001 •• par de chifres
- Então é isso alunos, vejo vocês na sexta feira. Qualquer dúvida podem... - o professor de biologia foi interrompido pelo barulho ensurdecedor do sinal.
Graças a Deus, eu não aguentava mais
Me levantei rapidamente da cadeira, joguei meu estojo e caderno dentro da mochila e sai o mais rápido possível da sala de aula.
Peguei meu celular e apertei no contato "My Love" que estava em primeiro lugar na lista de favoritos.
- Oi amor. - eu disse com voz fofa assim que Carl atendeu.
- Oi princesa. Já saiu da escola? - ele disse com sua voz rouca e eu sorri ao ouvi-lá.
- Sim, acabei de sair. - falei pressionando o celular entre a orelha e meu ombro, enquanto eu jogava materiais desnecessários dentro de meu armário. - Você vem me buscar hoje?
- Não vou conseguir ir, estou na casa de um primo. - ele disse brevemente.
Fechei o armário e voltei a andar rumo a saída.
- Ah, ok então. - disse desanimada - Vamos sair para jantar?
- Acho que não vai rolar, Liz. Olha, preciso desligar. - Carl disse apressadamente.
- Tá' rolando alguma... - fui interrompida pelo "bip" após ele encerrar a chamada. Bloqueei o celular e segui andando até chegar em casa.
Carl e eu namoramos há sete meses, nos conhecemos assim que ele chegou de Indiana para morar na Carolina do Norte. Nos tornamos amigos e semanas depois ele me pediu em namoro. No começo estava indo tudo bem, Carl era amoroso e companheiro, mas de uns tempos pra cá eu sinto ele distante. Não me busca mais na escola, não me chama mais pra sair e quando eu ligo para o mesmo ele sempre arruma uma desculpa para desligar ou encerra a chamada sem ao menos se despedir, como hoje.
Cheguei em casa e não havia ninguém. Melhor assim. Subi as escadas em direção ao meu quarto e entrei direto no banheiro, me despi e tomei um longo banho.
Assim que terminei, coloquei um pijama e deitei na cama a fim de dormir. Até que meu celular começa a vibrar incansavelmente.
Deve ser o Carl - pensei
Desbloqueio o aparelho e haviam quatro mensagens de texto.
número desconhecido: olá para a nova corna do momento
número desconhecido: como é a sensação de ter um par de chifres na cabeça?
número desconhecido: o pior é que é tão sonsa que não percebe o que está bem embaixo do seu nariz
número desconhecido: tolinha
Fiquei incrédula com tais mensagens, o número estava privado e não havia foto da pessoa. Mesmo assim decidi responder.
Liz: quem é?
Liz: de onde você tem meu número e sobre o que você está falando?
Em questão de poucos segundos recebi a resposta.
número desconhecido: não se faça de boba, Liz. Você sabe sobre o que eu estou falando. Ou nunca ouviu falar em "ser traida"?
Liz: Olha, eu não te conheço e acho que você deveria parar de inventar histórias para causar intriga.
número desconhecido: então o seu namoro está as mil maravilhas? se desconfia de mim veja com seus próprios olhos.
número desconhecido: Rua Manchester, número 1772, Carolina do Norte.
número desconhecido: vá até lá e veja se sou eu quem está mentindo, xoxo.
Realmente, meu relacionamento com o Carl havia esfriado, mas ele não seria capaz de me trair. Decidi ignorar tudo aquilo e desci para comer alguma coisa.
×
São 20:43 da noite e aquela conversa com o desconhecido hoje a tarde não sai da minha cabeça. E se Carl realmente estiver me traindo?
Ao mesmo tempo que penso nisso, eu penso na possibilidade de ser algum assassino querendo me atrair para um cativeiro e me matar ali mesmo.
Entrei no Google Maps e pesquisei onde ficava o endereço, era um motel localizado na estrada Sul.
Pensei muito sobre isso e decidi ir até lá, poderia ser verdade e eu só descobriria se fosse atrás.
Troquei rapidamente de roupa, peguei um casaco, celular, chaves do carro e um canivete para me proteger caso estivesse algum maníaco me esperando.
