002| O Castigo

Isso não podia estar acontecendo, eu não acredito que eles já haviam feito uma reunião e eu não sabia. 

Como isso era possível? Eu não senti nenhuma presença dentro de casa e também ninguém saiu dela, a não ser que eles tenham escondido sua presença, mas é claro, só podia ser isso, camuflaram sua aura para eu não sentir...

Mas e agora? O que eles vão fazer comigo? Eles não podem me castigar, quer dizer, eles podem sim, mas eu não posso aceitar isso assim, e se eles me tirarem os poderes? Não eles não seriam capazes disso, minha mãe jamais deixaria isso acontecer, eu amo meus poderes e ela sabe disso.

Tem Charles também, só de imaginar que ele pode ter influenciado cada decisão do conselho e da minha mãe. Ele poderia me tirar tudo, me mandar pra lon... Não, ele não seria louco.

Flashback On~ 11

11 meses atrás...

— Você deveria aprender a lidar com a vida e aceitar que sua mãe e eu estamos noivos, que dentro de 1 ano iremos nos casar você queira ou não. — disse Charles com sua voz ríspida.

— O que depender de mim você não irá casar com ela nunca, o que eu puder fazer para impedir esse casamento eu irei, você pode apostar nisso. — digo com uma voz de autoridade e apontando o dedo em sua cara.

— Isso é o que você pensa garota. — ele me segurou pelo braço. — Você pode acreditar que na minha primeira oportunidade de te mandar para longe eu não deixarei escapar.

— ME SOLTA!. — gritei fazendo força para me soltar dele. — Meu pai onde quer que ele esteja, assim que souber da minha existência ele virá me buscar e acabar com essa sua palhaçada. — digo isso quase que cuspindo na cara dele.

— Ah, eu te solto sim. — ele soltou meu braço me arremessando no chão. 

Caí de lado mas logo apoiei minhas mãos no chão olhando ele.

— Só uma coisinha, minha querida Any. — disse jogando o braço para cima. — Seu pai jamais aparecerá porque ele está morto! Mesmo que estivesse vivo eu duvido que ele iria querer ficar com você insuportável, aceita isso de uma vez por todas, garota. — ele começou a ir embora rindo.

Eu estava no chão e meu corpo ficou tomado pela raiva... 

Quando me dei conta, Charles já estava jogado em um buraco feito na parede pelo seu corpo que foi arremessado pelos meus poderes, das minhas mãos saiam fumaça e meu corpo tremia.

— O que está acon... — minha mãe parou de falar ao ver Charles jogado no chão tentando se levantar.

Minha respiração estava acelerada e eu ainda encarava minhas mãos.

— Você enlouqueceu Any? Olha o que você fez com ele. — minha mãe ajudava ele a se levantar com dificuldade. — O que você tinha na cabeça? Por que você fez isso? — não conseguia responder, algo dentro de mim me travava. — Eu estou falando com você Gabrielly! — minha mãe gritava comigo e eu não sabia o que fazer.

— E-eu, eu, ele, me f-falou. — as palavras não saiam da minha boca, eu só queria sair correndo e foi o que eu fiz.

— Any volta aqui! — ouvi minha mãe me chamar, mas continuei a correr até chegar em um lago e desabar no chão de tanto chorar.

A voz de Charles vinha na minha cabeça. Ele falando na primeira oportunidade de me mandar para longe... 

Eu não podia acreditar que minha mãe estava tão cega que não via o homem que tinha em casa. 

Acabei adormecendo na grama de tanto chorar e fui acordada pela água que foi espirrada em mim, graças a um bicho que havia pulado nela.

Decidi voltar para casa e já era tarde. Por sorte não vi minha mãe quando cheguei e fui direto para meu quarto. 

Deitei na minha cama e fiquei olhando para o teto.

