015| Você?
Deixei Noah em casa e segui para a minha. Estava animado com esse jantar, meu pai vai conhecer alguém, finalmente!
Cheguei em casa e corri para dentro com as sacolas na mão.
— Pai cheguei! — fechei a porta.
— Oi filho, deixa eu te ajudar. — ele pegou algumas sacolas e seguiu para a cozinha. — Como foi seu dia?
— Foi bom, treinamos hoje, coloquei alguns meninos em forma... — digo me sentando no balcão.
— Andou sem camisa pela escola. — meu pai completou a conversa.
— A mamãe te ligou foi? — pergunto e ele me olha.
— Ligou sim, falou que você tinha aprontado e acabou se envolvendo em confusão com uma aluna nova. — meu pai falava calmo, ao contrário da minha mãe ele sabia que eu não era assim.
— Quase isso, meu dia foi muito conturbado pai. — expliquei o que havia acontecido.
Gosto de conversar com ele, quando ele tem razão em alguma coisa eu nem discuto, mas quando ele não sabe os dois lados da história ele escuta com atenção.
É estranho saber que ele e minha mãe são completamente diferentes, mas mesmo assim se casaram...
— Está bem, não vou te castigar nem nada, mas se sua mãe perguntar, diz que eu deixei você sem computador e televisão por uma semana. — ele passou a mão na minha cabeça e bagunçou meu cabelo me fazendo rir.
— Pode deixar. — ele riu. — Que horas é o jantar mesmo?
— Às 20h, mas Alexa disse que iria vir 19h30, ela vai trazer uma sobremesa e me ajudar a finalizar as coisas. — era engraçado ver meu pai sorrindo ao falar o nome de uma mulher.
— E a sua sobrinha, vai vir no mesmo horário? — perguntei e ele tacou um pano na minha cara.
— Não começa, você namora garoto. — segurei o riso.
— Que isso pai? Você me disse que ela ia estudar na mesma escola que eu. — digo jogando o pano no balcão.
— Ela estuda, agora para de enrolar, lava as mãos para almoçar e depois me ajudar.
...
Meu pai queria deixar tudo o mais organizado possível e eu resolvi ajudar mesmo, é bom ver ele empenhado em algo.
Com tudo adiantado resolvi ir tomar banho logo, meu pai disse que dava conta dali.
...
Ambos terminamos de nos arrumar e nos encontramos na sala.
Meu pai é muito pontual quando ele quer, já não posso dizer o mesmo dessa nova vizinha... Ele achou que Alexa havia desistido, deu 19:35h e ela não apareceu em casa.
Me ofereci para ir ver se tinha acontecido algo, mas ele insistiu e foi, apenas me sentei no sofá para esperar seu retorno.
5 minutos depois a porta se abriu e meu pai apareceu com um sorriso enorme no rosto.
— O que aconteceu? — pergunto pulando do sofá.
— Ela perdeu a noção da hora, estava brincando com a sobrinha, foi uma cena icônica, as duas estavam cobertas de farinha. — meu pai começou a rir. — Elas vão se atrasar um pouco. — assenti rindo.
— Bem, se você não se importa, eu vou dar uma ligada para o Noah. — ele assentiu e eu subi correndo.
Cheguei no quarto e peguei meu celular discando o número de Noah.
— Fala Urrea! — me joguei na cama
— Fala meu lindo, espera, por que você está me ligando? O jantar não começa às 20h?
— Você lembra do horário e eu não. — dou risada.
— Mas é claro, e aí o que rolou, ela deu bolo?
— Vira essa boca pra lá, ela se atrasou, parece que ela começou uma guerra de farinha com a sobrinha.
— Hm, falar em sobrinha, será que ela é bonita? Ai, se for me arruma o contato tá? — revirei os olhos
— Cala a boca Noah. — digo rindo em seguida.
— Qual é, eu só quero fazer amizades.
— Sei... Mas só liguei pra te contar sobre isso mesmo, meu pai foi na casa dela pensando que ela não ia aparecer.
— Não brinca? — disse rindo.
— Sério, depois que ele voltou estava com um sorriso enorme na cara, você tinha que ver. — me sentei na cama.
— Nem conheço ela mas já shippo em. — ele riu
— Filho pode descer, o jantar vai ser servido. — escuto meu pai lá de baixo.
— Acho que elas chegaram, meu pai está me chamando.
— Vai lá, e me liga assim que elas forem embora.
— Ok. — digo desligando em seguida.
Dei um pulo da cama e sai do quarto.
