016| Ainda não esqueceu isso?

Não, não é possível, eu devo estar pagando todas as merdas que cometi em Ilvermorny. Parabéns ao Guilherme, o castigo não tinha como ficar pior.

Josh me olhava e eu me controlava para não xingar devido a minha roupa que molhou.

— Vejam só, se o mundo não dá voltas. — tanta gente nessa merda de mundo e eu vou ser vizinha logo dele? O Josh! 

— Deve ser por isso que você é tonto. — sorri debochada e ele ficou sério. — É sério? — pergunto em um suspiro. — Você ainda não esqueceu isso? — digo largando o copo no balcão e procurando um pano para tentar me secar.

Ainda por cima é rancoroso.

— Posso saber o que você está fazendo aqui? — perguntou me fazendo olhar ele.

— Isso foi uma pergunta retórica, não foi? — ele arqueou uma sobrancelha. — Você realmente está me perguntando o que eu estou fazendo aqui? — revirei os olhos irritada. — Eu sai da minha casinha e vim até aqui para te pedir desculpas Josh. — digo em tom de ironia.

O cérebro desse garoto deve ser do tamanho de uma noz!

— Tanta gente no mundo para ser vizinho e eu vou ser logo o seu! — diz ele indo até a geladeira.

Analisei seus passos e logo me toquei de algo. Automaticamente comecei a ter uma crise de risos ao me lembrar que ele era o garoto da janela... O que parecia uma menina, meu Deus!

Ah cara, olhando assim de perto realmente dá para confundir com uma...

— Do que você está rindo? — ele fecha a porta da geladeira.

— Dá sua cara de palhaço. — retruco largando o pano que estava usando e sigo para a sala de jantar.

As vezes eu acho que o universo marca dia para conspirar contra mim, juro, tanta gente nesse mundo, por que ela? Por que logo a menina que ferrou meu dia inteiro, é minha vizinha?

A dondoca deixou a cozinha e eu resolvi seguir ela. Foi até engraçado ver esse copo de água virando nela, hoje de manhã a bebida veio em mim...

Uma coisa eu devo admitir, ela até que ficou fofa com esse vestido, realmente quem vê de longe nem percebe o gênio forte que a garota tem. As respostas na ponta da língua e também parece não se importar com nada do que ouve...

Any chegou na sala e parou perto da mesa.

— Tia. — segurei o riso ao notar a mudança em seu tom de voz, a voz firme sumiu em segundos...

— O que aconteceu, meu anjo? — sua tia se levanta indo em sua direção.

Pronto, só falta ela arruinar o jantar do meu pai também.

— Fui pegar um copo de água e... — ela me encarou e eu engoli seco. — Tropecei e acabou virando. — levantei as sobrancelhas surpreso.

Como é?

— Erick, onde tem um banheiro aqui? — perguntou Alexa.

— Bem, o daqui debaixo está interditado, se quiser pode usar o do Josh. — mas nem ferrando!

— O meu? — meu pai se virou surpreso.

— Oi filho, não vi que você já havia descido. — meu pai caminhava em minha direção. — Essas são nossas novas vizinhas, Alexa e essa é sua sobrinha Any. — ia falar que já conhecia a dondoca da Any mas a mesma me interrompeu.

— Prazer, Josh. — ela me estendeu a mão.

Ela realmente quer fazer o papel que não me conhece?

— Prazer. — apertei sua mão forçando um sorriso.

— Bom, é só subir? — Any perguntou e meu pai lhe disse o caminho.

Não acredito nisso, não vou deixar essa louca no meu quarto sozinha.

Não se pode ganhar todas!

Meu objetivo era que Alexa me mandasse para casa e eu me livrasse desse jantar com esse garoto insuportável, mas já vi que deu errado. Fingir não conhecer o Josh também é um plano para não arruinar tudo, se Ale sonha que o Josh é o babaca que ferrou meu dia ela mata ele!

Subi as escadas correndo e virei à esquerda como Erick havia dito. Localizei o quarto de Josh e até que estava arrumado.

Olhei pela janela e consegui ver nitidamente dentro do meu quarto.

Tenho que ter cuidado ao me trocar ali.

— O banheiro não fica atravessando a janela. — olhei para trás com o susto.

— Você quer me matar garoto? — encarei ele.

— O banheiro... — disse me olhando. — Ali — ele apontou para a direita.

— Já vi. — entrei nele e fechei a porta.

— Ei, espera, você não pode se trancar aí. — ele começou a bater na porta.

Insuportável!

Procurei qualquer coisa para gastar um pouco de tempo, um toque de magia e eu já estaria seca mesmo...

Mas é muito folgada mesmo, ela se tranca no banheiro e nem fala nada.

Ouvi o barulho do secador sendo ligado e me afastei da porta, provavelmente está se secando.

Resolvi me sentar na cama e fiquei encarando o chão.

Por que raios ela fingiu que não me conhecia? Eu já estava pronto para falar para o meu pai que a bonita que me meteu em confusão foi ela...

Não demorou muito e o barulho parou, a porta se abriu e eu fiquei confuso. Será que ela desistiu de se secar?

— Como você se secou tão rápido garota? — digo ao notar que seu vestido já estava seco.

— Ué, me secando. — deu de ombros. — Anda, vamos descer, estou com fome. — ela ia em direção a porta.

— Espera. — a segurei pelo braço. — Por que você mentiu na sala à pouco? — ela me olhou.

— Em primeiro lugar me solta. — disse olhando minha mão e eu soltei.

Insuportável!

— Segundo, não quero estragar a noite da minha tia, expliquei para ela o que aconteceu hoje na escola e ela me disse que se um dia encontrar esse garoto, me refiro a você. — ela apontou o dedo no meu peito. — Ela vai te matar. — forçou um sorriso. — Minha tia é como uma segunda mãe pra mim, ela não vai aceitar que eu fique sendo destratada na escola.

— Espera. — interrompi ela. — Quem te destratou, garota? Você fez merda na escola e não aceitou isso.

— Cala a boca! — finalizou minha fala. — Eu não quero saber quem está certo, quem está errado, só quero ver ela bem e nada mais. Não se intromete na minha vida, que eu não me intrometo na sua. Vamos voltar para aquela sala, fingir que nós não nos conhecemos e ponto! — ela passou pela porta e me deixou lá sozinho sem falar nada.

Queria voar no pescoço dessa garota, mas meu pai me ensinou a ter boas maneiras.

Me ajeitei para fingir que nada havia acontecido e desci as escadas. 

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