C A P Í T U L O 51

— Rhaeáks está aqui… — Comunicativo disse. — Então corra, Dandara! Eu não tenho chances num combate contra ele. Não posso me transformar com essa porcaria no pescoço. Corra! Vá para o berçário e use o túnel d’água para escapar se necessário, mas vá!

Ela obedeceu.

Dandara correu o mais rápido que podia.

Enfim, se escondeu!

Mas a fera veio atrás de sua presa…

Cuidadoso lutou com um homem. Mas quando percebeu que ele não estava sozinho, mudou a abordagem e tentou distraí-lo, talvez dialogar. O Bhetta estava em sua forma de homem para isso: conversar.

Porém, no fim, ele encarou o fundo do covil, estalou os ossos e se transformou. Uma grande fera negra, com gloriosos braceletes adornando os pulsos. Sem cicatrizes e nada além de ferocidade mortal.

Comunicativo abaixou a cabeça em reconhecimento a sua autoridade quando sentiu sua presença. Ele expôs o pescoço quando a fera quis cheira-lo… e investigar o aroma incomum que impregnava tanto seu amado, quanto Capacho a momentos atrás.

Um chrynnos pode rastrear a presa por quilometros e persegui-las pelas lugares mais extremos.

Ele soube para onde ir.

O berçário estava impregnado com o aroma da fêmea. Ele era um grande vulto entre as rochas, se movendo com uma destreza assassina enquanto roçava as garras pelo chão.

Rask!

Tik!

Tik!

Ele achou suas mantas. O cheiro nelas…

Suas garras rasgaram aquele tecido em milhares de partes.

Uma colossal sombra de olhos brilhantes que sequer se atrevia a ficar em pé. Ele andava de quatro, com o corpo alongado e os joelhos quase encostando ao chão.

O som das garras era propósital a cada caminhar.

Teck…

Teck.

Teck!

E a terra ao redor da árvore onde urinou. Onde Cuidadoso marcou o cheiro dela com o dele, afirmando suas intenções descaradamente. Um rosnado gutural preenche a câmara.

Teck…

Ele continua a caminhar.

Teck…

Teck.

Teck…

Assim, chega até o buraco de água corrente. Água veloz a escorrer para um túnel. É onde o cheiro dela termina com o manto abandonado. O manto que pertencia a Cuidadoso e foi dilacerado.

Um rosnado baixo ecoa. A fera olha para os lados… movendo a cabeça tal como um animal. Logo, se levanta, se apoiando em suas longas pernas e aspirando profundamente o ar ambiente. Um sorriso se forma em sua face de lobo antes mesmo de abrir os olhos e flagar a humana escondida entre os galhos da árvore.

O coração de Dandara, em um momento para de bater e no outro, fica descompensado. Sua respiração falha quando o percebe rodear a árvore.

Teck!

Teck!

Teck!

As garras dos pés batendo no chão se forma tão intencional que se torna… familiar. É a incrementação do terror que irá consumi-la de maneira a não tomar decisões lógicas. A deixa-la tão nervosa de seu destino naquelas garras que poderá pisar em falso e cair, quebrando as pernas ou braços antes que a diversão finalmente comece.

Mas Dandara se agarra firme aos galhos. Estava bem posicionada e mal se movia quase como se ainda estivesse esperança de que ele não a tenha achado. Ou, simplesmente, sua alma abandonou o corpo.

Ele é grande.

Não tão grande quanto Mandão e todos  aqueles músculos exagerados, mas é intimidador. É um Bhetta que não anseia por ser Alpha, mas sim em servir. Seus músculos são mais proeminentes que os de Cuidadoso, embora sua pelagem não seja tão sedosa. As garras são perigosamente mais afiadas que as de Mandão.

O bracelete em seu pulso é a confirmação de sua posição na hierarquia, trabalhando em imagens que não se pode ver a distância. Rhaeáks não precisava exibir os dentes para parecer ameaçador, pois seu olhar é naturalmente assassino.

Ele se agachou ao chão, a cauda se movendo suavemente. Quando suas mãos estavam para encostar na grama… ele saltou!

A fera se agarrou a árvore e garantiu o seu equilíbrio com uso das garras. Com os braços longos, ele se mostrou totalmente à vontade em subir os ramos, afastando os galhos e folhas. Dandara estava de olhos esbugalhados. Ela não sabia dizer o quão aterrorizante é um lobisomem com mais de dois metros de altura escalando atrás de você.

Ela não ficou ali. Dandara agarrou a primeira fruta que estava em seu alcance e jogou em direção a criatura. Ele se agachou, desviando do ataque e rosnou em sua direção. Mas a humana não se prestou a subir para os ramos mais frágeis e sensíveis.

Se ela caísse daquela altura, seria catastrófico.

Então lançou outra fruta em direção a fera.

— Fica longe de mim! — Se ele entende ou não, a intenção é válida. — Eu não quero nada com nenhum homem. Pode ficar com ele!

Nenhum sinal de compreensão foi visível na face do lobo. Somente a ferocidade de um predador mortal. Era em momentos como esses que Dandara se questionava de sua racionalidade como seres intelectuais.

Em momentos assim que ela ficava mais certa de que não se envolveria com nenhum deles. E se ela estivesse grávida, barriguda, e aquela criatura a lhe perseguir fosse o pai dos seus filhos?

Ela estremeceu quando visou outro galho. O chrynnos parou… e Dandara pulou.

Sem olhar para baixo. Sem medir os riscos. Sem hesitar!

Ela grunhiu de dor. A fera levantou as orelhas quando ela se agarrou a uma madeira do ramo mais forte. Mesmo com a dor visível nos olhos, lá estava ela pegando outra fruta e jogando na Bhetta.

Ele agarrou aquela fruta com as mãos e bufou enfurecido.

— Me deixe em paz! — ela insiste. — Por favor, me deixe em paz.

Suas orelhas reagiram a primeira palavra da última frase. Por favor.

Ele não demostrou clemência e também saltou, tal como um gato, para próximo. Dandara perdeu completamente o equilíbrio com seu avanço e caiu. Ela sentiu os ramos inferiores lhe ferindo antes das costas se chocar contra o chão e alguma coisa muito peluda lhe segurando.

Não havia para onde correr. O chrynnos tinha uma cabeça tão grande que o rosto de Dandara poderia caber entre as mandíbulas no momento de desfigura-la. As mãos tinham dedos longos e garras precisas capazes de abrir caminho pelo peito até que o coração esteja em sua palma. Ela buscou olhar para tudo, menos ele. Foi quando sentiu os dentes roçarem sua pele. Um rosnado forte e frequente ressoou em seu ouvido.

Ele lhe desferiu um golpe rápido e certeiro. Dandara sentiu o corte na lateral do pescoço, tal como o sangue a escorrer.

Seria o seu fim!

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