C A P Í T U L O 23
Camilla olhou, piscou e ergueu a sobrancelha. Em seguida suspirou profundamente.
— Isso é mesmo necessário?
Seu ex namorado cruzou os braços. Em meio a escuridão, Camilla conseguia identificar a carranca do homem bravo. Seu maxilar fino, nariz reto e o começo de uma barba loira por fazer. Ela mandou um beijinho no ar.
— Sabia que você fica fofo tentando parecer fortão?
— Cale a boca!
Ela ampliou o sorriso. Nicolas bufou se jogou no sofá onde, a pouco tempo, Camilla estava sentada.
Mais uma vez, olhou para a cadeira em que havia sido presa com uma corda que não fazia ideia de onde haviam tirado. Provavelmente do cu. Os bois com cara de homens devem ter arrancado o próprio rabo.
Aparar o chifre? Nada…
— Conheço uns tipos de nó muito gostoso pra transar e bem mais eficiente que isso aqui — Camilla comentou. — Oh! Se eu fazer um pouco de pressão, minha mão vai escapulir… Quer ver? Peraí… Isso!
Ela revelou a mãozinha solta, dando tchauzinho para os rapazes.
Nicolas pulou do sofá, praguejando.
— Da pra ficar quieta aí, porra?! — E novamente, puxou o braço de Camilla e a prendeu novamente.
A mulher respirou fundo. Oh, paciência!
— Posso saber pra que tudo isso?
— Não confiamos em você! — Revelou Felipe.
Camilla arregalou os olhos.
— Ah! Vocês me perseguem, tentam me estuprar, me batem e vocês não confiam em mim? — Ela riu e negou com a cabeça. — Cada maluco nesse mundo…
Erick se aproximou de Camilla, a passadas firmes e intimidades, típico valentão com os ombros eretos e arrogância.
— Olha, em disputa de macho alfa aqui, tenho minha aposta num grandão lá fora — ela provocou.
— Por que eles te querem?
— Talvez porque sou linda e gostosa — Camilla sorriu — ou porque gostem de estupradores mal passado.
Erick ficou ainda mais bravo que Nicolas. Camilla encarou o ex namorado.
— Vai ver eles estão me querendo porque minha bocetinha é de mel! O último lobisomem que provou, pareceu gostar. — Revelou.
— Como é?
— Nicolas, Nicolas, eu sempre soube que me traia. Escolhi você justamente para não ter peso na consciência quando eu fosse trair você — confessou. — Conheci um homem aqui, nessa cidade. Homem! Um de verdade. Me deu um maravilhoso orgasmo. Só depois descobri que ele é um lobisomem.
Nicolas ficou cético. Pálido. Nojo percorreu seu olhar.
— E você se fingindo de santa…
Ela sorriu.
— E você se fingindo de galã. Qual é? Não aguenta nem uma e quer duas? Já colocou chifre na vadia também oh corno?
— Você é vadia aqui.
— Sabe como eu me tornei assim? Vadia? — Camilla riu. — Uma vez tive uma aula de sexologia e meu professor disse que é normal uma mulher não ter um orgasmo na primeira relação pelo rompimento do hímen. Não é anormal, mas muito difícil. Deve estar muito excitada para isso.
— O que caralho isso nos interessa? — Felipe grunhiu.
Camilla o ignorou.
— Sabe o que eu fiz? Passei a noite vendo vídeo porno com virgem. E então comprei um pênis de borracha e tirei eu mesma o hímen da minha vagina. Doeu pra caralho! — Ela rangeu os dentes e respirou fundo, quase como se tivesse novamente sentindo aquele ardor. — Um mês depois eu tava gozando com todo tipo de vibrador e tava louquinha pra dar pra alguém. Até montei um travesseiro! Que felicidade a minha quando comecei a namorar.
Nicolas bufou. Camilla continuou:
— Sabe o que aconteceu?
— Não me interessa — ele disse.