Desci as escadas e vi meu pai conversando com uma mulher, creio que é a famosa Alexa, bonita mesmo.
Resolvi não atrapalhar e passei pelo lado indo direto para a cozinha buscar um copo de água.
Fui de costas para a cozinha para meu pai não me notar e agora que percebi, não tem nenhuma adolescente com eles, será que ela não veio?
Me virei e acabei batendo de frente com uma pessoa que virou um copo de água. Estava prestes a me desculpar quando vi quem era.
Ela é minha vizinha?
— Você?! — falamos juntos.
O mercado da terra dá de dez a zero no mundo bruxo, lá a gente só encontra pão e leite... Brincadeira, tem bastante coisa, mas esse mercado chama minha atenção em tudo.
Terminamos de passar as compras e seguimos nosso rumo para casa.
...
— Por que raios fazer alguma coisa? Ele nos convidou. — digo abrindo a porta de casa após Ale me lembrar da sobremesa.
— Porque nós somos vizinhas gentis e devemos levar algo, é comum isso aqui. — ela passou e fechou a porta.
Alexa ia ajeitar as coisas e eu fui gastar tempo no quarto, estava cansada e nem fiz nada.
...
Um tempo depois escutei ela me chamar e me levantei da cama, acho que minha preguiça só aumentou com isso...
Desci e segui em direção a cozinha, Ale já estava ajeitando as coisas e eu me aproximei.
— E ai? Por onde começamos? — pergunto pegando uma colher.
— Que tal começar lavando as mãos? — ela tirou a colher da minha mão e apontou para a pia com a cabeça.
Dei risada e fui lavar as mãos.
Alexa não queria colocar a mão na massa, ela queria que eu aprendesse sozinha, então foi me instruindo.
Escolhemos a receita que ia ser uma torta de limão, parecia fácil. Ela já havia separado os ingredientes e eu só precisava seguir a receita.
Tudo ia bem, era só eu bater o que eles chamam de "bolacha", já triturada com manteiga e a base dela já estava pronta.
— A gente não tem que untar isso com farinha? — pergunto levantando a forma.
— Não meu bem. — ela deu risada. — Isso é apenas bolacha com manteiga, não vai grudar. — abri a boca.
— E pra que eu peguei isso? — levantei um saco de farinha e ela pegou da minha mão.
— Você pegou para isso! — ela lançou farinha na minha cara.
— Ah Alexa, se prepare! — enchi minha mão de farinha e comecei a tacar nela.
Iniciamos uma longa guerra de farinha, a cozinha ficou uma zona e nós piores ainda.
Ainda bem que não tomei banho ainda, ia ficar brava por ter que lavar o cabelo duas vezes... Escutamos um toque de campainha e nos olhamos confusas.
— Mas quem será? — me arrumei ou pelo menos tentei, estava coberta de farinha e fui em direção a porta. — Pois não? — abri a porta e dei de cara com Erick.
— Olá... — ele parou e ficou me olhando. — Você tomou banho de farinha Any? — soltei uma risada.
— Isso? — me apontei. — Foi culpa dela. — estiquei minha mão em direção a Alexa que estava atrás.
— Uou, você perdeu essa guerra em Alexa. — realmente ela estava mais suja do que eu.
— Bem, ela teve sorte. — Alexa parou ao meu lado. — Aconteceu alguma coisa?
— Não, eu só queria saber se está tudo certo para nosso jantar? — disse olhando ela.
— Por que não estaria? — Alexa me olhou confusa.
— É que você me disse que ia chegar 30 minutos antes, para finalizar e levar a sobremesa. — arregalei os olhos ao me tocar que não faço ideia de que horas são...
— Mas que horas são? — Alexa olhou para a parede de dentro. — Meu Deus, são 19:40h, Erick me desculpa, a gente começou com a guerra e perdemos a hora. — ela deu um sorriso de vergonha.
— Tudo bem, não se preocupa, pelo menos eu sei que o jantar ainda está de pé, não é? — olhei Ale.
— Mas é claro, nos de 20 minutos e nós estaremos lá. — Alexa se despediu de Erick e me puxou para dentro. — Vai rápido, toma um banho e veste uma roupa, de preferência que não seja preta. — ela me empurrava em direção a escada.
— Espera, a torta não está pronta, a cozinha uma zona e você também tem que se arrumar. — digo me virando para ela.
— Eu vou dar um jeito, agora corre, não acredito que perdi a hora. — ela saiu resmungando em direção a cozinha me fazendo rir.
— Então tá. — subi as escadas e fui para o quarto.
