024| Os dois namoram, os dois não prestam.
Any saiu correndo me deixando sem reação. Olhei para Noah e tudo o que ele fez foi negar lentamente e correr atrás dela.
Heyoon estava atrás de mim e segundos depois de Any sair correndo o pessoal em volta se dispersou.
Não sabia o que fazer, estava confuso e muito irritado. Como Heyoon sabia dessa história sendo que eu nunca mencionei nada disso para ela?
— Meu amor, obrigada por me defender. — Yoon colocou a mão no meu ombro me fazendo virar.
— Só me meti porque não queria que vocês duas saíssem na porrada, não seria bom para você. — mas o que diabos estou falando?
— Pelo menos agora eu acho que ela aprendeu a lição. — Heyoon colocou seus braços em volta do meu pescoço na intenção de me beijar mas eu desviei.
— Posso saber como você ficou sabendo dessa história? — tirei seus braços do meu pescoço.
— Isso importa? — me olhou.
— Não, mas eu não te contei nada disso e ela está achando que eu contei. — digo seco.
— Desde quando você se importa com essa garota? — de verdade, não me importo, mas não admito levar a culpa de algo que não fiz.
— Heyoon, só responde logo a minha pergunta. — digo e ela solta um suspiro.
— Eu ouvi, por acidente, você conversando com o Noah. — abri minha boca desacreditado.
— Isso é sério? Você ficou ouvindo minha conversa? — digo tentando controlar minha raiva.
— Eu já disse, foi sem querer, não queria atrapalhar, mas quando eu ouvi o nome dessa garota eu...
— Como você ficou sabendo da viagem da tia dela? — interrompi encarando ela.
Heyoon me contou que no vestiário me ouviu falar disso com Noah, o que realmente aconteceu. Eu conto tudo para ele, porque justamente confio no meu melhor amigo, e sabia que não havia ninguém lá dentro.
Relatei que a tia dela havia ido viajar, mas não mencionei nada sobre ela estar lá em casa, porque de certa forma seria uma surpresa para ele já que os dois se dão tão bem.
Eu só não contava que essa garota fosse tão intrometida a ponto de ouvir conversas alheias.
— Eu não posso acreditar que você chegou a esse ponto Heyoon. — digo passando a mão no rosto.
— Desculpa meu amor, me arrependo de tudo isso. — Yoon tentava se aproximar mas eu recuava.
— Não, você não se arrepende porque tudo o que fez foi espalhar essa história distorcida. — digo olha ela. — Sei quando mente Heyoon, estamos juntos a tempos, se tem uma coisa que você não sente agora, é remorso do que fez.
— Será que a gente pode conversar com mais calma? — neguei.
— Não estou com cabeça para isso, preciso de um tempo. — ela se aproximou segurando no meu braço.
— Você está terminando comigo?
— Leve como quiser. — saí e fui para sala.
Noah não estava na aula, ele havia sumido e Any também, só sei porque tínhamos a quarta aula juntos mas nenhum dos dois estava presente, somente Sabina que sentou sozinha lá atrás.
Mandei mensagem para Noah mas elas não foram entregues, será que ele não vai mais passar o fim de semana lá em casa?
...
O sinal tocou e fomos para a última aula. Novamente Noah não estava na aula e Heyoon não parava de me olhar. Tentei me concentrar na aula, mas não conseguia, minha cabeça estava dando voltas remoendo tudo o que Any havia dito na discussão…
Eu não sou um babaca, não cometi nenhuma atitude estúpida para magoar alguém, eu não sabia que Heyoon estava ouvindo tudo.
O último sinal tocou e eu fui embora.
Não estava com cabeça para ir pra casa e fiquei rodando a cidade sem rumo definido. Não queria ver a Any de certa forma, se aquela garota surtasse na frente do meu pai o que eu ia fazer?
Já era de noite e nada do Noah me responder. Resolvi ir na casa dele e assim que cheguei recebi a notícia do seu pai que ele havia ido dormir lá em casa…
Tomei o caminho de casa e rezei para ele estar lá, porque se não tiver eu enlouqueço.
...
Cheguei em casa e vi o carro de Noah estacionado. Suspirei aliviado e desci do meu.
Abri a porta de casa e chamei meu pai, mas não obtive resposta, o que me fez entender que ele não estava em casa ainda.
Eu não ia ficar tranquilo até saber se ela realmente estava bem e em casa.
Assim que cheguei Erick me recebeu. Disse que Any estava no quarto e que não parecia bem.
Ele me deixou ver ela, mas me pediu para não insistir caso ela quisesse apenas ficar sozinha.
Segui até o quarto de hóspedes e bati na porta.
— Não estou com fome, Erick. — ouvi sua voz trêmula e senti meu coração apertar.
— Sou eu, Noah, por favor me deixa entrar. — falo com a cabeça encostada na porta.
— Noah não quero falar com ninguém, por favor, vai embora. — fechei os olhos.
— Eu prometo que serei rápido. — tudo ficou em silêncio e eu resolvi deixar para lá...
Quando ia virar o corredor para descer, escuto a porta sendo aberta. Virei meu rosto e vi ela colocando a somente a cabeça para fora. Seu rosto estava inchado e aquilo me partiu o coração.