— Eu vou te encontrar pai, eu sei que você está vivo e eu vou te encontrar, mesmo que isso custe a minha vida. — fiquei conversando comigo mesma até pegar no sono.

Flashback off ~

Será que depois de todo esse tempo essa ideia louca de me mandar para longe não tinha saído da cabeça dele? Minha mãe não estaria tão cega a ponto de deixar mandarem sua única filha para longe...

— Prement!

— Aí. — senti algo beliscar meu braço me trazendo de volta a realidade.

— Você está bem? — olhei para a pessoa que falava comigo e vi que era Jonas.

Membro mais novo deste conselho devido ao seu grande conhecimento e também por ser bisneto de Kyle, o criador do conselho. Ele de longe era o mais legal desse conselho, afinal era apenas dois anos mais velho que eu.

— Sim estou bem, foi só o susto mesmo, senti uma beliscada no meu braço. — falei olhando pra ele e só depois percebi que ainda estava sob o encanto de Guilherme.

— Sobre a beliscada, me desculpa por isso. — ele passou a mão no pescoço como se estivesse nervoso. — Você não respondia a gente já tinha uns minutos, pensávamos que estava em algum tipo de transe, então resolvi te acordar lançando esse feitiço, desculpa mesmo. — sorriu tímido.

Ele não sabia disfarçar a vergonha que estava. Eu sabia que ele tinha uma queda por mim, mas nunca fez nada por ser do conselho e ser proibido qualquer tipo de contato com as bruxas de fora, mais por questão de privilégios mesmo.

Não nego que ele é bonito. Alto, pele clara, cabelos e olhos escuros, seu sorriso também é fofo, mas definitivamente não faz meu tipo, certinho demais, Deus me livre! 

— Bom, o estrago já está feito de qualquer maneira mesmo. — digo dando um sorriso para tentar mostrar que estava tudo bem. — Vem cá Guilherme, por que raios eu ainda estou nesse feitiço? — pergunto olhando para ele que estava atrás de Jonas no momento.

— A pergunta senhorita Any seria, por que raios você ainda não tentou sair dele? — Guilherme disse isso com um sorriso de canto. 

Levantei uma das sobrancelhas encarando ele, não disse? Ele é muito bipolar. 

— É sério que eu podia ter feito isso esse tempo todo? — perguntei.

— Logicamente não. — Guilherme deu uma risada. — Você pode sair daí depois que terminamos nossa conversa. — droga, já tinha me esquecido dessa história.

— A vontade. — digo soltando meu ar.

— Bem senhorita Any... 

— Por favor. — interrompi ele. — Me chame só de Any, esse negócio de senhorita não é comigo. — digo dando um sorriso sem mostrar os dentes.

— Como queira, Any. — disse meu nome pausadamente. — Nós fizemos uma reunião aqui antes de te chamar e entramos em um acordo sobre te dar um castigo. — meu coração nesse momento já não sabia mais o ritmo de bater. 

Parecia que eu ia desmaiar a qualquer momento só de ouvir a palavra "castigo".

— Nós pensamos em várias coisas. — ele começou a andar pela sala em zig-zag. — Pensamos que você poderia dar banho nos dragões. — levantei as sobrancelhas surpresa, pouco demais.

— Porém é muito pouco visto o prejuízo que você nos deu durante esse tempo. — revirei os olhos, sabia!  — Passou pela nossa cabeça te deixar sem seus poderes, visto também que esses prejuízos foram graças a eles. — meu corpo gelou.

Por favor tudo menos isso, eu não aguentaria, amo meus poderes...

— Mas sua mãe se colocou à frente e disse que isso não era aceitável, você ainda é muito nova e precisa deles no momento. — suspirei aliviada.

Ainda bem, sabia que minha mãe não deixaria que tirassem meus poderes.

— Bom, sem enrolação. — ele parou de andar. — Charles, seu padrasto, nos deu uma excelente ideia. — engoli seco.

