018| A gente já vai?

Me despedi de Josh e deixei Alexa para trás. Queria chegar em casa e arrumar um jeito de falar com Sabina, eu espero que ela esteja acordada ainda.

— Any espera. — Ale apareceu na minha frente.

— Diga? — olhei ela parando na porta.

— Por que você demorou tanto lá dentro? — ela abriu a porta de casa.

— Eu precisava falar com uma pessoa.

— Como? — ela me deu passagem para entrar.

— Pedi o celular do Josh emprestado, ele ligou para um amigo dele e através desse amigo consegui o número de uma pessoa para ligar. — me joguei no sofá.

— Ah! E você vai ligar com o que para essa pessoa? — ela se jogou ao meu lado.

— Você poderia me dar um celular, não é? Não conheço nada daqui, não tenho nem ideia de como fazer um com magia. — virei para ela.

— Não sei como pude esquecer de dar um antes de ir para escola, não sei como ninguém percebeu, hoje em dia é estranho um adolescente não ter celular.

— E então? — fiz um gesto de "cadê?" para ela.

— Aqui! — um pequeno brilho saiu de sua mão fazendo aparecer um celular. — Esse é o celular mais novo, você que lute para aprender a mexer nele. — dei risada.

— Você é tão boa me ensinando as coisas daqui. — digo debochada e ela ri.

— Engraçadinha. — apertou meu nariz. — Agora vai dormir, você tem que acordar cedo amanhã. — ela me deu boa noite acompanhado de um beijo na testa e foi para o quarto.

Subi para o quarto correndo com o celular na mão.

Cheguei e acendi a luz. Olhei para a janela e fui até ela, coloquei minha cabeça para fora e senti um pouco da brisa.

É estranho eu sentir um vazio quando não tem gritando comigo por eu ter feito merda...

— Sinto sua falta mãe. — suspirei devagar.

A saudade da minha mãe estava aumentando a cada dia, embora fosse complicado, ela me faz falta...

Fechei a janela e a cortina junto.

Segui em direção a cama e me joguei nela, precisava dar um jeito de aprender a mexer nisso.

Pelo o que eu vi o Josh fazendo ele clicou em algum lugar e apareceu uns números, então sai clicando em tudo e deu certo.

Coloquei o número que eu havia anotado e fiquei olhando aquela tela.

O que eu faço? Achei que ia ligar mas não aconteceu nada, só estava os números...

Não sei o que eu fiz, mas começou a fazer um barulho idêntico ao do que o Josh fez ao ligar para Noah.

Esperei uns segundos e ouvi uma voz ao outro lado meio rouca, acho que acordei ela.

Alo?

— Sabi, te acordei? — pergunto alisando minha testa de leve.

Acordou sim, quem está falando?

— Sou eu, a Any.

Any?! — ela deu um grito e pareceu pular da cama.

— Fala baixo, você vai acordar alguém assim. — digo segurando o riso.

Tarde de mais, ela já me acordou. — escuto a voz de Shiv meio arrastada.

— Shiv, oi. — digo sem graça por ter acordado elas.

Como você conseguiu meu número? — perguntou Sabina.

— Depois eu explico. — queria falar com o Noah antes sobre isso. — Vocês não vão acreditar em quem é meu vizinho...

Josh! — disseram juntas e eu abri a boca incrédula.

— Vocês sabiam e não me falaram?

A gente tentou ir atrás de você, mas quando chegamos você não estava mais lá. — disse Sabi rindo.

— Entendi, bom, já que vocês estragaram a minha notícia, acho melhor deixar vocês dormirem.

Mas a gente vai querer saber de tudo amanhã. — disse Shiv e eu ri.

— Pode deixar, vocês vão passar aqui, não é?

Claro que sim, minha querida, quanto mais cedo melhor. — disse Sabi.

— Ok, um beijo meninas, boa noite.

Any espera, esse é o seu número, não é? — perguntou Sabina.

— Sim, pode anotar ele.

Você quis dizer salvar ele? — disse Shivani rindo.

— Serve isso também. — dei risada, eu sou uma negação.

Boa noite. — disseram juntas e eu desliguei.

Eu nem me lembrei do banho, estava tão cansada e não fiz nada de mais hoje. Acabei pegando no sono com a roupa do jantar.

5:30h, Quinta-feira. 13-02

Acordei e mal conseguia abrir meus olhos, não achei que ia dormir tão pouco e não quero me levantar dessa cama.

Olhei para o relógio que marcava 5:32h e me debati na cama, droga! É melhor eu me levantar.

Fui me rastejando para o banheiro e me olhei no espelho.

— Caraca, eu estou acabada. — digo vendo o desastre no reflexo.

