A Primeira Provação (p.3)
O grupo acabou se separando, Elisa e Miguel também quiseram ficar do lado de fora,confiavam na intuição da amiga. Miriam e Gabriel foram para o castelo. Eles demoraram um tempo para conseguirem abrir a enorme porta. Ela era muito grande e pesada. Assim que conseguiram, os dois entraram depressa e nem olharam para trás.
Estava tudo muito escuro dentro, Miriam criou uma pequena esfera luminosa para que pudessem visualizar o caminho. Eles perceberam estar dentro de um imenso salão. Havia escadas que levavam ao segundo andar ao fundo, porém eles preferiram não adentrar muito o castelo. Não queriam admitir que Abigail pudesse estar certa quanto a qualquer perigo que pudesse ter dentro do castelo, porém preferiam não pagar para ver vasculhando tudo. Então, procuraram algum aposento por perto. Por sorte, encontraram um quarto enorme, com três camas bem próximo. Entraram no aposento e trancaram a porta, para ficarem mais seguros.
Abigail, Elisa e Miguel foram para o outro lado do quintal que rodeava o castelo, onde visualizaram grandes árvores. Eles poderiam ter se separado de Miriam e Gabriel por uma noite, mas não tinham a intenção de seguirem separados o resto do caminho. Por isso não queriam ficar muito longe.
O castelo parecia abandonado. A mata do quintal estava bastante alta e em alguns pontos era possível visualizar alguns movimentos furtivos, o que indicava que poderia haver craks por ali ou qualquer outra criatura desconhecida, possivelmente perigosa também.
− Acho melhor dormimos em cima das árvores, o que acham? - indagou Abi - Acredito que seja mais seguro.
− E como nós vamos conseguir subir com essas mochilas? Além do mais, como vamos conseguir dormir lá em cima, podemos acabar caindo - comentou Elisa.
− Estão vendo aquela floresta ali? - Abigail apontou para um ponto mais ao norte, onde havia muitas árvores.
− O que é que tem? - perguntou Elisa - Como isso vai nos ajudar?
− Bem, se vocês conseguirem enxergar, tem muitos cipós, podemos fazer uma grande rede e amarrá-la lá no alto - e apontou para o topo das árvores - depois cobrimos com algumas folhagens e temos uma grande cama num local bem seguro! - disse sorrindo - seria bom amarramos outra rede cercando em volta da cama para não cairmos acidentalmente.
− Pode ser, até aí tudo bem...É fácil fazer não é tão complicado fazer uma rede...mas como vamos conseguir subir nessas árvores? Elas são bem altas, não acho que nos transformando em macacos vai ajudar. Os caules são escorregadios e não tem nenhum graveto no meio que possa ajudar. - comentou Miguel.
− Podemos sim subir, só é transformarmos nossas mãos e pés em alguma pata com garras afiadas e muito resistentes e diminuirmos nosso corpo, podemos levar e rede em segurança, que acham? - sugeriu Abigail.
− Se formos nos transformar nisso aí, como vamos conseguir levar as mochilas conosco? Elas ainda estão cheias de frutas e estão pesadas - comentou Miguel.
− Ora, isso é fácil, não é Miguel? Podemos deixar as mochilas aqui em baixo com um de nós enquanto os outros dois montam a rede lá em cima, depois os dois de cima jogam um cipó e o que está aqui em baixo amarra nas mochilas e só é puxar, simples - sugeriu Elisa, ela estava começando a gostar do plano.
− Boa ideia Lisa, não tinha pensado nisso! - elogiou Abigail.
Eles fizeram tudo como o planejado. Miguel também sugeriu de guardarem alguns cipós para mais tarde, quem sabe, servir como corda. Acabaram fazendo redes com duas camadas a mais, para ficar mais seguro. Os cipós eram grossos e muito resistentes, quase impossíveis de cortar, foram precisas três patadas de tigres para conseguirem partir o cipó. O punhal de Abigail não conseguiu ser de muita serventia, iriam demorar muito se tentassem com ele.
