XV
As risadas de um dos assassinos eram arrepiantes enquanto ele apontava para as chamas no vídeo. Irritado seu comparsa o empurrou e tomou o controle remoto de sua mão, se afastou até o outro lado da sala e inspirou profundamente.
O homem havia perco a paciência ao descobrir através de um informante que suas identidades haviam sido descobertas, e que uma das funcionárias do antigo sanatório onde os dois residiam quando mais novos ainda permanecia viva. A mulher tinha dado várias informações para a policia sobre os dois. No entanto, a polícia tinha apenas os dados de quando fugiram do sanatório, sua identidade atual ainda estava em segredo.
Tinha perco o controle das próprias ações e matado uma das vítimas sem dó e nem piedade. A pobre senhora que explodira em vários pedaços se quer sabia por que havia sido sequestrada e presa naquela cadeira. Nenhuma das vítimas sabiam por que estavam presos naquele maldito jogo. A não ser Spencer e Gavin que estava gravemente ferido e sangrava.
Ele havia enviado outro comunicado a polícia com aquela vítima, queria demostrar que estava perdendo a paciência e que se seus alvos verdadeiros não colaborassem mais pessoas morreriam.
As vezes daqueles homens, por um momento pensou ter ouvido-as antes, até mesmo as risadas. Não conseguia se lembrar de onde, mais sua intuição lhe dizia que os vira antes em algum lugar.
__ Você enlouqueceu?__ Gritou um deles e socou a parede. Em silêncio e encostado na parede o garoto o olhou e sorriu ameaçador. Pela pouca visão que lhe era permitida através da venda em seus olhos Spencer tremeu. __ Você quase estragou nossos planos. Quase fomos pegos.
__ Sim, eu sinto que vou enlouquecer se aquele policial e seu amante continuarem vivos.___ Disse o homem e em um único piscar de olhos investiu sobre o comparsa que o empurrou novamente para trás.__ Eu te amo, por isso estou fazendo isso. Por que você não entende o que faço? Nos últimos meses nada do que faço parece bom o bastante para você. O que aconteceu, o que te deixou assim? Está com medo ?
Abrindo os braços o garoto sorriu friamente e tentou se aproximar novamente, em um piscar de olhos ele empurrou-o contra a parede e aproximou a boca de seu ouvido. Vendo toda aquela cena por uma pequena fresta, Spencer sentia-se como um telespectador, mais aquilo estava lhe dando nojo.
Aqueles dois, lembravam a ele a Jimmy quando ele perdia o controle. Mesmo com a venda em seus olhos, tudo aquilo lhe era familiar. Por um momento pensara até mesmo que o garoto sádico e louco fosse Jimmy, sua voz, seus passos, até mesmo as piadas sem graça e provocantes. Ele já tinha ouvido e visto aquilo antes.
Mais sabia, ele sabia que Jimmy não seria como aquele garoto. Ele não faria aquelas crueldades. Não em sua condição como Tommy. Nem mesmo Tommy faria algo assim para chama a atenção para si mesmo.
__ O que houve, não chupei você o suficiente ou não sou mais tão apertado quanto antes ?__ Disse ele ao morder o lóbulo da orelha do mais baixo. __ Encontrou uma puta melhor que eu ? Alguém gozou e gemeu mas do que eu encima de você? Ou essas pessoas tem alguma importância para você meu amor? Você não está feliz? Encontrou alguém lá fora alguns centímetros maior que seu brinquedo favorito? Ou só está com medo ? Vai desistir depois de tudo que fizemos e passamos até agora ?
Afastando-se o garoto virou o rosto para o lado e tremeu. Aquele homem não só estava com medo, como também estava preocupado com algo. Ele era visivelmente apaixonado e obcecado pelo homem mais velho, e quando seus planos não iam bem ele se desesperava e perdia o controle.
__ Eu só quero que você pare, antes que você se machuque ainda mais. Somos foragidos agora, não conplique ainda mais as coisas___ Disse ele quando o garoto, um pouco mais calmo tentou tocar seu rosto. Lágrimas molhavam seu rosto então o mais velho engoliu em seco. __ E, não, eu não poderia amar alguém além de você. Por que eu faria isso? Não é sobre sexo, não é sobre quem é o melhor para mim, são suas atitudes. As coisas que você faz me deixam chateado. O modo como você faz as coisas me deixam mal.
__ Eu só quero que tudo fique bem.... Eu não queria matar ninguém, é so que eu não consigo controlar este desejo.__ Continuou ele, a voz embargada. __ Me perdoe querido... Eu te amo tanto. Não quero te perder... Não quero ficar sozinho.
__ Shi... Shi... Vai ficar tudo bem.__ Disse ele e o abraçou com força. Então depois de alguns minutos o garoto se afastou, a respiração falha, os olhos arregalados e com uma expressão assustada.__ O que houve?