— Ele gozou e o sexo terminou. Eu tava tão na vontade, tão escorregadia e molhada… Eu chupei o desgraçado e ele nem me deu uma carícia no clitóris — Camilla dobrou o ombro para Nicolas. — Igual você. Ele não me fez gozar. Sabe o que eu concluí?
— Grande merda — ele murmurou.
— O quão patético é um homem que com o pau não consegue o que um reles travesseiro consegue: fazer uma mulher gozar? — Nicolas se endireitou, sério.
O olhar de Camilla foi sugestivo. Tava ali… todo o motivo pelo qual ela não abriu mais as pernas para ele. O deboche em seu risinho que já dizia tudo:
"Sou uma vadia, mas você é patético"
— Você sabe ao menos como chupar uma mulher? Quando insere o dedo dentro ao menos tenta procurar os pontos de prazer, massageia as paredes internas ou só cavuca atrás do útero? Você sabe o que é vagina, né?
— Já acabou?!
Erick se pôs novamente em frente a ela, cansada daquele papinho.
Camilla decidiu mexer com o fogo. Seus olhos queimaram quando provocou ainda mais:
— Quais a chance de sua corna, ou melhor, namorada estar morta agora? Ela ficou na cidade, não?
Erick ficou vermelho.
Um frio percorreu sua barriga e enxotou todo sentimento de empatia para fora do corpo. A mulher claramente sabia de Allyna e Nicolas, riu dela enquanto o namorado tentou estuprá-la. Não, Camilla se recusava a sentir pena.
— Ela sabe que o namorado é um estuprador de merda ou é uma corna assumida?
A mulher sentiu as consequências em seguida.
Seu rosto ardeu, lágrimas vieram ao seu rosto sem permissão e sua cadeira quase tombou para o lado.
Camilla o encarou.
E em seguida, outra janela trincou, um grunhido amedrontador veio por trás da cortina espessa. Alguém lá fora não gostou da bofetada que Camilla recebeu.
O rosnado se fez presente, prosseguindo ao redor da casa. Camila não deixaria aquilo barato…
— Peça desculpas — ordenou ela.
Erick lhe encarou com incredulidade.
— O quê?
— A verdade dói, não é? Doeu? Problema seu. Mas você não vai me bater porque te dou esse direito. Então, anda, peça desculpas.
Erick piscou.
Felipe piscou.
Nicolas piscou.
Camilla mandou uma piscadinha.
— Estou esperando.
— Vá se foder, vadia do caralho! — Erick ergueu a mão, mas dessa vez, não concluiu o tapa.
Uma besta fincou suas poderosas garras na porta, estufou o peito e rugiu poderosamente para a casa.
A espinha de todos congelou. Por um momento, não houve nada além daquele som, daquele vozeirão, daquela besta. A paralisa de medo foi coletiva até alguns segundos depois que o silêncio predominou.
Nicolas já estava de pé, encarando a porta conforme as armas eram apontadas para aquele lado. O ex namorado encarou o amigo e sussurrou:
— Não toque nela!
Erick se virou para os demais. Os olhos de todos estavam arregalados em direção a eles, o aviso e o pedido simultâneo para deixá-la em paz.
Mesmo com seus instintos gritando para ficar quieta e deixar tudo como estava, Camilla bateu o pé e disse, no mais firme possível:
— Agora quero duas desculpas.
— Como é?
Um grunhido ressoou do lado de fora. Um lembrete de que estavam ali. Mais do que isso, estavam entrando no jogo.
Gostando, na verdade.
— Peça desculpas! — Sussurrou seu irmão mais novo, para a surpresa do homem.
— Três, na verdade! — disse Camilla.
— Só pode ser piada… — Erick murmurou.
A besta do lado de fora esmurrou a parede. E outra grunhiu, esperando.
Erick engoliu o orgulho.
— Desculpe… — o ambiente ficou em silêncio.
Os lhycans pararam de grunhir, de ressoar sua raiva, de se moverem.
Os homens respiraram aliviados.
— São três desculpas — porém, Camilla voltou a deixá-los nervosos — e vamos caprichar nessa sua cara de bunda de caranguejo. Vamos, tô esperando!