Poderia me limpar com poderes, porém não vou perder o prazer de tomar um banho quente.
...
Sai do chuveiro e fui no guarda roupa vê se tinha algo de bom.
A única coisa que vi de primeira foi um vestido branco, gosto de vestido? Não gosto, mas tudo nessa vida vale o esforço.
Completei com um tênis baixo e me olhei no espelho. Bem, como não tive tempo de lavar o cabelo tive que dar um jeito com magia mesmo, fiz apenas um coque e vai isso.
— Any vamos! — escuto Ale gritar.
— Estou descendo. — apaguei a luz do quarto, fechei a porta e desci as escadas correndo.
Tropecei no último degrau e dei risada sozinha.
— Isso, cai no chão agora. — Alexa me estendeu a mão e saiu me puxando. Na sua outra mão estava a torta, deduzi que ela usou magia naquilo também...
— Calma mulher, assim vai parecer que está desesperada. — ela parou na porta.
— Eu estou mesmo menina, quero aproveitar a minha estadia aqui na terra. — ela passou a mão no corpo alisando o vestido.
— Só não vai se apegar em. — arqueei uma sobrancelha e ela me olhou.
— Você está achando o que garota? Sei controlar as emoções. — ela abriu a porta.
— Você está parecendo que vai para um jantar super chique. — digo antes de sair de casa.
— Eu exagerei? Ai meu Deus, vou me trocar. — ela ia entrar dentro de casa de novo mas eu a peguei pela mão.
— Não, você não vai, vamos logo. — fechei a porta e comecei a empurrar ela pelas costas até o outro lado da rua.
— Any você me paga. — ela se ajeitou em frente a porta de Erick.
— Também te amo, tia. — falei dando um empurrãozinho de lado nela. — Você vai apertar a campainha logo?
— Ah, é mesmo. — ela tocou a campainha e eu acabei rindo.
— Boa noi... — Erick abriu a porta e se perdeu nas palavras. — Você está linda.
— Obrigada, você também não está nada mal. — os dois ficaram em silêncio por um tempo.
Quem aguenta?
— Obrigada pelos elogios Erick. — inicio. — Dei duro para achar um look bonito em menos de 10 minutos e que não deveria ser preto. — digo dando um fim nesse silêncio.
— Ah Any, desculpa, você também está bonita. — Erick passa a mão na nuca de nervoso.
Fofo, porém melancólico.
— Obrigada! — digo forçando um sorriso.
— Não fiquem aí paradas, entrem e sejam muito bem-vindas à minha casa. — Erick nos deu passagem para entrar.
Passei na frente de Ale e olhei o local.
— Bem, vejo que está tudo lindo. — olhei Ale. — Any e eu fizemos uma torta de limão. — ela entregou a torta.
— Isso explica vocês duas sujas de farinha? — ele pegou a torta rindo.
— Na verdade não explica. — digo e ele me olha. — Você acredita que não unta forma quando vai fazer torta de limão? — coloquei os braços na cintura fingindo indignação.
— Olha eu acredito viu. — ele deu risada.
— Ela ainda está aprendendo a cozinhar. — ele assentiu. — E cadê seu filho? — Alexa perguntou enquanto ele colocava a torta na mesa.
— Ele está no quarto, falei que vocês iam se atrasar e ele foi ligar para o amigo. — Alexa assentiu. — Filho pode descer, o jantar vai ser servido. — ele se inclinou na escada e gritou. — Venham, sentem-se. — Erick apontou para as cadeiras.
— Desculpa, será que posso beber um pouco de água, é que com essa correria me cansei. — digo parando ao lado.
Realmente parecia que eu não bebia água a dias.
— Claro! — Erick ia se levantar mas essa era uma boa desculpa para ele ficar a sós com Ale.
— Não precisa me acompanhar, só me fala onde fica. — olhei para Alexa e dei uma piscada.
— Ah sim, pode seguir aqui, você vai ver a cozinha assim que virar a direita. — assenti e fui em direção a cozinha.
Realmente não foi difícil de achar, eram praticamente iguais nossas casas.
Peguei um copo e fui em direção a geladeira pegar água. Fiquei olhando a cozinha antes de beber, estava com um cheiro tão bom, não via a hora de comer.
Ao levar o copo de água até minha boca senti uma coisa familiar se aproximando. Me virei no susto e acabei trombando com algo fazendo o copo de água virar em mim.
Mas que droga!
Olhei para frente e minha respiração até travou.
— Você?! — nós falamos ao mesmo tempo.
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