001| O estrago.

Era um domingo normal como todos os outros, viver aqui era tranquilo, até demais para falar a verdade.

Nesse momento estou no meu quarto encarando o teto como de costume, só pensando em alguma coisa para aprontar…

Às vezes é chato não ter amigos, na verdade é chato não ter com quem conversar a não ser com as paredes. Antes eu até suportava bem, afinal eu sempre ia encher o saco da minha mãe, mas depois de um tempo tudo mudou.

Minha mãe nunca mais teve tempo pra mim desde que começou a namorar esse cara que ela hoje chama de "noivo", ele é insuportável!

No começo ele até era legal, se mostrou um cara super gentil e sempre me dizia que não ia roubar o lugar do meu pai, só que depois de noivar com minha mãe começou a me tratar com desdém. Tudo começou a piorar e minha mãe já não me tratava como antes.

Era Any daqui, Any dali. Se ela pegava a gente discutindo a culpa sempre era minha, não importava o que eu dizia. O pior de tudo era ter que aguentar esse desgraçado rindo atrás dela...

— Any! — ouvi minha mãe gritar me chamando.

Ela parece irritada, e com razão visto o estrago que eu fiz na biblioteca, na verdade até que demorou para essa bomba explodir, fiz isso ontem de noite, até achei que tinham deixado pra lá.

Me levanto da minha cama e faço um coque no cabelo. Abri a porta e segui até a sala praticamente me rastejando.

— O que foi?! — gritei caminhando onde ela estava parada conversando com o conselho.

Oh-oh, dessa vez eu acho que passei dos limites, quer dizer, para o conselho aparecer aqui na minha casa, é porque a coisa foi um pouco mais embaixo.

Tudo bem que eu gosto de aprontar, até porque viver aqui tem se tornado um tremendo de um saco, mas não posso acreditar que eles vieram por livros...

— O que aconteceu? — perguntei como quem não sabia o que estava acontecendo e rezando para não ser comigo esse conselho.

— E você ainda pergunta Gabrielly? — minha mãe diz andando até mim. Charles está atrás dela rindo da situação, pra variar.

— Do que você está rindo ? — digo olhando para a cara dele.

Minha vontade é de estrangular ele até seu ar acabar, só não fiz ainda por falta de oportunidade... E também porque sempre tem alguém por perto.

— Eu? — diz apontando para si com aquela cara de sínico. — Não estou rindo minha querida, estou aqui para entender o que aconteceu para poder te ajudar. — falou com uma cara de pena e preocupação.

Ele me dá nojo!

O pior de tudo isso é ninguém sentir a aura ruim desse cara, nem o próprio conselho se toca disso, o cara mente na maior naturalidade e ninguém desconfia? Sério mesmo?

— Você é péssimo, se é pra fingir pelo menos faça isso direito. — digo isso fazendo um movimento redondo com a mão e lançando um feitiço nele.

— JÁ CHEGA! — minha mãe gritou e girou a mão para parar a minha bola de ar que estava indo em direção a Charles. — Você tem noção do estrago que fez na biblioteca real?! — disse ela com uma voz séria, acho que nunca a vi desse jeito, e olha que já vi ela estressada.

Teve uma vez, que não sei como, lancei um feitiço em Charles que fez seu corpo se chocar contra a parede de casa... Nesse dia ela gritou comigo, acho que mais de preocupação do que irritada.

— Estrago? — pergunto fingindo demência mesmo sabendo que não ia funcionar.

— Você nos fez perder muitos livros sagrados, sabe quanto tempo vai demorar para refazer isso? — disse Thomas do conselho.

O pessoal do conselho se divide por cargos, são vários e todos contém um número selecionado de bruxos. Thomas meio que cuida dos afazeres da biblioteca, ele até que estava calmo para alguém que perdeu seus livros.

— Eu não estou entendendo. — digo andando até o sofá e me jogando nele.

— Nós sabemos que foi você Any, sua aura estava em todo lugar da biblioteca e você foi a última a entrar no local ontem à noite. — disse Thomas já alterando sua voz, sabia que a boa pose não ia durar muito.