Erick não disse, nem fez nada.
E os lhycans não gostaram desse silêncio.
O próprio Alpha decidiu acabar com essa palhaçada. A respiração era mais pesada que os demais, as passadas maiores, mais intimidade. Ele não fazia questão de ser discreto. Ele queria aterrorizar.
A fera estufou o peito e suas cordas vocais preparando o início de um rosnado. Os dentes foram expostos e, através de sua boca, um demônio falou:
— ANDA!
Para a surpresa de Camilla, imediatamente Erick se ajoelhou.
— Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa!
Camilla levantou ambas as sobrancelhas. Aquilo é inusitado e não se aguentou. A mulher cuspiu uma gargalhada escandalosa.
Erick ficou ainda mais vermelho. A raiva parecia estar escapando pela respiração, quase explodindo sua cabeça. Mas lá ele ficou, ajoelhado temendo mais a criatura lá fora do que manter seu orgulho.
— Foi bom, foi bom — elogiou Camilla e, então, ficou séria. — Desculpas negada.
Erick piscou.
— Como?
— Quando você estupra uma mulher, um simples e forçado pedido de desculpas ajuda?
— Não te estuprei.
— Bem que tentou né, oh filho da puta! — Erick mal soube o que o acertou. Seu maxilar rangeu, o gosto metálico veio a sua boca e o homem cambaleou para trás. Camilla sorriu para Nicolas. — Eu disse que as amarras estavam ruins. Olha só! Fui me confortar e meu joelho acertou sem querer a mandíbula de papel do coitado! Isso é culpa sua, Nicolas!
Erick não aceitou a situação corretamente e avançou contra Camilla com tamanha agressividade a cadeira rangeu e caiu. Do lado de fora foi ouvido o estrondo e o grito da mulher.
— ERICK! — Um dos homens gritou.
Não houve um rosnado de repreensão.
Nem um rugido.
As criaturas não ficariam do lado de fora, sem saber o que acontecia e apenas escutando. Eles não avisaram, não alertaram, não repreenderam. O Alpha simplesmente chocou seu grande corpo contra a porta e um estrondo ainda maior foi ouvido.
A porta caiu.
O frio, a neve e a ventania entraram.
E lá estava… a fera albina na porta.
Dentes expostos, garras prontas e olhos firmes em suas vítimas… no alvo em cima de sua mulher. Sua fêmea!
Camilla estava no chão, amordaçada, com a cadeira quebrada e sangue em seu nariz. Erick estava em cima, com os punhos prontos para aceitá-la mais uma vez quando os olhos da fêmea brilharam em direção a porta. Um filete de sangue escorria pela lateral do rosto e a mulher tombou a cabeça mal aguentando a consciência.
Se ela desmaiar, não verá. Se não ver, não irá traumatizar-se.
Um sorriso medonho marcou a face da besta. Os dentes rangeram ansiosos para morder e rasgar.
As armas tremeram em sua direção e um grunhido escapou da garganta da criatura. Então as janelas foram arrebentadas. A porta do quarto caiu e havia mais bestas do que armas.
Os homens só sabiam tremer, suar… e exalar cheiro ruim.
O Alpha pisou na porta caída. Ela rangeu, fraca e sensível sobre seus pés. Então ele se inclinou até que as garras de suas mãos massagearem o chão. As orelhas se mexeram a cada ruído de armas, qualquer coisa que pudesse ser uma ameaça.
Ele atacaria no menor movimento brusco.
Saliva se acumulou em sua boca. Ele precipitava o gosto de sangue.
A ficando respiração ofegante conforme se colocava dentro da casa.
Seu corpo ficou mais quente e contagiou todo o ambiente em ameaça e perigo.
Ele se ergueu mais uma vez.
Separou as pernas, estufou o peito, endireitou os ombros e lambeu os beiços. Resto de sangue saiu no ato. Por fim, ampliou o sorriso.
Camilla gemeu com dor. A pupila do Alpha contraiu e todos os drones do lado de fora só captaram o estrondoso rugido.
Os gritos começaram.
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