003| Meu sobrenome é confusão.

Acordei no meu quarto, minha cabeça doía e meu corpo também. Não lembro direito o que havia acontecido, tudo o que vem na minha cabeça era que eu estava prestes a destruir Charles quando fui impedida por Guilherme...

Olhei para o relógio e vi que já haviam se passado dez horas desde o começo da reunião, quanto tempo eu fiquei desmaiada? Será que ninguém se perguntou se eu estava bem?

Após esse pensamento vir na minha cabeça, ouço alguém batendo na porta.

— Quem é? — pergunto levantando apenas a cabeça para o lado. Deveria reconhecer a aura, mas ao que parece está bloqueada.

— Sou eu minha filha, sua mãe. — escuto sua voz atrás da porta. — Quero falar com você. — vejo a maçaneta se mexer, porém a mesma estava trancada.

Estranho, como ela estava trancada por dentro se eu estava desmaiada?

— Pode entrar! — faço um movimento com dois dedos fazendo a chave girar e a porta se abrir.

Vejo minha mãe entrando no quarto e se aproximando de minha cama a qual eu ainda estava deitada.

— Posso? — ela pergunta apontando para a minha cama.

— Claro. — me sento na cama com as pernas cruzadas e fico com as costas apoiada na cabeceira da cama. Coloco um travesseiro no meu colo e olho para ela. — Aconteceu algo?. — pergunto enquanto vejo ela se sentar de lado.

— Eu queria saber como você está. — ela me olhou com um ar de pena. — Você se lembra de algo minha filha? — se virou para ficar de frente para mim.

— Pouca coisa. — digo mas eu lembrava de tudo até o ponto de desmaio. — Tudo o que vem na minha cabeça é eu desmaiando após Guilherme lançar o feitiço. A propósito, por quanto tempo eu dormi? — pergunto na intenção de mudarmos de assunto.

— Você está dormindo a mais ou menos umas sete ou oito horas. — arregalei meus olhos, não sabia que tinha dormido tudo isso, aliás lá fora ainda está claro.

— Ah sim. — vejo minha mãe se aproximar para mais perto e colocar suas duas mãos sobre as minhas.

— Minha filha você se lembra de tudo sim, eu sei que se lembra, enquanto você avançava para cima de Charles seus olhos estavam vermelhos. — agora que minha mãe disse, lembrei dela entrando na minha frente e me falando algo o qual eu ignorei tomada pela raiva.

— Sim mãe, lembro de tudo. — suspirei. — Mas não sei o que me deu, e-eu não conseguia parar. — meus olhos começaram a encher de lágrimas.

Aquele maldito aperto toma conta do meu peito, aquela sensação sufocante toda vez que tento explicar algo e ninguém acredita em mim... Mas eu realmente não sabia o que estava fazendo naquele momento.

— E-eu não controlava mais as minhas ações, mesmo estando ciente de tudo, não conseguia parar. — meu rosto já estava coberto pelas minhas lágrimas.

Tudo veio à tona de uma só vez. Minha mãe — que ainda segurava minhas mãos —, me puxou para perto me envolvendo em um abraço.

Eu não sabia o quanto eu precisava disso até receber ele da minha mãe após tanto tempo. Foram meses sendo apontada como culpada por cada respiro quando Charles estava por perto. Diversas vezes eu tinha que me segurar para não piorar o que já estava ruim, eu estava perdendo a minha mãe, a única pessoa que confio hoje.

— Me desculpa por tudo, não queria ter feito isso, mas ele, Charles, me provoca de todas as formas, eu não o suporto mãe. — digo apoiada em seus ombros ainda chorando.

Eu de fato odeio quando as pessoas me comparam com minha mãe, sou quem eu sou, por mais que minha mãe seja um exemplo hoje entre todos aqui em Ilvermorny.

Quando ela se juntou a Charles tudo piorou, a "família perfeita" foi criada, era todo santo dia ouvindo algo. Eu esgotei e quis mostrar de uma vez quem era Any Gabrielly, mesmo que fosse causando a desordem no local.

