043| Não foi nada grave.
Tudo aconteceu muito rápido, mal tive tempo para raciocinar algo. Any simplesmente apareceu gritando meu nome e se jogou em cima de mim. Pensei que ela tinha enlouquecido, mas após ver ela cobrir nossos rostos e depois ouvir um alto som, fiquei totalmente assustado.
Foram coisas de segundos e o som dos estilhaços logo parou. Any retirou a blusa e só aí notei seu rosto tão próximo ao meu, sua respiração ofegante atingindo em cheio meu rosto me deixando sem reação.
Encarei seus olhos e um arrepio percorreu meu corpo. Tão escuros, mas penetrantes. Senti meu coração disparar e novamente algo percorreu meu corpo. Mas antes que eu pudesse processar isso, a voz de Heyoon fez ela se levantar.
Eu a vi, sangrando por algumas partes do corpo e parecia nem se preocupar. Aquilo iria me atingir…
Any então saiu acompanhada por seus amigos. Olhei seus passos ainda confuso e Heyoon me abraçou.
Por que ela me salvou? Por que fez isso mesmo eu tendo feito aquilo com ela ontem?
Ainda no abraço vi ela se virando para me olhar. Meu sentimento de culpa só aumentou, não queria ter machucado ela…
— Meu amor, você está bem mesmo? — desvio o olhar vendo ela se separar do abraço.
— Estou. — digo baixo. — Foi só o susto, Any acabou cobrindo todos os vidros. — olhei a porta novamente vendo que ela já havia ido.
— Não quer passar na enfermaria? — neguei com a cabeça.
— Só preciso de um banho e depois vou para casa. — me afastei.
— Eu vou junto, só me deixa…
— Não precisa. — digo cortando ela. — Quero ficar sozinho, nos vemos depois. — dou um beijo em sua testa.
Peguei minhas coisas e segui para fora.
Segui direto ao vestiário e fui tomar um banho. Minha cabeça estava a mil, era muita coisa para processar em tão pouco tempo. Tudo mudou da noite para o dia, eu mudei da noite para o dia.
Não me desculpei com ela, não tinha coragem porque mesmo não entendendo o que aconteceu, eu a machuquei. Mas ela me defendeu do Noah, suas palavras pareciam confiantes ao dizer que eu realmente não tinha culpa, mas como ela podia? Seu braço estava completamente roxo…
Encostei minha testa naquela parede gelada e segurei um grito de raiva que queria sair. Preciso falar com você Any.
Terminei meu banho e me troquei pegando minhas coisas em seguida.
Segui em direção a enfermaria e dei de cara com Noah junto de Sabina, ambos estavam abraçados e eu não sabia como me aproximar. Noah ainda deveria estar irritado comigo e com razão…
— O que você quer aqui? — disse Noah após me ver e eu me aproximei devagar.
— Só queria saber se ela estava bem. — olhei Sabina que revirou os olhos. — Queria agradecer e também me desculpar. — alisei minha nuca nervoso.
— Ela está bem sim. — disse Noah me fazendo olhar ele. — Não foi nada grave e Shiv a levou para casa. — senti um alívio maior percorrer meu corpo.
— Queria falar com você também. — digo sem jeito e ele se levanta deixando Sabina sentada.
— Josh de verdade? Prefiro não conversar agora com você. — assenti. — Any me explicou, ou pelo menos tentou me explicar. — ele suspirou. — Ela até me pediu para te dar uma chance, mas eu neguei.
— E eu entendo. — digo olhando ele.
— Porém ela me lembrou do dia que ela ficou chateada com você e fui eu quem fiz a cabeça dela para falar com você. Assim como ela, prefiro dar um tempo ao tempo. — assenti. — Não estou bravo com você, muito pelo contrário, fico feliz em saber que passou por cima do seu orgulho e veio aqui se desculpar com ela. Mas eu peço de verdade que me entenda. — assenti.
— Tudo bem. — passei a mão no cabelo. — A gente se vê. — me viro e deixo o local.
Ouvir aquilo foi pior do que receber um soco na cara. Tem muita coisa nessa vida que eu até lido bem, mas acho que uma delas que eu não suportaria seria perder a amizade de Noah.
Noah e eu nos conhecemos a tanto tempo, crescemos praticamente juntos e confiamos um no outro para contar absolutamente tudo. Ver ele se aproximando de Any, os dois virando amigos, passarem boa parte do tempo juntos… não sei, estava me deixando inseguro em relação a nossa amizade. Tenho medo de perder ele e não ter mais ninguém ao meu lado em que possa realmente confiar.
Heyoon não é a melhor opção, na verdade nem opção ele era, não sei onde eu estava com a cabeça quando voltei com ela..
Peguei meu carro, mas ao invés de ir para casa, segui para a praia. Eu realmente precisava colocar as ideias no lugar.
…
Sentado na areia eu apenas via as ondas batendo com força sobre as pedras mais ao lado.
Esse resto de semana foi tão complicado, não entendia o que estava acontecendo, mas quando me dava conta, Any e eu já estávamos discutindo. Era estranho, porque ela parecia querer se aproximar e tudo o que eu fazia era me afastar…
Por que em tão pouco tempo ela parecia entender tudo e a todos? Porque com todos os motivos para me odiar, ela continuava tentando me entender?
Foi nesse momento que todas as lembranças decidiram tomar conta da minha cabeça. A gente se esbarrando e a bebida quente virando em mim, seu deboche sobre mim sem ao menos se preocupar com nada. Nosso encontro no jantar onde eu tive a certeza de que o destino estava brincando com a minha cara. Nossas discussões, brigas, desentendimentos…
Até que as boas vieram. A gente assistindo filme e ela chorando horrores pelo final trágico, depois ficou brava comigo por eu já saber e não dizer nada. Seu grito de desespero ao colocar pimenta na boca sem saber e tudo o que eu fazia era rir. Eu acertando uma colher em sua cara após ela me assustar, passando com a cadeira em cima do seu pé após ela me assustar de novo… seus gritos histéricos quando jogamos juntos e ela ganhou todas as partidas.
Sua risada me causava algo, que eu não sabia o que era, mas me contagiava. Sua inteligência e paciência para me ajudar no dever era algo que me intrigava, mas ao mesmo tempo eu admirava.
Um sorriso escapou dos meus lábios e quando lembrei do incidente da quadra meu coração voltou a acelerar. Seu rosto próximo, seu olhar no meu e aquela sensação que senti…
Meu sorriso sumiu e foi aí que minha ficha caiu. O destino não estava tirando uma com a minha cara!
Me levantei e saí correndo em direção ao carro. Segui o mais rápido que pude até em casa e me xinguei internamente por ser tão burro a esse ponto.
…
Abri a porta de casa e cumprimei meu pai que estava na sala. Subi correndo até o quarto de hóspedes, que era onde ela estava.
Bati na porta mas ela não respondeu. Vi que a porta estava aberta e entrei pedindo licença.
Olhei em volta e fiquei confuso ao ver que o quarto estava completamente vazio. Não havia mais mala, roupa, tênis, nada. A cama estava feita e o local estava arrumado.
Saí do quarto correndo e fui em direção ao meu pai na sala.
— Pai, onde a Any foi? — pergunto afobado na sua frente.
— Embora filho, voltou pra casa. — arregalei meus olhos e meu coração parecia ter parado de bater por alguns segundos.
— Como assim? Ela voltou para o Brasil?
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