C A P Í T U L O 32
— Capacho, hein? — Pilantra riu, ao seu lado. Capacho coçava o rosto após descobrir seu apelido.
Não tinha nada mais viril, não?
— Me recuso a querer saber como ganhei esse apelido — ele murmurou.
À frente, Mandão guiava o grupo. E Cuidadoso, agora em sua forma feral, vez ou outra olhava para trás. Capacho e Pilantra estavam orgulhosos e fariam disso sua oportunidade de criar um vínculo com a fêmea.
— Eles… não estão gostando de vocês perto de mim, não é?
— Eles querem te conquistar e farão isso através da confiança. Você só vai confiar caso se sinta confortável — Pilantra explica. — Você vai confiar se eles expressarem abertamente o ciúmes que estão sentindo invés de ceder ao seu pedido?
— Mas eu não pedi…
Capacho simulou uma tosse. Nem ele acreditava nisso. Ela desistiu de se defender. Sim! Ela queria conversar e ter suas perguntas respondidas sem querer precisasse incomodar a todo momento o kamal.
Dandara já estava ficando com pena do pobre animal. O macaquinho finalmente tinha um tempo para dormir, agarrado às suas costas.
— Se você não tivesse pedido para nós estarmos aqui, nesse momento, estaríamos sendo severamente agredidos — disse Capacho. Foi a vez de Mandão olhar discretamente para trás, confirmando, sem perceber, as palavras do macho.
Dandara também não conseguia deixar de reparar no comportamento territorial dos mais velhos. Ao menos, foi o que o macaquinho havia resmungando.
— Tudo isso, por mim? — ela murmurou.
— Uhum — Pilantra diz.
Isso faz Dandara lembrar que não queria Capacho por perto… antes.
— Eu… tenho perguntas — ela diz.
— Imaginei que teria — Pilantra comenta. — Então? O que deseja saber, minha linda fêmea?
Capacho encarou Pilantra. E Dandara olhou para Mandão e Cuidadoso. Se eles ouvissem… se soubesse o que foi dito. O sorriso do homem aumentou.
Dandara estava começando a entender…
Cuidadoso sentiu que Dandara vacilou nos passos e olhou para trás. Mandão acompanhou o movimento. A fêmea mostrou confiança ao segui-los, mantendo uma distância respeitosa de 5 metros e lhes presenteando com um sorriso sem graça.
A face de Mandão suavizou.
— Sobre vocês — ela responde. — Como vocês são… Como se transformam?
Pilantra não deixou Capacho responder e foi mais ligeiro:
— Nascemos assim. E, temos total controle sobre nossa metamorfose, se é isso que deseja saber. — Ele provou esse fato, revelando a Dandara sua mão. Uma mão humana, de pele negra e unhas normais… que se escureceu e cresceu. Do meio do dedo, surgia sua garra, grande e mortal. — E nos curamos rápido também.
Ele fechou a mão, penetrando as garras em sua palma. Dandara arfou e sangue jorrou.
Mandão e Cuidadoso pararam de andar. Ambos olharam simultaneamente para trás, com o focinho franzido.
Capacho aproveitou a brecha para não ser excluído da conversa:
— E podemos sentir o cheiro de sangue a quilômetros — Cuidadoso dobrou as orelhas para trás e Mandão soltou um leve rosnado quando viram a mão de Pilantra. Eles ignoraram. Dandara se perguntou o que aconteceria se aquele sangue fosse dela. — E somos bons em rastrear nossa presa por uma distância ainda maior.
— A transformação — Pilantra toma a palavra. Capacho enrijeceu o maxilar. — precisa de três fatores muito importantes para acontecer…
— Experiência, disposição e força — Capacho rouba a palavra. Pilantra franze o cenho. — Um macho vivido, forte e com a disposição de… Mandão pode se transformar em menos de dois minutos. Talvez até, em um minuto. A média de um adulto é mudar a forma de cinco a dez minutos… Sabe? É um processo interno. Ossos se quebrando, músculos se esticando. Demora um tempinho.
Dandara encarou Mandão e o irmão. Cuidadoso levou menos de cinco minutos para aparecer nessa nova forma feral…
— Mas alguém jovem, nem tão forte e com a mesma disposição do meu amigo aqui ao seu lado, realiza a transformação em, no mínimo, dez minutos. É demorado e nem um pouco seguro — Pilantra alfineta. Dandara contém o riso, percebendo o duelo silencioso. — Um adolescente demora uns 15 minutos. Um filhote, meia hora. E um idoso, cerca de uma hora. A disposição deles não são a mesma de quando eram jovens.
Então, realmente eles tem idosos! E crianças…
— E vocês fazem isso toda momento?
— Se ficarmos mudando de forma várias vezes ao dia, chega um momento que cansamos — Pilantra responde. — Nossa disposição cai e precisamos descansar. Por isso preferimos escolher ficar, ou de um jeito ou de outro, desde que seja por um longo período de tempo.
Dandara esgueirou o olhar para Pilantra. O homem maduro e belo. Sua mão já havia parado de sangrar.
— Você pode saber com que rapidez um macho se transforma pela hierarquia — ele aconselhou. — Capacho é um macho comum. É jovem e necessita de mais experiência e forca. Eu sou um Gaamma. Acima de mim existem apenas quatro Bhettas. E depois…
— E também o homem que quer me matar… — Dandara murmura.
— Ele? Ah, sim! — Pilantra ri. — Ele se transforma tão rápido quanto a quem você chama de Mandão e sabe reconhecer o melhor momento de atacar. E não gosta de fêmeas…
Dandara ficou um momento em silêncio. Eles ficaram em silêncio. Mandão e Cuidadoso voltaram a olhar ligeiramente para trás.
