o garoto que amei de todas as formas possíveis e imagináveis durante todas minhas vidas.

—O amor de vocês sempre foi mágico, o tempo não destrói algo assim. Não há como quebrar o elo que envolve vocês.

Nap olhou confuso a sua volta  e disse:

—É de manhã, eu preciso ir atrás dele. —Nap levantou-se apressado.

— Nap, sempre foi dois caminho e ambos  sempre fizeram suas escolhas. Você o conhece melhor que ninguém, então você sabe aonde ele está. Sempre soube. Pense.

Nap abriu um lindo sorriso, sim, ele sabia aonde seu ômega estava, como ele não pensou nisso antes, Nap gargalhou feliz, ele não podia esperar outra reação do seu pequeno. Apressado ele desceu as escadas do palácio e gritou por Gus.

—Gus, reúna rapidamente os melhores sentinelas!

— Agora mesmo, iremos sair atrás do seu ômega?

May Chegou na sala confusa, seu irmão estava com  um brilho diferente no olhar.

—May, que bom que está aqui, quero que você cuide de Kurohk na minha ausência.

O susto foi geral, tanto May como Gus não conseguia esconder o choque.

—Eu..eu, acho que não sou capaz.

Nap aproximou-se da irmã e ergueu o queixo dela.

— É sim, você é capaz sim. Sempre foi minha irmã. —Nap deixou um beijo na testa da sua irmã, em seguida virou-se para Gus e respondeu:

—Agora respondendo sua pergunta, não, não vamos atrás do meu ômega, porque eu sei aonde ele está, sempre soube. Nós vamos lutar com meu ômega, nesse momento meu pequeno está fazendo a maior rebelião que você já viu, e se achar que ele não é capaz de lutar, espere até vê-lo em ação, ele já passou por algo pior que um bando de rebeldes em suas terras. Chame os sentinelas, vamos a Manroar.

                           🌬🐺

Olá bruxisticas, segredo da Minha série revelado, sei que a maioria que lia desde o primeiro já desconfiava, quando comecei a escreve ela, eu já tinha esse final, não foi algo que pensei com tempo, foi uma forma de marcar o amor deles para sempre é assim tornar todos eles um só e eterno. O capítulo estar  grande e o fim da minha série, então não vou economiza, o próximo e o penúltimo e teremos uma batalha. Beijos e até qualquer momento 

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