Aquele não era o comportamento de uma pessoa que estava bem, o homem agora parecia confuso, como se estivesse tendo alucinações. " Loucos..." Pensou Spencer, se aquele garoto tivesse um novo surto psicotico, não só ele mais o policial Gavin e a outra vítima ainda viva e inconsciente amarradas as cadeiras poderiam sofrer ainda mais.
__ Leo, onde estou e o que estou fazendo?... Leo.___ Disse o garoto, a voz trêmula, as mãos ao redor da cabeça. Olhou a sua volta, se afastou quando viu as vítimas amarradas a cadeiras com bombas envolta do corpo. __ Leo... Quem são essas pessoas ? Por que estamos aqui?
Ouvindo as perguntas do garoto Spencer lembrou de si mesmo quando Jimmy alternava de uma personalidade a outra, era difícil para Jimmy entender o que acontecia, de como tinha ido parar em um outro local. Sentiu as lágrimas queimarem seu rosto ao pensar que o garoto poderia acordar de uma hora pra outra e se sentir solitário e com medo.
__ Zane, fique calmo, vai ficar tudo bem ok ? __ Disse o homem que atendia por Leo e o abraçou ao se aproximar com cautela do garoto que atendia por Zane.
Em todo aquele tempo era a primeira vez que Spencer os ouviam pronunciarem seus nomes. Aquelas pessoas assim como ele e Jimmy, pareciam ter passado por coisas traumáticas, por isso encontravam força e segurança um no outro. Mais isso não os insentava de culpa, afinal eram criminosos, e seus crimes eram aterrorizantes.
__ Ei.. Ei.. Eu estou aqui e vai ficar tudo bem. __ Disse o tal Léo. Tocou seus cabelos e beijou sua testa.__ Eu sou seu amor lembra? Você foi sequestrado a dois dias atrás e eu encontrei você. Aquelas pessoas no vídeo são outras vítimas que também foram sequestradas.
Sentindo o coração acelerar Spencer tremeu quando Gavin gemeu e pendeu a cabeça para o lado. Lágrimas molharam seu rosto novamente, Gavin estava morto, tinha sangrando até a morte. Spencer queria gritar mais se gritasse e piorasse o estado de confusão e loucura daquele garoto, seu parceiro também perderia o controle.
__ Você está bem? Está machucado? Eu estava dormindo....__ Interrompendo ele abraçou Leo ainda mais apertado e fechou os olhos.___ Eu quero sair daqui... Eu quero ir pra casa.
__ Vai ficar tudo bem querido. Você está seguro agora. __ Disse o homem antes de beija-lo rapidamente.___ Vai ficar tudo bem... Por que não descansa um pouco eu vou cuidar de você.
Arrastando uma cadeira ele fez com que o garoto ficasse sentado e o entregou um copo com água, pegou um comprimido no frasco de remédios em uma mochila e o entregou.
__ Aqui, está na hora do seu remédio, assim você ficará mais calmo e poderemos ir embora. Vamos para onde não tenha tiros, nem bombas e nem pessoas gritando. Vamos ficar bem. ___ Observando o garoto beber a água e mastigar o comprimido ele soltou a respiração pesada e cansada e sorriu ao tocar o rosto angelical do garoto.___ Está melhor agora? Está mais calmo ?
__ Sim. Mas o que aconteceu com os sequestradores? __ Engolindo em seco o jovem sorriu e se abaixou até ele.
__ A polícia os levou. Depois eu vim até este andar e te encontrei amarrado. __ Mentiu o homem, era mais fácil de lidar com o garoto. Ele sempre acreditava em suas mentiras e invenções.___ Agora descanse, vou levá-lo para casa. Vou dizer a polícia onde estamos.
Spencer sabia que aquele homem jamais diria aonde estavam, e que muito menos deixaria ele e a jovem amarrada próximo a ele saírem com vida dali, uma vez que ele agora sabia seus nomes.
__ Promete que não me deixará sozinho ?__ Indagou o garoto, os olhos sonolentos, a voz calma e fraca. Tentou se erguer mais não tinha forças.
Por sorte o calmante estava fazendo efeito, notou Spencer enquanto o mais alto tocava os cabelos do rapaz, tocou levemente e carinhosamente sua face e sorriu antes de beija-lo. Depois de alguns minutos ele gravou um curto vídeo onde exigia que o detetive Chader e Charlie Hamptom se entregassem, caso contrário iria fazer mais vítimas, não tinha sido difícil agir friamente como antes, afinal conhecia todas as exigências necessárias. Um ex soldado, líder de uma divisão, notou Sampton, de alguma forma, os traumas causados pelos conflitos que viveram havia os afetado drasticamente.