Desci as escadas e avisei minha mãe que iria sair, ela respondeu com um "tudo bem, se cuida" e então eu sai.
Quando ia entrar no carro recebi outra mensagem.
número desconhecido: caso acredite em mim e queira ir atrás, o seu namorado chegou agora no motel, e como ele faz toda noite, deve sair em torno de três horas.
Pensei novamente sobre meu ato e decidi ir atrás, entrei no carro e sai em direção ao tal endereço.
×
Já faz quarenta minutos que estou com meu carro estacionado em frente ao motel e a cada carro que sai de lá meu coração bate mais devagar com medo de ser Carl dentro de um deles.
Mandei uma mensagem para o mesmo assim que sai de casa, 21:17, já são 22:58 e nada de ele me responder.
Liguei o som do carro para me distrair e peguei o pacote de Doritos de dentro da bolsa, quando vejo uma Land Rover branca com a mesma numeração da placa do carro do meu namorado.
- É o carro dele. - gritei de dentro do carro jogando o pacote de salgadinhos no banco ao lado.
Observei atenta se seria Carl dentro do carro e quando eu vi, não acreditei. O loiro estava no piloto e no banco ao seu lado estava Riley Stevens, minha colega do colégio.
A morena passava batom em seus lábios enquanto se olhava no espelho do retrovisor. Ela se virou para Carl e disse algumas palavras que eu fui incapaz de ouvir, considerando a distância e ele em seguida lhe deu um selinho e sorriu.
Levei as mãos até a boca para conter o espanto e lágrimas de raiva brotaram em meus olhos. Eu não acredito nisso.
O carro estava parado na guarita do motel, quando eu observei de longe a atendente do local entregar a Carl um papel.
Num momento de total adrenalina, sai do meu carro e atravessei correndo a rua que estava deserta.
Nenhum dos dois me viu, até eu bater as mãos com força no capô do carro, que fez um estrondo e fez ambos se assustarem.
- Então é por isso que você não podia sair comigo para jantar. - eu gritei os encarando através do vidro - Você já estava "jantando" outra pessoa.
Carl tirou o cinto de segurança e saiu do carro vindo em minha direção com as duas mãos para frente, me pedindo calma. Enquanto, Riley, nem se mexia dentro do veículo.
- Amor, eu posso explicar - ele disse com a voz trêmula.
- Explicar o que? Acha que eu sou sonsa o suficiente para não entender o que está acontecendo? - gritei mais uma vez, o que fez meu namorado dar dois passos para trás.
- Não estou te traindo, eu juro. - ele abaixou suas mãos e me encarou.
Dei uma risada sarcástica.
- Não, eu imagino que não. Deviam estar em um motel jogando Banco Imobiliário.
- Senhora, se acalme ou irei chamar os seguranças. - a recepcionista se pronunciou pela primeira vez.
Olhei para ela furiosa e a mesma engoliu a seco, se arrependemos de ter dito algo.
- Chama. Vai lá. Chama quem você quiser. Afinal, liga logo para a polícia.
O loiro me olhou confuso, rapidamente eu tirei o canivete do bolso e comecei a riscar o capô do seu carro com a lâmina fazendo vários riscos aleatórios.
- Você ficou louca? - ele gritou vindo correndo até mim.
Me virei em direção a ele segurando o canivete em frente ao meu peito, fazendo ele se afastar.
- Agradeça por eu ter riscado seu carro e não essa sua cara de pau. - gritei e guardei a arma branca no bolso novamente.
Me virei e dei dois passos em direção ao meu carro, foi quando eu decidi voltar. Me aproximei de Carl e de repente, a marca dos meus cinco dedos estavam marcados em vermelho sobre seu rosto branco.
Depois de atingir seu rosto, fui até a porta esquerda onde estava Riley.
- E você, sua vadia nojenta, assim que eu terminar meu jantar, te ligo para você ir buscar o resto de comida que sobrar também, cachorra. - dito isso, cuspi em seu rosto e voltei para o meu carro, indo embora de lá o mais rápido possível.
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Primeiro capítulo concluído com 1375 palavras, está um pouco longo, mas queria que sentissem um pouquinho do que vai ser essa fanfic.
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