Quando se acomodaram na rede, viram dois rostos sorridentes pela janela do grande castelo, estavam aquecidos, confortáveis e zombando dos que ficaram fora. Pelo viso o aposento que encontraram ficava de frente para os garotos do lado de fora e uma grande janela permitia a sua vista.
− Não liguem pra eles, pelo menos agora nós temos uma cama e podemos levá-la para onde quisermos - defendeu Miguel.
− Tem razão, além do mais, ainda acho que esse castelo não é seguro - completou Abigail - Aqueles dois deveriam vir para cá. Não sei por que toda essa briga, eles também são muito poderosos e bastantes talentosos, por que não conseguem ver isso? − na hora em que Abigail disse isso, Elisa levantou a cabeça e ficou contemplando as estrelas − Eu não teria chegado aqui sem a ajuda de todos, mas ainda assim, por que continuam com toda essa raiva? Me diz, por que isso?
− Sinceramente, não somos tão poderosos quanto você, Abi, mas de resto você está certa. Não insiste mais nesse assunto...mais cedo ou mais tarde eles vão cair na real − quando Elisa percebeu que Abigail ia abrir a boca para interrompê-la, ela rapidamente mudou de assunto − Amanhã bem que podíamos procurar por um riacho ou um lago limpo para nos lavarmos, ou quem sabe no castelo possa ter algum chuveiro que funcione? Acho que é pedir demais, não é? Porque, sinceramente, não estamos cheirando muito bem - disse entre gargalhadas e os outros também riram.
Demorou um tempo para todos dormirem, tanto os que estavam no castelo como os que estavam fora, apesar de terem sapatos confortáveis, seus pés estavam bastantes doloridos e cheios de bolhas. É claro que ninguém se acostumou a caminhar um dia inteiro e tendo as vezes que correr, se esquivar ou subir nas árvores quando percebiam algum perigo. Elisa nem conseguiu dormir, mal pegou no sono, mas graças a isso ela pôde ouvir alguns grunhidos estranhos em baixo.
Ela abriu os olhos rapidamente e acordou os outros em silêncio. Logo em seguida apontou para baixo e puderam ver muitos monstros enormes, cheios de pelos por todo o corpo, vestindo coro de animais nas partes íntimas e arrastando os pés imundos com sete dedos para o castelo. No lugar da mão desses gigantes, viam-se tentáculos com escamas e cheios de espinhos muito grossos e afiados, com um líquido viscoso saindo das pontas. Possuíam também uma proeminente corcunda peluda.
− Meu Deus, que horror! Espero que não encontrem o pessoal que foi dormir lá dentro - sussurrou Elisa.
− Não podemos ficar aqui parados! Temos de ir alertá-los, antes que os encontrem, não sabemos se aquelas coisas são boas, aliás, tenho quase certeza de que não são - avisou Abigail apontando para um dos gigantes peludos que ainda não tinha entrado no castelo pelos fundos.
− Espere Abigail! Olhem para a janela, eles já os acharam! - informou Miguel apavorado. Três daqueles bichos tinha amarrado cautelosamente para não acordarem os garotos que ainda estavam dormindo, não havia sinal de arrombamentos na porta - vamos falar com eles através dos braceletes...
− Não! Está louco? − interrompeu Abigail − Se falarmos com eles agora, aquelas coisas enormes vão perceber e não sabemos o que são capazes de fazer. É melhor os seguirmos, vamos! - chamou-os quando viu que todos os monstros estavam entrando na floresta segurando os garotos amarrados e mais um cervo no ombro. Miriam e Gabriel possuíam muitos cortes em todo o corpo, provavelmente os tentáculos cheios de espinhos daqueles bichos horrorosos os tinham feridos, na tentativa de amarrá-los, mas apesar de todo aquele movimento, continuavam dormindo estranhamente. Os tentáculos daquelas criaturas deviam conter algum tipo de anestésico.
Eles desceram da árvore o mais rápido e silenciosamente que podiam, cada um se transformou num esquilo para poderem seguir aqueles monstros sem serem notados. Andaram por algum tempo até aqueles gigantes pararem para descansar. Eles então colocaram os garotos e o cervo amarrados em um canto. Um dos monstros ficou sentado ao lado, de guarda enquanto os outros buscavam galhos e gravetos para construir uma fogueira.
