C A P Í T U L O 24

     O mundo ficou escuro.

     O calor dentro da casa foi interrompido pelas lufadas de ar. E as velas apagadas.

     A escuridão dominou. Os homens foram instantaneamente cegados pela noite sem fim.

     Camilla sentia uma pulsação insuportável em sua cabeça. Tudo girava, girava, girava e girava. O mundo parecia estar mais escuro e seus ouvidos captavam o que não entendia.

     Seu corpo inteiro estava doendo. Seu braços formigava insuportavelmente enquanto seu nariz ardia a cada respiração. O gosto metálico estava forte…

     "Camilla!"

     Alguém chamou.

     Alguém mexeu nela.

     Os apertos em seus músculos ficaram mais leves. O corpo caiu e o calor a rodeou. Tudo pareceu melhor…

     Até aquela sensação estranha na testa. Um molhado doce e ardido que fez sua testa pulsar externamente. A escuridão começou a focar e Camilla sentiu um hálito quente em seu rosto.

    Mas não via nada.

    Estava tão escuro…

    Carícias gostosas veio ao seu rosto e tudo que ela queria é se render ao próprio conforto depois da dor. E assim ela olhava para o nada com seus olhos tentando captar algo. Não podia. Humanos não enxergam na mais completa ausência de luz.

    Camilla estava tonta demais para se abalar com esse detalhe. Entre a consciência e a inconsciência, o corpo dormente e sentindo a necessidade de calor. Estava tão frio…

    A mulher se encolheu nos braços de alguém. Grande. Quente. Uma pele rígida de peitos robustos para acalentar seu desconforto.

    Carícias suaves contornavam seus lábios. Estavam ficando secos pelas horas sem água.

    Tão escuro…

    Tão quieto…

    Em que atirar?

    Onde mirar?

     É sábio se mover?

     O instinto de sobrevivência é o básico. Ele quem influencia a evolução e permite experiências. Esse mesmo instinto gritava através dos poros de qualquer macho humano naquele ambiente: "fuja".

    Seus passos são estrondosos. Seus sussurros parecem gritos… o odor é escandaloso.

    Atrás do sofá, no canto isolado da minúscula sala, Nicolas apenas sentiu

     Grande como uma parede e peludo como um urso de pelúcia. Ninguém o ouviu chegar ali. O homem não acreditava no que seus piores medos gritavam.

    Ele estremecia, os dentes rangendo eram como martelos. O calor e o suor parecia que estava morrendo num inferno interno.

    Não pode ser…

    Nicolas, como todo e qualquer humano, é dependente demais da visão e, por tanto, não acreditou nem no que suas mãos sentiam. Não podia… não é um lobisomem atrás dele!

    Tinha uma certa maciez.

    Um calor estranho e uma textura incomum. É como acariciar um gato.

    As mãos do homem subiram.

    E tentou se fechar em torno de algo cilíndrico. Musculoso.

    Ele ergueu a mão e a pelagem simplesmente sumiu.

    Que coisa era aquela?

    Uma pele incrivelmente familiar estava em seus dedos. Mas ele só teve certeza quando chegou ao topo… o homem arregalou os olhos.

    E uma respiração pesada moveu seus cabelos.

    Nicolas estava acariciando o pênis de um lobisomem! Um pau completamente duro com pré-gozo dando indícios de molhar aquela cabeça enorme.

     Seu cérebro travou. E a criatura se pressionou contra ele.

     O homem com Camilla sorriu gentilmente para a humana que se recusava a dormir, não importava o quanto seus olhinhos piscavam e seu corpo quisesse. Não é força de vontade que a mantinha acordada.

     Entre a consciência e a inconsciência…

     Palmas quentes e gostosas pressionaram seu ouvido.

    O primeiro grito arrebentou o silêncio logo em seguida. Nicolas.

    As armadas todas se viraram em direção daquele som prontas para serem engatilhadas. Mas o som apenas veio e… sumiu.

    Foi como se nada tivesse acontecido.

    O silêncio permaneceu dominante tão ferozmente que alguns pensaram estar ouvindo coisas. Talvez estivessem malucos, afinal.

    Camilla é a única humana sem medo algum naquele ambiente. Não é força de vontade ou coragem que a mantinha acordada. Talvez nem mesmo teimosia, mas os resquícios do instinto que obrigam seus olhos a tentarem ver algo.

    Ela é um bruma, apesar de humana.

    E foi mordida por um macho dominante.

    Seu corpo estava em alerta máximo, mas a mente implorando pelo descanso. A fêmea nem despertada, nem dormindo. Puramente uma bruma tentando saber, entender e sobreviver.

    Um nariz quente encostou ao dela. O quente ao gelado… ela se remexeu.

    Uma pressão de lábios na bochecha…

    Ele dizia ao corpo. Precisava que entendesse…

    "Não sou uma ameaça".

     O silêncio prosseguia… paciente e calmo. A noite duraria todo um mês!

— APAREÇA!

    Camilla suspirou.

    Orelhas dobraram em direção a Erick.

     E homens se assustaram.

     E então… ele também sentiu.

Felipe é você? — sussurrou.

Eu tou aqui! — do outro lado da sala.