— Nenhuma?
— A última fêmea com quem supostamente se envolveu, ele devorou — revela o homem. Mas, para amortecer, ele completa: — Mas é um amante promíscuo.
Dandara o encarou.
— Como sabe?
— Porque ele já transou comigo — as palavras vieram sem nenhum pudor, surpreendo-a completamente. — Veja, embora ele tenha sentimentos amorosos pelo… bem… Cuidadoso, não é correspondido. Isso faz dele um macho solteiro. Ciumento? Sim. Por ser um Bhetta, não é esperado nada menos do que alguém extremamente territorial. Mas também é muito safado. Ele pode confirmar o que eu digo.
Pilantra aponta para Capacho. Ele estava mais quieto ao seu lado, e assente sem cerimônia.
— Ele tirou a virgindade dele.
Dandara se engasgou. Cuidadoso voltou a olhar para trás, desconfiado das possíveis histórias de terror que estariam lhe confidenciando. Sua paciência estava extremamente curta!
— Mas você disse que ele… que ele…
— Nunca fodeu ninguém — Pilantra completa. Um sorriso surge. — Não significa que ele nunca tenha sido fodido.
Dandara encara Capacho.
— É verdade?
Ele assente.
— Ele fode bem, acho que já disse não? — Pilantra continua. — Fode tão bem que ele se apaixonou. Sabe, Dan, o apelido que você escolheu não poderia ser melhor… não é, Capacho?
As revelações diminuem os passos de Dandara. Capacho confirma, revirando os olhos e encarando as costas de Cuidadoso.
— Meus sentimentos jamais seriam correspondidos.
Dandara observou as feições do rapaz. E depois, encarou as costas felpudas de Cuidadoso. Se ela é rival desse tal Bhetta porque Cuidadoso está interessado nela, então Cuidadoso é rival de Capacho pelo afeto desse Bhetta.
Mas por que ele não ataca?
Por que não é agressivo?
Seria pelo irmão musculoso ao lado? Ou a resposta estaria no motivo que, mesmo Pilantra, um homem maduro e robusto respeita Cuidadoso?
Capacho não tem chance em um combate contra Cuidadoso…
Isso a faz pensar… e se ela pudesse se defender? Garantir que nenhum homem chegue sequer perto dela novamente?
— E os outros… Be-tas?
Capacho mordeu os lábios.
— Tem um… — ele ronronou — que é mais quieto, reservado… não que isso seja incomum para nós mas…
— Ele acabaria com você no momento em que abrisse as pernas para ele — disparou Pilantra. Novamente, Dan se engasgou Mandão olhou para trás. — É um brutamonte.
— E por que ele acabaria comigo? — Quando a humana choramingou, Cuidadoso também olhou para trás.
Ela os encarou com olhos brilhantes e dengosos. Cuidadoso encarou Mandão. Providências precisavam ser tomada a respeito dessa conversa!
— Por que ele tem um pau enorme! — Capacho revelou.
Dan piscou.
— Tem?
— Uhum! — ele levantou a sobrancelha em sugestão e indicou com as mãos o possível tamanho. — Tão grande que quando está transformado, é possível ver a cabeça do pau para fora da pelagem. E quando aquele monstro está excitado, ele…
— Ele detona qualquer fêmea — Pilantra diz. — Ele é bruto e elas sangram durante o sexo. Elas nem conseguem chupa-lo direito. Por fim, ele se estressa e mata.
— Meu Deus…
— Não é como seria caso a gente transasse — Pilantra completa. Dandara abaixa a cabeça. — Você não sentiria dor e dormiria em meus braços completamente satisfeita e feliz. Como deve ser.
— Mas você não é humano — Dandara o encara.
— Eu sou um macho e você uma fêmea. É tudo que importa — ele murmura. — E por que você iria querer um relés humano, quando pode ter alguém como eu?
Em seguida, ele levanta sua mão machucada. Apenas alguns poucos minutos haviam se passado, já havia cascas de sangue cobrindo o ferimento. Ao removê-los, apenas uma marquinha vermelha se revelava.
Alguém poderoso. Com promessas das quais ela não acredita.
Capacho bufou.
— E ele? — Dan indagou, mudando totalmente o assunto.
— Ele? — questionou Pilantra.
— Ele — Dandara apontou para Mandão. — Ele parece… muito forte.
Capacho bufou pela segunda vez.
— Ele é o macho mais perigoso do bando.
— Só existe um único motivo capaz de fazer um macho desenvolver sua força, aumentando seu tamanho ao ponto de mostrar os músculos dessa maneira — Pilantra afirma. Dandara o encara.
— O que seria?
— Um combate — Capacho finaliza. — Ele está assim porque está se preparando para brigar e matar alguém que é mais forte do que ele.
— Quem poderia ser mais forte que ele?
— O irmão dele.
Dandara franze o cenho.
— Cuidadoso? — Cuidadoso tem músculos evidenciados, mas os de Mandão é assombroso!
— O outro irmão deles — Diz Capacho.
Pilantra ficou sério, com a bela face sem expressões, encarando fixamente as feras a frente. No exato momento em que Mandão olhou para trás, verificando o bem estar de Dandara.
— O Alpha, e seu irmão gêmeo, está sendo desafiado — As orelhas da fera se levantaram e, pela primeira vez, Dandara reparou na sua face raivosa, como se uma aura assassina estivesse o rodeando — por ele.
Superior a todos os Bhettas, é a Alpha.
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