Me aproximei dela e ela me olhou. Não sabia o que fazer, então a abracei e ela correspondeu voltando a chorar.
Quando seu choro diminuiu ela me convidou a entrar e fechou a porta. Ficamos sentados na cama e ela fazia carinho no cachorrinho que dormia.
— Deixa eu adivinhar, Sabina te disse onde eu estava? — me perguntou passando a mão no rosto.
— Podemos dizer que sim. — olhei ela. — Só queria ter certeza que você veio para casa e não foi fazer nenhuma besteira. — ela levantou a cabeça para me olhar.
— Que tipo de besteira? Tirar minha vida? — suspirei. — É necessário muito mais que isso para eu cometer tamanha loucura Noah. — ela cruzou as pernas cama.
— É que eu passei parte dos anos tendo que me preocupar em cuidar do Josh para ele não fazer besteira no calor do momento, que não penso muito bem. — ela revirou os olhos.
— Não fala o nome desse garoto. — se escorou na cabeceira.
— Any eu sinto muito mesmo, sabia que ele era burro, mas não à esse ponto. — negou.
— Confiei nele e ele contou minha história para aquela… garota. — ela parecia mais calma.
— Eu de verdade não sei porque ele fez isso, sendo que ele me fez prometer não contar a ninguém. — Any me olhou e eu me dei conta da merda que eu acabei de falar.
— Como é? Ele contou para você também? — ela se jogou com tudo para frente.
— Eu e minha boca. — resmungo. — Any ele só me contou porque me disse que se identificou com sua história, ele sabia que eu me dava bem com você e não iria contar nada. — fechou os olhos.
— Que seja. — ela se escorou na cama novamente. — A partir de agora vai ser casa, escola e nada mais, não quero mais nenhum tipo de papo com ele.
— Você não pode evitar ele pra sempre. — me olhou.
— Não vai ser pra sempre, daqui um ano eu vou embora. — meu coração deu um aperto.
— Daqui 1 ano, só isso? — perguntei me aproximando dela.
— Sim Noah, só vim terminar meus estudos, depois que terminar volto para o Brasil e apago tudo isso da minha vida. — ela não parecia nem um pouco triste em dizer isso.
Mordi meu lábio inferior e tomei coragem para falar algo...
— Sei que você não quer falar dele. — ela revirou os olhos. — Mas é que a história que ele me contou é que você veio para cá porque sua relação com seus pais não era muito boa, não entendo porque ele iria dizer isso a Heyoon e ela iria distorcer a história.
— Os dois namoram, os dois não prestam, fim da história, embora Heyoon não estivesse tão errada na distorção da história. — olhei ela confuso. Ela suspirou e se sentou novamente na cama.
Any começou a me contar sua história, que ela vivia com sua mãe e seu padrasto no Brasil.
Ela nunca chegou a conhecer seu pai de verdade, sua mãe dizia que ele havia morrido antes mesmo de saber da sua existência. Any disse que seu padrasto a odiava e colocava a mãe dela contra ela.
Um ano depois de relacionamento, Any percebeu que sua mãe já não era mais a mesma e tudo que acontecia era culpa dela. Um dia ela teve um desentendimento com seu padrasto e acabou fazendo merda, da qual ela não quis entrar em detalhes.
Any resolveu vir para os EUA terminar seus estudos, mas antes de fazer a viagem ela se resolveu com a mãe, que prometeu que não iria se casar com ele pois descobriu que ele não prestava.
— Não entendo, por que ela simplesmente não termina o noivado? — perguntei inconformado com tudo isso.
— É complicado Noah, as coisas tem que ser feitas com calma, ele é perigoso e se minha mãe não fizer o jogo dele... — ela fechou os punhos.
— Você deveria ligar para a polícia, esse cara deve ser um criminoso. — me olhou.
— Não acho que a polícia possa resolver isso Noah. — ela começou a rir e fiquei aliviado vendo ela sorrir novamente.
Alguém começou a bater na porta e nós nos olhamos.
— Quem é? — Any perguntou e eu fiquei quieto.
— Sou eu Any. — escutamos a voz de Erick. — Trouxe algo para vocês comerem, já estão a muito tempo aí dentro, e você precisa comer. — Fui até a porta e abri. Ele estava com uma bandeja cheia de sanduíches e dois copos de sucos.
— Obrigado tio! — ele me chamou de canto.
— Ela está melhor? — perguntou baixo e eu assenti. Ele me pareceu aliviado e se despediu.
Me sentei na cama e coloquei a bandeja em cima. Any estava faminta, ela comeu 3 sanduíches e já estava indo para o 4º.
Passamos mais um tempo conversando e não vimos a hora passar. Já eram cinco da tarde e como ia dormir aqui, não me preocupei em ligar para meu pai e avisar ele.
Any e eu colocamos um filme para assistir. Ela me disse para escolher um filme que eu nunca tenha visto, não entendi muito bem, mas escolhi um filme de terror.
Aquilo me deixou totalmente chateado, Any não estava se assustando com absolutamente nada, às vezes até me avisava quando ia dar susto. Segundo ela, nunca assistiu, mas pelo desenrolar da história sabia o momento do susto.
Eu não estava mais me importando, a cada susto que eu tomava ela dava risada e aquilo me deixava extremamente bem.
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