— Eu não estou negando nada disso. — digo apoiando minha cabeça no sofá. — Vocês são do conselho, são bruxos, deveriam resolver isso em questão de minutos com apenas alguns feitiços. — me levanto do sofá e começo a andar pela sala.

Talvez eu esteja caçando pra cabeça, mas cá entre nós, quem é que aguenta um bando de velho reclamando no ouvido?

— Você é uma irresponsável! — ouvi a voz de Guilherme e olhei para trás.

Guilherme Elliot, líder do conselho de Ilvermorny e também um velho ranzinza. Não que mude muito o termo de todos, mas ele em específico é mais bipolar do que eu, uma hora está bem, outra hora está querendo matar alguém... Enfim.

— Como? — pergunto encarando ele.

— É isso mesmo, você acha que só porque é filha deles. — fala apontando para minha mãe e Charles. — Pode sair por aí fazendo estrago pelo nosso mundo. — ele continuou falando e eu virei minhas costas para ignorá-lo.

É como eu disse, não tenho paciência para papo de gente velha!

— Olha pra mim quando eu estiver falando com você! — sinto uma força me virar fazendo eu ficar de frente para ele novamente. — Eu sou mais velho e do conselho, eu exijo o mínimo de respeito de sua pessoa. — ele já estava vermelho de tanta raiva.

Para ser sincera já até que estou acostumada com isso, ver gente brigando ou me dando bronca, porém é a primeira vez do conselho... E Any Gabrielly quebra mais um recorde!

— Estou ouvindo. — digo isso em um tom seco e sem poder me mexer já que sua magia está me mantendo presa.

— Você só apronta, sua última "brin-ca-dei-ra". — falou isso fazendo um sinal de aspas com as mãos e pausadamente. — Nos custou muita energia, você soltou todos, eu disse TODOS, os nossos dragões. — segurei o riso.

Devo admitir, esse dia foi espetacular de incrível, fiquei sentada embaixo de uma árvore vendo todos correndo atrás de dragões... Saudades.

— Se eles tivessem ido embora do nosso mundo ficaríamos um bom tempo sem meios para buscar recursos, e você como uma boa bruxa sabe que voar usando magia nos consome muita energia. — é... Realmente.

Ele continuou a falar diversas coisas que eu aprontei durante esse período de 2 anos que minha mãe havia noivado com Charles, nem eu sabia que tinha sido tanto.

— Eu já entendi senhor. — falei abaixando a cabeça

Depois dele jogar tudo isso na minha cara eu entendi a merda que tinha feito durante esse tempo. Esses livros são importantes para nosso mundo e precisamos deles quando quisermos nos teletransportar para lugares que precisam de ajuda e não têm tempo para esperar. Fora os diversos feitiços poderosos que eram mantidos sobre segurança, que graças a Deus não foram comprometidos.

— E só para o senhor sabe, esse cara. — aponto com os olhos para Charles já que seu feitiço ainda me mantinha imóvel. — Não é, e nem nunca será meu pai. — digo isso voltando a olhar para Guilherme.

Ele me olhava com os braços cruzados e eu fechei os olhos respirando fundo.

— E eu também lhe peço desculpas, a você e a todo o conselho, isso não se repetirá, eu prometo. — digo abaixando minha cabeça novamente e meu tom de voz.

Não que eu esteja arrependida de tudo, mas certas coisas eu fiz realmente sem pensar, o que foi o caso da biblioteca, fui passear e quando vi o local virou uma zona...

— Não irá mesmo senhorita Gabrielly. — olhei para ele.  — Eu, sua mãe e seu pai...  — ele pausou a sua fala ao perceber que iria chamar Charles de "meu pai". — Seu padastro, tivemos uma reunião hoje cedo e decidimos que dessa vez. — ele deu um longo suspiro. — Dessa vez não terá perdão. — prendi minha respiração.

— O QUÊ?! — dou um grito assustada. — C-como assim? Vocês vão me castigar? — minha voz falha ao falar, isso não estava acontecendo, não comigo…

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