O mais novo, tinha dupla personalidade e um vício assustador em colecionar insentos, uma de suas personalidades era um serial killer, brutal e insano que dizia amar somente o ex soldado. O último, sofria com o holocausto mental de seus anos como soldado. Aqueles dois homens, tinham certeza que estavam provocando o caos lá fora e estavam gostando.
Os jornais de todo o país agora transmitiam a gravação em todas as agências de TV e na internet, o vídeo da senhora sentada em uma cadeira enquanto explodia havia assustado os internautas, fazendo com que muitas pessoas inclusive os familiares das vítimas pedissem que eles se entregassem ou que o policial e seu amante se entregassem.
Ao que parecia os telespectadores estavam tão impacientes quanto ele. Sozinho e a espera da decisão do detetive ele pensou em várias maneiras de terminar com tudo, de fugir para longe, mais no fundo estava com medo. Se não fosse por seu parceiro, já teria abandonado tudo.
Amava aquele garoto, estiveram juntos aquele tempo todo, o garoto havia confiado sua vida e dedicado seu coração a ele. Por diversas vezes se perguntou se deveria libertar as vítimas, se deveria libertar a si mesmo. Mais não conseguia, no fim o homem com quem dormia todas as noites lhe vinha a mente como um memorando. Em seu lugar, Spencer cometeria as mesmas ações para salvar, ou ficar com a pessoa que amava. Até mesmo morrer.
__ O que eu faço... __ Disse o assassino. A voz ecoando pela sala vazia.
Perguntou a si mesmo e olhou para as vítimas, depois para o garoto. Tanto sua identidade quanto a de seu parceiro haviam sido descobertas pela polícia, pelo menos uma parte de seu passado havia vindo a tona. Mesmo que libertasse as vítimas, mesmo que tentasse fugir, era tarde demais. Tanto ele quanto seu amante morreriam. Se entregasse o garoto ficaria sozinho, e se fugisse e entregasse o garoto ficaria em uma prisão pelo resto da vida. Estava sem saída. Mais precisava tomar uma decisão.
Olhou uma última vez para o garoto e engoliu em seco, lágrimas desceram em sua face enquanto ascendia um cigarro. Estava prestes a se erguer quando sentiu algo tocar seu pescoço. Sentiu um arrepio.
__ Fico feliz em saber que você não me deixou para trás.__ Disse o garoto e fechou os olhos.__ Vamos acabar com tudo. Eu tenho um plano, mais para isso preciso que seu informante na polícia nos ajude. Mais primeiro irei me livrar do policial morto. Você o fez sangrar até a morte como prometeu. Acho que alguém encontrarar um corpo em frente a sua casa.
Sorrindo, o homem mais jovem se aproximou do corpo do policial Gavin e começou a desamarrar as cordas enquanto Spencer via tudo e chorava em silêncio.
__ Só tome cuidado, e por favor...__ Disse Leo e suspirou profundamente. Jogou o resto do cigarro em um canto e o encarou.__ Zane, não mate outra pessoa, está bem ?
__ Não se preocupe, tudo dará certo desta vez e em breve estaremos bem longe de tudo isso.__ Disse o garoto e sorriu. __ Eu prometo. Acredite em mim.
__ Ok, vamos acabar com tudo isso.
Segurando com força a mão do garoto o homem sentiu um calafrio e tremeu, tinha a sensação de que em breve veria o detetive e seu amante, Charlie Hamptom. Odiava confiar em seu namorado, mais uma vez que estavam juntos naquilo, sairiam juntos.
Observando o corpo do policial Gavin ser arrastado pelo assassino, Spencer pensou em Jimmy e rezou para que ele não despertasse novamente.
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Charlie sabia que estava sonhando, sabia que a garota próxima ao aquário sorrindo ao lado de seu namorado estava morta, sabia que todas as pessoas a sua volta eram apenas uma ilusão, mais ainda assim ele não conseguia acordar, tentou dizer algo ou se mover para impedir que um outro homem a atingisse no pescoço com uma faca.
Imóvel e com a respiração presa ele nadou até está de frente a ela e começou a bater no vídeo e apontar para trás enquanto o assassino se aproximava, pessoas iam e vinham lentamente, tudo parecia está em câmera lenta, até mesmo os peixes nadando ao seu redor. Sentiu a água invadir seus pulmões e começou a sufocar quando o assassino finalmente se aproximou e cortou o pescoço de Ana.
Observou seu corpo caído no chão e tentou nadar para cima mais não conseguia, mãos pálidas e frias seguravam suas pernas, então de repente a água começou a ficar vermelha e ele ouviu uma voz lhe chamar.
__ Charlie... Acorda Charlie... Você me deixou morrer...
Debatendo-se na água ele começou a se afogar enquanto ouvia a voz de Mark chamando-o, fechou os olhos e parou de se debater, então algo quente segurou sua mão e ele acordou assustado. Olhou a sua volta, a visão turva, a cabeça sonza.
