007| Mal resolvido?
Acordei com uma sensação ótima, há tempos eu não me divertia tanto.
Olhei para o relógio que marcava 9:37 da manhã. Resolvi me levantar e ir ao banheiro tomar banho, a água daqui parece tão melhor, não sei porquê.
...
Saí do banho e me arrumei para descer e conversar com Alexa, afinal fomos interrompidas pelo vizinho ontem.
— Alexa? — digo olhando para baixo.
Desci as escadas, dessa vez devagar para não assustá-la, mas não obtive respostas.
Fui até à cozinha e também não encontrei ela, mas onde será que essa mulher foi?
Decidi me sentar no sofá para ver um pouco de tv, até ouvir minha barriga roncar de fome. Será que ela não deixou nada feito antes de sair?
Fui até à cozinha e procurei algo nos armários e na geladeira mas não tinha nada. Resolvi ir até à sala novamente e me joguei no sofá.
Eu poderia muito bem fazer uma comida usando magia, mas eu não sei o nome de nenhum prato desse lugar.
Resolvi pegar um papel para mandar uma mensagem para a Alexa. Me levantei e assim que peguei a caneta para escrever ouvi umas risadas vindo lá de fora.
Corri até a janela para ver o que era e me deparei com Alexa e Erick cheios de sacolas nas mãos, mas não é possível!
Segui em direção a porta e abri.
— Bom dia, minha querida. — Alexa me cumprimenta com um sorriso enorme no rosto.
Fiquei olhando ela confusa tentando processar algo...
— Caiu da cama foi? — me deu um beijo rápido na testa e entrou em casa.
— Onde você estava? — pergunto olhando ela voltar para fora e ajudar Erick com o restante das sacolas.
Cruzei meus braços olhando para ela.
— Eu me levantei cedo hoje para fazer umas compras, como Erick nos ofereceu ajuda ontem e eu não conhecia muito bem a cidade, resolvi abusar um pouco da sua boa vontade. — ela fecha a porta do carro e chama Erick para entrar.
A quem ela quer enganar? Onde que essa mulher não conhece a cidade?
— Bom dia Any. — Erick passa com as sacolas me cumprimentando e eu dou um sorriso sem mostrar os dentes.
Revirei os olhos de leve e entrei em casa fechando a porta.
— Obrigada novamente Erick, não sei o que faria hoje se não fosse você. — caminhei em direção ao sofá e me sentei olhando os dois.
— Sem problemas, se precisar de ajuda não hesite em pedir. — ele abre um sorriso de canto a canto... Devo admitir que é um sorriso muito bonito e marcante.
— Pode deixar, não pensarei duas vezes. — joguei minha cabeça para trás e fechei os olhos.
Estava faminta mas não queria acabar com esse momento fofo que me dava náusea.
— O que você acha de jantar lá em casa hoje? Quero dizer, vocês duas. — virei minha cabeça ainda apoiada no sofá e olhei para Alexa.
— Nós adoraríamos... Mas não vai dar, nós duas ainda temos muita coisa para resolver hoje e provavelmente estaremos esgotadas à noite. — olhei para Alexa que mentia sobre nosso dia de hoje.
Nós não íamos a lugar nenhum, pelo menos não que eu saiba... Ela me disse algo que eu esqueci?
— Mas amanhã teremos nosso dia totalmente livre, caso queira nossa companhia para um jantar... — Erick voltou a olhar Alexa com um sorriso sem mostrar os dentes.
— Amanhã? Mas é claro. — disse ele alegre.
Minha barriga roncou novamente e eu soltei um suspiro.
— Então está combinado, amanhã ás 20!. — falei me levantando do sofá e os dois me olharam. — Desculpa interromper vocês, mas é que eu acordei agora à pouco e estou morrendo de fome. — coloquei minhas mãos na barriga.
— Ai meu amor, como eu pude esquecer? — Ale diz batendo uma palma. — Erick então está combinado, amanhã às 20h, agora se me der licença preciso alimentar essa menina. — soltei uma risada.
— Sem problemas, tenho um filho da mesma idade, sei como é. — disse se dirigindo até a porta acompanhado de Alexa.
— Tchau Erick, até amanhã. — aceno com a mão e ele faz o mesmo.
Ale fechou a porta e eu levantei uma sobrancelha encarando ela.
— Para de me olhar, garota. — diz ela andando na minha direção rindo.
Ale envolveu o braço no meu pescoço e me levou em direção a cozinha.
— Vamos, você precisa se alimentar e logo depois vamos conversar. — assenti.
...
Fiquei olhando ela preparar meu café da manhã. Eram torradas com ovos mexidos e um café com leite que ela fez em uma máquina que tinha na cozinha.
— Como está? — perguntou enquanto eu comia.
— "Umo dulichio". — falei de boca cheia e ela caiu na gargalhada.
— Engole a comida primeiro, depois me responde. — disse se levantando e guardando algumas coisas.
— Desculpa, estava uma delícia. — digo me levantando também e ajudando a recolher as coisas do café.
...
Após terminarmos fomos até à sala. Me ajeitei no sofá e ela fez o mesmo se sentando ao meu lado.
— Você deve estar se perguntando porque eu neguei o jantar na casa do vizinho hoje, não?
— Estou? — ela deu risada. — Sim, estou. — digo rindo.