    O coração de Erick deu estrondo atrás de estrondo.

    Não é uma besta! Um lobisomem! Não… não… não…

     É quente.

     Pequeno.

     Contudo forte.

     Ele se virou com a certeza de que há alguém atrás dele.

Quem está atrás de mim? — o sussurro quase não foi ouvido. Por audição humana.

    Suas mãos tocaram carne humana.

    Não houve respostas.

    Algo bateu no tornozelo de Erick e ele sentiu o chão. Suas costas doeram com o impacto. Mãos grandes prendiam seus pulsos acima da cabeça e um peso forte sentou sobre seu corpo.

— Porra, ta maluco?!

    Ele fez força, mas o cara sequer se moveu.

Silêncio! — Ele não conhecia aquela voz.

    Porém aquele jeito…

    Aquela autoridade contida numa única palavra o fez se encolher de imediato.

    E soube que não era com um homem que falava quando o azul brilhante se tornou visível na escuridão. Uma íris comum que se expandiu por toda aquela abertura humana, engolindo e refletindo toda mínima luz que sobrevivesse naquele ambiente.

     Erick tinha certeza que eram garras roçando seus punhos.

     E mais certeza do que isso é o fato daquele estranho estar completamente pelado e excitado em cima dele.

— O que q-quer?

    Garras pressionaram seus lábios enquanto uma mão é o suficiente para segurá-lo.

— Machucou ela — as palavras calmas preencheram sem medo algum a sala. Nem alto, nem baixo e a escuridão se rendeu a voz como se a reconhecesse.

    Mas Erick se mantinha apavorado. Ele sentiu seu hálito quente, sentia o calor que emanava de seu corpo.

    Tinha cheiro de… sangue. O estômago do homem embrulhou.

— M-Me desculpe… — choramingou.

    É tudo que poderia fazer no momento. As unhas parecem lâminas pressionadas aos lábios.

Minha bruma… — ele ronronou.

    Erick sentiu a excitação do homem aumentar. Ele suspirou pesadamente. O aperto nos braços do homem aumentou.

— P-Por favor…

— Tentou tocá-la — acusou. — Minha mulher!

— E-Eu não sabia! Por favor, me perdoe… não faço mais!

    Um gemido no final da sala atrai a atenção dele. Dengosa… sonolenta. Teimosa. Não queria dormir de jeito nenhum! Não relachava o suficiente, embora dava indícios de adormecer.

    Minha linda bruma!

    O homem com a bruma beijou a pálpebra de seus olhos. Uma carícia gostosa mexia em seus cabelos, aliviando a enxaqueca. Mas a bruma não dormia completamente.

    O corpo ainda estava em alerta, embora a respiração estivesse cada vez mais calma. Encolhida e com carinho de Grhyamor tentando convencer seu corpo de que não é uma ameaça, ela ainda parecia rebater.

     Sei não, hein!

     Mais um beijinho na bochecha.

     Ela não cedeu.

     E então, o macho foi ousado e selou seus lábios. Como um anjinho seus olhos se fecharam e todo seu corpo ficou repentinamente mais calmo. Camilla adormeceu com um sorriso satisfeito nos lábios.

     Bastou isso e o escândalo começou. Os homens não entenderam sequer o que aconteceu quando as armas foram simplesmente arrancadas de suas mãos. Em segundos estavam todos encurralados, presos e sem rotas de fuga por bestas grandes e poderosas.

    Só havia uns ao outro.

    E Erick preso.

    Os nervos à flor da pele. O medo palpitava seu coração descontroladamente. Ele suava, mas nada o preparava para a seguinte ordem.

— Me chupa!

     Ele piscou uma, duas e três vezes.

— O quê?!

     O homem demonstrou pouca paciência agarrando os cabelos do homem com tanta força que Erick sentiu as garras rasparem suas carne e sua nuca ficar ligeiramente molhada. Um rosnado foi solto próximo de seu rosto.

— Tentou estuprá-la! — acusou.

— E-Eu imploro…

— Teria parado se ela implorasse? — Outra voz ecoou na escuridão. Mais calmo que aquele em cima do humano.

    Não houve uma resposta. Ninguém ali pararia.

    Os mínimos cortes de suas garras já ardiam sua pele.

    Grhyamor ergueu Camilla em seus braços.

     O Alpha apertou o maxilar de Erick, tão firme que ele se sentiu completamente vulnerável. Sua pele rasgava como papel, insignificante e frágil. O macho se moveu em cima do humano, aproximando os quadris de seu rosto. Ele não escutaria.

    Os braços do homem ficaram agora presos entre as coxas do lobisomem. Ele tinha as duas mãos para aproximar o rosto de Erick de suas genitais.

— Chupa! — Ordenou.

    As garras espetavam sua nuca e o rosto. A ameaça estava clara do que aconteceria se não fizesse o ordenado ou o desagradasse.

    No momento em que Grhyamor saiu com Camilla adormecida em seu peito, o silêncio teve um novo som. De algo molhado, estimulado…

    O Alpha jogou a cabeça para trás e suspirou.

    O movimento dos demais lhycans indicavam que pretendiam acompanhar seu líder na diversão.

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