Minha respiração estava falhando, e eu sentia a merda vindo, não, não, não...

— Quero dizer que sua mãe também foi contra essa ideia. — virei minha cabeça e olhei para ela que estava com a mão no peito.

Meu coração se apertou e minha ficha caiu de que foi algo pior...

— Mas era isso ou a remoção temporária de seus poderes. — Guilherme continuou o seu pronunciamento. — Você será mandada para terra por um ano, com isso eu declaro o fim dessa discussão!

— O quê? Isso é sério? — digo tentando me mexer.

— Desculpe Any, mas você tem que aprender que nem tudo nessa vida vem fácil, você nos deu muito prejuízo que a magia quase não deu conta. — ele deu um suspiro cansado. 

— Não mas... — ele me interrompeu.

— Você vai para terra viver como uma humana, seus poderes vão com você porque sua mãe nos fez prometer que não tiraríamos, porém um feitiço será lançado em você. — ele se afastou e abriu um livro para começar a ler. 

— Um feitiço? — indaguei confusa.

— Se você usar qualquer tipo de feitiço na terra nós sentiremos e eles serão tirados de você no mesmo instante. — olhei para minha mãe que estava com olhos marejados, parecia que a qualquer momento ela ia desabar. — Isso não faz parte do castigo, é mais como meio de proteção para você.

— Meio de proteção? — digo incrédula. — Vocês vão me mandar para outro mundo longe daqui e querem me proteger? Faça-me o favor. — digo com a minha voz falhando querendo chorar.

— Escute Any, isso é importante. — Guilherme me olhou. — Tem forças malignas na terra e eu sei que você sabe disso, eles sentem auras de poderes, se você passar dos limites eles irão te caçar e nós não sabemos se chegaremos à tempo para te salvar. — ele voltou a ler o livro procurando algo.

— Se vocês sabem que na terra tem forças malignas e que eu corro perigo se usar meus poderes, por que me mandar para lá? Eu posso morrer! — digo olhando para Guilherme que continua lendo o livro.

— Olha você não tem que ter medo de morrer, uma bruxa não morre assim tão fácil, isso requer muito poder e também requer que a bruxa não tenha nenhum poder para se regenerar. — ouvi essas palavras se aproximando de mim e junto delas Charles.

Desgraçado!

— Você! — digo olhando com ódio para Charles. — Você finalmente conseguiu o que queria não é? Me mandar pra longe? — sorri debochada. — Você não presta, tenho nojo de você, no-jo, está ouvindo? — digo olhando pra ele.

— Assim você me ofende. — colocou a mão no peito. — A gente tentou várias formas de castigo, acredite, mas não teve jeito. — ele se aproximou de mim. — Você vai ver como esse um ano passará voando. — ele sorriu de canto para que ninguém visse. 

Agora já chega!

— Stillabunt! — lancei um feitiço para me soltar da magia.

Guilherme largou seu livro quando viu aquilo. Ninguém se soltava de seu encantamento assim, com tanta facilidade, na verdade nem eu sabia como tinha feito isso. 

— Você não tem o direito de se meter na minha vida, você não é nada meu! — falei avançando na direção de Charles. — Eu odeio você com todas as minhas forças.

— Filha... — minha mãe entrou na minha frente. — Seus olhos estão vermelhos, se controla por favor. — ignorei o que ela tinha me dito e continuei na direção de Charles que ficou encurralado na parede. 

— Eu vou te mostrar que você se meteu com a pessoa errada. — sorri. — Ibhola Yomlilo — levantei minha mão direita para cima e de repente uma bola de fogo surgiu em cima dela. 

O ódio tomava conta do meu corpo e eu já não o controlava mais, ia matar o Charles e não sabia como parar.

— Adeus Charles...

— Any já chega! — Guilherme gritou atrás de mim. — Superasque Evadere! — só ouvi Guilherme lançar seu feitiço e senti minha vista escurecer...

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