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- Mãe de novo?! - digo enquanto cato as garrafas de vinho espalhadas pelo chão. Esqueci de novo o dinheiro em casa,que droga isso não pode acontecer.
- Me desculpe é que eu não consegui... - pego suas mãos.
- Tudo bem mãe. Eu que fiz besteira, vai tomar um banho enquanto eu arrumo tudo por aqui. Hoje tem culto na igreja, você já separou sua roupa?
- Sim, está em cima da cama. Você pode...
- Já estou indo. - Arrumo toda a bagunça e jogo as garrafas no lixo de fora. Sim,minha mãe é alcóolatra. Assim como o meu pai é, a única diferença é que ele não mora mais com a gente.
- Vamos vai ficar tarde. - Nós estavamos atrasadas para o culto e ir andando até lá de salto alto talvez não tenha sido a melhor das escolhas mas chegamos. É o que importa. Fui depressa para o meu lugar na oração e comecei a orar para Deus.
- Senhor meu Deus, peço que abençoe este culto e nós ajude a ser a sua imagem e semelhança na terra, peço que abra nossos corações e os nossos ouvidos para entender e guardar as palavras que o senhor ministrar aqui hoje. Obrigado pelo dia de hoje, amém.
Antigamente quando eu não era muito chegada na igreja e não conhecia nada. Eu achava que tinha um jeito certo de orar,um jeito certo de cantar, um jeito certo para que tudo ocorresse como deveria. Mas esse jeito não existe. É normal a gente achar que precisamos encontrar o caminho da excelência quando na verdade a única coisa que Deus nos pede é que sejamos verdadeiros e humildes de coração. Nós nunca poderemos ser perfeito, assim como nunca poderemos deixar de ser pecadores já que nossa natureza é essa. Mas podemos tentar seguir os caminhos de Jesus,espalhar o amor e a justiça que Ele nos ensina.
Isso é incrível.
Enquanto os louvores estavam sendo ministrados e logo depois a palavra sendo pregada, eu reparei nele. Meu admirador nada secreto. Juan Andrew. Não sei porque ele estava tão interessado em mim. É claro que não sou cega e me olho no espelho, sei que sou bonita se o seu gosto for ruivas com sardas e olhos grandes. Não sei como me classificaria na verdade. Só sei que não quero nada com Juan Andrew e nem com ninguém. Não depois do que aconteceu com o meu último relacionamento. Já tenho coisas com o que me ocupar no momento.
Por exemplo, trabalho em dois empregos. Já terminei os estudos, estou pensando em largar um deles para começar a fazer algo. Um curso talvez. Sustento a casa sozinha já que minha mãe não tem condições de trabalhar por causa da bebida. Ela ia mas acabava perdendo sempre a hora porque estava de ressaca ou não se importava. Então tive que começar a trabalhar,além do mais já estava na hora de começar a ajudar em casa.
Não gosto de me sentir inútil.
Gosto sempre de estar sendo prestativa para alguém.
E isso não é porque quero parecer boa ou qualquer coisa do tipo.
É porque cresci com o meu pai dizendo que sempre deveria ser útil ou não serviria para nada.
Meu pai era muito rígido,mas eu o agradeço muito por ter me ensinado essas coisas hoje e outras mais.
Ele podia beber um pouco demais mas pelo menos sempre me deu bons conselhos, pena que ele mesmo não conseguiu seguir.
Não sinto raiva dele nem nada, só acho que ele é mais uma das pessoas que bebem para esquecer os problemas. As pessoas só se esquecem, o problema continua ali,você só ta um pouco entorpecido mas ele continua ali, esperando.
Problemas podem ser uma coisa muito boa se você souber o jeito certo de resolvê-los. Vejo e tenho alguns problemas que é tão fácil de resolver mas para outras pessoas podem ser mil vezes mais difícil.
Como eu ter quase virado uma alcoolatra por problemas que me sufocavam mais do que eu aguentava. Eu só pensei que isso fosse funcionar.
Mas percebi que a única coisa que mudava, é que eu só estava me afudando mais para dentro do poço.
Isso não podia acontecer.
Se meu pai e minha mãe não conseguiram e não conseguem se livrar disso até hoje porque eu seria diferente? Se eu continuasse com aquilo, sabia que não teria mais volta.
Se eu ficasse como eles nunca iria conseguir fazer a diferença como eu sempre quiz.
Isso só pioraria as coisas e em vez de problema eu só pensava na solução.
Depois de eu ter pensado bastante, resolvi parar com a bebida antes que acontecesse algo de que eu me arrependesse.
E aconteceu.
Eu parei. Mas outra coisa entrou no caminho. Não gosto de lembrar, não gosto de falar e muito menos ouvir seu nome sendo pronunciado.
Deus diz que não podemos guardar rancor e nem magoas em nossos corações e como sempre ele está certo.
Rancor só traz angústia e a angústia traz a tristeza.
Não sei vocês mas odeio ficar aqui.
O mundo parece tão estranho. Não parece que ele gira do jeito que eu pensava.
Tristeza é necessária, é claro, mas com moderação, assim como a felicidade não pode ser em todos os momentos da vida.
Os dois se completam.
Faz sentido.
Ao termino do culto, Juan me convida para sair de novo. E de novo eu volto a recusar.
- Não Juan mas muito obrigada pelo convite. - recuso com educação.
- O que preciso fazer pra aceitar sair comigo?
Essa foi de surpresa.
- Nada de verdade,é que eu não tô afim de sair.
- Ah, tudo bem. - ele apenas assente mas sua cara me diz que não vai desistir tão cedo.
Desde que Juan entrou na igreja, deixou bem claro que queria algo comigo.
Mas não vejo como isso pode acontecer.
E não achava nada certo deixar ele ter esperanças de uma coisa que nunca vai se realizar.
- Olha Juan, você é atraente e parece ser uma boa pessoa mas eu não quero nada com você. Tenho certeza que vai encontrar alguém que te faça feliz.
- Não quero alguém. Quero você.
Ao dizer isso,se virou e foi embora me dando um sorriso de despedida.
Esse cara é meio louco.
Bem não importa. Apenas fui embora e comecei meu turno da noite no meu segundo emprego.
A noite seria longa.
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