— Se acalma meu anjo, eu estou aqui, só se acalma. — minha mãe passava a mão pelo meu cabelo tentando me acalmar. — Você não precisa disso, não precisa de nada disso. — senti que minha mãe também começou a chorar e ficamos abraçadas por um longo tempo.

Após eu me acalmar, minha mãe se afastou e me olhou como se quisesse me dizer algo importante.

— Escute meu anjo, não leve isso como um castigo, e sim como um período de férias. — levantei minhas duas sobrancelhas como uma forma interrogativa.

— Terra? Férias? — digo e nego em seguida. — Não mesmo.

— O que eu estou querendo te dizer é que só hoje vi que o Charles não é o cara perfeito que eu havia conhecido. — arregalei meus olhos, agora sim eu estou confusa.

Eu ainda estou dormindo ou realmente escutei isso?

— Eu ouvi ele falando com alguém dizendo que enfim conseguiu o que queria, se livrar de você. — minha mãe se levantou da cama e começou andar pelo quarto. — Infelizmente a decisão do conselho já foi tomada e você terá que ir a terra.

— Tá mas...

— Calma — ela me interrompeu. — Você não precisa se preocupar em relação a usar seus poderes na terra. — ela continuava a andar pelo quarto. — Enquanto você estava desmaiada, eles fizeram o feitiço que permite que eles sintam seus poderes caso você os use. — me levantei da cama irritada.

— Eles o quê?! — perguntei indo em direção a minha mãe. — Eles não tinham esse direito, eu estava desacordada! — grito e logo fecho meus olhos respirando fundo...

— Calma. — ela colocou a mão sobre meus ombros. — Escute-me com muita atenção. — ela me olhava com um rosto sério. — Eles só podem sentir os seus poderes se eles forem extremamente forte e consumirem muito de sua energia, como um feitiço de invocação ou teletransporte. — ela tirou as mãos de meus ombros.

— E? — cruzei os braços. — Não muda o fato que fizeram sem meu consentimento. — ela suspirou.

— Você estará muito longe para que eles sintam feitiços leves, como mover algo, abrir porta ou até mesmo manipular uma pessoa. — assenti lentamente.

— E Por que você está me dizendo isso? — me virei para voltar para cama.

— Porque sou sua mãe, sua ligação comigo é muito mais forte do que os poderes de qualquer conselho, antes deles sentirem seus poderes eu sentirei primeiro, se você estiver em perigo irei correndo para te ajudar. — ela se aproximou de mim.

— Você também acha que forças malignas podem ir atrás de mim na terra? — apoiei minhas mãos na cama e levantei minha cabeça para olhar ela.

— Não abuse de seus poderes, eles não são exatamente da terra mas estarão mais perto do que nós, então sentirão sua magia antes da gente. — ela esticou seus braços para que eu me levantasse da cama. — Por favor minha filha, me prometa que você vai se cuidar e não vai arranjar nenhum problema com os humanos? — ela me olhava com os olhos brilhando.

Acho que no fundo ela sempre se preocupou mais do que devia comigo, eu sei me cuidar, mas é aquilo né, mãe é mãe.

— Mãe qual é? Sou uma bruxa, meu sobrenome é confusão. — digo jogando meus cabelos para trás dos ombros.

Ela deu um sorriso como quem sabia que eu iria ficar bem sozinha, e eu realmente vou, vai ser difícil, mas já enfrentei coisas piores.

— Vem cá. — ela abriu os braços para que eu a abraçasse. — Eu te amo minha filha e me desculpa por todo esse tempo que te fiz sofrer.

— Também te amo mãe, e não se preocupe, por mais que eu nunca tenha vivido um, eu sei como o amor pode cegar as pessoas. — abracei ela.

— Pois é. — disse baixo.

— Me diga uma coisa mãe. — digo me separando do abraço. — O que você vai fazer em relação a Charles? Vocês ainda estão noivos e ele não vai aceitar um termino assim tão fácil. — minha mãe voltou a ficar séria.

— E-eu não vou terminar o noivado minha filha. — eu arregalei meus olhos e dei dois passos para trás.

— O quê?!

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