− Se for para salvarmos aqueles dois, tem que ser agora, porque depois eles vão virar churrasquinhos se não impedirmos - sussurrou Elisa, apontando para a fogueira em construção. Um dos monstros lambuzava a gosma do seu corpo nos gravetos da fogueira, provavelmente aquilo era inflamável.
− Tem razão, mas como vamos conseguir? Se aquele ali - Miguel apontou para o monstro que estava guardando a "comida" - nos vir, é capaz dele chamar os outros, aí o bicho pega, literalmente.
− Talvez nem precisemos lutar contra nenhum...- sugeriu Abigail pensativa - será que devemos usar o bracelete agora? Acho que aquele grandão não vai ouvir, ele está um pouco longe do pessoal, mas mesmo assim vamos ter de falar baixo - sussurrou.
− Ta bem...deixa que eu tento...Gabriel - chamou Miguel e o rosto sonolento de Gabriel apareceu em seu bracelete. Pelo visto ele tinha acordado, mas permanecera com o rosto imóvel instintivamente ao ver-se amarrado, ferido e com um monstro enorme perto dele. Gabriel tinha suas pernas e pulsos presos, mas isso não o impedia de poder usar o bracelete.
− O que? Onde estou? - perguntou assustado, mas já sabia qual seria a resposta.
− Não viu ainda qual a razão disso tudo, seu idiota? Tem um monstro enorme perto de você e Miriam! Isso é tudo culpa sua! - vociferou Miguel através do bracelete - Agora, tente se transformar em algo pequeno o suficiente para se livrar dessas cordas e acorde Miriam com cuidado, para ela não surtar e chamar atenção desse gigante aí!
− Entendi − Gabriel estava arrependendo-se amargamente das atitudes egoístas que tomara e ainda por cima ter levado Miriam junto, ele sabia que a garota sempre o seguiria. Considerava-a como uma irmãzinha e não iria se perdoar se algo acontecesse a ela - Só tem um problema! - respondeu temeroso - Eu não estou conseguindo me transformar em nada, essas cordas parecem ser encantadas, sei lá. Não estou conseguindo usar meus poderes... Aquilo é o que eu estou pensando? - perguntou ainda mais desesperado quando viu uma grande fogueira sendo acesa e uma espécie de faca, que mais parecia uma foice, sendo amolada numa pedra pelos gigantes − socorro, me ajudem!
A coragem de Gabriel foi se esvaindo ao ver a faca imunda soltando um terrível som quando era esfregada na pedra. Fazia um barulho muito ameaçador. Enquanto isso, os três amigos que viam a cena de longe pensavam desesperadamente numa solução.
Gabriel já ia acordar Miriam, quando virou os olhos para ela e já a viu acordada e muito amedrontada. Ele sentiu-se ainda mais culpado. Se não fosse por ele, os dois poderiam estar dormindo sãos e salvos no alto. Ele tinha plena consciência disto. Mesmo que não estivessem tão confortáveis estariam em segurança. Até porque aqueles monstros não aparentavam ser tão inteligentes. Provavelmente não iriam procurar comida em cima das árvores.
O monstro, que estava guardando os dois, foi na direção deles. E nesse momento, não deu mais para fingir que estavam dormindo. Rapidamente, os garotos que estavam amarrados tentaram se arrastar o mais rápido que podiam para longe do gigante, mas isso não adiantou, pois aquela criatura os pegou de uma vez e carregou-os para junto da fogueira. Pelo visto, iriam deixar o cervo para mais tarde. Então um outro veio com o enorme facão para cima de Miriam...
🐇E aí? Está bom de perigos ou querem mais treta? Se quiserem mais, vai lendo...
Só não esquece daquele joinha que alegra a vida de todo escritor, comentários então, nem se fala. 😘
Gostaria de agradecer a todos que estão lendo minha história, até de você Gasparzinho(a). Muito obrigada mesmo, vocês alegram meu dia, por gastarem nem que seja uns minutinhos com minha obra.❤
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