__ Charlie, você está bem ?__ Ouviu a voz do detetive e sorriu quando ele segurou sua mão. Estava preocupado, e cansado. Haviam mais pessoas na sala também, engoliu em seco.
__ O que houve? E os assassinos?
__ Você apagou devido ao estresse e cansaço senhor Hampton.__ Disse o médico.__ Deve descansar um pouco mais.
__ Eu estou bem. ___ Disse Charlie e encarou o promotor Jung quando ele se aproximou com uma garrafa com água.__ Você está péssimo senhor Hampton.
Sorrindo ele pegou a garrafa e tomou um gole de água, olhou de soslaio para Mark e tremeu.
__ O que aconteceu enquanto estive dormindo?
__ Eles fizeram outro vídeo exigindo a mim e a você em troca das vítimas.__ Disse Mark e suspirou.__ Temos apenas quatro horas antes que matem todos. Além disso ele disse que as próximas vítimas serão o policial Sampton e a jovem sequestradas. E encontramos o corpo do policial Gavin, alguém o deixou em um carro, no porta-malas, perto do departamento, as câmeras de segurança mostravam apenas um homem usando roupas pretas e uma máscara. Mais julgamos que seja um dos assassinos. Talvez o mesmo que estava no aquário, a julgar por suas roupas e a forma como agiu.
__ Que droga...__ Disse Charlie e tentou se erguer mais o detetive o empurrou novamente contra a cama e prendeu seu pulso a uma algema contra a cama.__ Mark o que pensa que está fazendo? Me solte agora? Por que está fazendo isso ?
__ Desculpe Charlie, é para o seu bem.__ Disse ele e ele tentou se libertar, se ergueu e tentou alcançá-lo com outra mão. __ Não posso deixar que você se machuque mais do que já se machucou. Quero que fique aqui.
__ Mark, você não pode ir sem mim. Não foi isso que combinamos. __ Afastando-se ele o encarou friamente. Assustado e agitado Charlie olhou para o promotor Jung e depois para seu namorado. __ Senhor Jung, você irá permitir que ele vá? Você sabe o que eles irão fazer não é mesmo? Eles não querem o detetive Chader, eles querem a mim, por tanto mande-o me libertar agora ?
Inspirando profundamente o promotor acenou para um policial que saiu para fora da sala. Ao que parecia somente ele e os duas autoridades presentes saibam sobre o plano para pegar um dos assassinos. O plano era Charlie se entregar próximo a uma ponte enquanto os assassinos liberavam o policial Sampton e a outra vítima. Parecia uma ideia clichê mais era sua única opção.
Mais percebia agora que ninguém havia lhe dado atenção ou pensando eu seu plano. Eles tinham sua própria forma de lidar com os assassinos. Sentindo-se ofendido e irritado por Mark não confiar nele Charlie apenas o encarou. As lágrimas queimando seus olhos enquanto as segurava.
__ Mark... Você vai me deixar aqui?__ Disse ele mais o policial não respondeu, apenas escondeu sua própria fase de descontentamento atrás de um rosto frio e sem expressão. __ Você é cruel seu desgraçado. Disse que me levaria aonde fosse. Mais está me deixando para trás. Você... Eu te odeio agora Mark.
Em resposta Mark apenas revirou os olhos e ficou em silêncio. Bem lá no fundo ele sabia que Charlie não estava de fato odiando-o. Só estava irritado.
__ Senhor Hamptom, eu e o detetive Chader temos um plano e por sermos profissionais sabemos o que estamos fazendo. Quanto a sua segurança, deixaremos cinco policiais armados para vigia-lo, não se preocupe, o detetive Mark sabe o que está fazendo. Você e o senhor Ashford não podem se envolver nisso mais do que já se envolveram.
Olhando para a cama ao lado onde Jimmy dormia tranquilamente e algemado a cabeceira da cama, Charlie engoliu em seco e olhou para o namorado enquanto sentia a amargura em sua boca por conta dos remédios que havia tomado. Calmantes. Por isso Mark parecia estranho e o estava abraçando com frequência antes. Havia até mesmo prometido uma viajem de férias para a praia. Tremeu.
Ele estava apenas de despedindo caso algo ruim acontecesse.
__ Temos que ir Jung. Não temos mais tempo. __ Ele ouviu Mark dizer enquanto vestia seu casaco bege e surrado. Cumprimentando-o o promotor abriu a porta e saiu seguido do detetive.
__ Mark... Você tem que voltar.
Gritou ele tentando se libertar, parou ao sentir o pulso arder e gritou irritado quando o detetive saiu ao lado do promotor e sorriu ao olhar uma última vez para trás. Tinha a sensação de que algo ruim iria acontecer, lembrou-se do sonho, da sensação de está morrendo e tremeu, tinha certeza de que algo iria acontecer.
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