— Você não está pronta para sair agora, quer dizer, nós duas não estamos prontas para sairmos juntas.
— Como assim? — pergunto confusa.
— Eu preciso lhe passar algumas coisas no qual você precisa ficar ciente antes de iniciar uma conversa sozinha com alguém. — dobrei minhas pernas no sofá ficando de lado.
— Que seriam? — pergunto.
— Quando você for à escola amanhã será reconhecida como uma intercambista, ou seja, você veio de outro país para estudar aqui. — Ale me explicou sobre o intercâmbio e eu entendi melhor.
— Ok. — digo lentamente.
— Sempre que perguntarem de onde você veio, não se esqueça que você tem que responder Brasil, é o que está marcado na sua ficha escolar. — assenti.
Alexa continuou a me explicar sobre a estadia aqui. Falou do jeito que eu tenho que me comportar, como eu devo agir em diversas situações, não me envolver em problemas na escola porque se eu receber advertências posso ser expulsa. Mesma coisa sobre minhas notas, elas sempre tem que estar na média, isso eu consigo de boa.
...
Às horas foram passando e nós almoçamos na sala para continuar nossa conversa.
Alexa me disse que havia falado com Erick de que ela não é minha mãe, que apenas estava me acompanhando enquanto eu terminava meus estudos. Também me disse que se eu quisesse, poderia chamar ela de tia, caso eu me sinta mais confortável!
Alexa me ensinou um pouco de Português — a língua que era falada no Brasil — o que era muito difícil, já que para disfarçar meu sotaque levaria tempo, então ela me lançou um feitiço para disfarçar e realmente funcionou.
...
Passamos o dia todo conversando até a noite cair e resolvemos dar uma volta.
Alexa me disse que não era a primeira vez dela aqui na terra, ela já fez parte do conselho e diversas vezes teve que realizar missões de banimentos de criaturas daqui.
Ela e minha mãe se conhecem desde a infância, Ale até me disse que quando minha mãe contou que estava grávida ela estava desesperada.
Aproveitei para entrar no assunto do meu pai biológico...
— É complicado, Any. Seu pai era uma pessoa muito mal resolvida, se é que posso dizer assim. — ela parou o carro e a gente entrou em uma lanchonete que Ale havia nos trazido.
O local estava bem vazio, acho que devido ao horário.
— Como assim, mal resolvido? — pergunto enquanto ela entrava na fila.
— O namoro deles nunca ia dar certo, sua mãe estava em missão em outro mundo quando o conheceu. — eu sabia! Meu pai não era de Ilvermorny.
Ale fez o pedido e eu esperei ansiosa para perguntar algo... Alguns minutos depois entregaram uma bandeja e ela pegou agradecendo.
— E de onde ele era? Ele ainda está vivo? — pergunto animada enquanto nos sentávamos em uma mesa para comer.
— Come primeiro Gaby. — apontou para o meu lanche e eu comi um tanto apressada.
Assim que terminei coloquei minha bandeja ao lado e ela me olhou.
— Me responde, de onde ele era e está vivo? — ela soltou uma risada.
— Isso eu já não sei. — Alexa deu um gole no seu refrigerante. — Tudo o que posso lhe dizer é que sua mãe havia ido até sua casa para lhe contar que estava grávida de você, mas... — ela pausou sua fala me olhando.
— Mas o quê? — pergunto curiosa.
— Mas ela o encontrou na cama dormindo com outra mulher. — fui para trás assustada encostando na cadeira que estava sentada.
Meu pai... Traiu minha mãe?
— Any olha pra mim. — ela veio se sentar ao meu lado. — Seu pai não era uma má pessoa, ele foi atrás de Catherin para explicar o que aconteceu mas não conseguiu chegar a tempo, ela já havia ido embora.
— E você sabe o que de fato aconteceu? — pergunto me virando para ela.
— Seu pai me disse que havia sido enfeitiçado e quando acordou viu que tinha uma mulher do lado...
— E você acreditou nele?. — interrompi ela em sua fala.
— Eu acreditei sim Any, seu pai... Como eu posso dizer isso. — ela olhava para os lados tentando buscar a palavra, ou as palavras. — Seu pai não era a melhor pessoa para evitar feitiços e conseguir fazer algo contra. — franzi o cenho confusa.
— Como não? — pergunto intrigada. — Isso é um ensinamento básico de bruxos e bruxas, não? — olhei para ela que se levantava pegando suas coisas para ir embora.
— Eu acho que já falei demais Any, vem, vamos embora. — ela se dirigiu até a saída e segurou a porta para que eu passasse. — Não me importo de falar sobre seu pai, mas nós temos 1 ano pela frente e amanhã cedo você tem aula. — assenti e nós fomos até o carro para ir embora.
...
O caminho até em casa foi um verdadeiro silêncio, o único som vinha do painel que indicava o caminho para casa.
Chegando lá me despedi de Alexa e subi para o meu quarto.
Não estou chateada com ela, pelo contrário, estava muito feliz pelo fato de em 2 dias eu descobrir mais sobre meu pai do que em 17 anos!
Tomei um banho, escovei meus dentes e fui me deitar. Encostei a cabeça no travesseiro e comecei a pensar em mil lugares onde meu pai poderia viver se estivesse vivo, até que senti meus olhos pesarem.
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