Resolvi tomar um banho logo já que precisava acordar, hoje o dia parecia que ia ser longo...

Saí do banheiro e fui caçar uma roupa para vestir, nunca desejei tanto que essa escola tivesse uniforme.

Peguei uma calça jeans que era rasgada e uma blusa cinza... Se vou poder entrar assim na escola, só Deus sabe.

Parei em frente ao espelho e fiquei me olhando...

— É, dá para o gasto. — resmungo rindo.

Me sentei na cama para calçar um tênis, quando alguém bate na porta.

— Está aberta Ale. — grito sentindo sua aura do outro lado.

Olhei para a porta e ela se abriu.

— Tem duas meninas lá embaixo falando que vieram te buscar para a aula. — arregalei os olhos.

— Mas em? Tão cedo assim? — me levantei da cama após terminar de calçar o tênis e ela assentiu.

— Estou te esperando lá embaixo, elas vão tomar café conosco. — assenti e ela fechou a porta em seguida.

Arrumei minha bolsa e amarrei meu cabelo, o mesmo coque de sempre, não tenho paciência para essa cabeleira toda solta de manhã.

Conferi se não estava esquecendo nada e peguei meu celular, afinal, quem melhor que essas duas humanas para me ensinar a mexer nisso?

Fechei a porta e segui descendo as escadas. Pelo visto as bonitas estavam na cozinha e pareciam estar se divertindo, as risadas estavam altas.

— Bom dia! Caíram da cama? — digo me aproximando.

As meninas já estavam sentadas tomando café.

— Any, bom dia! Vem, senta com a gente e toma café. — Sabina parecia animada.

— Por que você não me disse que suas amigas eram tão bonitas e simpáticas? — Ale colocou um prato com torradas na minha frente.

— É porque elas não são. — senti um soco - nada fraco - no meu braço. — Ai Shiv, doeu! — alisei meu braço fingindo estar com dor.

— É para doer mesmo. — as três começaram a rir.

— Que isso? Complô contra mim? — pergunto indignada.

— Jamais! — as 3 falaram juntas me fazendo negar lentamente enquanto ria.

— Mas e aí, por que vieram tão cedo? — pergunto tomando meu café.

— Nosso pai acordou atrasado para o trabalho e teve que sair correndo, então resolvemos vir mais cedo, não para abusar nem nada. — Sabina dizia enquanto pegava o pote de geleia.

— Não se preocupem meninas, vocês são super bem-vindas quando quiserem. — Ale se aproximou das duas.

— Cuidado tia, elas vão acabar se acostumando. — digo e elas riem.

Tomei meu café calmante enquanto as três conversavam de coisas aleatórias...

— Any, você já está pronta? — Shiv me perguntou enquanto se levantava.

— Estou, mas a gente já vai? — Sabina pegou seu prato e levou até a pia.

— Não precisa se incomodar meu anjo, eu limpo essa bagunça. — Ale pegou as coisas da mão de Sabi.

— Desculpa, é costume, moramos só nós duas e nosso pai. — Sabi se aproximou de Shiv.

— Esquecemos de avisar, mas vai ter um pequeno jogo hoje para aquecimento hoje. — Shiv falou não parecendo tão animada quanto a isso.

— Tudo bem, vamos nessa. — me levantei e peguei minha bolsa para irmos. — Beijo tia, até mais tarde. — me despedi de Alexa e fui para fora.

— Tchau tia, foi um prazer viu. — Sabi e Shiv disseram e me seguiram até a porta.

— Voltem logo, adorei a companhia de vocês. — Ale disse fechando a porta.

As meninas pararam em frente ao carro e eu vi Josh na porta de sua casa conversando com seu pai, aparentemente ele vai jogar também. Erick me viu e acenou, acenei de volta com um sorriso.

Seguimos para escola e eu contei para as meninas tudo o que havia acontecido no jantar. Pra variar deram risada e falaram a mesma coisa que Josh: "O mundo dá voltas".

Continuei falando do resto da noite e não contei como consegui o número de Sabi, ela também nem lembrou de perguntar.

Elas colocaram uma música e era muito boa, Sabi disse que era reggaeton, o ritmo é bem contagiante. Shiv e Sabi foram cantando o resto da caminho até chegar na escola.

...

— Any, você viu o carro da Heyoon ontem? — Sabi estacionou o carro e se virou para me olhar.

— Carro? Aquele todo sujo? — soltei uma risada.

— Por favor, diz que você não tem nada a ver com isso? — Sabi retirou o cinto.

— Enquanto não tiverem provas contra minha pessoa, sou inocente. — abri a porta do carro e desci.

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